sábado, 8 de fevereiro de 2014
Comentários de LEITORES deste autor
de Miguel Angel Fernandez; que muito agradece a generosa boa vontade e a eles dedica a frase de Jorge Luis Borges:
"Um livro é uma coisa entre as coisas, um volume perdido entre
os volumes que povoam o indiferente Universo, até que encontra
o seu leitor, aquele destinado a seus símbolos. Ocorre então a emoção singular chamada beleza, esse mistério formoso que não decifram nem a psicologia nem a retórica."
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Amigo,
Que angústia vivi!!! (PRIMEIRO CAP. DE A CENA MUDA)
Aliás, dose dupla de angústia: fui a mulher e fui o assassino.
A mágoa que se agiganta e torna-se ódio...
o ódio que sufoca e precisa ser exorcizado.
O medo, virado pânico, a impotência contra o ódio/fogo!!!
Uauuu.... que horror!
Parabéns pela competência de me tornar personagem.
beijo M. Almodovar
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(...)Aí, comecei no texto propriamente dito.
Dinâmico, prendendo nossa atenção desde a primeira linha.
Linguagem cênica, direta, sem meio-termo, atingindo imediatamente o objetivo,
sem deixar de ser sensivel ou melhor dizendo sensória(me fiz entender?)
Cheguei até o 3º capitulo e o pique se mantem inalterado, envolvente, quase que orgásmico...
BERNADETE BEHEREGARAY, Petrópolis
(24/05/06)
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Querido amigo,
estou fascinado com o seu livro A CENA MUDA...
ANTONIO LISBOA CARVALHO DE MIRANDA (20/01/06)
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Flavia Trigo de S.P.
A Cena muda
É um romance original. Não tem a característica linear de outros livros.
Tem sexo e violência, mas muitas se justificam porque
a ação se passa numa revolução!(a de 1932 em SP)
Gostosa leitura, onde aprendi um bocado sobre essa guerra brasileira.
E tem várias ilustrações que abrem os capítulos.
Já enviei para alguns amigos a dica. Tomara seja sucesso. Gostei!
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Maria Lucia Barbosa de Londrina,
A Cena muda
O que impressiona neste autor é seu domínio da palavra,
os vôos da imaginação de que é capaz, os detalhes de crueza espantosa,
os cenários perfeitos, o palpitar da vida que transbordam do romance,
um livro de impacto do principio ao fim, de surpresa,
de inesperadas tramas que se tecem
nos labirintos humanos de A CENA MUDA.
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Meus parabéns... eu adorei! Dispensa até comentários.
Beijos, bom domingo,
Renata de Vasconcelos Rodrigues
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Fiquei assustada 04/11/2005
Oi Miguel!
Li esse livro há um certo tempo já e minha primeira
sensaçao foi de pavor com o primeiro capítulo.
A seguir, a sensaçao ora aumentava, ora diminuía,
mas o pavor estava sempre ali, tão ali que nao podia parar de ler. Foi prazeroso.
Vou indicar esta comunidade a uma
amiga minha q leu meu livro e tb gostou muito.
Abraço!
Fernanda Cristina
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=11959793585742762659
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22/06/06
Prezado Miguel,
Com certeza vejo muitas propriedades em seu livro.
Leio desde minha tenra idade e pela primeira vez
me deparei com uma obra com tamanha criatividade.
Tudo chama a atenção! O título, o enredo e o que deseja transmitir.
Sei que certas coisas, na qualidade de autor,
não poderá comentar. Mas fico feliz por saber que captei
parte de sua mensagem. Irei continuar lendo nos
meus finais de semana, deitado em minha rede.
Mais um vez agradeço o envio do livro,
uma obra que retrata sua inteligência, criatividade
e o dom da escrita; com certeza!
Um fraterno abraço,
André Prado
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eu de novo!
só pra falar que ADOREI a capa do seu livro e, pelos comentários,
fiquei com vontade de ler! maravilha, menino! que beleza!
Um beijo, Érica Antunes
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Oi Miguel, sou do grupo de poesias do yahoo, e recebi
seu texto "caixa de fósforos na mão" (PRIMEIRO CAP. DE A CENA MUDA),
e simplesmente adorei.
Entrei no texto, vivi cada detalhe, participei de cada
emoção, realmente adorei...
Só gostaria que vc soubesse que eu admiro o seu jeito
de escrever, e sinta-se a vontade para responder, ok?
Abraços da amiga REGINA VERAS
Beijos carinhosos Regina Veras
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28/05/06
Meu caro,
Sim, eu li o livro A cena Muda e gostei muito.
Não foi um livro fácil de se ler,
mas eu gostei mesmo assim e por mais que eu conheça a criatividade
de sua expressão literária, fiquei impressionada com várias
passagens do romance. Palpável, como se tivesse cor e fosse
escrito em terceira dimensão. Deu pra entender?
Izabel Macedo
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Caro Miguel
Tirei uns dias de férias e aproveitei para
terminar a leitura do A Cena Muda.
Excelente livro. Daria um filme de primeira.
O livro, como já lhe falei, não é de fácil leitura, exigindo
ativa participação do leitor ( aliás, uma regra nas boas obras.
Interessante como vc coloca, através dos personagens,
as várias visões acerca da Revolução de 32
e bem retrata São Paulo naquela época e seus porquês.
O enredo é ótimo e prende a atenção do leitor.
O forte tempero de sexo e violência às vezes assusta...
Estive em São Paulo no fim-de-ano e na FNAC
encontrei o A Cena Muda, que comprei para dar de presente a meu filho.
Abçs
Severino Silva
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Miguelangel,
Tem muito valor tua presença no site Poetas Contemporâneos. E tudo que te acontece de bom, me alegra.
Li o conto. Eu te acho incrível. Essa crítica mordaz da mesmice, da mediocridade,
das fachadas hipócritas atrás das quais a maioria esconde a vida, é ótima.
Beijos, Maria
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Que louco,Miguel!! :-))
Li e gostei.
abraço e a saudade da.
Júlia Oliveira
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Miguel, só hoje entrei no Recanto das Letras (N. do A. os contos mencionados podem ser lidos neste link) e delirei ao ver seus contos, como os adoro!
Exerce poder diabólico e 'Angelical'...é realmente bom...
Será que você imagina o poder que tem? Deve imaginar...
Bem, só queria mesmo dizer 'oi', dizer que continuo sendo sua fã número um,
mesmo que haja mais uns tantos números uns na minha frente. Muitos beijos.
Flavia (3/3/02)
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Oi,
Quem sou eu para elogiá-lo?
Bem, elogios não engordam!
Seu texto está fantástico. Esse seu faro de observar as
mínimas nuances do cotidiano me encanta. Gostei muito.
Gostei também do site e da Hilda. Parabéns e obrigada
pela indicação.
Izabel
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Parabéns, seus textos são maravilhosos,
fico presa desde o começo até muuuito depois
do fim...parece um filme...muito bom.
Jhulia Antares
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Adorei esse texto... muito lindo.
Mostra todas as carências de uma mulher casada, mas que sabe
ser uma mulher bela e carente de amor e carinho.
Parabéns...
Yna
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30/07/05
nossa! que conto extraordinário! bem narrado,
cheo de suspense, poético. Parabéns Miguel.... muito bom mesmo.
Li nessa manhã sem respirar, sem sofrer e cheio de prazer! legal!
Enviado por antonio fabiano em 12/07/2005 (para o conto "Nove fados")
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Belo conto...adorei...
Parabéns!!!
Bela descrição do momento...susto e desejo...preconceito e desafio...
c_pandora
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Parabéns ao autor,
eu gostaria de obter um livro, como faço???
Flávio.
Clica aqui, Flávio: COMPRAR
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Ótimo texto companheiro
Rafael
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PARABÉNS!!!!!!!!!! Muito sucesso.
Já havia lido algumas críticas eleogiosas (estadão? Ilustrada?, não lembro) ,
mas não havia associado a vc. Bjs
Cássia Domingues
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Miguel, mais uma fez você me fez entrar em um conto
seu, parece que escreveu minha vida...
Mais uma vez digo que adorei...
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Meus parabéns, BRAVO!!! Vou ler o artigo mais atentamente,
e tentarei procurar o livro nas livrarias locais.
