terça-feira, 2 de setembro de 2014

carta aberta que 55 artistas enviaram à Fundação Bienal de São Paulo.


Ou: A arte da fuga

Quem leva a sério a opinião política dos artistas? Eu não. Deixei de o fazer com a ruína dos regimes totalitários.

Nas pinturas de Isaak Brodsky (sobre Lênin); nos filmes de Leni Riefenstahl (sobre Hitler); e nas telas de Alessandro Bruschetti (sobre Mussolini), a "arte política" deixou um testamento vergonhoso, que passou pela legitimação -melhor: pela exaltação das virtudes de psicopatas.

Exceções, sempre houve. Mas o casamento entre arte e política normalmente deu maus resultados. A "arte pela arte" não é apenas um bordão do século 19. É um conselho prudente para quem tem pretensões de se dedicar a ela.
Por isso ri alto com a carta aberta que 55 artistas enviaram à Fundação Bienal de São Paulo.

Ponto prévio: nenhuma pessoa adulta escreve cartas abertas em manada; quando falamos de artistas, ou pretensos artistas, a coisa ainda soa pior. Ou a arte vive da autonomia individual, ou não vive. Só covardes assinam em manada.

Mas os 55 revoltaram-se com o apoio financeiro que Israel concedeu à Bienal. Não querem dinheiro judeu porque acreditam que esse dinheiro, depois da guerra em Gaza, conspurca as suas integridades estéticas.
Se o dinheiro fosse da Autoridade Palestina, ou até do Hamas, talvez a conversa fosse outra. Não é. É de Israel.

Não vou regressar ao conflito entre Israel e o Hamas, que vive agora a sua trégua clássica antes do próximo confronto. Enquanto o mundo não entender direito a natureza islamita e jihadista do Hamas, não vale a pena gastar latim com o assunto.

Mas talvez não seja inútil fazer uma pergunta meramente teórica: de que vive a arte, afinal?

Arrisco uma resposta: a arte vive da liberdade. Um clichê sem grande importância?
Errado. Parafraseando Saul Bellow, eu gostaria de conhecer o Balzac dos zulus. Não conheço. Se Nova York, Londres ou Berlim são centros de excelência estética, isso deve-se à estabilidade política e à riqueza material de tais cidades.

E mesmo que a arte seja "engajada", o que já me parece uma corruptela da sua vocação, convém que o "engajamento" seja direcionado para os alvos certos.
Os 55 artistas da Bienal falham nos dois planos.

Começando pela liberdade, basta consultar os rankings da ONG Freedom House para 2014. Não vou cansar o leitor com números e mais números. Resumindo, digo apenas: Israel é o único país do Oriente Médio e do norte de África considerado "livre". O resto oscila entre "parcialmente livres" (Tunísia, Líbia, Kuait) e "não livres" (Iraque, Irã, Arábia Saudita).

E, para ficarmos na vizinhança de Israel, é a desgraça: Jordânia, Egito ou Síria continuam antros de repressão. Os 55 artistas, que deveriam defender a liberdade de expressão como quem defende o oxigênio, assinam uma carta contra o único país que respeita essa liberdade em todo o Oriente Médio.

E sobre os direitos humanos? Fato: Israel merece várias linhas de condenação nos relatórios anuais da Human Rights Watch, outra ONG independente. Mas nada que se compare ao comportamento dos mesmos países do Oriente Médio, para não falar da vizinhança em volta.

Um bom indicador do respeito pelos direitos humanos está no tema clássico da pena de morte. Israel aboliu-a para crimes civis. Do Egito à Jordânia, do Líbano à Autoridade Palestina, a execução judicial continua a verificar-se.
Digo "judicial" porque o Hamas, todos o sabemos, prefere fazer as coisas de forma "extrajudicial", fuzilando traidores no meio da rua.

De resto, será preciso dissertar sobre a diferença entre os "direitos" das mulheres ou dos homossexuais em Israel e nos países em volta? Será preciso recordar o histórico de amputações de membros e lapidações de adúlteras que existe por aquelas bandas?

E será preciso acrescentar alguma coisa à selvageria do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que pelo visto não incomoda os 55 artistas da Bienal de São Paulo?

