quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

3 camisinhas

Um rapaz vai a uma farmácia e diz :
- Tem preservativo? Minha namorada me convidou para jantar esta noite na casa dela.

O farmacêutico dá-lhe o preservativo e o jovem sai .

De imediato, volta, dizendo:
Senhor, dê-me outro. A irmã da minha namorada é uma gostosona, vive cruzando as pernas na minha frente.
Acho que também vai rolar....
O homem dá o preservativo ao jovem .

Ele volta, dizendo:
Quero outro. A mãe da minha namorada também é boa pra caramba. A velha vive se insinuando, deve ser mal amada, e como eu hoje vou jantar lá na casa delas...

Chega a hora da comida e o rapaz está sentado à mesa com a namorada ao lado, a mãe e a irmã à frente.

Neste instante entra o pai da namorada .

O rapaz baixa imediatamente a cabeça, une as mãos e começa a rezar:
- Senhor, abençoa estes alimentos, blá,blá.. Damos graças por estes alimentos...
Passa-se um minuto e o rapaz continua de cabeça baixa rezando:
- Obrigado Senhor...blá,bla...
Passam-se cinco minutos :
- Abençoa Senhor este pão...
Todos se entreolham surpreendidos, e a namorada lhe diz ao ouvido:
Meu amor, não sabia que você era tão religioso...
- E eu não sabia que o teu pai era farmacêutico!

A última foto: Nem sempre Deus protege os bebuns

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Por que escrevo

Cartão bolado pela Ateliê Editorial

"Como sabem, a pergunta que mais fazem a nós escritores, a pergunta predileta, é: por que você escreve? Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever! Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo. Escrevo porque sinto raiva de todos vocês, sinto raiva de todo mundo. Escrevo porque adoro passar o dia à mesa escrevendo. Escrevo porque só consigo participar da vida real quando a modifico. Escrevo porque quero que os outros, todos nós, o mundo inteiro, saibam que tipo de vida nós vivemos, e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque adoro o cheiro do papel e da tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido, porque gosto da glória e do interesse que a literatura traz. Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira. Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual - como num sonho - nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz."

Orhan Pamuk, em "A maleta do meu pai" (Companhia das Letras, 2007, 96 págs.), livro que reúne três textos do escritor turco: dois discursos (um deles ao receber o Prêmio Nobel de Literatura em 2006) e uma palestra sobre literatura.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

As 10 vantagens de ser pobre…


1 É Simples - Você não perde o seu
precioso tempo com grandes sonhos e
se contenta com um sonho da padaria no
almoço e um Sonho de Valsa no jantar.

2. É Valorizador – Em um mundo de
mulheres tão interesseiras e
oportunistas, só as sinceras e
verdadeiras dão bola pra você! O
problema é agüentar ficar sozinho!

3. É Saudável - Você tem uma vida de
atleta, correndo pra alcançar o ônibus,
malhando pra conseguir um lugar pra
sentar e se alongando pra passar por
baixo da catraca.

4. É Anti-Estressante - Nenhum
vendedor te liga pra empurrar alguma
bugiganga porque, além da sua conta
estar negativa, você não tem telefone!

5. É Aliviante - Com a sua fama de
pé-rapado, nenhum amigo te pede
dinheiro emprestado e, dependendo do
seu grau de pobreza, eles nem serão
mais seus amigos.

6. É Emocionante - Você nunca sabe se
o dinheiro vai chegar até o final do mês e,
assim, tem uma rotina muito menos
previsível!

7. É Invejável - Enquanto os seus
vizinhos viajam, pegam trânsito no
feriado e sofrem com as praias lotadas,
você descansa na comodidade do seu
barraco.

8. É Útil – Você tem de trabalhar aos
domingos pra fazer hora-extra e, assim,
não precisa assistir aos programas que
são campeões de audiência de encheção
de saco.

9. É Seguro – Você não precisa levar a
carteira para todos lugares que for, pois
ela está sempre vazia. Assim, os
trombadinhas vão passar longe de você!