Somnium
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Oi, Miguel,
Vc escreve muito bem.
Este está d+.
Li o primeiro ato da sua peça. Boa!
estou esperando o resto.
Parabéns
Beijos
Evely
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Miguel
Virei sua fã de carteirinha... Vc é muito bom saiba disso? Tem todos os
engredientes do bom escritor, leve, sensivel, atencioso com a escrita,
sarcastico... estou amando seus textos...
Já pensou em escrever pra teatro? Vc tem um excelente dialogo, fluente,
verdadeiro...
Um abraço
Sandra Falcone
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MiguelAngel:
Parabéns pelo conto "Sangue não dói". Muito original. Amei, hahaha.
Aliás gosto dos outros também.
Juraci
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Adoro seus escritos!
maria da graça almeida
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Continue, estou gostando...
josé félix
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Eu adorando, Miguel. Não tenho comentado por falta de tempo.
Daqui, do pais de Caeiro vai um abraço!
Júlia Oliveira
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Sem agradecimentos!
Escreve, escreve e escreve.... sempre...
Talento tu tem de sobra...
Grande abraço amigo!
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Olá Miguel, gostaria de aproveitar a oportunidade - antes que seja tarde -
para te dizer que estou me transformando em um fã seu. Tenho lido - com
olhos atentos - a todos os textos que você nos envia e também os que
encontro pela Net afora.
Grande abraço,
Taitson...
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Valeu, Miguel!!
Fantástico esse "manifesto" literário-político-artístico.
Abração.
dead.man.O.well
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Miguel, está ouvindo meus aplausos? Não!?
Estou de pé te aplaudindo.
Parabéns
Arlete de Andrade
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Impressionante! É a única coisa que posso
dizer após ter devorado seu conto Sodoma & Gomorra.
Alguns outros eu jÁ conhecia. Parabéns!
Barbara Amar
OBS: Vou tentar devorar os restantes com o mesmo apetite...
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Magriça, querida, como conheceu o Miguel? Obrigado pelo belo texto.
affonso Romano Santanna
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"Excelaint , Monseiur"
Marcos Nogueira
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Olá, grupo e Miguel!
Parabéns pela obra que vem escrevendo Miguel A. Fernandez.
Tenho visitado seus sites e lido suas produções. Avante...!
Vale à pena! Ainda mais quando se é impossível não escrever a própria
escritura.
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Olá, Miguel Angel Fernandez!
Um prazer tê-lo conosco. Andei visitando seus sites e
seus textos são um deleite!
Abraço Cordial!
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Nossa, que demais!!
é um dos meus poemas favoritos este!!
thiago zero,
ah, e parabéns pelos seus textos, que eu adoro.
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(Do conto Menino assobiador)
Que delícia, Miguel.
Neldson Marcolin
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Muito bonitinha a história...
Adorei!!! Abraços...
M.M.(para o conto: Menino assobiador)
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Miguel
Que coisa mais linda, que momento terno , fiquei , fiquei... muito lindo
mesmo... Que momento lindo vc proporcionou... terno, doce...
Meus parabéns...
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Miguel!
Fantástico seu texto em Prosa Poética!
Ainda não tinha lido nada igual!
Demais mesmo... Parabéns!
Antenor Ferreira Junior!
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MIGUEL,
CHEGA LEVE A MEUS OUVIDOS
UM VENTINHO SEM IGUAL!
JURO QUE NUNCA OUVI
SOM, ASSIM, TÃO MUSICAL!
SOPRO DE VENTO ESPERTO,
SOPRO DOCE E MAROTO,
BOM QUE JAMAIS FIQUE QUIETO
O BIQUINHO DO GAROTO!
MARIA DA GRAÇA ALMEIDA
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POR ISSO EU TE DISSE MIGUEL,
QUE AQUI SOMOS ALIENÍGENAS.
BEIJOS E CONTINUE COM ESSE TALENTO ADMIRÁVEL, SEM RASGAÇÃO DE SEDA.
bJS lELÉ
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Dos contos "O gato do Vizinho" (clique para ler)
Demoramos, eu e o conto, a aparecer. Mas, no caso do conto, valeu a pena esperar. A cada linha, num crescendo, minha atenção foi sendo aprisionada de forma intensa e meus olhos devoraram as palavras, querendo descobrir a solução do impasse. A delicadeza da relação homem x gato me tocou o coração e a forma como é descrita emociona a quem ler.
Parabéns, mon cher e... WELCOME BACK!!!
Pizzanete
Quarta-feira, 21 Janeiro, 2009
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Blogger Blog do Eliziário disse...
Lindo demais. Texto excelente, poético, emocionante de verdade, história belíssima. Adorei. Gostaria de ter escrito isso. Escreva outros do gênero. Abração.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Resumo de meu novo romance
Por ordem de 'aparição':
3º Núcleo: 4 personagens de destaque:
No meio da marcha, irá surpreender o casal formado pelos jovens Marilda e Benjamim tentando desertar da coluna, onde haviam se refugiado após fugir da cidade procurados pelo assassinato do fazendeiro marido da moça.
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
“Você tem um dever a cumprir!” Matar!, sugere o cartaz patriota de uma revolução brasileira (1932), cenário do romance.
Amar!, sustenta a fé. As descobertas das falsas ilusões: no cinema, ao acender das luzes; na vida, nos fantasmas das bombas fratricidas. Dessa e de todas as guerras.
O sexo como fundamento para a alegria de viver.
A morte privada: o assassinato premeditado nas tramas tecidas nos labirintos humanos.
A morte coletiva: palco dos protagonistas das diversas camadas sociais e raciais envolvidas nesta história e no tempo; que é “fugaz dentro do universo, mas eterno para as paixões dos homens”.
Onde encontrar a 2ª edição (2014) Clube de Autores
Capitulo 1 do romance
Avant-PrèmieEm silêncio entrou no quarto, fechando a porta atrás de si; só então respirou mais calmo. As batidas do coração, que lhe pareceram ecoar ruidosas pela escuridão da casa, diminuíram ao constatar que ela dormia profundamente; boca aberta e leve gargarejar o demonstravam.