Criticar Israel é legítimo. Nenhum governo está acima da crítica. Transformar Israel em pária internacional é uma forma de cegueira antissemita.

Eu só respeitarei a "coragem" dos 55 artistas no dia em que eles viajarem para Bagdá, Riad ou Gaza e escreverem uma carta contra os governos locais. Em defesa da liberdade e dos "direitos humanos".

Isso, claro, se ainda tiverem mãos para escrever.
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Autor: João Pereira Coutinho

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Mulheres que amam psicopatas demais


Nunca entendi as pessoas que acham a pena de morte "desumana". Em geral, quem é condenado à morte é porque matou. Se matou, não merece morrer? Alguém dirá, "Ah, mas o Estado não pode ser juiz e executor e tal". Bem, mas se deixarem nas mãos da população, ou da família da vítima, o sujeito será linchado e torturado de forma muito pior. O Estado na verdade já está fazendo um favor já em conceder um julgamento e uma morte menos dolorosa.

Nem sempre foi assim. Em tempos antigos, criminoso era torturado e esquartejado em praça pública. Era um espetáculo terapêutico para as multidões. E talvez tenha ajudado a Europa a se tornar, a longo prazo, um lugar menos violento.

Mas não era de pena de morte que eu queria falar, mas sim de algo relacionado: a esterilização de criminosos. Você é a favor? Eu sim. Matou, roubou, estuprou, crá -- castração química ou esterilização para você. Quem cometeu crime grave deveria ser proibido de passar seus genes adiante. "Visita conjugal", por sinal, é um absurdo. Na minha opinião, a única "visita conjugal" que detentos deveriam ter é quando se abaixam para pegar o sabonete.

E no entanto, não é assim que funciona. Aliás, os criminosos e psicopatas são premiados pelo sistema.

Não é segredo que algumas mulheres gostam de "bad boys" (já escrevi sobre isso) e algumas, mais extremas, gostam de psycho-killers.

Ted Bundy, serial killer que matou mais de vinte jovens mulheres nos anos 70, conseguiu ter uma "groupie" que o seguiu durante os julgamentos. Antes de ser executado, casou com ela e teve uma filha. Recentemente, Joran Van der Sloot, outro serial killer de mulheres, também teve um filho com uma admiradora de psicopatas.

Não tentemos entender o (muitas vezes ilógico) pensamento feminino. O fato é que crimimosos não deveriam ter o direito de propagar seus genes podres. Tais criminosos, na minha opinião, deveriam ter sido castrados com um facão cego no momento em que entraram na prisão.

Aliás, isso não é exclusivo dos psicopatas homens. Myra Hyndley, criminosa britânica que matou várias criancinhas, também teve um filho na prisão. Deveria ter tido as trompas ligadas.

A longo prazo, a execução de assassinos e a esterilização de todo tipo de criminoso (até mesmo do mais vulgar ladrão de galinhas) teria um efeito benéfico, tornando a sociedade menos violenta, premiando os bons e castigando os maus. Pena que nem todos pensem assim. Pena que, para a esquerda, o assassino é apenas um "coitadinho" que merece não só viver à custa do cidadão, como ainda ter filhos e que estes sejam, também, sustentados pelas suas vítimas.

Não sou muito religioso, mas, como no mundo em que vivemos os psicopatas e as pessoas más muitas vezes se dão melhor do que as pessoas inocentes e de bom coração, eu espero mesmo que exista um Inferno.


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A mídia é uma macaca imunda



Uma simples palavra. O nome de um simpático animal. Três sílabas: ma-ca-co.

E no entanto elas podem ter arruinado a vida de uma jovem. Ao menos a mídia está fazendo tudo o possível para acabar com a vida da jovem Patrícia por causa de uma palavra. Primeiro, filmou-a e promoveu as imagens incessantemente (coincidência? porque escolheram logo essa moça, e não os homens adultos do coro?). Depois, a mídia levantou os ânimos da "torcida" para que agredissem a jovem verbalmente nas redes sociais e até apedrejassem a sua casa.

