sexta-feira, 19 de setembro de 2014

As lições da pior escritora do mundo.

Autor: sergiorodrigues
Assunto: As lições da senhora Ros, 'a pior escritora do mundo'


É possível que a romancista e poeta Amanda McKittrick Ros (foto), uma professora nascida em 1860 na Irlanda do Norte, não tenha sido a pior escritora do mundo. Com certeza foi a escritora ruim que mais sucesso fez justamente pela ruindade de sua literatura. Esbarro em sua história fascinante no ebook Epic fail (Fracasso épico), de Mark O'Connell, que teve um trecho (em inglês) reproduzido há poucos dias na revista eletrônica Slate.
O surrealismo involuntário da prosa absurdamente artificiosa de Ros já foi apontado por sua legião de admiradores-detratores – com hífen porque são as mesmas pessoas, a admiração sendo no caso uma forma de gozação. A novidade do enfoque de O'Connell é lançar a hipótese de que Ros também tenha inventado sem querer o pós-modernismo ou pelo menos um de seus traços mais marcantes, a elevação irônica da ruindade galopante a uma forma de arte.
Não se trata de fenômeno isolado. Ros está para as letras como Ed Wood está para o cinema e Pedro Carolino, autor do hilariante "Novo guia da conversação em portuguez e inglez" (Casa da Palavra), para os estudos linguísticos. Mestre insuperável da purple prose, como os anglófonos chamam o estilo empolado típico da subliteratura, foi estudada e ridicularizada com fascínio e horror pela intelectualidade britânica nas primeiras décadas do século XX, em grupos de leitura como o de C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien. Em 1923, ganhou um ensaio sério de Aldous Huxley:
Na senhora Ros nós vemos, como nos romances elisabetanos, o resultado da descoberta da arte por uma mente não sofisticada e sua primeira tentativa consciente de produzir um efeito artístico. É notável como na história de todas as literaturas a simplicidade é uma invenção tardia. As primeiras tentativas de qualquer pessoa de ser conscientemente literária sempre resultam na mais elaborada artificialidade.
É provável, porém, que o autor de "Admirável mundo novo" não tenha feito inteira justiça ao caso único de Amanda McKittrick Ros, autora dos romances Delina Delaney e Irene Iddlesleigh, em que se lê um trecho como este (a tradução, certamente aquém do original, é minha):
Fala! Irene! Esposa! Mulher! Não fiques sentada em silêncio e permitas que o sangue que agora ferve em minhas veias verta por cavidades de paixão irrefreada e goteje para me encharcar com seu matiz carmesim.
O'Connell observa que "uma coisa que fica clara na prosa de Ros é sua aversão a chamar as coisas pelo nome. Olhos são 'globos de intenso brilho'. Quando seus donos estão infelizes, esses globos ficam 'plenos de pesar'" (familiar, não?). Em pequenas doses, diz ele, a coisa tem graça, mas seu efeito cumulativo pode ser perigoso: "Os escritos de Ros não são apenas ruins (…): sua ruindade é tão potente que parece minar a própria ideia de literatura, expor o empreendimento inteiro de fazer arte a partir da linguagem como essencial e irremediavelmente fraudulento – ou, pior ainda, tolo".
E mesmo isso não dá conta do que tornou Ros um personagem ímpar na história da literatura. Para tanto é preciso incluir no retrato sua proverbial ausência de senso de humor e sua certeza, aparentemente nunca abalada, de que era uma romancista genial. Diz O'Connell:
Essa característica é comum a várias encarnações contemporâneas do Fracasso Épico (…): uma recusa a ser dissuadida da crença em sua própria grandeza pelo coro grego de ridículo que foi o pano de fundo permanente de sua carreira. À falta de senso de humor de Ros correspondia uma imunidade quase miraculosa à insegurança – essa praga das carreiras literárias. Pelo menos em parte, isso se devia ao fato de nunca ter lido Defoe, Eliot e Dickens, ou na verdade praticamente qualquer autor além de si mesma. Em 1930, ela escreveu para seu editor Stanley T. Mercer perguntando-lhe quais ele julgava serem suas chances de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. "O que você pensa desse prêmio? Acha que eu deveria fazer uma tentativa?"
Há algo de cativantemente cômico, claro, na ideia de um escritor que deve sua carreira ao fato de ser horroroso, e o pastelão intelectual das várias escaramuças em que Ros se meteu é de primeira qualidade. Mas – e digo isso sem o menor traço de ironia – há também algo de paradoxalmente inspirador na completa (e completamente deslocada) confiança na magnitude de seu próprio talento. Escritores são pessoas famosas pela egolatria, mas também costumam ser atormentados pela insegurança. Foi a suprema autoconfiança de Ros que a levou a produzir uma obra tão sedutoramente ridícula, mas também o que a tornou impermeável à zombaria que provocava. Ela pode ter sido um completo fracasso na tarefa que designou para si mesma, mas havia uma certa grandeza em seu caráter.
.