10. É Gratificante – Sem dinheiro pra
acessar a Internet, você nunca vai ler
textos cretinos como esse!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O melhor ímã de geladeira em 2007


recebi de Angel Blue

A última foto: do último mergulho

"Me sinto estrangeiro em toda parte"

Não existe vida inteligente ou virtude no nativismo regionalista

Há gente querendo reeditar, sei lá, 1932, propondo, quem sabe?, uma luta armada entre São Paulo e Minas. NÃO sou paulista. Só nasci em São Paulo. Sou brasileiro — para o bem e para o mal. Já disse aqui: quando cruzo a fronteira do “meu” estado, indo ou voltando, não sinto nada. Às vezes, tédio. Só sei que estou em São Paulo por causa das estradas sem buracos. Eu não entendo esse orgulho de “ser mineiro”, de “ser paulista”, de “ser acreano”... Isso é coisa ou de trapaceiro ou de trapaceado, ou de Cavalcantes ou de cavalgados, ou de ladrões ou de roubados. Não há nada de virtuoso nessa conversa: quem alimenta esse tipo de dissensão ou é manipulador ou é manipulado. Não existe nativismo regionalista honesto ou inteligente.

Há paulistas de primeiro time, e há aqueles que não servem para catar cocô. O mesmo se diga dos mineiros. Ocorre, e isto é fato, que não há “pensadores” em São Paulo fazendo teorias sobre “o jeito de ser paulista”. Ou há? Se houver, avisem-me para que eu lhes dê um pé no traseiro.

Assim, não me venham esses babacas dizer que Minas não me pertence. Não me sinto estrangeiro quando estou nesse estado, não. Minas é minha e não é. Como qualquer lugar. Estrangeiro, de fato, eu me sinto em toda parte, como diria o poeta.
(...)
Eu poderia dizer que FHC e Lula são tão "paulistas" quanto mineiros são Newton Cardoso e Francelino Pereira. Mas isso emburreceria o debate — e, no caso, eu ainda estaria sendo injusto com os dois “paulistas” postiços na comparação com os dois falsos “mineiros”. Entendeu ou preciso desenhar? Minas, São Paulo e toda parte nos deram homens públicos exemplares e larápios notórios. O larápio não o era porque paulista ou mineiro. Também não é a origem, analogamente, que dita o bom caráter.

(...) Ah, isso é de uma tolice gigantesca. Sem essa! Não venham me roubar Minas. Não venham me roubar Drummond. Não venham me roubar Murilo Mendes — de Guimarães Rosa, eu abro mão. Minas não pertence a qualquer mineiro mais do que pertence a mim. E fiquem à vontade para saquear amorosamente São Paulo.

O patriotismo é o último refúgio dos canalhas. E nativismo regionalista é refúgio de canalha caipira. Sou mineiro. Nasci no Piauí. E daí?

E, por favor, não percam tempo enviando para cá críticas contra “os” mineiros, contra “os”paulistas, contra “os” qualquer coisa. Não reconheço essas divisões como categorias políticas. Já disse: é coisa de gente trapaceira. Passo boa parte do meu tempo criticando os burocratas e inocentes úteis da luta de classes. Só me faltava agora aderir a essas tolices provincianas.
Reinaldo Azevedo

domingo, 27 de janeiro de 2008

"Propensão natural para a crueldade"




Meu amigo Montaigne diz: "(...) nunca consegui sequer ver sem desprazer perseguirem e matarem um animal inocente, que está sem defesa e do qual não sofremos mal algum. E como costuma acontecer que o cervo, sentindo-se sem fôlego e sem força, não tendo mais outro remédio, atira-se e se rende a nós mesmos que o perseguimos, rogando-nos mercê com suas lágrimas, esse sempre me pareceu um espetáculo muito desagradável. Nunca apanho animal vivo ao qual não devolva a liberdade. Pitágoras comprava-os dos pescadores e dos passarinheiros para fazer o mesmo. As índoles sangüinárias com relação aos animais dão prova de uma propensão natural para a crueldade."

Promessas partidas de J. Joyce

de MAF - Xilogravura 15cmX20cm
Marco Antonio Dourado - Curitiba (PR) diz: "A propósito, 'outrora, quando fui fiel ao meu sonho', cometi a ousadia de tentar traduzir o poema “Broken Vows”, Ei-lo, abaixo, com o devido pedido de perdão pelas agressões ao texto original e pelas derrapadas no nosso idioma:"

Broken Vows
(Promessas partidas)
de James Joyce

Era tarde a noite passada;
O cão falava de ti.
A narceja falava de ti, lá do fundo do pântano.
És tu o pássaro solitário dos bosques.
Pois que fiques sem companhia até me encontrar.

Tu prometeste... a mim! E mentiste para mim...
Disseste que estarias a meu lado
Quando os carneiros fossem arrebanhados.
Eu assoviei e clamei por ti centenas de vezes
E nada achei por lá, a não ser uma ovelha balindo.