O jogador Aranha foi entrevistado pelo Fantástico, vejamos o que um importante blog esportivo diz a respeito:
"Eu sei que muitas vezes eu não sou aceito, eu sou tolerado. Porque sou o goleiro do Santos, bicampeão mundial. E porque eu tenho um carro bonito, porque eu compro isso, eu compro aquilo. Então muitas vezes eu sou tolerado, não sou aceito. Eu já morei em prédios, minha família está de testemunha, que não me davam nem bom dia."
As situações estão bem separadas para Aranha. Ele pode até se sentir mal por tudo o que aconteceu na vida de Patricia. Foi demitida do emprego de auxiliar de Odontologia na Brigada Militar de Porto Alegre. Teve sua casa apedrejada. Ela e seus familiares estão escondidos. Nem a polícia conseguiu encontrá-los. Se não for depor hoje, será considerada oficialmente foragida.
"Essa mocinha aí nunca mais deve pisar num estádio. As pessoas que vão assistir aos jogos têm que se comportar, a principal punição tem que ser nunca mais pisar em estádio."
Por ter gritado 'macaco' ao goleiro santista, Patricia deverá responder por injúria racial. A pena é de um a três anos. Aranha demonstrou na entrevista ao Fantástico o que espera que a justiça faça.
"Eu tenho dó dela. Como ser humano e pelas consequências. Se ela for presa, não vai ter o tratamento que eu acredito que tenha fora da cadeia. Porque o sistema é pesado e cruel. E, mesmo no crime, tem certas regras e atitudes condenáveis."


Para Aranha, para os produtores de televisão, para os times de futebol, para a torcida, para a mídia, para a classe média bacana que posta no Facebook, e mesmo para a maioria da população brasileira, é justificado que uma jovem branca de 22 anos seja humilhada, agredida e até que seja presa e sofra eventuais abusos na cadeia pelo simples fato de dizer uma palavra. Uma palavra habitual nos cânticos da torcida gremista, já que o rival Inter é chamado de macaco e até tem um mascote macaco chamado, sem ironias, "Escurinho". Racismo? Ou apenas um apodo comum também para torcedores de outros times, como "peixe", "porco", "urubu"? 

No Brasil, o crime de gritar uma palavra em meio à torcido é punido com o máximo rigor da lei e de ostracismo social.

Isso num país em que atropeladores matam e saem livres após pagar fianças irrisórias.

Um país no qual 90% dos assassinatos jamais sequer são esclarecidos.

Um país no qual estuprador e bandido é solto ou tem direito a regime "semi-aberto".

Um país no qual jovens drogados matam por um celular e não vão presos por ser "de menor". 

Um país no qual políticos roubam milhões, jamais vão presos, e ainda são reeleitos.

Ah! Esses aí são todos crimes sem importância. O importante é punir Patrícia, a "racista maldita"!  Crime perigoso é chamar alguém de macaco, o resto a gente dá um jeito...
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Morte por Facebook


Até onde você iria para obter "curtidas" no Facebook? 

Um caso bastante curioso e até horrendo tem chamado a atenção da mídia americana. Ou melhor, na verdade não tem chamado tanta atenção assim, tanto que fiquei sabendo só recentemente por acaso. Mas é uma história que deveria chamar a atenção, pois nos faria questionar vários aspectos da nossa vida moderna, e em especial o uso das tais mídias sociais. 

Em resumo: uma moça, mãe solteira de 26 anos, postava as fotos de seu pequeno filho doente no Facebook e em seu blog pessoal, ganhando a simpatia e as preces de milhares de pessoas. Era foto atrás de foto, até quando o filho já estava em coma. A criança finalmente morreu aos cinco anos de idade.

Pouco depois, descobriram que a criança, na verdade, não tinha doença nenhuma: era a mãe, ex-enfermeira, quem estava lentamente envenenando a criança com doses maciças de sódio, assimilado por via intra-venosa.

O que emerge então é o retrato de uma mulher desequilibrada e mentirosa compulsiva, disposta a tudo para chamar a atenção. De acordo com a reportagem, ela sofreria de "síndrome de Munchausen",  pessoas que machucam a si mesmos ou a outros com o intuito de despertar pena ou simpatia.

Tudo começou antes do nascimento de seu filho: a moça publicava suas fotos com uma criança que dizia ser seu próprio filho. Mentira: era apenas o filho de uma vizinha, de quem ela às vezes cuidava.

