quinta-feira, 3 de julho de 2008

Elogio aos Idiotas

A idiotice tem várias facetas. Há espertalhões, por exemplo, que para não serem considerados burros aplaudem o que não entendem e há pessoas geniais, como Einstein, que passam por idiotas. A verdade é que os idiotas, como os sábios, tentam sempre, sem medo de errar.

Por Carlos Cardoso Aveline


Na vida acelerada do mundo de hoje, todos querem ser espertos, vivos e astuciosos. Ninguém quer ficar para trás, quando você está indo, os outros já estão voltando. Ninguém mais diz frases com segundas intenções: dizem coisas com terceiras, quartas e quintas intenções. Frases que, com sorte, um leigo demora de dez a 30 minutos para decifrar, e até dois dias para imaginar uma resposta à altura.

Em compensação, alguém que diz diretamente aquilo que pensa acaba provocando escândalo e mal-estar. É imediatamente catalogado como perigoso e tratado como idiota. A sinceridade parece contrariar as normas da convivência e da boa educação modernas. Assim, as pessoas

bem-educadas são amáveis, mas nem sempre se deve acreditar no que dizem.

A idiotice é um tema vasto, com muitos aspectos diferentes, que sempre esteve presente na minha vida e está inscrita com destaque na cultura brasileira. Um exemplo disso são as tradicionais piadas de português. Elas são uma projeção da brasilidade. No fundo, os portugueses idiotas das piadas somos nós. Os episódios que envolvem Manuel, Joaquim e Maria são todos uma parte da alma do nosso país, tanto é assim que só são conhecidos no Brasil. Em Portugal, ao contrário, circulam piadas de brasileiros.

É certo que, quando examinamos a questão da inteligência e da idiotice, surgem algumas perguntas indiscretas: o que é, afinal, inteligência? O que é burrice? Quantos tipos há de idiotas?

Inteligência é a capacidade de perceber o real. E, como há realidades muito diferentes no mundo, não existe um tipo único de inteligência. Cada situação da vida requer um tipo específico de percepção, e por isso as inteligências são múltiplas. Por sua vez, a idiotice e a burrice podem ser definidas como a incapacidade de perceber o real. E são tão variadas quanto as inteligências. Há, portanto, muitos tipos de idiotas. Alguns deles, inclusive, são espertalhões. Sim, há idiotas que passam por inteligentes, e também há pessoas inteligentes que passam por idiotas.

Além disso, quem é inteligente em uma área da vida pode ser burro em outras. Você é esperto em política e burro na hora de jogar futebol. Sua namorada pode ser menos intelectual que você, na hora de discutir filosofia, mas há aspectos da vida em que ela coloca você no chinelo. Há coisas que seus filhos pequenos fazem bem melhor que você, como, talvez, compreender as sutilezas de um videogame ou computador. Felizmente, ter sabedoria não é saber tudo. Ter sabedoria é saber o mais importante, e administrar bem os seus talentos.

Dos muitos tipos de idiotas, um dos mais interessantes foi examinado por François Rabelais, o escritor francês do século 16. Ele abordou a burrice específica dos "doutores" que usam palavras complicadas para não dizer coisa alguma. Um deles - conta Rabelais - fez certo dia uma longa pesquisa para saber "se uma entidade imaginária, zumbindo no vácuo, é capaz de devorar segundas intenções". Outro queria saber "se uma idéia platônica, dirigindo-se para a direita sob o orifício do caos, poderia afastar os átomos de Demócrito". Um terceiro investigava "se a frigidez hibernal dos antípodas, passando numa linha ortogonal através da homogênea solidez do centro, podia, por uma delicada antiperístase, aquecer a convexidade dos nossos calcanhares". Rabelais qualifica tais idiotas eruditos como professores cegos de discípulos cegos, "que tateiam em um quarto escuro à procura de um gato preto que não está lá".(1) Tais indivíduos eram precursores de Rolando Lero, o grande erudito da televisão brasileira.