Tu prometeste algo difícil:
Um navio de ouro sob um mastro prateado,
Doze cidades e um mercado em todas elas
E uma branca e bela praça à beira do mar,

Tu prometeste algo impossível:
Que me darias luvas da pele de um peixe;
E sapatos da pele de uma ave,
E roupa da melhor seda da Irlanda.

Foi num Domingo que te entreguei o meu amor:
O Domingo que precede o Domingo de Páscoa.
Eu, ali, de joelhos, a ler a Paixão (*);
E meus olhos a te oferecer amor eterno.

Minha mãe me advertiu que não falasse contigo:
"Nem hoje, nem amanhã, nem Domingo!"
Foi um mau momento para dizer-me isso.
Como trancar a porta depois da casa arrombada.

Meu coração se acha negro, negro como o abrunho (**),
Ou como o negro carvão da fornalha do ferreiro;
Ou como a sola de um sapato largado de fora dos alvos salões;
Foste quem que me cobriu a vida com toda essa treva.

Tiraste o Leste de mim, tiraste o Oeste de mim,
Tiraste o que existe à minha frente, tiraste o que me há por trás;
A Lua me tiraste, o Sol me tiraste,
E, imenso é o meu medo, tiraste Deus de mim.
__________
(*) NARRATIVA DOS SOFRIMENTOS DE CRISTO, CONFORME DESCRITOS NOS EVANGELHOS.
(**) ABRUNHO OU ABRUNHEIRO - ESPÉCIE DE AMEIXEIRA-BRAVA DO NORTE DA EUROPA.

Perdido na cozinha

de MAF - Guache/ecoline, s/papel:14X17cm
«O olhar dum bicho comove-me mais profundamente que um olhar humano. Há lá dentro uma alma que quer falar e não pode, princesa encantada por qualquer fada má. Num grande esforço de compreensão, debruço-me, mergulho os meus olhos nos olhos do meu cão: Tu que queres? E os olhos respondem-me e eu não entendo... Ah, ter quatro patas e compreender a súplica humilde, a angustiosa ansiedade daquele olhar!"
Florbela Espanca

Não me pertence mais: Doei


óleo s/madeira. 17cmX45cm

Saíndo e entrando

O que é ser escritor?

"A maleta do meu pai" (Cia. da Letras, 91 páginas), pequeno livro que contém três discursos proferidos por Pamuk em ocasiões diferentes. O discurso proferido na cerimônia de entrega do prêmio Nobel empresta o título ao livro. O autor de "O meu nome é Vermelho" define o que é ser escritor: "Para mim, ser escritor é reconhecer as feridas secretas que carregamos, tão secretas que mal temos consciência delas, e explorá-las com paciência, conhecê-las melhor, iluminá-las, apoderar-nos dessas dores e feridas e transformá-las em parte consciente do nosso espírito e da nossa literatura". Algumas páginas antes: "O escritor que se recolhe e antes de mais nada empreende um viagem para dentro de si mesmo haverá de descobrir ao longo dos anos a regra eterna da literatura: é preciso ter o talento de contar as próprias histórias como se fossem histórias dos outros, e contar as histórias dos outros como se fossem suas, porque é isso a literatura. Mas antes é preciso viajar pelas histórias e pelos livros de outros".
****************
O leitor segundo o autor, desde o ponto de vista de Guy de Maupassant*

"O leitor, que unicamente busca num livro satisfazer a tendência natural de seu espírito, pede ao escritor que responda a seu gosto predominante e qualifica invariavelmente como bem escrita a obra ou o parágrafo que agrada a sua imaginação idealista, alegre, picaresca, triste, sonhadora ou positiva.
Em resumo, o público está composto por numerosos grupos que nos gritam:

«Consolem-me.»
«Detraiam-me.»
«Entristeçam-me.»
«Enterneçam-me.»
«Façam-me sonhar.»
«Façam-me rir.»
«Façam que me estremeça.»
«Façam-me chorar.»
«Façam-me pensar.»

Só alguns espíritos seletos pedem ao artista:
«Escrevam algo belo, na forma que melhor lhes indique seu temperamento.»

O artista tenta e triunfa ou fracassa."

*Guy de Maupassant (escritor francês, 1850-1893) estudou Leis em Ruán e Paris, porém a guerra franco-prusiana o fez abandonar seus estudos e começar uma carreira como funcionário público. Os conselhos de Gustave Flaubert o convenceram a dedicar-se à literatura. Seu estilo é elegante e preciso, e reflete preocupação pelo detalhe, e, ao mesmo tempo, uma visão pessimista e angustiosa da vida.