Reavivou-se a náusea e a determinação de realizar nessa última noite o planejado. Aproximou-se da cama, e sem demora espalhou espesso líquido debaixo dela até esvaziar a garrafa, guardando-a novamente no bolso do casaco. O forte cheiro do produto dilatou-lhe as narinas e fez seus olhos lacrimejarem. A mulher na cama mexeu-se de leve. Ficou imóvel até ela se aquietar. Caixa de fósforos na mão, acendeu o primeiro, que se apagou no mesmo instante; mordeu o lábio inferior, engolindo um palavrão. Segundo fósforo aceso, dessa vez cuidou para não se apagar, protegendo-o com a mão em forma de concha. Cuidadosamente, abaixou-se e aproximou a chama na mancha que o líquido formara debaixo da cama. Quando o fósforo chiou e apagou-se ao contato com ele, receou ter enchido a garrafa com o produto errado. Agora o cheiro mais intenso aumentava sua excitação. Leve gemido da mulher o paralisou novamente. De joelhos ao lado da cama, curvou-se até seu rosto ficar bem perto do chão. No sono inquieto, ela esticou o braço e a mão, pendurada na borda da cama, roçou-lhe de leve a cabeça. Sobressaltado, acreditando-se descoberto, afastou-se de um pulo. Já tinha na mão a garrafa vazia que retirara do bolso, pronto a quebrá-la na cabeça, mas ela imobilizou-se e continuou a dormir. Devia se apressar, o cheiro nauseante já estava tomando conta do quarto. Voltou a riscar outro fósforo. Dessa vez, em contato com o líquido, a chama foi espalhando-se aos poucos embaixo da cama. Esperou alguns segundos, até se certificar que o fogo atingia os extremos dos lençóis e parte das cortinas da janela. De costas para não perder nenhum detalhe, foi afastando-se em direção à porta. Antes de sair e apesar da inquietação, não conseguiu evitar um sorriso diante da certeza do êxito alcançado. Tudo conforme projetara durante tanto tempo nas suas vigílias. Fechou a porta suavemente; andando pelo corredor, pé ante pé, chegou às escadas; no topo pareceu-lhe ouvir barulho proveniente da cozinha, no térreo. Estranhou. Tinha certeza de estarem sozinhos na casa; ou teria sido do quarto que deixara? Ela acordara? Se assim fosse, certamente uma gritaria histérica já teria tomado conta da casa. Embora apreensivo, impelido pela curiosidade, acabou voltando. Ao chegar à porta encostou o ouvido; o burburinho vinha do interior do quarto. De um puxão abriu a porta, e então o coração palpitou agitado, a respiração parou na boca aberta e os olhos se abriram atônitos diante da imagem fora do roteiro planejado: sentada no meio da cama, ilhada por línguas de fogo que cresciam aos poucos, imobilizada pelo terror e ao mesmo tempo tremendo como folha de papel, tão branca como os lençóis, a mulher olhava-o fixamente. Antes de perceber naquele mirar qualquer vislumbre de súplica ou espanto, repentina convulsão fez o corpo dela primeiro se contrair, depois se retesar e tombar como se tivesse levado uma pancada no peito. Iluminado pelas chamas, via-se vômito escorrendo pescoço abaixo. Os maxilares pareciam mastigar um grito engrolado pela espuma que se seguiu, formando pequenas bolhas de ar no canto da boca. Os dedos dela, trêmulos, agarravam os lençóis em chamas, e no desvario jogava sobre si mesma o fogo que, depois de alcançar o travesseiro, queimava seus longos cabelos. O gemido que não conseguia articular parecia formar um nó na garganta; somente agudo estertor saía por ela. Os estalos da madeira e o tamanho das chamas aumentaram. De repente, apoiando-se sobre o cotovelo, estendeu-lhe a mão em forma de garra; foi apenas um segundo agonizante, pois nova convulsão a sacudiu, e dessa vez sua violência fez a cama tremer. Nauseado, retendo a respiração, saiu do quarto e trancou a porta atrás de si. Correu até a escada e lançou-se degraus abaixo em direção ao térreo, sem importar-se com mais nada a não ser fugir dali. Abriu a porta da rua, parou um instante para respirar o ar da noite profunda e logo a seguir, num pulo, escondeu-se nas sombras do jardim e vomitou. Depois esperou. Esperou até ver as línguas de fogo assomarem pela janela do quarto. Ficou ali até as chamas, queimando as cortinas de veludo, tornarem-se fragorosas e expandirem-se, iluminando o jardim, refletindo-se faiscantes na órbita de seus olhos bem abertos, para captar cada minúcia de sua pirotecnia. Esperou ouvir os vidros da janela se estilhaçarem pelo calor. Piscou quando, minutos depois, outras janelas da casa explodiram em turbilhão de faíscas. Sentiu o cheiro de livros sendo incinerados, sabia que naquele momento ardiam as roupas e
as portas, inclusive as secretas. Não se mexeu até estar convicto de as maçanetas se terem torrado, inflamado os móveis e os quartos, escadas e candelabros derretidos. Ouviu lustres, garrafas e cristaleiras explodirem num iluminado pipocar de festa e chiados de cimento sucumbirem ao calor das labaredas. Faltou-lhe ar ao vislumbrar paredes se abrasando até caírem com fragor, mergulhando em poça de fagulhas, e logo os tijolos viraram brasas, e cinza seu ódio. Adivinhando o corpo calcinado, misturou-se aos apavorados vizinhos e curiosos, que, fascinados pelo espetáculo pirotécnico, nem deram pela sua presença. Só então, iluminando-lhe as costas a luz do vulcão que o libertaria dos incômodos do passado, desapareceu em direção ao amanhecer. O mar o esperava.
domingo, 2 de maio de 2010
Fragmentos dos capítulos
MIGUEL ANGEL FERNANDEZ
COPYRIGHT MIGUEL ANGEL FERNANDEZ
Direitos reservados e protegidos pela lei 9.610
de 19 de fevereiro de 1998.
ISBN - 85-7480-017-1
Printed in Brazil
2000/2014
Mail: miguelangel1948@gmail.com
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BUENOS AIRES, CAPITAL DA
CONSPIRAÇÃO BRASILEIRA.
COPACABANA EM CHAMAS.
COLUNA DA MORTE.
DA ESPERANÇA.
Toledo sentiu profundo e súbito cansaço ao descer do táxi
com os companheiros e dirigir-se ao portão de embarque do
aeroporto, quase vazio àquela hora. Decerto os vinhos que
tinham tomado antes de chegar estariam colaborando. Um
pouco tonto, encostou-se no balcão e ficou observando a
pista e o único avião em atividade que os aguardava: um
surrado e pequeno monomotor Laté-28 da Latecoére fazia
escala naquele portenho amanhecer de 9 de maio de 1930,
vindo do Chile e com destino a Montevidéu. Enquanto esquentava
o motor desregulado, o barulho ensurdecedor e os
súbitos estampidos do escapamento semelhantes a disparos
de fuzil faziam cintilar flash indiscreto sobre fragmentos de
suas lembranças: como a imagem daquela Copacabana
ensolarada e sangrenta cujo significado mantivera escondido
sob oito chaves - uma para cada ano -, como primeira
amante incógnita. Seu primeiro fracasso.
Entre frios nevoeiros argentinos:
Copacabana fervendo de sol
Ao detonarem: “Deponham as armas, o golpe fracassou!”,
nascera sua disposição de morrer pelo Brasil, iniciando a caminhada
por Copacabana em 1922, no primeiro levante
tenentista. Depois sentira o baque brutal no estômago dilacerado
a bala; sol e mar desapareceram no meio do fragor dos disparos.
(...)
PERNAMBUCO, GOUVEIA.
MADEIRA-MAMORÉ.
TONHO SONHA COM SÍTIO E ESPERA
MORRER VELHO
Sinhá o batizara de Tonho, melhor assim. Seu nome verdadeiro podia constar nas listas dos tenentes como desertor. Para que cutucar o azar? Nem para a branquela contou o acontecido com ele. Pra quê? Só queria mesmo um troço dele. E isso era dela... por enquanto. E ademais perigava saber que ele fugira dos canaviais de lá pelo assassinato do Gouveia, a mando de outro coronel rival da cidade de Jatobá. Quem arrumara a armação fora o José Félix, que depois do feito escondeu-se em Sergipe, mais tarde soube pegaram ele. (...)
Nos primeiros anos, ao chegar a São Paulo, teve a idéia de entrar num time de futebol. Por que não? Não tinha aquele crioulo, o tal Diamante Negro, e tantos outros negrotes mais? Se chamaria Pérola Negra. Podia ter entrado nessa, mas como? (...)
Mas pelas ironias dessa vida, foi se meter na Força Pública, dentro da casa do inimigo, podia-se dizer. Garantia comida, roupa e cama. Depois de alguns treinamentos, estourou revolução em 24. O tal de Miguel Costa, o mesmo que estava aí de novo, juntou a Força com os milicos para derrubar o Bernardes do governo. Foi uma época boa, e se divertia imaginando a cara desse Miguel ou outro mandante, soubesse que ele era preto corrido da justiça por ter dado cabo de branquelo, coronel e rico... E agora podia matar gente. Era coisa oficial. Tinha até prêmio! O narigudo do tenente Cabanas andava espetando medalha nos peitos dos que tinham se sobressaído nas batalhas. A dele devia estar nalgum canto, por aí. Depois a artilharia deles desembestou a bombardear feio, matando e ferindo de montão. Os legalistas cercaram a cidade; e o que durou uns vinte dias de glória e cantoria virou merda. Fome, frio, gente de bairros inteiros se mudando com as trouxas e filhos e tal, sem eira nem beira. (...)
Aí, então... então apareceu Madame num domingo de Carnaval. Que fruta rara! (...) Sinhá olhava ele parecendo querer abocanhar. Assim que ficou claro o que ela queria, ia negacear? (...) Lembrou o verso que roubou dela: “regaço sólido que sacia quente / minha doce febre./ Pêlo e pele / solidez incauta / balanço e aconchego / de meus peitos”. Aquele namoro não estava ficando chameguento demais?
(...)
* SÃO PAULO, CEMITÉRIO DO CAFÉ.
“CAIPIRÃO RUBIÁCEA”, PIERRE E SUA
LÍNGUA NORDESTINA.