Conheço seres humanos que têm tanto medo de parecer burros que aplaudem - ou pelo menos fingem que compreendem - esse tipo de raciocínio longo, encaracolado, sem significado algum. Mas tal constrangimento é desnecessário: deixando de lado o medo de parecer idiotas, perderemos menos tempo fingindo e seremos mais felizes.

O caso de um dos maiores gênios da ciência, Albert Einstein, é ilustrativo. No início da vida, ele recusou-se a falar antes dos 3 anos de idade. Seus pais, pessoas sensatas, pensavam que fosse retardado mental. Mais tarde, quando Einstein ingressou na escola, ele foi novamente considerado imbecil. Seu biógrafo é obrigado a admitir:

"Para os colegas de classe, Albert era uma anomalia que não demonstrava interesse nenhum pelos esportes. Para os professores, era um idiota que não conseguia decorar nada e se comportava de modo estranho. Em vez de responder imediatamente a uma pergunta, como os outros alunos, sempre hesitava. E, quando respondia, movia os lábios em silêncio, repetindo as palavras." (2) Décadas mais tarde, Einstein deu o troco. Ele qualificou o nosso moderno sistema educacional como uma estrutura que reprime a inteligência e busca fabricar idiotas obedientes:

"A humilhação e a opressão mental imposta por professores ignorantes e pretensiosos causam danos terríveis na mente jovem; danos que não podem ser reparados e que geralmente exercem influências maléficas na vida futura." E ainda: "A maioria dos professores perde tempo fazendo perguntas para descobrir o que o aluno não sabe, quando a verdadeira arte consiste em descobrir o que o aluno sabe ou é capaz de saber." (3) Por isso Mark Twain escreveu: "Nunca permiti que a escola atrapalhasse meus estudos." E George Bernard Shaw admitiu: "Em determinado momento, interrompi meus estudos para ingressar na universidade." É verdade que, desde então, o sistema educacional já melhorou um pouco. Mas deve melhorar mais.

Einstein não estava só ao ser considerado idiota. Quando jovem, o pensador indiano Jiddu Krishnamurti também despertou fortes suspeitas de que era um débil mental. Durante 50 anos, no século 20, ele deu palestras no mundo todo, e teve dezenas de livros importantes publicados em várias línguas. Mas nos seus primeiros anos de estudante, na Índia, Krishnamurti era incapaz de acompanhar os estudos. Não memorizava nada, detestava os livros e ficava horas observando a evolução das nuvens no céu, ou acompanhando a vida de plantas ou insetos.

De fato, o santo e o idiota têm muito em comum, não só entre si, mas também com as árvores e os animais. Todos eles vivem em um estado de comunhão que é independente do pensamento lógico.

Isso contraria a inteligência situada no hemisfério cerebral esquerdo, que rotula e classifica todas as coisas. Essa inteligência gosta de colocar-se como se tivesse o monopólio da consciência. Esse, aliás, é um dos grandes obstáculos para a prática da meditação: a mente pensante não aceita passar o poder à mente que contempla e compreende a verdade sem necessidade de pensamentos.


ALÉM DAS APARÊNCIAS

A primeira frase dos famosos Ioga Sutras de Patañjali, o tratado milenar sobre raja ioga, afirma: "Ioga é a cessação das modificações da mente." Para alcançar a hiperconsciência, o estado mental do êxtase divino, é necessário paralisar por um momento a mente inferior. O sábio é um ser que renunciou à inteligência convencional e optou por uma percepção que a mente comum não consegue captar. Por isso, mesmo na sociedade brasileira do século 21, se aquele que ingressa no caminho espiritual não tiver certos cuidados, pode ser considerado louco, ou idiota, pelos seus parentes e amigos. Mas, do ponto de vista do sábio, a situação se inverte e idiota é aquele que fica preso à lógica do mundo externo.