Depois, a moça engravidou. Publicou um post dizendo que o pai da criança havia morrido tragicamente. Nova mentira: o pai estava vivo, e ela mentira também a ele, dizendo que a criança não era filho dele, mais de um outro.

O filho, de fato, parece ter sido gerado apenas como um apetrecho para que a mãe pudesse obter atenção. Desde o nascimento até os cinco anos de idade, o pobre Garnett era constantemente fotografado e mostrado no Twitter, Facebook e Blogger, dando à sua mãe a atenção que ela tanto queria.

A exposição à mídia social tornou-se um vício. Depois de um tempo, só mostrar fotos do filho brincando não foi mais suficiente. As curtidas começaram a escassear, e a mãe tomou uma decisão radical: fazer passar o filho por doente. Isso certamente garantiria maior atenção. E, de fato, foi o que aconteceu por um tempo. Porém, o comportamento obsessivo da mãe começou a gerar suspeitas. Nem no hospital, com o filho à beira da morte, ela parava de tirar fotos da criança.

Descobriu-se depois em sua casa uma bolsa com água e sal, comprovando que a mãe estaria envenenando a criança com sal e água através de um tubo.

O mais monstruoso: no hospital, em seus últimos dias, o filho reclamava de constante sede, e a mãe dava a ele água de uma garrafinha que ela mesma trouxera. Suspeita-se que a água também continha sódio.

Enfim, se for realmente verdade, trata-se do caso de uma doente mental que não nos deve levar a conclusões definitivas sobre as mídias sociais. Porém, é fato que a dependência excessiva a essa forma de exposição pública está causando muitos transtornos. Eu jamais gostei dessas pessoas que postam cada instante da vida de seus filhos online. Para quê? A quem interessa isso? E será que essa exposição toda é boa para a criança?

Os pais que colocam vídeos "engraçadinhos" de seus filhos no Youtube também, me parece, deveriam sofrer recriminação. Um filho não é um gato para ser exibido assim publicamente para que os outros façam piada.

A tecnologia moderna tem suas vantagens, é verdade. Mas também tem seu lado escuro. Onde será que isto vai nos levar? 

P. S. Naturalmente, não dá para colocar a culpa de tudo nas mídias sociais. Embora estas estimulem o mau comportamento de algumas pessoas doentes, é possível que esta desvairada tivesse feito mal a seu filho com ou sem mídia social. Eis o caso de Marybeth Tinning, que matou não um, não dois, mas nove de seus filhos biológicos ao longo dos anos, e sempre com a desculpa de doenças ou acidentes. Afinal, quem iria suspeitar de uma mãe? De todas as formas de assassinato, a de uma mãe que mata seus próprios filhos pequenos nos parece a mais anti-natural, a que vai mais contra os instintos mais básicos. Mas é, na verdade, relativamente comum.


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sábado, 30 de agosto de 2014

Teaser: Booktrailler do meu 2º romance


amigo interracial

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Mr. X: Histeria coletiva



Antigamente linchava-se alegremente "bruxas", sem grande necessidade de provas ou julgamentos. Hoje em dia lincha-se "racistas", "sexistas", "homófobos", ou, na verdade, qualquer um que se descuide um pouco por um minuto sequer da linha do Partido Globalista Igualitário Progressista Mundial.

É um pouco diferente do que na Idade Média, é verdade: não há fogueira, e quase tudo ocorre de forma virtual, mas as conseqüências podem ser bem ruins, como perda do emprego, mancha eterna no currículo e na vida social, ameaças de violência quando não agressões de verdade, multa ou até prisão.

Vários empresários americanos importantes recentemente perderam seu emprego ou sua reputação por criticarem o casamento gay, o exibicionismo dos travestis ou as reclamações das feministas. Brandon Eich, do Mozilla, não foi o único. Nem um prêmio Nobel escapou.

Estes dias, uma torcedora gremista foi flagrada aparentemente chamando um jogador negro de "macaco". Não é claro para mim, pelo pouco que vi, o contexto do ato, embora essa seria uma questão difícil de resolver. Claramente a moça não foi a única a gritar, havendo também um coro que incluía afro-descendentes ironizando o goleiro. Infelizmente para ela, foi filmada em close pelas câmeras de TV, e sua imagem caiu de boca na rede.