O poder corrompe...

Democracia é a forma de governo em que
o povo imagina estar no poder.

 

Recebeu o convite para jantar em minha casa? Será à meia-noite...

ladrones

los ladrones de ese gobierno roban
de testa erguida, como si estuviesen haciendo una
“acción revolucionaria”, se
orgullan de fingir de
democratas para apodrecer
la democracia por dentro.
A. Jabor





MiguelAngelo
...um Blog desclassificado8

SPONHOLZ: Assim, não há chargista que aguente!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

...maldito!

Becket










A torre de Cristina

Projeto da torre apresentada pela presidente Kirchner como
‘a mais alta da América Latina’
ou: Mais um desvio das atenções que realmente interessam...


Claro, as gozações vieram em forma
de hilário concurso. Alguns resultados:





sexta-feira, 12 de setembro de 2014

DISTRAIDO (conto de Miguel Angel)

DISTRAIDO


Gildásio, preocupado com o concurso público a ser realizado em data próxima, estava tão envolvido que, distraído, pingou adoçante no olho, em lugar do colírio. Ardeu e assustou! A mulher dele mandou ir à farmácia da esquina.
Na farmácia, em cinco minutos, a farmacêutica o acalmou entre risadinhas zombeteiras e várias gotas de colírio.
Dia passou e tão distraído, ao bochechar com água morna, como fazia dia sim, dia não, por causa de um dente nervoso, botou um jorro de mertiolate no copo, em lugar da água oxigenada. Sentiu o raro gosto amargo, ardeu a boca toda e assustou!
 Na farmácia da esquina, em cinco minutos, a farmacêutica o acalmou entre risadinhas zombeteiras e maternais, mandando bochechar com bastante água limpa por cinco minutos e quantas vezes fossem necessárias até o gosto desaparecer.
Tão distraído três dias depois, adoçou o arroz e salgou o café; comeu e bebeu assim mesmo, de raiva, por facilitar à companheira caçoar dele com deboche rancoroso ao chegar do serviço com fome e cadê o arroz.
Passados dois dias, tão distraído, aparando as unhas, ceifou um pedaço de dedo junto com uma delas. Doeu e sangrou.

Na farmácia da esquina, a farmacêutica, Lucélia, lhe fez curativo, com aquele sorrisinho familiar e um tanto afável.

No dia da prova para o concurso, tão distraído, esqueceu as respostas certas.
A frustração e a culpa doeram. Menos que a gozação da mulher, vindo do serviço e saber do resultado; depois ela chorou, cansada de estar sustentando a casa sozinha. Com um alienado dentro dela.
Doeu.

Na farmácia da esquina, Gildásio foi se lamentar com Lucélia que o acalmou, garantindo que conhecia o remédio certo para essa dor – disse com um sorriso que ele só decifrou quando ela lhe deu o número de seu celular, sugerindo lhe telefonar depois de fechar a farmácia: às 20h30min.
Tão distraído, esqueceu de ligar para ela no horário indicado.
Ao lembrar às 22 h, doeu o tapa que se deu na bochecha, e o dente nervoso latejou o resto da noite. Doía.

No dia seguinte, na porta da farmácia da esquina, o sol e Lucélia encontraram Gildásio sentado na soleira da porta. Ela lhe receitou um sedativo, com um sorriso que de tão estranho, ele não soube decifrar; mas assim mesmo, arriscou se podia lhe telefonar às 20h30min...
Em casa, começou a fixar seus olhos no relógio a partir das 19h30min.

Às 20h30min, ligou.

Às 20h45min, subia as escadas que levavam ao andar de cima da farmácia da esquina, com um sorriso ardiloso de quem não tem nenhum dente nervoso, mas um coração apreensivo.