A ciência parece reforçar o ponto de vista do sábio ao afirmar que, realmente, usamos uma parcela muito pequena do potencial disponível em nosso cérebro. Esse é um dado da natureza, e não adianta discutir com a realidade. O problema não é, pois, que sejamos um tanto limitados mentalmente. O lamentável é que, sendo limitados, nos consideramos extremamente espertos. O filósofo Sócrates, escolhido como o homem mais sábio da Grécia, explicou: "Eu e os homens notáveis de Atenas nada sabemos, e a única diferença entre eu e eles é que eu, nada sabendo, sei que nada sei, enquanto eles, nada sabendo, pensam que sabem muito."

Há um fato que nem sequer os livros de inteligência emocional confessam abertamente: quando se desperta a inteligência espiritual, perde-se, irremediavelmente, a inteligência astuciosa que permite coisas como mentir com habilidade, usar a lisonja na medida certa e falar a verdade só quando ela traz vantagens.

Daí vem a sensação de nada saber diante do mundo. A expansão mística da consciência traz consigo uma inocência idiota em relação à realidade externa, e é por isso que os sábios renunciam à agitação, preferindo uma vida retirada. Para alcançar a consciência celestial, é necessário abandonar e perder a inteligência egoísta e assumir, em certos assuntos, a aparência de um abobado.

O escritor sufi Idries Shah - um pensador místico do islamismo - escreveu um livro intitulado A Sabedoria dos Idiotas. Na abertura da obra, explicou: "Aquilo que os homens de pensamento estreito imaginam que seja sabedoria é freqüentemente considerado loucura pelos sábios sufis. Assim os sufis, por sua vez, chamam a si mesmos de 'idiotas'. Por uma feliz coincidência, a palavra árabe que significa 'santo' (wali) tem a mesma equivalência numérica que a palavra que significa 'idiota' (balid). Assim, temos dois motivos para ver os grandes sufis como os nossos idiotas." (4)

Todo aprendiz da arte de viver deve libertar-se das chantagens emocionais do que é "politicamente correto" e deixar de lado os mecanismos da idiotice coletiva organizada, que forçam a formação de consensos falsos com base em esquemas de poder.

Mas para fugir da idiotice coletiva organizada - com sua psicologia de rebanho que proíbe o indivíduo de pensar por si mesmo - é indispensável vencer o medo de que nos seja colocado o rótulo de ovelha negra, ou de idiota. Só assim poderemos viver com responsabilidade própria e independência pessoal, duas características de uma vida valiosa. Há uma história de Ramakrishna, o sábio indiano do século 19, que ilustra bem esse ponto:

"Era uma noite completamente escura, séculos atrás. De repente, um sujeito acende uma tocha para iluminar seu caminho e vai até a casa do vizinho. Ele quer pedir fogo, porque a noite está demasiado escura. Depois de muito gritar e bater na porta, o vizinho finalmente abre a porta, ouve seu pedido e responde: 'Ah, ah, você é muito imbecil! Raciocine! Você tem uma tocha acesa na sua mão!' "

A moral da história é que todos nós corremos o risco de fazer como o pobre coitado que bateu na porta do vizinho. A verdade eterna e a fonte da felicidade estão em nossas próprias mãos. Só dependem de nós. Mas às vezes insistimos em procurá-las nas coisas externas e pedi-las a outras pessoas, renunciando à autonomia da nossa caminhada.

Os sábios, como os idiotas, são íntegros. Eles não fingem que são inteligentes e não têm medo de errar. Tentam, erram e quebram a cara. Mas, quando acertam, são geniais. O idiota de hoje pode ser o sábio de amanhã, graças à experiência adquirida. Em compensação, aquele que não possui ânimo para tentar não tem chance alguma de aprender.

Por isso devemos criar uma cultura em que é permitido a cada um cair e levantar livremente. Porque somos todos apenas aprendizes. Erramos e aprendemos o tempo todo, e devemos estimular em cada ser humano a coragem de buscar - mesmo tropeçando - os seus sonhos mais elevados.

Banindo da nossa cultura o medo do ridículo, cada um se permitirá um pouco mais de deselegância - e de autenticidade - em sua maneira de viver.