CONSPIRAÇÃO DE TENENTES
E PAULISTAS “CARCOMIDOS”
Loucura, Pierre, é o que tu fizeste, seu infeliz. O homem sempre soubera das andanças da mulher, nunca ligara que botasse “boné” nele. Meter-se com gente de seu ambiente, igual das outras vezes, gente fina, vá lá. Mas um tição do diabo? (...) O homem pode fazer loucura. Viu a cara dele? Então ele já sabia do negro. Vai ver daquela vez, ao sair do clube, alguém viu, contou ou comentou... É, o homem sempre teve seus informantes. Cuidado com esse homem, Pierre! E com dona Magda também.
No quarto, Alvarenga trancou a porta e sentou-se na cama. Puxou e enrolou a ponta do bigode no dedo. Começaria a tremer sua pálpebra a qualquer instante. (...) Dessa vez Magda enlouquecera. Das outras aventuras nunca se importara muito, afinal pertenciam à elite esclarecida onde se podia manipular inteligentemente pactos, alguns implícitos, dos quais também ele usufruía quando tinha tempo, interesses políticos ou comerciais, fazendo de um affair às vezes incômodo um bom empreendimento (...) Ele sofrendo com as perdas, descapitalizando-se cada vez mais por causa dessa terra maldita! Nem enchente nem seca, nada. Os cafezais florescendo por hectares e mais hectares, invadindo o Estado, o país, o mundo... Enquanto ela pulava em cima de negro sujo. Quanta injustiça! (....)
Em risco à sua aliança com aqueles militares fracassados e a conspiração para derrubar Washington Luís... fato que abriria caminho a seus planos secretos. Aqueles malditos negros! Deles se vingaria por meio das filhas. Impondo-se pela autoridade e pequenos subornos, fazia as pequenas acariciarem e lamberem seu corpo, em especial seu “mastro”, doce estandarte da vingança! Humilhando aqueles negros, inoculava nas suas filhas germes de futuras prostitutas, pequenas mentirosas que não queriam perder presentes ou receber castigos. Os ingredientes libidinosos vendo aquelas crianças... sem pêlos pubianos! né, Riqui... entre suas pernas eram enriquecidos pela sensação de poder e de vingança, fazendo o prazer sexual beirar o delírio.(...)
Oportunamente entrou no Partido Democrata, naquela circunstância em lua-de-mel com a Aliança Liberal, tendo um maldito gaúcho como candidato! Getúlio Vargas, baixinho ardiloso com capacidade de criar problemas. (...)
Ainda assim, não existiam alternativas senão uma revolução para deter o continuísmo desse governo. A prova era Washington Luís impondo seu sucessor para continuar sua política de reforma econômica, como implantar uma nova moeda com o nome ridículo de “cruzeiro”! Pode ocorrência mais hilária? Isso ia acabar. Estava trabalhando nisso até em outros Estados. (...)
LIVRARIA TEIXEIRA.
ÍRIS E DIAFRAGMA
PROMETEM FITAS SONORAS.
GETÚLIO MANDA
E JOÃO ALBERTO OBEDECE.
PAULISTAS DETESTAM A IDÉIA.
Lauro chegou em casa já de noite e, como vinha fazendo há algum tempo, tentaria driblar o tio Honório. O velho andava ranheta por causa da “infâmia sofrida por São Paulo” – o resto do país era só um apêndice que não lhe dizia respeito – e dos desmandos de seus interventores. Suas críticas e broncas pelo fato de ele nunca ter se engajado, nem em 1924, nem agora em 1930, estavam ficando cada dia mais agressivas. (...)
O velho devia estar esperando por ele, porque ao barulho seguiu-se quase instantâneo acender de luzes no quarto dele. Rápido, entrou na cozinha e ficou imóvel na escuridão. A gata prenhe a seus pés, sem ligar ao cerimonial de despistamento, soltou miados longos. (..)
De cara amarrada, vestindo o puído pijama de sempre, e um jornal debaixo do braço, o tio sentou-se na cadeira ao lado da gata, sem olhar para ele. Fez uma pausa para alisar o branco bigode e jogou o jornal sobre a mesa. Apoiando os cotovelos sobre ela, de esguelha e voz grave, murmurou:
– Você viu isso?
(....) Após compartilhar com a gata bocados de mortadela e de queijo, Lauro fez um sanduíche. Enquanto comiam, leu a carta de Fausto, e ela lambeu as patas, esfregou alternadamente as orelhas e bigodes, antes de ir dormir.
Voltei da Alemanha, e assim que chegamos à França corri a me refugiar em Nice, graças a Deus! Pena você não vir. De certa maneira esperei este ano todo, mas você, o indeciso de sempre, não teve coragem e nem dinheiro suficiente, como escreves na tua última carta lacônica. Este último item não cola. Já falei mil vezes que isso não é problema. Acha outro pretexto para justificar tua covardia. (......)
. (Lauro não podia saber que, semanas antes, em Nice, o local onde Fausto se encontrava escrevendo esta carta, estava pouco iluminado. Talvez por isso seu primo, Antônio, não o tivesse visto quando entrou acompanhado pelo italiano, ambos amulatados pelo sol do Mediterrâneo e vestindo roupas de praia. Assim que o italiano fechou a porta, Antônio virou-se imediatamente e amassou os lábios do outro num pro¬longado e furioso beijo,
(...)
JUDIAÇÃO DO CINEMA SONORO.
NOVIDADES DA TELA VERSUS PREÇO
DO METRO DE SEDA FRANCESA.
FOGO NOS ÂNIMOS PAULISTAS
E NUMA LOJA JUDIA.
Grávida? Uma atrasadinha à toa não quer dizer nada. É normal. E não pode ser! Lauro bota para fora naquela hora! Mesmo detestando olhar aquilo saindo dele, dá um pouco de ânsia. Sei lá, parece catarro ou clara de ovo. Não deixa ele saber disso. Mas, grávida?
Ninguém vai ficar sabendo, nem a Jandira. Não quero que me aconteça o que aconteceu com ela, coitada, solteira e com filho em Santos. Trabalhando como louca para sustentá-los. Ai, que horas são?... Que tédio. Não entra ninguém na loja. Olha a cara do velho judeu! Furibundo. Com essa crise depois da revolução, essa baderna ainda nas ruas, quem vai pensar em tecidos? Deixa, vai...(...)
A igreja não pode entender de aborto e gravidez. Os padres são todos solteiros e as freiras, virgens. Não sabem o que é o amor entre homem e mulher, as carícias, os beijos, não dá para agüentar, é mais forte que as... as “normas que as igrejas têm a missão de propalar”. Pecado é o sofrimento da Jandira, sempre suspirando com saudade do filho que não pode trazer para São Paulo. E ia botar onde? Com a gente no quartinho da casa da tia Filomena? Aliás, se a galega soubesse que ela é “mãe solteira”, expulsava na hora. Pra rua. As duas! Velha ultrapassada.
Essa sociedade de merda castiga as mulheres por terem relação sexual sem casar. Homem pode, mulher não. Na ocasião de me entregar ao Lauro, foi por amor, não por causa dum papel.
(...)
ENCOURAÇADO SÃO PAULO.
MISS BRASIL.
REVOLUÇÃO RUSSA VERSUS OUTUBRISTA.
TIETÊ, MÃE DOS RIOS, VAI INUNDAR
SÃO PAULO. DE NOVO.
Na Rua 24 de Maio, Lauro entrou no bar e escolheu a mesa de onde se podia ver a praça da República através da ampla janela de vidro; era o mesmo local já freqüentado muitas vezes no passado, antigo ponto de encontro de amigos que deixara de ver pelas mais diversas razões, uma delas falta de tempo necessário para a boêmia de encontros inconseqüentes. Ali conhecera Ana, sua virgindade e as veleidades de atriz. E Fausto. Depois Laura e sua doença crônica. E “Axel”.
Um casal rodopiava numa vasta sala, enlevado nos acordes da valsa. Fausto, no vestíbulo quase às escuras, sentou na primeira cadeira encontrada. Pareceu dormitar imediatamente. Aproveitando-se disso, Lau¬ro fez meia volta para ir embora, mas antes, daria uma olhada mais demorada no casal: de lábios quase colados, dançavam ignorantes de tudo. O homem: surradas e estreitas calças, destacando o corpanzil, jaqueta como as da corte, pouco mais de sessenta anos, longa e embranquecida cabeleira. Ela, vestido comprido, vermelho como as pesadas cortinas de veludo que cobriam as janelas.