Tão distraído no dia seguinte que, ao acordar de manhã, chamou a companheira de ‘Lucélia’.

Doeu e assustou Marilda, a companheira, que entre chorando e berrando saiu para o serviço batendo porta: cansada de sustentar a casa sozinha com um alienado...
filho da puta dentro dela!

©Miguel Angel Fernandez

vergonha de escrever


Querendo não parecer racista, a Inglaterra tem sido leviana


Autor: ricardosetti
 
(Foto: Divulgação/VEJA)
O rapper L Jinny, identificado como o integrante do Estado Islâmico que decapitou o jornalista americano James Foley (Foto: Divulgação/VEJA)
A CEGUEIRA DA TOLERÂNCIA
O excesso de zelo em não parecer racista ou excludente leva a Inglaterra a ignorar a apologia do terrorismo e a reagir lentamente aos crimes cometidos por muçulmanos
Reportagem publicada em edição impressa de VEJA
Os ingleses foram surpreendidos na semana passada por duas consequências amargas do multiculturalismo que, de boa-fé, praticam no país, visto como um paraíso onde os preceitos anglo-saxões não podem ser considerados superiores às religiões e aos costumes de cidadãos das mais diferentes origens.
O primeiro choque veio no domingo 24, quando o jornal inglês Sunday Times revelou que o MI5, o serviço secreto inglês, identificou o mascarado integrante do grupo terrorista Estado Islâmico que decapitou o jornalista americano James Foley, na Síria, há duas semanas. O criminoso seria o rapper L Jinny, que vivia em Londres com sua mãe em uma casa de 3,7 milhões de reais.
Segundo os amigos, L Jinny tornou-se radical depois que se envolveu com seguidores do clérigo muçulmano Anjem Choudary, que circula livremente pelas ruas de Londres em uma perua e com um megafone elogiando o Estado Islâmico (antes conhecido como Isis). Quando perguntado na televisão sobre o assassinato de Foley, o clérigo respondeu que a decapitação é permitida pela lei islâmica.
"Não apoiamos os Estados Unidos, então temos de apoiar os terroristas", disse Choudary. Abdel-Majed Abdel Bary, o nome real de L Jinny, tem 24 anos e juntou-se ao Estado Islâmico no ano passado. Ele é filho de Adel Abdel Bary, que foi extraditado para os Estados Unidos em 2012 acusado de participar dos atentados de 1998 contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia.
O segundo choque de realidade veio com a publicação de um relatório oficial revelando que mais de 1 400 meninas, algumas delas com apenas 11 anos, foram vítimas de exploração sexual entre 1997 e 2013 na cidade de Rotherham, no norte da Inglaterra. Os criminosos, a maioria de origem paquistanesa, organizavam estupros coletivos, sequestros, espancamentos e tráfico de garotas brancas.
Nesse intervalo de dezesseis anos, vítimas levaram aos policiais listas escritas a mão com o nome dos criminosos e pedaços de roupa com evidências, mas os policiais recusaram-se a agir porque temiam ser acusados de racismo. Na linguagem politicamente correta britânica, os paquistaneses e seus descendentes são chamados de "asiáticos". Era assim que os criminosos eram descritos nas denúncias feitas pelas vítimas.
Num trecho do relatório divulgado na semana passada, os policiais afirmam que relutavam em enfrentar as gangues de muçulmanos porque isso poderia prejudicar a "coesão da comunidade".
(Foto: Divulgação/VEJA)
Abdel-Majed Abdel Bary (verdadeiro nome de L Jinny), com a indumentária "ostentação", foi influenciado por um imã de Londres (Foto: Divulgação/VEJA)

