domingo, 17 de agosto de 2014
Bolsa Família: voto de cabresto e terrorismo eleitoral
Feed: Rodrigo Constantino - VEJA.com
Data de Postagem: domingo, 17 de agosto de 2014 11:18
Autor: rconstantino
Data de Postagem: domingo, 17 de agosto de 2014 11:18
Autor: rconstantino
Deu na Veja: Bolsa Família, o maior colégio eleitoral do Brasil (por Gabriel Castro e Laryssa Borges):
Um eleitorado de 40 milhões de pessoas é influenciado pelo programa, que, especialmente no Nordeste, se tornou uma arma eleitoral incomparável
"Quem de vocês aqui gosta do Bolsa Família levanta a mão?", brada ao microfone, do alto de um palanque improvisado, o senador Lobão Filho, candidato do PMDB ao governo do Maranhão, na pequena cidade de Barra do Corda (85.000 habitantes). A plateia reagiu imediatamente com os braços estendidos. O candidato continuou: "Isso me preocupa, porque os nossos adversários estão unidos a Aécio Neves, que já disse em todos os jornais e todas as emissoras de TV que é contra o Bolsa Família".
Filho do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), que orbita o petismo como representante de José Sarney há anos, o candidato peemedebista convive com Aécio Neves no Senado. Os dois são colegas. O peemedebista sabe que o tucano nunca se opôs ao programa – pelo contrário, é de Aécio a proposta para transformar o programa em política permanente de Estado. Mas, nos grotões do Brasil, Lobão Filho utiliza um discurso convenientemente falso. Mesmo um candidato ligado à oligarquia recorre ao discurso de que os seus concorrentes são inimigos do povo por causa de uma oposição fictícia ao programa.
[...]
"Não me interessa saber quem são os outros candidatos", declara Claudilene Melo, que trabalha como doméstica mas também recebe o Bolsa Família.
O cenário eleitoral deve acentuar a importância do Bolsa Família para a candidatura de Dilma Rousseff. A trágica morte do candidato Eduardo Campos e a possível entrada de Marina Silva na disputa devem acentuar, por um lado, a vantagem de Dilma no Nordeste (onde Campos era mais popular) e, por outro lado, tirar votos da petista nas grandes cidades (onde Marina tem um eleitorado mais forte). Como consequência, a tendência é que o PT se encastele ainda mais no Nordeste, onde estão 52% dos beneficiados pelo Bolsa Família (a região tem apenas 27,7% da população brasileira).
[...]
Independentemente da postura dos adversários de Dilma Rousseff, a maior parte dos eleitores que recebem o Bolsa Família não arrisca apoiar aquilo que veem como uma aposta duvidosa. Para o jogo democrático, o efeito é desastroso. Se o único critério na escolha do candidato é o Bolsa Família, o eleitor vota sem levar em conta outros temas essenciais, como as políticas para saúde, segurança e o combate à corrupção. "É como se nós tivéssemos voltando para o século XIX, com os currais eleitorais fechados", diz o professor José Matias-Pereira, da UnB.
Como o número de beneficiários do Bolsa Família cresce continuamente, é cada vez maior o contingente de eleitores que escolhe seu candidato presidencial apenas com base no receio de perder o pagamento mensal. "O coronel local está sendo substituído pelo coronel federal. Mas o padrão é o mesmo: o modelo patrimonialista onde indivíduo usa os bens do estado para se beneficiar politica ou em benefício próprio", afirma o professor da UnB.
O que mais posso comentar? Voltamos ao velho voto de cabresto. O PT comprou todos que estavam à venda, explorou de forma demagógica e populista nossa miséria, como fez Chávez na Venezuela. É um partido que faz muito mal ao país, à democracia.
Em todo lugar que vou, não vejo um só defensor do PT ou de Dilma. Todos sumiram! Ela tem até receio de andar pelas ruas do país, por motivos óbvios: nunca antes na história deste país se viu tanta rejeição a um candidato que, pasmem!, lidera as pesquisas eleitorais. Onde estão esses eleitores?