Lauro, atordoado, estava imobilizado no meio do quarto. O último gole que bebera parecia tratar-se daquele último trago que abarrota porões de um navio pronto a soçobrar. Oscilou para um lado, uma das pernas parecia não estar em seu lugar. A expressão estúpida no semblante denotava o medo de desabar, e denunciavam seu estado. Laura reparou:
Posso ajudá-lo? Permita.
Procurando como segurar-se no quarto girador, nem se deu conta de que estavam lhe tirando o paletó. Num fechar de olhos, a camisa sobre uma cadeira, a calça caída e enrolada nos pés. Num empurrãozinho, sentado na cama. Num abrir de olho, sapatos e meias pelo chão. Os seus. Outra piscadela e, de repente, caindo sobre eles, as roupas. Dela. Num nada, lençóis frios cobrindo-o. Corpo inquietante, generoso e nu grudado no seu, mão no membro, mordidinha no mamilo, respiração quen¬te na orelha, língua dentro dela. Desfrute na voz que pergunta:
– Vai dormir agora? – e um beijo longo e úmido impediu qualquer resposta. Se tivesse uma. Mas batidas de leve na porta e a voz noturnal, chamando por ela, também abreviou o que prometia ser longa semeadora de excitantes perspectivas. Era o que devia estar achando o fornido coletador entre suas pernas. (...) Ela deslizou até o chão e ficou de joelhos na frente de Lauro que, – extasiado, não afastava os olhos do homem. Inesperadamente mergulhou debaixo do lençol. Capaz de encher por inteiro a boca, sugou o que encontrou entre as pernas dele e ficou a bochechar e lamber lenta, pacientemente. (...) Os frutos de Lauro dentro da boca de Laura arrepiaram, o unicorne adormecido erguendo-se pouco a pouco, com altivez, foi tomando conta do exíguo espaço. Ela isolou Coto, o orgulhoso, e tomou conta apenas dele; sugando, aconchegou-o na garganta e com a língua obsequiosa cumpriu os ditames do deus imortal, aquele que desequilibra os membros e subjuga, no peito de todos os deuses e de todos os homens, o coração e a sábia vontade. A vontade conseguida: Lauro olhou para as largas ancas assomando fora do lençol, oferecida a todos os seres vivos. E ele estava vivo. Febril e súbita excitação lhe provocaram o mais temido dos pensamentos em tais circunstâncias. Não importam conseqüências: apenas a obediência ao transbordante ditador que derrotara todo o seu sistema de inibições. (...) O fim daquela noite terminaria com a ilusão ou o sonho; ou Laura teria levantado e silenciosamente sentara entre suas pernas e ele a teria penetrado com doce sensação? Em seguida, ela encostara a língua no seu ouvido e murmurara, com a voz do pai: “Nem a papoula, nem a mandrágora, nem todos os xaropes modor¬rentos do mundo poderão jamais te medicar para o doce sono que tiveste ontem”. (...)
Fausto, sempre impecavelmente elegante, com seu magnetismo pessoal e um bom humor um pouco cínico, outro tanto pedante, insolente até, mas inteligente de sempre, entrou no bar. Sentia-se bem com Fausto, que o divertia e informava. A amizade e o afeto entre eles provocavam ciúmes em Ana, desconfiança no tio Honório, e nele uma perturbação indefinida. (...)Hoje era o primeiro encontro com ele após quase um ano na Europa, de lá sempre se lembrando dele. A recíproca não era tanta. (...) Lauro ficou de pé, um pouco constrangido, abraçou o amigo. Sentiu o aroma de loção, de certo francesa, exalando das roupas italianas, talvez. Cinco segundos de perturbação nos corpos apertados. Alívio de Lauro ao se desprender, que o outro percebe sentindo breve beliscão de mágoa. (......)
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RICARDO ALVARENGA, JANTAR JE NE SAIS QUOI
E GORJETA INESQUECÍVEL ESPERAM
MAGDA E JANDIRA SE CONHECEREM MELHOR.
Magda saiu do banheiro, nua e ainda molhada, andou até a cama e se esparramou sobre ela. Os músculos das pernas deram um puxão, acomodando-se ao conforto. Ainda ardendo a vagina e o ânus, relaxou com prazer. Aquela fora uma tarde memorável. Seu “escravo” quase a matara de gozo, como sempre. (...)
– A manicura está aqui, madame – interrompeu a voz de Ezequiel, o mordomo. “Merde! Agora não, me deixem.” pensou. Tão confortável e nua. Mas logo depois, disse:
– Mande-a entrar! – esticou o braço para pegar o roupão, porém, desistindo a meio caminho, virou-se de costas para a porta e ficou quieta. Ouviu a porta abrindo devagar e depois a voz tímida da manicura.
– Dona Magda... sou eu, Jandira – podia adivinhar a cara da tonta, vendo-a assim, nua, jogada na cama. Passariam “idéias” pela cabeça dela? Que “idéias”, Magda? A coitada é... pobre. Mas bonitinha. Bem, teria idéias por ela. “Gozemos; somente os dias que damos ao prazer são nossos; brevemente não serás mais que cinza, sombra, fábula.”
(...) – Pena não seres massagista, Jandira. Estou precisando tanto de massage.
Ela sabia um pouco, sim. Sabia massagear pés, por exemplo. Era fácil. Largou o alicate e segurou um deles, apertando de leve a planta, dobrou os dedos no sentido contrário, para cima, apertando-os em movimentos circulares. Langorosa, Magda murmurou:
– Delícia... Se soubesse antes dessas tuas qualidades... Não pára. Continua. Assim...
Passou ao outro pé, raspou suavemente com as unhas a planta dele. Fazia isso para divertir Paulinho após o banho. Ele dava risadinha. Magda, não.
– Aperta mais forte...
Cravou as unhas com mais força. Com a boca bem perto, franziu os lábios e assoprou. Sem perceber, a língua escapuliu e lambeu a planta do pé. Como fazia com Paulinho. Também chupava o dedinho dele. Co¬locou o dedão dentro da boca e chupou. Do seu lugar podia ver a pele das coxas de Magda arrepiar-se, devia gostar daquilo.
– Morde um pouquinho, Jandira. Morde. Ça c’est bon. Ela mordeu a parte macia da planta. Paulinho dava gritinhos assustados. Esta dona também.
– Vem cá. Nas costas aussi bien – e virou-se de bruços. Jandira olhou o corpo, as coxas, o cabelo molhado largado nas costas, o traseiro redondo e branco – mais branco que o de Paulinho – e, rodeando a cama, foi até a cabeceira. Os braços abertos, um deles balançando na borda da cama, o corpo relaxado; as pernas abertas de Magda aguardavam. Impacientes.
– Vai, mulher, que estás esperando? – obedecendo imediatamente, colocou as mãos sobre as costas da outra e lá as deixou, quietas, patetas. Sentindo. Pelas palmas abertas, por todos os dedos, o calor daquele corpo penetrou por eles formigando e subindo à face, lá se alojou anuviando seu olhar. Incômoda de pé, ajoelhou-se na borda da cama. Então, obedecendo o impulso, acariciou a pele branca, mas sem jeito, de maneira brusca.
– Esse frasco rosa é creme – maquinal, pegou o frasco e o abriu, derramou abundantemente, sem conseguir evitar parte dele cair também no dorso de Magda. Esta se arrepiou ao sentir o líquido cremoso e frio sobre si, contraiu as nádegas em lenta fricção.