Uma hora depois, seu nome e sua imagem já tinham vazado para o mundo. Duas horas depois, já havia perdido o emprego e sofreu insultos pesados e teve que cancelar todas as suas contas de mídia social.

É racista chamar um negro de macaco? Sim, sem dúvida. É também bastante desagradável, não denota bom comportamento de quem insulta e realmente deve ser muito chato para a pessoa que é insultada. Mas por que chamar um juiz de "filho da puta" pode, ou é considerado menos grave? Por que os insultos raciais contra negros parece que "valem mais"?

Insultos são insultos. Nenhum é bonito. Alguns chamarão a atenção para a raça, outros duvidarão da masculinidade do jogador, outros chamarão a atenção para o aspecto físico.  Por exemplo, o jogador foi chamado de macaco, e agora a jovem está sendo chamada nas redes sociais de "vadia" ou coisa bem pior.

A torcida de futebol é por natureza vulgar e dada a ofensas fortes contra rivais. A torcida do Grêmio, em particular, tem cantado ultimamente algumas coisas bastante desagradáveis, como celebrando o câncer da mãe de Ronaldinho Gaúcho ou a morte do rival colorado Fernandão. Mas nada que tenha causado tanta repercussão como o que ocorreu no caso desta jovem.

É verdade que os insultos raciais são provavelmente a forma mais baixa de insulto, e afetam principalmente os negros, por motivos que não é necessário explicar, muito embora (nos EUA) já haja quem tenha perdido o emprego por brincar com os asiáticos.

É verdade também que insultar um branco é mais difícil, já que "cracker" não pegou, e "branquelo" é meio fraco. Porém não faltam insultos étnicos contra italianos, irlandeses, franceses, etc. (O que comprova a minha teoria de que não existe uma raça branca, mas várias sub-raças ou etnias brancas, e que portanto o tal nacionalismo branco jamais vai chegar a lugar nenhum).

De qualquer modo, a questão, eu acho, nem é essa. Chamar negros de macacos é mesmo feio e não deve ser estimulado. Mas até que ponto essa censura ocorrerá? Chamar brancos de "raça maldita" pode? Porém, o que chega a ser um pouco assustador é ver como as massas, elas mesmas, se encarregam de esmagar as vozes dissidentes. Quem precisa de um Estado tirânico e opressor? As massas se encarregam de fazer o linchamento.

A tal mídia social, supostamente criada para a liberdade de expressão, tornou-se um método de aniquilação de quem dá um pio não politicamente correto.

Leio os comentários à matéria sobre a moça: comentaristas, muitos assinando com seu próprio nome, falam coisas para mim absurdas de tão extremas:

- Um acha que a moça merece cinco anos de cadeia.
- Outro acha pouco, e pede 60.
- Outro quer que seja estuprada por negros.
- Uma outra revela sem a maior cerimônia todos os dados de contato da moça, de telefone a CPF, para que acabem de vez com a vida dela.

(Todos esses comentaristas, pela foto do perfil, são bastante brancos.)

Por que será que isso ocorre? Acho que é uma forma de catarse, de purificação. Antes, ao acusar alguém de bruxaria, a pessoa mostrava estar no time religiosamente correto e garantia que ela mesma não seria acusada de realizar atividades de ocultismo.

Os atuais linchadores twitteiros também encontram no massacre virtual de uma jovenzinha ingênua uma forma de purificação: eles, ao contrário dela, não são "racistas", eles são pessoas de bem.

Da série: Cartoons que se destacaram no ano

Zumbis



terça-feira, 26 de agosto de 2014

As 50 mulheres “mais bonitas que já existiram”, com efeitos de computação gráfica