Os paquistaneses pedófilos perceberam uma brecha para a impunidade porque os policiais e as autoridades de Rotherham costumavam ser omissos em relação a costumes retrógrados praticados pela comunidade muçulmana, como o casamento forçado de crianças. Ao saberem de mulheres que fugiam da violência doméstica, os policiais, em vez de ajudá-las, pediam a assistentes sociais que as encontrassem e depois tentassem devolvê-las ao convívio com o marido.
Sem uma instituição que coibisse práticas em conflito com o bom-senso e a lei, as violações adquiriram contornos maiores. Os indivíduos que se envolviam no estupro de meninas passaram a ganhar propostas de emprego e oportunidades financeiras para aliciar garotas brancas pobres, que chamavam de "lixo branco". Muitas eram abordadas na saída da escola e seduzidas com telefones celulares, álcool e drogas. Depois, eram violentadas por um ou vários homens e sofriam ameaças de morte constantes.
Apenas um caso resultou em condenação. Em 2010, cinco homens com idade entre 20 e 30 foram condenados pelo abuso de meninas de 12 a 16 anos. Foi uma exceção. Com medo de serem acusadas de intolerância étnica ou cultural, as autoridades inglesas permitiram atrocidades imensamente maiores.
A praga do multiculturalismo é entender que mesmo os atos mais nocivos cometidos por um membro de outra cultura não podem ser censurados, uma vez que isso seria um gesto de arrogância, etnocentrismo ou preconceito. O imã Choudary, que inspirou o rapper terrorista e quer implantar a lei islâmica na Inglaterra, por exemplo, também foi o mentor de Michael Adebolajo, londrino de ascendência nigeriana que atropelou um soldado inglês no ano passado e depois tentou decapitá-lo a facadas.
Apesar de tudo isso, Choudary continua pregando o ódio sem ser incomodado. Na sexta-feira 29, o primeiro-ministro David Cameron elevou o nível de alerta contra o terrorismo no país para "severo", o que significa que um ataque é altamente provável. Pelo menos 500 islamistas criados no bem-bom do multiculturalismo britânico e que foram lutar na Síria e no Iraque agora podem estar planejando retornar à Inglaterra para cometer atentados.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os gays e o fim da amizade masculina


Autor: Mr X
 
Um artigo muito bem escrito (mas bem longo, e em inglês) adverte para um problema no qual eu jamais tinha pensado, mas que faz sentido: a propagação da cultura gay tem tido um efeito negativo sobre a amizade masculina.

O argumento é o seguinte: a aceitação pública dos gays mudou o sentido de certos comportamentos, antes comuns. Ao ver dois homens abraçados na rua, já pensamos: "é viado", embora poderiam ser apenas irmãos, ou amigos próximos. 

Pense na sua infância ou adolescência: talvez você tivesse algum amigo bem próximo com o qual passava grande parte do tempo, e aí, algum outro coleguinha invejoso, ou até alguma menina, insinuou: "esses aí são gays". E vocês, temerosos, afastaram-se um do outro, embora não houvesse absolutamente nada de remotamente sexual na relação.

Pense também nos filmes, na literatura. Quantas vezes agora dois personagens amigos homens (i.e. Frodo e Bilbo, Asterix e Obelix, Sherlock Holmes e Watson) já são interpretados como "gays" pelo simples fato de serem amigos próximos. Ver "gays" em tudo virou a nova norma; e a amizade masculina, com isso, sofreu um baque.  (Isso foi parodiado também naquele episódio de Seinfeld em que George e Seinfeld eram vistos como gays, "not that there's anything wrong with that")

O autor adverte também para um outro perigo: imagine, por exemplo, que o incesto e a pedofilia fossem liberados. Isso também mudaria a linguagem das relações humanas. Ao ver um pai abraçando a filha, já pensaríamos que pode ter algo mais aí do que o mero afeto filial. Ora, argumenta o autor, é justamente a proibição do incesto o que permite a proximidade familiar, assim como (antes) a proibição ou ao menos censura do comportamento gay é que permitia a amizade maior entre dois homens, sem que ninguém pensasse que um deles dava o cu. 

De fato isso já aconteceu um pouco: nos EUA, por exemplo, um homem que se aproxima mais de dois metros de crianças ou jovens desconhecidos já é visto como um tarado em potencial e chama-se a polícia, muito embora possa ser apenas um simpático vizinho. Mais de um fotógrafo já foi preso por ter tirado fotos de crianças em público, confundido com pedófilo. No Brasil, um pai e um filho podem ser agredidos ao ser confundidos com casal gay. Perdeu-se a sensação de inocência que antes havia; tudo agora é ou pode ser sexual. E portanto a amizade inocente de outros tempos também acabou. 
 Batman e Robin são gays, é claro.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

frase victor hugo

susto gatuno

abra sua mente...

Assista ao vídeo: “O que quer que digam os esquerdistas, é o ‘Dia do Contrário’!”