– Gostoso. Trepa na cama, em cima de mim, avec plaisir – com dificuldade, ela obedeceu, mantendo as mãos afastadas e levantadas, semelhante a cirurgião preparado para operação. De joelhos, tinha entre as pernas o corpo de Magda se aquietando, aguardando. Acarinhar uma mulher, as curvas do corpo, as nádegas, a pele, os seios... A sensação dos dedos dela entrando pela sua calcinha foi um assombro grato que lhe acelerou a respiração, aumentou as batidas cardíacas e lhe fez morder o lábio. Aquela mulher sempre fora boa. Alguém colocara os dedos dentro dela desse jeito? Quem a acariciara desse modo? Alguém a puxara de leve pelos braços até chegar tão perto de seu rosto que a união de suas bocas foi inevitável? Quem mordiscara seus lábios molhados e pusera daquela maneira a língua dentro dela? Arrancara blusa, sutiã e sugara seus seios assim, sem machucar, como um bebê safado? Santo Deus, ninguém! Dona Magda era tão gostosa, tão perfumada, as mãos não paravam quietas, o corpo molhado apertava e esfregava com tanto ardor... macio. Macio como seus lábios grossos de língua rósea. Dona Magda!
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CINCO GATINHOS ÚMIDOS
E GRAVIDEZ INDESEJADA.
HONÓRIO ATACA RUSSOS
E PAULISTAS COMUNISTAS.
PIOR PARA PUDOVKIN E LAURO..
(.....)– Deita aí, te cobre.
– Você não vai tirar essas calças molhadas? Tira, vai. E pendura meu sutiã lá. Vem deitar logo para me esquentar. E fecha essa janela. Tranca a porta. Agora vem cá, deixa ver o gatão escondido entre essas pernas. Deixa dar uma lambidela, para abrir o apetite dele. Para crescer e brincar com sua mamãe.
– Não fala de “mamãe”, pelo amor de Deus.
Ana sorriu até onde permitia a boca invadida pelo “gato” de Lauro, que foi ficando cada vez mais “assanhado”, até lhe pedir para ela se deitar e abrir as pernas.
– Ai, Lauro, será que não faz mal?
– Mal? Para quem?
– A criança... o feto. Sei lá. Faz por trás. Quer?
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FINALMENTE A TERRA DAS ANDORINHAS,
DE SOGRA E CUNHADO.
VÁRIAS DECOBERTAS DEPOIS,
BRAÇOS E PERNAS ABERTOS.
Chegaram finalmente a Campinas. Da estação de trem pegaram um táxi
que os deixou na porta da casa.
– Você acha que tua mãe vai me achar melindrosa demais? – enquanto Lauro, escolhendo no chaveiro, procurava a chave certa da porta. Há mais de quatro meses não visitava a mãe. – O vestido tá curto demais? Talvez o rosa fosse mais condizente, mais... – E antes de poder responder que “Estava bem assim, que não parecia ter abortado”, a porta se abriu, sem Lauro descobrir a chave. O rosto do irmão Pedro apareceu por ela, observando-o atentamente, demorando a reconhecê-lo.
-Lauro? (...)
- Ao morrer o pai de Lauro, já faz... acho que mais de vinte anos. Lauro devia ter o quê? Dez anos? Se Pedro vai fazer vinte e três. Então é isso. (...)
- Como você já percebeu, meu filho Pedro não é moço com muita chance de namorar e muito menos casar. Ele não é muito bom da cabeça, disseram que foi trauma de gravidez. Já estava em idade avançada quando o tive, lá sei... Foi um parto terrível, mocinha. Quase vou embora. (...)
– Queríamos dar uma cochilada, mãe. Pode ser? O quartinho nos fundos, ainda existe?
– Claro que sim. Pedro usa algumas vezes, quando entra em... crise. Ele foi para a rua, tem vários amigos. É muito querido no bairro, sabe?... Então podem ir, meus filhos. Está sempre arrumadinho. Descansem bastante. Chamo vocês para jantar. (...)
Com o vestido na mão, procurou onde pendurá-lo. Na maçaneta da porta semi-aberta do grande guarda-roupa estava bem. Foi até ele e o fez. Compenetrada na performance que deslumbraria Lauro, não poderia perceber uma terceira respiração entrecortada e anelante que parou no instante de chegar perto do móvel; menos ainda ao voltar-se na direção de Lauro, tirando o sutiã, conseguiria ver o brilho piscando em olhos escondidos no escuro de seu interior, esbugalhados de terror e ansiedade.
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ALVARENGA CONTRATA CORINTIANO.
OITO MILHÕES DE PAULISTAS,
POTENCIAIS FREGUESES DO
REFINAMENTO DO PRAZER, LTDA."
Debaixo do porta-luvas, estrategicamente escondido, tirou pequeno envelope, esvaziou o conteúdo na mão e inalou todo o pó branco; foi quando teve a iluminação de prata, fulminante! Cocaína! Mais lucrativa que café, independente dos arroubos das bolsas de investimento, de guerras e revoluções. De direita ou esquerda. Internacional, igual ao maldito café! Alguém do seu talento e da experiências nos mercados internacionais e contatos no mundo todo... poderia fazer até surgir um império! Riqui, quanto entusiasmo! Já esqueceu a revolução? Depois! Depois!... São Paulo possuindo mais de oito milhões de habitantes não parava de crescer, imigrantes de todas as partes do mundo continuavam a encher os navios que aportavam em Santos! São Paulo, um dos maiores centros Industriais da América Latina! Se não o maior! Os Lafer, Simonsen, Matarazzo, todos incrementando, produzindo uma classe média cada vez mais numerosa! Mercado nacional de mais de trinta milhões, fornecendo uma geração potencialmente viciada! Toda a jeunesse dorée praticava com elegância e refinamento o deleite desses vícios. Seria sua corte! Seus “Ciclopes!” Poderia considerar a sociedade e o apadrinhamento de importantes conhecidos, muitos deles sediados no meretrício internacional que era Cuba! Naquele antro poderia até montar a sede! Lá era campo neutro, e o presidente Gerardo Machado ficara seu amigo depois das tentativas de negociar com os barões do açúcar de Cuba!... Barões! Papai iria adorar vingança assim, tão... magistrale, que sonho pantagruélico! Ricardo, coração selvagem de leão! Você é brilhante! E diabólico também! Devagar no andor, Riqui. Olha a coitada dessa pálpebra. De qualquer modo, a nova revolução teria sucesso. Todo mundo ansiava por isso. O poder estava novamente a caminho. “‘Refinamento do Prazer, Limitada.
Agora, Magda e seu jogo sujo. Não foi o “barão” que disse só existir cura se eliminarmos o mal? Como em todo jogo, a vantagem de um jogador é o prejuízo do outro. Usaria da sua influência e da maria-farinha do sobrinho dela mais uma vez: Pedro de Toledo estava em pânico depois da nomeação como interventor, e Magda era como afilhada dele ou coisa parecida.
“E tem mais, Magda, precisamos saber o que se passa na cabeça de Pedro de Toledo, seu real envolvimento com Vargas. Com você se abrirá, tenho certeza. E a festa organizada, um vin d’honneur, é um bom lugar...”
“Magda, as manobras políticas para limpar São Paulo desses tenentes e recuperar sua independência estão tão adiantadas que se tornaram irreversíveis. Nossas desavenças não vão impedir nada. No entanto, se você acha seguro esse traidor posto de mandado do Catete... Um paulista de estirpe, obedecendo a ordens contra sua própria terra e conterrâneos... Enfim, o amigo é teu. E pode estar correndo muito perigo.”
“Vindo de você, só pode ser ameaça.”
(...)
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M.M.D.C: MATA MINEIRO,
DEGOLA CARIOCA.
TEU CABELO E TEUS SAPATOS NÃO NEGAM.
“FUI NOMEADO TEU TENENTE
INTERVENTOR”
“Y sus cabellos mesando,/el cuerpo ama¬do abrazando,/con sus lágrimas suplía/en la herida vacía/la sangre que iba faltando.” Cantarolava Dona Filomena na cozinha, sentada à mesa na frente de Ana. Entre restos de jantar, o velho rádio sempre ligado, sacodia-se ao ritmo de sam¬bas e marchas-rancho, num programa que divulgava lançamentos. (...)
Pedro. Pedra. Como uma delas entre as pernas, assim era o peso da lembrança e de sua consciência. E a pergunta agulhando: “Falo ou não falo para o Lauro?” Se contasse, ele entenderia? (.....)
Tia Filomena fez sinais pedindo silêncio e aumentou o volume do rádio; por acaso sua consciência, traumas e agonias faziam barulho? Velha chata. (....)..na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República, a reação da Legião Revolucionária não se fez esperar e foi brutal. Balas de metralhadora e revólver contra os manifestantes ocasionaram trágico desfecho, como não podia deixar de ser diante de tanta desordem; mais de quatro mortos e dezenas de feridos... “...Chegaram às nossas mãos, por enquanto, a confirmação dos nomes de quatro mortos; são eles: Euclides Bueno Miragaia, Mário Martins de Almeida, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo de Camargo Andrade...