Notas

(1) Vidas de Grandes Romancistas, por Henry Thomas e Dana Lee Thomas, Editora Globo,

RJ-POA-SP, 1954. Ver p. 32.

(2) Einstein, a Ciência da Vida, uma biografia escrita por Denis Brian, Editora Ática, SP, 1998. Ver pp. 1, 3 e 4. (3) Assim Falou Einstein, coletânea editada por Alice Calaprice, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1998. Ver pp. 64 (primeira frase da citação) e 63 (segunda frase).(4) Wisdom of the Idiots, Idries Shah, The Octagon Press, Londres, 1991. Ver p. 5.

domingo, 29 de junho de 2008

Filhinha do papai


A filha de um advogado não aparecia em casa havia mais de 5 anos.
Na sua volta, seu pai deu a maior bronca:
- Onde você estava durante esse tempo todo, desgraçada?!
Por que não escreveu sequer uma notinha dizendo como estava? Por que não telefonou? Vagabunda! Não sabe como a sua mãe tem sofrido por sua causa!
A garota, chorando:
- Pai....Virei prostituta...
- O que?!?
Fora daqui, sem vergonha, ordinária, desqualificada, vergonha da família, não quero te ver nunca mais!!!
- Tá bom, papai. Como o Sr. quiser...
- Eu somente voltei aqui para dar este casaco de pele e as escrituras da minha mansão do Morumbi para a mamãe; uma caderneta de poupança no valor de 5 milhões para o meu irmãozinho e, para você, paizinho querido, este Rolex de ouro puro, uma BMW 0km que está na porta, e um convite a todos para passarem o Reveillon a bordo do meu iate em Búzios.
Filhinha, você disse que tinha virado o que, mesmo?
- Prostituta, papai.
- Aaaaahhh, booommmm! Que susto você me deu, menina! Eu tinha entendido .... Professora substituta!!! Vem cá, dá um abraço no papai...

Não precisa casar. Sozinho é melhor

*Não precisa casar. Sozinho é melhor*

*Duda Teixeira* entrevista o psiquiatra Flávio Gikovate*
*Publicado na Revista Veja

*O psiquiatra decreta a morte do amor romântico e diz que a vida de solteiro
é um caminho viável para a felicidade*

*Com 41 anos de clínica, o médico psiquiatra Flávio Gikovate acompanhou os
fatos mais marcantes que mudaram a sexualidade no Brasil e no mundo. Por
meio de mais de 8.000 pessoas atendidas, assistiu ao impacto da chegada da
pílula anticoncepcional na década de 60 e a constituição das famílias
contemporâneas, que agregam pessoas vindas de casamentos do passado. Suas
reflexões sobre o amor ao longo de esse tempo foram condensadas no seu 26º
livro, Uma História de Amor... com Final Feliz. Na obra, a oitava sobre o
tema, Gikovate ataca o amor romântico e defende o individualismo, entendido
não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o
conhecimento de si próprio. Tendo sido um dos primeiros a publicar um estudo
no país sobre sexualidade, atuou em diversos meios de comunicação, como
jornais e revistas e na televisão. Atualmente, possui um programa na rádio,
em que responde perguntas feitas por ouvintes. Aos 65 anos, ele atendeu a
reportagem de Veja em seu consultório no elegante bairro dos Jardins, em São
Paulo.*

*Veja - O senhor diria para a maioria das pessoas que o casamento pode não
ser uma boa decisão na vida? *
*Gikovate *- Sim. As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém,lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação.

*Veja - Ficar sozinho é melhor, então? **
Gikovate -* Há muitos solteiros felizes. Levam uma vida serena e sem conflitos. Quando sentem uma sensação de desamparo, aquele "vazio no estômago" por estarem sozinhos, resolvem a questão sem ajuda. Mantêm-se ocupados, cultivam bons amigos, lêem um bom livro, vão ao cinema. Com um pouco de paciência e treino, driblam a solidão e se dedicam às tarefas que mais gostam. Os solteiros que não estão bem são geralmente os que ainda sonham com um amor romântico. Ainda possuem a idéia de que uma pessoa precisa de outra para se completar. Pensam, como Vinicius de Moraes, que "é impossível ser feliz sozinho". Isso caducou. Daí, vivem tristes e
deprimidos.