Autor: felipemoura


Depois de "Como falar a língua da esquerda", trago aqui para o blog a tradução de mais um divertido e educativo vídeo do premiado escritor, roteirista e comentarista de mídia Andrew Klavan, autor, entre outros, dos livros "True Crime", que deu origem ao filme "Crime verdadeiro" de Clint Eastwood, e "Don't say a word", que resultou no filme "Refém do silêncio" com Michael Douglas. Dessa vez, Klavan reconta a ladainha das promessas do presidente Barack Hussein Obama e de seus companheiros, nenhuma das quais – como de hábito – é verdadeira. Em época de eleições dominadas pela esquerda no Brasil, é fundamental ter em mente o maior embuste americano.
www.youtube.com/watch?v=CRO2I3leKQw
Sou Andrew Klavan e este é o programa Revolting Truth [Verdade Revoltante].
É o Dia do Contrário – o dia em que tudo é exatamente o contrário do que foi dito.
Por exemplo, lembram que Barack Obama em 2011 nos disse "a maré da guerra está baixando"? Lembram, durante a campanha de reeleição naquele ano, quando ele disse que a Al Qaeda havia sido dizimada? Lembram depois, quando ele retirou todas as nossas tropas do Iraque e disse que estávamos "deixando para trás um Iraque soberano, estável e independente" e "A guerra da América no Iraque chegará ao fim"?
Bem, uhu! É o Dia do Contrário! Tudo que Obama disse é exatamente o contrário! A maré da guerra está uma inundação, engolindo boa parte do Oriente Médio. Os guerreiros assassinos da Al Qaeda reergueram o Estado Islâmico, mais poderoso e brutal do que nunca. E, claro, o Iraque está se banhando no derramamento de sangue e, se os Estados Unidos não o impedirem neste ponto, em breve ele estará aqui conosco.
Que dia maluco.
Aqui vai mais uma. Isto é divertido, né? Lembram-se do discurso em 2004 quando Obama disse "Não existe uma América negra e uma América branca… existem os Estados Unidos da América"? Lembram quando a The Economist e a New Yorker e a NPR disseram que a eleição de Barack Obama significava uma era pós-racial? E o New York Times anunciou sua eleição com a manchete: "Obama leva a América além da política racial"?
Surpresa! É o Dia do Contrário! Sim, [a cidade de] Ferguson, [no estado de] Missouri, foi tomada pelas piores revoltas raciais em anos. Uma pesquisa de New York Times/CBS revela que 87% dos americanos sentem que as relações raciais no nosso país continuaram as mesmas ou pioraram desde a eleição de Obama. E é a própria administração de Obama que instalou essas tensões, com o procurador-geral corrupto Eric Holder jogando a carta racial todas as vezes que é pego em um novo escândalo, e Joe Biden acusando republicanos de quererem pessoas negras acorrentadas novamente, e o próprio Obama sugerindo repetidamente que seus oponentes são motivados pelo racismo.
É um dia excelente, certo? Há, te peguei! É o contrário.
Não vamos parar por aí! Lembram quando Obama deixou o passado para trás para melhorar as nossas relações com a Rússia – esses caras que estão invadindo a Ucrânia? Ou lembram quando Obama prometeu uma administração transparente e ética que "conduziria seus afazeres à luz do dia" em vez de prender cineastas da oposição sob acusações forjadas, atrapalhar jornalistas investigativos, auditar grupos conservadores para exterminá-los e fiscalizar apenas as leis de que ele gosta enquanto edita outras leis sem o consentimento do Congresso?
Ah – e ei, lembram como esquerdistas sentiam-se virtuosos apoiando Obama e suas políticas? Não, espera, deixa para lá, esquerdistas ainda se sentem virtuosos… porque para eles é sempre… Dia do Contrário!
Sou Andew Klavan com Revolting Truth [a Verdade Revoltante].
* Tradução da colaboradora Silvia Kicis, a pedido e sob revisão sempre apressada de Felipe Moura Brasil.
Felipe Moura Brasil  http://www.veja.com/felipemourabrasil
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Tempos e pessoas: viagem ao coração da literatura