(...) No entanto o que ela sentia não era bem ciúme de outra mulher, era mais da independência descarada dele, de sair por aí sem ela, sem sentir sua falta. Além do mais, solidão num sábado assim valia por duas! E todos os cinemas fechados a essa hora! E nada a ver com aprendizado de atriz! Se Jandira não tivesse viajado, podiam sair, dar umas voltas, pela Avenida Rio Branco, por exemplo, e se passassem perto da mansão de Fausto seria sem querer; isso se alguém as visse...
(...)
– Despierta, mujer! Siempre en la luna, filha mia. Oiste lo que la rádio dijo?
– É. Mataram alguém na Avenida Rio Branco, não é?
– Que Rio Branco, o quê? En la Praça da República, mujer! Está acontecendo una guerra en esta ciudad e... Jandira? Por donde anda essa chica?
– Disse que iria pra Santos neste fim de semana visitar o... a mãe dela.
– Sei. Ni me hables de aquella índia... mãe “santista”, que de santa no tiene nada! Pero la hija no és igual, menos mal. Essa chinita anda me preocupando ultimamente, andando por allí e essa violência en las calles. Já no me dice para donde vá, com quien, se vuelve. Anda echo una boba. Notaste lo mismo?
(...)
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FESTA POLITIZADA EM CASA DE FAUSTO.
GUILHERME DE ALMEIDA
MOSTRA SEU CHARME.
LAURO BÊBADO DE MAGDA E UÍSQUE.
MELHOR PARA LAURA.
Campos Elísios, Rua Eduardo Prado, esquina com Avenida Rio Branco. Mansão da família de Fausto Sousa Queiroz. Ou o que so¬brara. De ambas. (...) A pedido de Ricardo Alvarenga, Fausto cedera a mansão para o encontro eminentemente político, acontecimento naquela noite, local que não comprometeria nenhum dos convidados, sabida a posição eqüidistante de Fausto na política e sua fama de dândi inconseqüente. Alvarenga e sua esposa Magda chegariam a qualquer hora. Junto com eles, Fausto mencionara entre outros nomes, Guilherme de Almeida, o poeta da Academia Brasileira de Letras; todavia, ainda era cedo e nenhum deles tinha chegado. Fausto se preparava no quarto, dando os retoques finais na “maquiagem”, e Laura... Laura estava descendo a grande escada naquele momento, trajando vestido parecido àquele da primeira vez, longo e vermelho, que disfarçava elegantemente os quilinhos sobrando aqui e ali. Terminou de descer e parou, as mãos na cintura esticaram o talhe e desfizeram algumas dobras; pose tirada de algum filme de Joan Craw¬ford? ou Norma Shearer? Sempre no limite tênue dividindo a inocência do grotesco, andou na direção de Lauro com aquele olhar revelador de algum desvairamento interior, que ele creditou à sua doença. (...)
Com tédio? Por enquanto. De toda maneira, poucos tédios sobrevivem a três doses de uísque escocês (e os conhaques no bar?). De costas para o hall de entrada, Lauro não viu Guilherme de Almeida entrando e, ao vê-la, de imediato beijar a mão de Magda. Nem Pedro de Toledo pouco atrás, repetindo o mesmo gesto; não teria reconhecido nenhum dos outros entrando a seguir, nem o semblante sombrio de Laura esperando ser notada; anfitriã melancólica procurando-o com olhar ansioso, temendo constatar se o vexame estava sendo testemunhado por ele.
(...)
– Magda, este é Lauro, o amigo de que te falei.
Esmeraldas, ondas nervosas do mar, folha iluminada de planta exótica, limão ou oliveira? Qual seria o verde escolhido para definir melhor a cor daqueles olhos? Penetrante, profundo, secreto, sensual... perturbado; isso tudo definiria seu olhar? Não, existia algo mais, e o que fosse, era indecifrável esfinge...
De repente, o primeiro plano de Laura apareceu na frente filtrando e obscurecendo como abençoado íris, Fausto inamistoso e a sedenta platéia de sorriso estúpido... o despenteado, o hálito e o olhar bovino de Laura indicavam que sumira para beber escondida. Sentou ao lado e grudou no seu ouvido:
– Larga esse copo. Vem comigo, Lauro, deixa te mostrar uma coisa.
(...)
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ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO.
COLAR DE PRESENTE.
JANDIRA, CHAMPAGNE E COCAÍNA
NÃO SE MISTURAM.
Fariam aquilo de brincar juntas, porém, na presença de amigo que gostava de ver e até participar. Magda dissera isso entre um beijo e muitas carícias. (...). Depois encosta o corpo por trás de Jandira e no abraço desabotoa-lhe a frente da blusa. Saboreando com lentura o momento, beija-a na nuca, provocando em Jandira arrepios que sempre sentia com duas coisas neste mundo: champanhe e a boca úmida de Magda. Fecha os olhos pressentindo o que vinha em seguida: as mãos dela nos seus peitos, libertando-os carinhosamente do sutiã, apertando e arranhando de leve os mamilos. Sem ver a outra bebericando atrás dela, vira-se preparada para beijar, e, ao fazê-lo, surpreende-se sentindo vir da boca de Magda o líquido agridoce entrando na sua. Engole e mordisca a língua inquieta dentro de sua boca. Os mamilos de ambas estão endurecidos, entretanto, é Jandira lambendo os da outra, brincando de morder, ao sugá-los. Ela ama aqueles seios brancos mais que aos seus.
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LAMBEDEIRA, FACÃO E MORTE.
UMA FACA ENTERÇADA
MENOS DOIS OLHOS.
CORINTIANO EXPULSO DE CAMPO.
Viu dois broncos já entrando no quarto, olhando tudo sem querer fazer barulho. Um preto buchudo e um branco bufento, cochichando entre eles, caçando com atenção. De orelha e olhos acesos, ferrou os dentes e lembrou num estalo da faca enterçada escondida debaixo do colchão. (...)
Ladrões? Ou da lei? (...) De relance, enxergou-o em cima de Sinhá, com as calças enroladas prendendo os tornozelos e bunda de fora, saracoteando desvairado. Ela em silêncio, garra cravada nas costas dele, parecia estar gostando: (..)
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LEI “ACELERADA”.
EUCLIDES FIGUEIREDO
E RICARDO ALVARENGA
NO PRIMEIRO BRADO.
FESTA NA NECRÓPOLE.
“Telégrafo do capitão Ricardo Alvarenga aos comandantes, governadores, presidente, União das Nações: ‘Comunico-vos que, em nome do povo de São Paulo e apoiado pela sua unanimidade, assumi o comando do governo com o fim de exigir e proclamar a independência de uma nova nação sul-americana: a República Paulista...,”
Coisa de arrepiar os testículos!
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DENODO, MEDO, PATRIOTISMO NOS
CAMPOS DA GUERRA CÍVICA.
ENFERMEIRA NO ÉCRAN DOS COMBATES
PROCURA NAMORADO.
No início, ela esforçara-se por disfarçar a repugnância provocada por aqueles corpos feridos, deitados sobre reles cobertores jogados no meio de corredores de enfermarias ou outros locais inadequados. Aguardando serem atendidos, ela devia prepará-los para rápidas cirurgias, ajudá-los a tirar a roupa, limpar feridas, trocar curativos. O fedor dos corpos, as roupas imundas, o sexo, as fezes, o hálito fétido. (...)sabia que mesmo após um banho reparador, ainda esfregando-se com força, o odor permaneceria nas narinas, na pele, no cabelo – agora sim, parecendo pêlos, crinas de cavalo. (...) E os lábios dele encostaram nos seus; abriu a boca permitindo a língua brincar com a dela. Mais por lassidão deixou a mão dele abrir a blusa, apartar o sutiã, afagar os mamilos. Era doce descansar assim, relaxar após tanto sangue e estrondo, dona de certos direitos que podia exercer. Gratificante e deleitoso sentir aquela língua quente roçando nos mamilos, a boca sugando-os.