Superman

Sete horas da manhã, o marido entra em
casa.
A mulher espera de pé, perto da porta.
- Chegando a esta hora, Superman ?
- Desculpe, eu estava com clientes.
- E vocês discutiram a noite toda até às
sete da manhã, Superman ?
- Tá certo. Nós fomos a um bar, até às
três horas, para bebericar.
- Até às três, Superman ? E o que
aconteceu que você só chegou agora, às
sete, Superman ?
- Eu... Bem..., é que depois nós fomos a
um bar de strip-tease; mas eu só fiquei
olhando! Eu não percebi o tempo passar.
- Tá bem, Superman . Você só olhou. No
que mais você quer que eu acredite,
Superman ?
- Nada, eu... Espera aí... Por que é que
você está me chamando o tempo todo de
Superman ?
- Porque só o Superman usa a cueca por
cima da calça, seu safado!!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O espelho


Foto e crédito, postado por João Paulo, de Portugal
A arte de Pino Daeni

Pino Daeni (nascido Giuseppe Dangelico) é conhecido por sua excepcional capacidade de captar movimentos e expressões - um talento que lhe proporcionou referências elogiosas à escala mundial.
A calorosa e emocionante técnica de Pino, a riqueza das cores e a sutileza e suavidade da sua abordagem são as razões pelas quais seu trabalho é procurado por colecionadores de todo o mundo.
Pino, atualmente, mora em Nova Jersey com a mulher e filhos.
***************
O Espelho de Oxum
*Um Objeto Singular*
Por Marcelo Bolshaw Gomes

Conta a lenda que, em um tempo imemorial, o rei Xangô, orixá escolhido por Oxalá para governar a terra e os outros deuses, tinha diversas esposas.
As duas mais importantes eram Yansã, a Senhora das Tempestades, e Oxum, cujo domínio se estendia pelos rios, lagos e cachoeiras.
Certo dia, enciumada da preferência de Xangô pela sua adversária; Yansã decidiu vingar-se de Oxum e, em um raio intempestivo de cólera, investiu contra a mãe das águas doces, quando esta se banhava nua às margens de um grande lago, tendo apenas um espelho entre as mãos. Devido ao fato de não ser uma guerreira, mas uma mulher dócil e vaidosa, afeita apenas aos expedientes da Sedução e da Dissimulação para se defender; Oxum viu-se completamente indefesa frente à ira arrebatadora da Rainha dos Raios. Oxum, então, rezou a Oxalá e, em um instante mágico, percebeu que o Sol brilhava forte nas costas de sua agressora. Rapidamente, ela utilizou seu espelho para refletir os raios solares de forma a cegar Yansã.
Ao saber da vitória de Oxum, o rei Xangô reafirmou sua preferência pela Senhora das Águas, que além de mais bela e delicada, provou ser também mais poderosa que a Senhora das tempestades.

Das inúmeras narrativas onde este fascínio se manifesta escolhemos o mito nagô do Espelho de Oxum, originariamente recolhida por Pierre Verger na África, pois ele apresenta vários elementos simbólicos importantes para caracterizar o *funcionamento arquetípico *dos mitos que constituem o dispositivo especular e sua estratégia epistemológica. Antes, porém, de analisar os diversos aspectos simbólicos desta lenda mítica, vamos estudar como o tema do espelho se manifesta em outras narrativas de diferentes culturas, procurando identificar suas relações com um arquétipo único, que possa esclarecer o papel universal que o Espelho desempenha na lenda nagô. *

*No Universo dos deuses nagôs *

A narrativa começa dizendo que Oxalá, 'em um tempo imemoriável', delegara o governo da terra e dos deuses a Xangô, se comportando como um 'deus oticius' ou uraniano, que cria o mundo e o entrega à administração de um de seus filhos, deuses menores. Por uma feliz coincidência, este conceito de 'Deus-pai' existente 'para além dos céus' foi estabelecido por Mircea Eliade justamente estudando a cultura Iorubá, onde Olorum se retira entregando todo poder a Obatalá.

Em nossa estória, temos uma luta, não entre duas mulheres, mas entre dois destes aspectos femininos da natureza: Yansã, Rainha dos Raios, dos Ventos e das Tempestades, senhora dos eguns e do mundo dos mortos; e Oxum, Mãe das Águas Doces e senhora do jogo de adivinhação do Ifá. Oxum também é uma deusa do amor e da beleza, uma 'Afrodite nagô'.