*Veja - Por que os casamentos acabam não dando certo?*
*Gikovate -* Quase todos os casamentos hoje são assim: um é mais extrovertido, estourado, de gênio forte. É vaidoso e precisa sempre de elogios. O outro é mais discreto, mais manso, mais tolerante. Faz tudo para agradar o primeiro. Todo mundo conhece pelo menos meia-dúzia de casais assim, entre um egoísta e um generoso. O primeiro reclama muito e, assim,recebe muito mais do que dá. O segundo tem baixa auto-estima e está sempre disposto a servir o outro. Muitos homens egoístas fazem questão que a mulher generosa esteja do lado dele enquanto ele assiste na televisão os seus programas preferidos. Mulheres egoístas não aceitam que seus esposos joguem
futebol. Consideram isso uma traição. De um jeito ou de outro, o generoso
sempre precisa fazer concessões para agradar o egoísta, ou não brigar com ele. Em nome do amor, deixam sua individualidade em segundo plano. E a felicidade vai junto. O casamento, então, começa a desmoronar. Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo.

*Veja - Viver sozinho não seria uma postura muito individualista?*
* Gikovate -* Não há nada de errado em ser individualista. Muitos dos autores contemporâneos têm uma postura crítica em relação a isso. Confundem individualismo com egoísmo ou descaso pelos outros. São conceitos diferentes. Outros dizem que o individualismo é liberal e até mesmo de direita. Eu não penso assim. O individualismo corresponde a um crescimento emocional. Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade.
Por tabela, também poderá construir uma sociedade mais justa. Conhecem melhor a si próprio e, por isso, sabem das necessidades e desejos dos outros. O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo.

*Veja - Por que os casamentos normalmente ocorrem entre egoístas e generosos?*
*Gikovate -* A idéia geral na nossa sociedade é a de que os opostos se atraem. E isso acontece por vários motivos. Na juventude, não gostamos muito do nosso modo de ser e admiramos quem é diferente de nós. Assim, egoístas e generosos acabam se envolvendo. O egoísta, por ser exibicionista, também atrai o generoso, que vê no outro qualidades que ele não possui. Por fim, nossos pais e avós são geralmente uniões desse tipo, e nós acabamos repetindo o erro deles.*

* *Veja - Para quem tem filhos não é melhor estar em um casamento? E, para
os filhos, não é melhor ter pais casados?*
*Gikovate -* Para quem pretende construir projetos em comum - e ter filhos é o mais relevantes deles - o melhor é jogar em dupla. Crianças dão muito trabalho e preocupação. É muito mais fácil, então, quando essa tarefa é compartilhada. Do ponto de vista da criança, o mais provável é que elas se sintam mais amparadas quando crescem segundo os padrões culturais que dominam no seu meio-ambiente. Se elas são criadas pelo padrasto, vivem com os filhos de outros casamentos da mãe, mas estudam em uma escola de valores fortemente conservadores e religiosos, poderão sentir algum mal-estar. Do ponto de vista emocional, não creio que se possa fazer um julgamento definitivo sobre as vantagens da família tradicional sobre as constituídas por casais gays ou por um pai ou mãe solteiros. Estamos em um processo de transição no qual ainda não estão constituídos novos valores morais. É sempre bom esperar um pouco para não fazer avaliações precipitadas.
*
Veja - Que conselhos você daria para um jovem que acaba de começar na vida
amorosa?*
*Gikovate -* É preciso que o jovem entenda que o amor romântico, apesar de aparecer o tempo todo nos filmes, romances e novelas, está com os dias contados. Esse amor, que nasceu no século XIX com a revolução industrial, tem um caráter muito possessivo. Segundo esse ideal, duas pessoas que se amam devem estar juntas em todos os seus momentos livres, o que é uma afronta à individualidade. O mundo mudou muito desde então. É só olhar como vivem as viúvas. Estão todas felizes da vida. Contudo, como muitos jovens ainda sonham com esse amor romântico, casam-se, separam-se e casam-se de novo, várias vezes, até aprender essa lição. Se é que aprendem. Se um jovem já tem a noção de não precisa se casar par ser feliz, ele pulará todas essas etapas que provocam sofrimento.