Eis a resposta: a imensa maioria está no nordeste, recebendo esmolas sob ameaças de que elas irão cessar caso outro candidato seja eleito. Chama-se terrorismo eleitoral e compra de votos. Por isso Aécio Neves já deixou claro que pretende transformar o Bolsa Família em programa de Estado, não de governo. Justamente para impedir esse claro abuso da máquina estatal para fins partidários.
O PT, após tantas décadas de discurso de luta de classes, finalmente conseguiu segregar o Brasil, parti-lo ao meio: de um lado, aqueles que ganham para não trabalhar; do outro, aqueles que trabalham para pagar a conta.
Rodrigo Constantino |
Pontilhismo: Técnica, criatividade e Paciência
Autor: Augusto Nunes
| PEDRO COSTA Vistas à distância, as telas do ilustrador americano Miguel Endara parecem meras fotografias em preto e branco. Só de perto é possível captar com os olhos a magia visual que demora cerca de 200 horas para ficar pronta. Miguel é um craque do pontilhismo, técnica derivada do impressionismo, e utiliza apenas caneta com tinta preta em papel branco. Ele chega a fazer quatro pontos em um um segundo, com precisão e nitidez impressionantes. O vídeo que completa a sequência de desenhos registra o processo de produção da obra "Hero", que retrata o pai do artista. The Making of "Hero" from Miguel Endara on Vimeo. |
sábado, 16 de agosto de 2014
Escrever e coçar é só começar?
Autor: sergiorodrigues
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Durante muito tempo, mantive neste blog uma seção chamada Começos Inesquecíveis, dedicada a aberturas especialmente brilhantes – sobretudo de romances, embora um ou outro conto tenha comparecido também. (Um desses começos, aliás, faz coro com as palavras iniciais deste post: "Durante muito tempo, costumava deitar-me cedo", escreveu Marcel Proust na primeira linha de "No caminho de Swann".)
A seção não tinha dia fixo, mas era atualizada com grande frequência por exigência dos próprios leitores, que a transformaram na mais visitada do Todoprosa. Nunca parei para contar, mas imagino que no fim das contas o número de começos contemplados se aproximasse da casa dos três dígitos. A popularidade dos grandes começos da literatura é um tema curioso. Parece existir em nós, leitores, e principalmente nos leitores que também escrevem ou gostariam de escrever, uma crença irracional no poder mágico das palavras de abertura de um livro. Como se elas já contivessem em miniatura tudo o que importa saber, um certo espírito geral da obra. Como se, acertando no começo, o resto viesse naturalmente ao autor. A realidade é mais complicada do que isso. Um bom início tem a responsabilidade de introduzir um certo tom, uma certa voz, e o desafio nada banal de fazer o leitor seguir em frente. Com perdão da obviedade, porém, vale lembrar que, se uma narrativa deve começar bem, não é menos importante que continue bem e termine bem. Continuar, sobretudo, é um verbo que geralmente parece não ter fim quando se escreve um romance – e às vezes não tem mesmo. O que talvez seja outra razão para o sucesso de público dos começos: escrever uma boa abertura parece estar ao alcance de todos, mesmo quando ela não conduz a lugar algum. (Com esta ideia, a de uma sucessão de começos, Italo Calvino escreveu o fabuloso "Se um viajante numa noite de inverno".) A intensa participação dos leitores me levou a instituir, em agosto e setembro de 2009, um concurso para escolher pelo voto direto o melhor entre todos os Começos Inesquecíveis que tinham aparecido no blog até então. A pré-seleção foi minha: montei três grupos de oito, e os dois mais votados de cada um foram para a final. (Os vinte e quatro concorrentes podem ser lidos aqui, aqui e aqui.) Centenas de votos depois, a lista dos finalistas – que não incluía alguns dos meus favoritos, paciência – era a seguinte: Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. (Vladimir Nabokov, "Lolita".) Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames". Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem. (Albert Camus, "O estrangeiro".) Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. (Leon Tolstoi, "Ana Karenina".) Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. (Guimarães Rosa, "Grande sertão: veredas".) Chamem-me Ismael. Alguns anos atrás – não importa precisamente quantos – tendo pouco ou nenhum dinheiro na bolsa, e nada que me interessasse particularmente em terra firme, decidi navegar um pouco por aí e ver a parte aquosa do mundo. É um jeito que tenho de espantar a melancolia e regular a circulação do sangue. (Herman Melville, "Moby Dick".) Sou um homem doente… Sou mau. Nada tenho de simpático. Julgo estar doente do fígado, embora não o perceba nem saiba ao certo onde reside meu mal. (Fiodor Dostoievski, "Memórias do subterrâneo".) O campeão foi Tolstoi, seguido por Nabokov e Camus. |
Vídeo histórico, para fanáticos pelo espaço: compilação de TODOS os lançamentos de ônibus espaciais da NASA ao longo de 30 anos
Autor: ricardosetti
Em 12 de abril de 1981, foi lançado pela primeira vez um ônibus espacial — nave capaz de ir ao espaço e voltar aterrissando — da NASA, o Columbia (Foto: NASA)
Em operação entre 1981 e 2011, o programa de ônibus espaciais transportou 355 pessoas — astronautas propriamente ditos, cientistas, engenheiros, médicos e biólogos, entre outros especialistas. Após 30 anos, o último veículo da NASA, o Atlantis, foi aposentado e colocado em exposição no museu do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Para os amantes da ciência, é um prato cheio. Confiram: www.youtube.com/watch?v=Em-Krwbn25A |
Pintura hiperrealista: o 'absurdo' em tinta, pincel e tela
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O hiperrealismo é uma técnica de pintura que procura fazer parecer real uma ilusão, ou, nas palavras do hiperrealista Simon Hennessey: "Minhas pinturas são vistas como um reflexo da realidade, mas na verdade a obra de arte transcende a sua própria abstração da realidade. Com o uso de uma câmera como uma fonte visual para a pintura, eu sou capaz de criar falsas ilusões que são julgados como a nossa própria realidade. Confira alguns trabalhos deste e outros hiperrealistas: Simon Hennessey O jovem inglês Simon Hennessey vem expondo seus closes mais que reais, sua especialidade, desde 2003. - - Hilo Chen - - - Istvan Nyari O artista de Budapeste, na Hungria, ultrapassa o conceito de hiperrealismo, trazendo para a realidade a fantasia e o surreal. - - Linnea Strid A artista sueca busca inspiração na água como elemento e nas emoções humanas. - Diego Gravinese O argentino Diego traz à vida temas criativos, sem utilizar photosohp. - - - Roberto Bernardi Nascido em Todi, na Itália, Roberto Bernardi. - - - Richard Estes Americano de Ilinois, Richard Estes é considerado um dos fundadores do movimento hiperrealista, iniciando nos 1960. - - - Doug Bloodworth Obra do norte-americano Doug Bloodworth. - - - Pedro Campos Apesar do nome, Pedro Campos não é brasileiro, é espanhol, de Madrid, e mora em Nova Iorque. - - Leia também: A nudez feminina, a intimidade, a água — na pintura hiperrealista da americana Alyssa Monks Acredite se quiser: NADA do que você vai ver agora são fotos O que faz a foto de uma mulher nua sobre um pedestal, num blog de respeito como este? Nudez, sexo, ousadia nos quadros hiperrealistas do americano Terry Rodgers Ela própria — nua –, solidão, doces e frutas: a pintura hiperrealista de Lee Price São fotografias em preto e branco? Não, são pinturas. Confira Parece real, muuuuuito real — mas são apenas esculturas (do site de Ricardo Setti/Veja) |
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