Um usuário do YouTube chamado HerBunk, que se descreve como um "velho cara aposentado que gosta de brincar com computadores", fez uma montagem magnífica das 50 mulheres que ele definiu serem as mais belas da história. Claro que é apenas sua opinião, mas as imagens escolhidas deixam poucas dúvidas de sua precisão.
O vídeo, assim como vários outros do canal, foi feito usando um recurso chamado morph, em que as imagens se distorcem até se transformarem em outras. Dessa forma, cada mulher citada no vídeo "se torna" a próxima. Veja:

www.youtube.com/watch?v=Q5XetQeFu-0

Nós, os vermes



Nós, os vermes


Que beleza, leitor: um grupo intitulado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) agora domina partes da Síria e do Iraque. Melhor: já faz vídeos. Com decapitações de ocidentais. E proclamações: existe um novo Califado, dizem os assassinos, renascido das cinzas otomanas que a Primeira Guerra provocou.
Essa utopia terrena está atraindo jihadistas do mundo inteiro. Do mundo inteiro, vírgula: do Reino Unido em especial. O premiê David Cameron está pasmo. Membros do seu governo, "idem". E a "inteligência" britânica quer saber como é possível que cidadãos britânicos, que nasceram e cresceram à sombra do Estado de bem-estar social, viram as costas ao Ocidente para lutarem contra o Ocidente.
Boas perguntas. Nenhuma delas é especialmente misteriosa. Qualquer pessoa com dois neurônios compreende que, no caso do Reino Unido, a produção de jihadistas explica-se pela belíssima cultura de "tolerância" que, durante duas gerações, permitiu que muitas mesquitas locais fossem antros de ódio e extremismo.
Só Deus sabe –ou Alá, já agora, para não ferir certas sensibilidades ecumênicas– a extrema dificuldade legal que Londres teve para extraditar Hamza al-Masri, o famoso "Capitão Gancho" da mesquita de Finsbury Park, em Londres, para os Estados Unidos, onde era acusado de vários complôs. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem estava preocupado com os "direitos humanos" de um terrorista, mas não com os direitos das vítimas que ele potencialmente causava com as suas palavras de loucura e morte.
E só agora a ministra do Interior britânica, a conservadora Theresa May, promete legislação pesada para o extremismo e as incitações ao ódio –em espaços públicos, escolas, mesquitas etc. Até os trabalhistas aplaudem a "coragem" da senhora.
Não admira: como informa o "Daily Telegraph", existem mais cidadãos britânicos de origem muçulmana marchando nas fileiras do EIIL do que no exército de Sua Majestade. Eis um retrato da pátria de Churchill.
Mas há outro. Porque não existem apenas fanáticos islamitas que, dentro do Ocidente, pregam a morte do Ocidente. É preciso relembrar os fanáticos revisionistas e multiculturalistas que, na mídia e nas universidades, foram oferecendo as doces pastagens da retórica antiocidental.
Caso clássico: anos atrás, Ian Buruma e Avishai Margalit escreverem um livro que inverte o título (e a tese) do celebrado "Orientalismo" de Edward Said. Chama-se "Ocidentalismo" e é um estudo sobre a visão deturpada e grotesca do Ocidente produzida pelos seus inimigos.
E, no topo da lista, está um longo rol de intelectuais ocidentais –de Spengler a Heidegger, sem esquecer o demencial Sartre– para quem o Ocidente era um antro de decadência/declínio/corrupção/brutalidade/desumanidade/exploração (pode escolher à vontade). Essa retórica, escreviam os autores, acabou por emigrar para o mundo inteiro, Oriente Médio em especial. E é hoje repetida, "ipsis verbis", pela turma do EIIL.
No livro, há até um episódio pícaro (e grotesco; atenção, famílias) que ilustra bem como as más ideias viajam depressa. Acontece quando o Taleban tomou Cabul em 1996, pendurou o presidente afegão Najibullah no poste, encheu os seus bolsos de dólares e colocou cigarros entre os dedos quebrados do cadáver.
Mensagem: esse aí é um produto degenerado do Ocidente em seus vícios e ganâncias.
(Curioso, lembrei agora: as campanhas antifumo poderiam usar a imagem do antigo presidente afegão enforcado e com cigarros entre os dedos. E o lema: "Fumar prejudica a saúde." Mas divago.)
Porque a questão é glacial: se nós, ocidentais, não respeitamos o que somos ou temos, independentemente de todos os erros cometidos (e corrigidos: será preciso lembrar a escravatura, abolida por aqui e praticada ainda no resto do mundo?), por que motivo devem os outros respeitar-nos?
Gostamos tanto de nos apresentar como vermes que os outros acabam olhando para nós como vermes.
Soluções?
Deixemos isso para os líderes do mundo, como Barack Obama, que tipicamente não sabe o que fazer. (Uma sugestão: que tal reduzir à Idade da Pedra quem tem a mentalidade de homens das cavernas, senhor presidente?)
Mas já seria um grande contributo se o Ocidente fosse um pouco mais intolerante com a intolerância daqueles que recebemos, alimentamos, sustentamos –e enlouquecemos de ódio com o ódio que sentimos por nós próprios.