*Veja - As mulheres são mais ansiosas em casar do que os homens? Por quê?*
*Gikovate -* As mulheres têm obsessão por casamento. É uma visão totalmente antiquada, que os homens não possuem. Uma vez, quando eu ainda escrevia para a revista Cláudia, o pessoal da redação fez uma pesquisa sobre os desejos das pessoas. O maior sonho de 100% das moças de 18 a 20 anos de idade era se casar e ter filho. Entre os homens, quase nenhum respondeu isso. Queriam ser bons profissionais, fazer grandes viagens. Essa diferença abismal acontece por razões derivadas da tradição cultural. No passado, o casamento era do máximo interesse das mulheres porque só assim poderiam ter uma vida sexual socialmente aceitável. Poderiam ter filhos e um homem que as protegeria e pagaria as contas. Os homens, por sua vez, entendiam apenas que algum dia eles seriam obrigados a fazer isso. Nos dias que correm, as razões que levavam mulheres a ter necessidade de casar não se sustentam. Nas universidades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em poucas
décadas, elas ganharão mais que eles. Resta acompanhar o que irá acontecer com as mulheres, agora livres sexualmente, nem sempre tão interessadas em ter filhos e independentes economicamente.

*Veja - Como será o amor do futuro?*
*Gikovate -* Os relacionamentos que não respeitam a individualidade estão condenados a desaparecer. Isso de certa forma já ocorre naturalmente. No Brasil, o número de divórcios já é maior que o de casamentos no ano.
Atualmente, muitos homens e mulheres já consideram que ficarão sozinhos para sempre ou já aceitam a idéia de aguardar até o momento em que encontrarão alguém parecido tanto no caráter quanto nos interesses pessoais. Se isso ocorrer, terão prazer em estar juntos em um número grande de situações.
Nesse novo cenário, em que há afinidade e respeito pelas diferenças, a individualidade é preservada. Eu estou no meu segundo casamento. Minha mulher gosta de ópera. Quando ela quer ir, vai sozinha. E não há qualquer problema nisso.

*Veja - Quando duas pessoas decidem morar juntas, a individualidade não
sofre um abalo?*
*Gikovate -* Não necessariamente elas precisarão morar juntas. Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes.

*Veja - É possível ser fiel morando em casas ou cidades diferentes?**
Gikovate -* A fidelidade ocorre espontaneamente quando se estabelece um vínculo de qualidade. Em um clima assim, o elemento erótico perde um pouco seu impacto. Por incrível que pareça, essas relações são monogâmicas. É algo difícil de explicar, mas que acontece.

*Veja - Com o fim do amor romântico, como fica o sexo?**
Gikovate -* Um dos grandes problemas ligados à questão sentimental é justamente o de que o desejo sexual nem sempre acompanha a intimidade efetiva, aquela baseada em afinidade e companheirismo. É incrível como de vez em quando amor e sexo combinam, mas isso não ocorre com facilidade. Por outro lado, o sexo com um parceiro desconhecido, ou quase isso, é quase sempre muito pouco interessante. Quando acaba, as pessoas sentem um grande vazio. Não é algo que eu recomendaria. Hoje, as normas de comportamento são ditadas pela indústria pornográfica e se parece com um exercício físico. O sexo então tem mais compromisso com agressividade do que com amor e amizade.
Jovens que têm amigos muito chegados e queridos dizem que transar com eles não tem nada a ver. Acham mais fácil transar com inimigos do que com o melhor amigo. Penso que, com o amadurecimento emocional, as pessoas tenderão a se abster desse tipo de prática.