Autor: sergiorodrigues


Fernando Sabino: curinga na canastra
Fernando Sabino: curinga na canastra

Um dos conselhos literários mais importantes que já recebi – quase tão importante quanto aquele outro, o de desconfiar de todos os conselhos literários – me apareceu quando eu tinha vinte e tantos anos, lendo um artigo de Autran Dourado (citado aqui outro dia) sobre seu método de trabalho. Se a memória não me engana mais do que o habitual, o escritor mineiro revelava, embora não com essas palavras, uma forma de dar vida nova a textos deficientes, insatisfatórios, capengas ou falsos: trocar seu tempo verbal ou a pessoa da narração – ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Ainda não era comum escrever em computador naquela época. O truque, se assim podemos chamá-lo, envolvia um bocado de trabalho pesado: rabiscar tudo com caneta era provavelmente o primeiro passo, mas no fim das contas, para ter um resultado apresentável, restava alimentar a máquina de escrever com papel novo e datilografar tudo outra vez. Da primeira à última palavra. Trocando, por exemplo, "fui" e "tinha" por "vou" e "tenho". Ou por "vai" e "tem". E "minha" por "sua". Etc.
É claro que, tendo feito tudo isso, e ainda que a princípio satisfeito com as mudanças, nada impedia o angustiado autor-datilógrafo de se arrepender no dia seguinte. Por alguma razão ainda pouco explicada, a virada da folhinha tem frequentemente essa capacidade de transformar felicidade autoral na frustração mais amarga. E lá iam tempos verbais e pessoas narrativas de volta ao estado de origem, à custa de mais batuque no teclado.
Divertido? Não, deve haver palavra que qualifique melhor esse tipo de exercício. Naquele tempo, a coisa tinha sem dúvida algo de insano, mas a função localizar/substituir do computador, eliminando como por milagre a maior parte do trabalho braçal, tornou forçado falar em insanidade. Hoje é bem mais fácil alterar o sujeito e os tempos verbais de uma narrativa, mesmo que ela seja um romance de 500 páginas. Claro que ajustes ainda precisam ser feitos manualmente, em flexões e tal, mas é indiscutível que o texto se tornou mais plástico, o caminho entre a cabeça e a página encurtou, a vida ficou mais confortável.
Curiosamente, junto com toda essa facilidade parece ter vindo também uma valorização ingênua de certa "espontaneidade", ao lado da desconfiança de que exercícios formais como aquela dança de tempos e pessoas – entre outros – não passem de disfarces para a falta do que dizer. Para esses cultores da "expressão pura", escritores são diferentes de pianistas, por exemplo, que dedicam boa parte da vida à repetição mecânica de escalas: já nascem sabendo tudo.
Sim, é possível que o problema de uma narrativa seja outro e que ela continue a mesma porcaria quando mudamos a narração da primeira para a terceira pessoa. Mesmo em tal caso, porém, o exercício não terá sido em vão. A razão disso é diabolicamente simples: ao brincar com o ponto de vista e o tempo verbal – a voz narrativa, em suma – estamos nada menos do que penetrando o coração dessa brincadeira, tomando posse daquilo que torna a literatura, literatura. Cervantes inventou o romance moderno quando inventou a voz maluca, autoconsciente, de D. Quixote. O resto veio depois.
"As virgens suicidas", de Jeffrey Eugenides, deve grande parte de seu encanto à opção pela narração na rara primeira pessoa do plural, que torna os vizinhos das irmãs Lisbon porta-vozes de todos os adolescentes apaixonados do mundo. Li há algum tempo uma entrevista em que Daniel Galera contava ter encontrado o tom de "Barba ensopada de sangue" no momento em que trocou a primeira pela terceira pessoa. Em meu romance "O drible", há trechos narrados em terceira, em primeira e até em segunda pessoa – uma alternância que nada tem de gratuita e que também não surgiu sem uma boa dose de experimentação, de tentativa e erro, em busca da melhor forma de contar aquela história.
É possível escrever tratados inteiros sobre cada pessoa e cada tempo verbal. O que todos têm em comum é o fato de cada escolha dar ao autor uma chave que abre algumas portas ao mesmo tempo que fecha outras. Nem todas as implicações são claras no momento em que se faz a opção. O excelente "O encontro marcado", narrado numa terceira pessoa colada ao ponto de vista de Eduardo Marciano, conduz Fernando Sabino a um impasse já perto do fim, quando precisa dar ao leitor uma informação (sobre o filho abortado de Marciano) que o próprio personagem, alter ego do autor, não tem. A solução que o escritor encontra é trair por algumas linhas a voz do livro, sujando com um curinga sua canastra de resto perfeita.