joão pereira coutinho
João Pereira Coutinho, escritor português, é doutor em Ciência Política. É colunista do 'Correio da Manhã', o maior diário português. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro 'Avenida Paulista' (Record) e é também autor do ensaio 'As Ideias Conservadoras Explicadas a Revolucionários e Reacionários' (3 Estrelas). Escreve às terças na versão impressa e a cada duas semanas, às segundas, no site.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A SOBREVIVENTE - Maria Lucia Victor Barbosa

A SOBREVIVENTE

Maria Lucia Victor Barbosa
24/08/2014
Da morte trágica do candidato à presidência da República, Eduardo Campos, emergiu a sobrevivente, Marina Silva, que tendo se abrigado no PSB por não ter conseguido registrar o seu partido Rede Sustentabilidade seria a vice na chapa.
Como escreveu Elias Canetti em sua magistral obra, Massa e Poder: “O momento de sobreviver é o momento do poder”. “O espanto diante da visão da morte se dissolve em satisfação, pois não se é o morto”. “O morto está estendido e o sobrevivente está de pé”. “É como se um combate tivesse antecedido aquele momento, e nós mesmo tivéssemos derrubado o morto”. Canetti se referia às batalhas onde se mata e morre literalmente, mas não é uma campanha eleitoral uma espécie de batalha?
Marina, a sobrevivente, se sente ungida pela “providência divina”, segundo suas palavras. Na eleição de 2010 obteve 20 milhões de votos e ficou em terceiro lugar. Neste ano viu frustrada sua intenção de voltar à campanha presidencial por ter falhado a oficialização da Rede Sustentabilidade. Agora, por um desses acasos que ela atribui a forças sobrenaturais ei-la no centro do palco da política.
Alçada à cabeça de chapa Marina se transformou rapidamente de hóspede em hospedeira do PSB e sua primeira providência foi a de substituir os comandos da campanha por gente sua, enquanto alijava o pessoal de Eduardo Campos. Portanto, o PSB pode dar adeus às ilusões. A Rede que ainda não existe adonou-se da escalada ao Planalto e se Marina chegar lá tudo indica que não sobrará nada para os socialistas de Campos. As aspirações pesebista foram sepultadas junto com o líder morto.
Dizem em tom de brincadeira que Marina é verde por fora e vermelha por dentro. Toda brincadeira tem um fundo de verdade e não se duvide que no peito de Marina bata ainda um coração petista. A sobrevivente ungida é como o avatar de um PT já longínquo que se dizia puro, ético, a verdadeira esquerda que vinha para mudar o que estava errado.
Á frente do PT a estrela barbuda, que na quarta tentativa chegou lá depois de vestir terno Armani, aparar a barba e fazer publicar uma Carta na qual se comprometia a manter os fundamentos da nossa economia capitalista de Terceiro Mundo.
No poder os éticos e puros mostraram a que vieram e foram na nossa endêmica corrupção os mais corruptos. Incompetentes, reeditaram a inflação, a inadimplência e nos fizeram o país dos pibinhos, dos descalabros na Educação e na Saúde, da Petrobras arrebentada, da diplomacia vergonhosa que defende e custeia os mais nefastos ditadores mundiais. Para piorar o País é o lanterninha dos Brics.
O Brasil como paraíso é uma fraude gerada pela propaganda enganosa. O que de fato se tem é a herança maldita dos quase 12 anos de governo Lula, pois a bem da verdade, nos últimos desastrosos quatro anos foi o criador que mandou e a criatura somente obedeceu.
Note-se que a sobrevivente já iniciou sua metamorfose ao incorporar como vice o gaúcho Beto Albuquerque, ex-petista que agora é citado como defensor do agronegócio. Marina, como se sabe, sempre foi contra o agronegócio. Será que mudou? Afinal, ela apoia os sem-terra.
A candidata da Rede também já aceita a ideia da autonomia do Banco Central. É o que afirma a herdeira do Banco Itaú, Maria Alice Setubal, amiga e coordenadora do programa de governo da sobrevivente. Sem dúvida, um truque da candidata com o intuito de agradar o mercado, que se antes temia Lula agora a teme. Só falta a Rede lançar uma Carta para apaziguar certos ânimos.
Marina está fortalecida. Leva vantagem sobre Rousseff porque além de ser mulher representa com seu aspecto frágil um perfil bem mais feminino. E ganha de Lula porque teve como ele origem humilde, mas, como já foi dito é mulher e negra. Daqui a pouco vão dizer  de modo politicamente correto que é mulher, negra e índia. Então, aí de quem criticá-la. Tal coisa será considerada não como preconceito, mas como crime de racismo, portanto, inafiançável.
A sobrevivente, que se esclareça, não é terceira via e sim o Lula de saias abanando uma bandeira vermelha. Com relação ao PT ela pode dizer: “eu sou você amanhã”. Mas, quais são seus planos de governo? Já se sabe que seu programa incluirá os tais conselhos populares idealizados pelo PT e outros canais de democracia direta. Uma quinada e tanto à esquerda que talvez o PT faça caso Rousseff ganhe.
Quanto ao PSDB nunca foi oposição ao PT por temer a popularidade do demagogo Lula. Se agora os tucanos continuarem abúlicos por conta do medo da “santa da floresta” e seguirem sacudindo seus punhos de renda contra a borduna do PT e o arco e flecha da Rede, podem jogar a toalha. Então, ecoará da Papuda a profecia de José Dirceu: “Viemos para permanecer 20 anos”. “Muito mais”, dirá Lula, “meu modelo é Fidel Castro”.
Maria Lucia é socióloga