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TONHO CAÇANDO CORINTIANO
EM PLENA REVOLUÇÃO.
DE FACA E PICAÇU ATÉ A CINTURA.
Pau mandado, isso sim! Ladrão coisíssima nenhuma. Foram lá dar cabo dele. E dela em seguida, se fosse o caso. Nenhum respeito pela branca, foi logo metendo nela o covarde. (...) Tudo parou. Ouvido de repente surdo. Fez-se silêncio na sua cabeça, todas as forças do instinto se uniram fortalecendo mirada; lince no fundo do bonde vislumbrando-o por inteiro, avançando e furando os obstáculos até chegar na frente, de onde partira a voz inimiga reconhecida e tantas vezes relembrada. A mirada estancou na nuca inesquecível. (...) Mas aquilo lhe acontecendo, nunca poderia imaginar: ele caçando no meio da grande cidade de São Paulo, em pleno dia de revolução e dentro de um bonde.
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PARIS-BELFORT NO RÁDIO.
PEDREGULHO NO SACO DO PAPAGAIO.
UMA BALA NO BOLSO E PEDRO MORTO.
Na porta aberta da cozinha, parou. Lá dentro, Filomena sentada à mesa de ouvido grudado no rádio. Não se arranca de um organismo o próprio coração. E você, São Paulo, é o coração do Brasil!” (...)
Sentiu as meias grudentas, cheiro de suor no corpo todo, hálito de fome na boca seca de lábios pálidos... retirou a mão do bolso: em lugar de batom, uma bala de fuzil esquecida. (...) A mãe chorou em silêncio, enquanto ele berrara pela sua liberdade. A pouca, a única coisa que podia lhe pertencer. Palavras cheias de paixão, de impotências, de óbvios. (..)
Mesmo escondendo-se no torpor do instante que antecede o sono, o sexo palpitava em segredo, aguardando momentos verdadeiros que a fantasia, antes proibida, estava prometendo.
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NA CASA DO CORINTIANO.
QUELLA CATAPECCHIA?
SAPATO NA GOELA PRODUZ VÔMITO.
AMOR DESCOBERTO, MORTE.
Entrou rápido, fechou a porta atrás de si, encostou-se na parede e prendeu a respiração. No breu total, o ronco indicou o local da cama; contudo, nem precisava, o cheiro emanando dela era inconfundível.
(...)
CONTINUA...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Meu Currículo
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ESCOLARIDADE / CURSOS
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
Em 2ª Edição 2014, encontre no> Clube de Autores
domingo, 25 de janeiro de 2009
Por que escreve o escritor?
Por que voa o passarinho? Por que escreve o escritor?
de Dennis D.
http://dennis.d.zip.net
Se, ao apresentar-se a alguém, você disser que é escritor, prepare-se para ouvir aquela indefectível perguntazinha: “E dá pra viver disso?”.
Pois bem, diante de uma indagação desse tipo, controle-se, respire profundamente, seja bem-educado e responda: “É claro que não, tanto que já penso em entrar para o nobre mundo da política, no qual é perfeitamente possível viver como multimilionário, acumular inúmeros bens, tendo a declaração de rendimentos de um singelo cidadão de classe média. Ainda por cima, transformando-me de escritor em político, receberei o tratamento de ‘sua excelência’, e força alguma sobre a Terra me obrigará a responder perguntas impertinentes.”
Ora, ora, sabido é que apenas um punhado de escritores vive exclusivamente de sua literatura, seja aqui no Brasil, seja no exterior. E tais escritores alcançaram fama e riqueza porque são os melhores em seu ofício? Obviamente, não! Eles pertencem ao seleto grupo dos que tiveram as melhores oportunidades de divulgação, seja por mérito próprio ou pela eficiência de seus apadrinhamentos, e também porque produziram obras ditas populares (muitas delas baseadas em fórmulas de comprovado sucesso editorial).
Você, leitor, pode estar conjeturando se aquele famoso escritor, aquele que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, teve mesmo bons padrinhos na carreira. Terá sido essa a alavanca de seu sucesso mundial? Mas ele não é um gênio?
Permita-me responder nua e cruamente, ainda que a custa de sua indignação ou mesmo desencanto. Aquele premiado escritor não é um gênio. Os gênios são raríssimos e geralmente não fazem tanto sucesso no mercado editorial (livros de jovens prostitutas logo se transformam em best-sellers, enquanto os romances de Marcel Proust só fazem embolorar nas prateleiras das livrarias). Uma análise fria e realista dos fatos nos revelará que, entre outras coisas, o tal escritor premiado com o Nobel (o suposto gênio das Belas Letras) sempre contou, ao longo de toda a sua carreira literária, com a colaboração eficiente de um vasto contingente de amigos acadêmicos, jornalistas, pessoas engajadas em determinada corrente político-ideológica. Abracadabra! Ali estava o truque do mágico!
Sendo assim, que fique muito claro: em literatura, como em qualquer outra atividade humana, o talento, por maior que ele seja, não basta para nos ungir com o reconhecimento público, tampouco para nos conceder o retorno financeiro que almejamos.
Mas será mesmo que o verdadeiro escritor, o escritor fiel ao seu propósito de produzir arte honesta e de qualidade, deve viver em função da conquista da fama e da fortuna? Será que ele deve trabalhar seus textos literários com o objetivo de torná-los mais palatáveis ao gosto de uma suposta classe de leitores, ou ao gosto de determinados críticos literários? Tais perguntas, mais cedo ou mais tarde, acabam sendo feitas e respondidas pelos jovens escritores.
Sirvo-me agora de um episódio real, para demonstrar o quão enganosas são as idéias que muitas pessoas mantêm a respeito da arte e do ofício literário.
Anos atrás, aproximou-se de mim um parente e declarou que iria escrever um livro. Fiquei surpreso e perguntei-lhe se o livro seria um romance, uma novela ou uma coletânea de contos. O tal parente respondeu-me, muito candidamente, que ainda não decidira qual o gênero, nem qual o tema do livro a ser escrito. Não é espantoso? Ele queria publicar por publicar, porque deve achar muito elegante ter o próprio nome na capa de um livro. Quanta ilusão!
Seria o caso dessa criatura se perguntar por que voa o passarinho.
Será que o passarinho voa por exibicionismo? Será que ele voa porque voar é infinitamente mais elegante do que andar? Ou bater asas e ganhar os ares é da natureza das aves, assim como nadar é da natureza dos peixes, e não andar, nem tampouco voar?
E por que escreve o escritor? Por que é fino escrever livros? Ou escreve porque é de sua natureza expressar idéias e emoções de modo artístico, por meio da palavra escrita?
É claro que, num mundo ideal, todo escritor teria uma carreira de garantido sucesso comercial, receberia rios de dinheiro, moraria em castelos do Loire, e viveria sossegadamente a criar os seus enredos e personagens. O mundo real, contudo, está longe de ser tão generoso com os verdadeiros artistas. Por outro lado, há recompensas muito preciosas no caminho de um escritor, famoso ou não, que se mostre honesto com sua arte. Produzir uma boa obra, ainda que esta seja um poema de duas linhas, pode trazer alegrias indizíveis ao autor. Saber-se lido e compreendido, ainda que por poucos, é quase um pequeno milagre.
Se, dentro de você, existe o sincero desejo de apresentar idéias e sentimentos por meio da escrita literária, não se retraia diante dos pequenos ou grandes obstáculos. Escreva, simplesmente. Escreva todos os dias, se possível. Escreva com o honesto propósito de oferecer o melhor de si mesmo. Literatura é arte, e não existe arte sem verdade, sem coragem e sem paixão.quinta-feira, 13 de novembro de 2008
A vírgula

Será que a vírgula, é tão importante assim?
(Da campanha dos 100 anos DA ABI (Associação Brasileira de
Imprensa).
Vírgula pode ser uma pausa... Ou não.
Não, espere.
Não espere.
*
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
*
Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
*
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
*
E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
*
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
*
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
*
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula DA sua informação.
*Detalhes Adicionais: na frase a seguir, coloque a vírgula no lugar certo *
'*SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.'*
Se você for *mulher*, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for *homem*, colocou a vírgula depois de TEM.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
poema sobre a vida

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.
Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.
E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?
Charles Chaplin