domingo, 7 de setembro de 2014

Deus e o diabo na terra do ‘só’

Autor: sergiorodrigues


fósforo

Então é só isso? Umas poucas palavras bem colocadas e pronto, ali está o leitor na ponta da linha, anzol cravado na bochecha? Sim, mas também pode ser só isso: uma única palavra em falso e o peixe desaparece nas profundezas para nunca mais passar perto do seu bote. O que vai ser?
Em qualquer praia estética, esteja ele muito ou nada interessado em ser acessível a um grande número de leitores, acredito que esta preocupação habite a cabeça de todo escritor digno desse nome, isto é, qualquer um que escreva para ser lido por alguém e não apenas para expressar seu eu profundo: como dar às palavras, uma após a outra, uma certa ressonância de verdade?
Estamos em terreno traiçoeiro. Em primeiro lugar convém deixar claro que a palavra verdade não tem aqui – não ainda – a menor fumaça filosófica, histórica ou mesmo emocional. Importa menos "a verdade" do autor ou da história que ele conta do que "uma certa ressonância de verdade". Sim, é claro que uma dimensão está ligada à outra em algum nível profundo, mas vamos supor que ainda não mergulhamos o suficiente para chegar lá. Estamos na superfície do texto, mal equilibrados em nosso botezinho. Tateantes, inseguros, estendemos a mão e escolhemos palavras para espetar no anzol. Como saber qual é a palavra certa?
Bom, certeza nunca se tem. Tentativa e erro, escrever e reescrever, serão sempre processos indispensáveis do ofício. Contudo, tanto o escrever quanto o reescrever podem e devem ser guiados por alguns princípios gerais, e entre estes acredito que os mais valiosos, quando se trata de buscar uma certa ressonância de verdade, são aqueles que giram em torno do detalhe eloquente, preciso, revelador.
A ideia já foi expressa de diversas formas por grandes escritores. Vladimir Nabokov recomendou "acariciar os detalhes" – isto é, tratar amorosamente as minúcias, prodigalizar-lhes atenção, gastar tempo com elas. Anton Tchékhov cunhou uma bela máxima: "Não me diga que a lua está brilhando; mostre-me seu reflexo num caco de vidro". Margaret Atwood discorreu de modo comovente sobre a capacidade que tem a literatura – em contraste com o cinema, por exemplo – de pintar cenários grandiosos com base em quase nada, a chaminha trêmula de um palito de fósforo passando por grande incêndio.
Diferenças sutis à parte, o que se percebe em todos esses casos é a valorização do específico sobre o genérico, da parte sobre o todo, do menos sobre o mais. O reconhecimento de que as palavras são só fagulhas que provocarão uma explosão – não na própria página, mas na cabeça do leitor.
É assim que, em vez de dizer que "o calor era senegalesco", esse lugar-comum fossilizado, ou mesmo que "o termômetro marcava 42 graus", quase sempre será mais eficaz em termos literários mencionar um dos efeitos concretos da alta temperatura – só isso. O asfalto amolecido que afunda sob o tênis do protanista. As ondas de vapor distorcendo a paisagem vista da janela. O cara que abre a geladeira de picolé da padaria e enfia a cabeça lá dentro. A louca de meia idade que tira toda a roupa e mergulha no chafariz da praça, sob o olhar complacente do guarda gordo que não se anima a deixar a sombra de sua árvore. A evaporação integral dos oceanos revelando os esqueletos de galeões naufragados sob montanhas de peixes mortos.
Escolhido num cardápio infinito que vai do mais prosaico ao mais fantástico, o tipo de detalhe, de metonímia, de condensação depende das intenções de cada um, claro. Não se trata aqui de ensinar a produzir harmonias e melodias, apenas de afinar o instrumento. O que importa é dar ao leitor a ilusão de que quem escreve habitou realmente aquela cena, motivo pelo qual é capaz de apontar – só isso – seus mínimos efeitos sensoriais, em vez de se limitar a sobrevoá-la e produzir uma platitude totalizante como "fazia um calor infernal".
As batalhas homéricas não teriam nem metade de sua violência se o texto não nos levasse a ouvir o ruído de ossos e tendões partidos a golpes de espada. Ah, então é só isso? Não, não é só isso. Mas é um bom começo.

A estrela!


Aranha gigante; 'Mem'