Os temperamentos das deusas são bastante opostos. Oxum exemplifica a mulher aparentemente submissa e dócil, mas, na verdade, sedutora e dissimulada. Yansã, ao contrário, encarna o ideal de uma mulher independente e sincera, mas de gênio irascível. É também a orixá feminina que tem mais relacionamentos amorosos com outros deuses, característica que, no entanto, não a fez menos ciumenta e possessiva. A Senhora das Águas nada podia contra a força dos ventos. Oxum não poderia se valer de suas armas habituais, a sedução e a mentira, mas para invocar o poder solar de Oxalá (o self), ela teve que transcender sua condição narcista e reflexiva. A superação desta vaidade inicial do espelho é que permite a Oxum usá-lo como uma arma real e não como um 'instrumento psicanalítico' feito o herói Kadmo diante da medusa. E este é um ponto chave desta lenda: apenas com a ajuda do elemento Fogo, a Mãe das Águas se torna também a Senhora do Espelho e vence Yansã. E assim conquista definitivamente a preferência de Xangô.

A mitologia nagô é amoral e não está preocupada em ditar modelos morais
de comportamento. Na verdade, a vitória de Oxum tem dois significados para
os Iorubás: representa, primeiro, do ponto de vista da agricultura, a preferência pelas chuvas moderadas atribuídas a Oxum como Orixá da Fertilidade do que pelas tempestades simbolizadas pelo casamento de Xangô com Yansã. E, no plano religioso, a vitória de Oxum representa a
superioridade da atividade divinatória simbolizada pelo espelho (inconsciente coletivo) sobre a necromancia e o culto aos antepassados, representado pelo aspecto ctônico e intempestivo da Rainha dos Raios.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A melhor Tatuagem de 2007

Recebi de Angel Blue

Crenças Místicas

por Rodrigo Constantino

"Uma teoria está sujeita ao tribunal da razão somente." (Mises)

O povo brasileiro é um povo bastante inclinado a aceitar passivamente crenças totalmente místicas, das mais absurdas possíveis. Concebo que esta é uma característica universal, mas o caso brasileiro chama a atenção pelo seu grau de crendice. Possivelmente, entre os principais fatores que explicam isso estão a miséria e a ignorância, ainda que não os únicos. Quanto menos instruído for o povo, e quanto maiores forem suas demandas básicas não atendidas, mais fértil é o terreno para a propagação do vírus do misticismo. O obscurantismo em que a Idade Média estava em boa parte mergulhada é evidência disso. As crenças irracionais se alastram na escuridão, alimentando-se do desespero de suas vítimas. As duas paixões humanas que mais contribuem para este caminho são o medo e a esperança. A manipulação desses sentimentos por oportunistas de plantão sempre foi um prato cheio para regimes autoritários e de exploração. O medo da morte e da punição eterna sempre fez muitas vítimas e prisioneiros. A esperança de ser salvo e viver para sempre no paraíso idem. Em certo sentido, podemos afirmar que o Iluminismo ainda não nos deu o ar de sua graça.
Continua aqui:

ELEIÇÃO É ESCOLHA, NÃO É OBEDIÊNCIA

Em 23/01
por José Nêumanne – O Estado de S. Paulo

Há quem acredite em duendes e quem espere o desembarque de Papai Noel de um trenó puxado por renas chaminé abaixo de casa em pleno verão tropical. O cineasta americano Oliver Stone, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner e o sociólogo brasileiro Marco Aurélio Garcia crêem no alívio que as Forças Armadas Colombianas (Farc) trazem ao cotidiano sofrido do pobre camponês de lá. As evidências de que as atividades políticas desses facínoras, que tiram seu sustento da produção e comercialização da cocaína e da manutenção em cativeiro nas piores e mais desumanas condições das pessoas que seqüestram, são similares às de seu parceiro brasileiro Fernandinho Beira-Mar não os demovem de sua fé. Aos 40 anos da morte de Che Guevara e do início das atividades guerrilheiras das Farc, resta-lhes pouco a crer.
Continua aqui:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A última foto: Deeesce!

De Portugal, postado por João Paulo


Portugal não falha (caso verídico).

Num concerto dos U2 em Lisboa, Portugal, Bono pediu silêncio ao público e começou a bater palmas compassadamente.
Olhando para as pessoas, que estavam em silêncio, disse ao microfone:
- Eu quero que vocês pensem em algo muito sério. A cada batida de minhas mãos, uma criança morre na África.
Nesse momento uma voz das arquibancadas grita:
- Então para de bater, ó filho da puta!...