lobo e cordeiro

domingo, 24 de agosto de 2014


Mistérios de Clarice


Ele teria errado os últimos resultados eleitorais?


Analisando a campanha de Canudos, Euclides da Cunha delineou perfeitamente o caráter nacional. Os fanáticos de Antônio Conselheiro eram uns "broncos", uns "primitivos", uns "retardatários", uns "retrógrados", uns "impotentes", uns "passivos". Eles eram "uma turba de neuróticos vulgares", de "desvairados", de "desequilibrados incuráveis". Eles eram "uma gente ínfima e suspeita, avessa ao trabalho, vezada à mândria e à rapina". Eles eram dotados de uma "moralidade rudimentar", com uma série de "atributos que impediam a vida num meio mais adiantado e complexo". Eles eram um retorno "ao estádio mental dos tipos ancestrais da espécie".






muro: bons vizinhos


Bolsa família, bolsa aquilo, bolsa isso...


“Chafurdando” no nosso lixo.

 Autor: ricardosetti

Alfie, Kirsten, Miles and Elly.
Uma família e seu lixo de uma semana: a conta fecha? (Fotos: Gregg Segal)

Tendo como alvo o consumismo e o desperdício excessivos, tão comuns em nossa sociedade, que o fotógrafo Gregg Segal preparou um ensaio bastante peculiar. O desconcertante resultado foi batizado de 7 Days of Garbage ("7 Dias de Lixo").
Segal convidou amigos, conhecidos e vizinhos para levarem o lixo acumulado de uma semana ao quintal de sua casa na Califórnia. Ali, os modelos ficariam à vontade – alguns, inclusive, trajaram apenas uma peça de roupa – e "chafurdariam" no "material".
É claro que, na maioria dos casos, há uma predominância enorme de itens que, se separados, poderiam ser reciclados. O que comprova a urgência com que se deve tratar a questão do lixo. Também é possível observar grandes quantidades de matéria orgânica desperdiçada.
"Estas fotos conduzem as pessoas a uma confrontação com o excesso que faz parte de nossas vidas", diz o fotógrafo. "Espero que percebam que muito do lixo que produzem é desnecessário".
Sam and Jane.Marsha and Steven.Michael, Jason, Annie and OliviaDana.James.Milt.Lya, Whitney and Kathrin.John.Susan.Elias, Jessica, Azai and Ri-karlo.