*Veja - As desilusões com o primeiro casamento têm ajudado as pessoas a
tomar as decisões corretas?**
Gikovate -* No início da epidemia de divórcios brasileira, na década de 70,as pessoas se separavam e atribuíam o desastre da união a problemas genéricos. Alguns diziam que o amor acabou. Outros, o parceiro era muito chato. Não se davam conta de que as questões eram mais complexas. Então, acabavam se unindo à outras pessoas muito parecidas com as que tinham acabado de descartar. Hoje, os indivíduos estão mais críticos. Aceitam ficar mais tempo sozinhos e fazem autocríticas mais consistentes. Por causa disso, conseguem evoluir emocionalmente e percebem que terão que mudar radicalmente os critérios de escolha do parceiro. Se antes queriam alguém diferente, hoje a tendência é buscarem uma pessoa com afinidades.
(...)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

origem de ditos populares

DEIXAR AS BARBAS DE MOLHO
Significado: Ficar de sobreaviso, acautelar-se, prevenir-se.
Histórico: Na Antiguidade e na Idade Média a barba significava honra e poder. Ter a barba cortada por alguém representava uma grande humilhação. Essa idéia chegou aos dias de hoje. Um provérbio espanhol diz que "quando você vir as barbas de seu vizinho pegar fogo, ponha as suas de molho". Todos devemos aprender com as experiências dos outros.
FALAR PELOS COTOVELOS
Significado: Falar demais.
Histórico: Surgiu do costume que as pessoas muito falantes têm de tocar o interlocutor no cotovelo afim de chamar mais a atenção. O folclorista brasileiro Câmara Cascudo fazia referência às mulheres do sertão nordestino, que à noite, na cama com os maridos, tocavam-nos para pedir reconciliação depois de alguma briga.
CONHECER NO SENTIDO BÍBLICO
Significado: Ter feito sexo com alguém.
Histórico: A maior parte do Velho Testamento foi escrita em hebreu, em que a palavra "conhecer" (yo-day-ah) é usada em diversas situações diferentes, podendo significar "conhecer intimamente, de maneira próxima". Em uma das passagens bíblicas, por exemplo, Deus diz que "conhece Moisés pelo nome", o que quer dizer que ele o conhece bem, que há um relacionamento entre os dois. Em outros casos, conhecer intimamente pode significar manter relações sexuais com uma pessoa e daí é que vem a expressão.

CHORAR AS PITANGAS
Significado: Chorar muito.
Histórico: O nome pitanga vem de pyrang, que, em tupi, significa vermelho. Portanto, a expressão se refere a alguém que chorou muito, até o olho ficar vermelho.
CUSPIDO E ESCARRADO
Significado: Uma pessoa é muito parecida com outra.
Histórico: Mais uma digreção brasileira. A origem do ditado vem da expressão Esculpido em carrara". A frase é uma alusão à perfeição das esculturas de Michelangelo, pois carrara é um mármore da Itália e foi bastante usado por ele. Algum tempo atrás significava fazer bustos de pessoas famosas em carrara, o mais chique dos mármores, ou seja, fazia uma cópia perfeita da fisionomia da pessoa.
BAFO DE ONÇA
Significado: Hálito fétido.
Histórico: A onça é animal carnívoro e se lambuza na hora de comer a caça, por isso fede muito e sua presença é detectada à distância na mata.
a BEÇA
Significado: Muito, em grande quantidade.
Histórico: No Rio imperial, havia um comerciante rico chamado Abessa, que adorava ostentar roupas de luxo. Quando alguém aparecia fazendo o mesmo, dizia-se que ele estava se vestindo à Abessa, ou seja, como o comerciante. Virou sinônimo de abundância, exagero. Outra versão é atribuída à grande profusão de argumentos utilizados pelo jurista sergipano Gumersindo Bessa (1849-1923) ao enfrentar Rui Barbosa em famosa disputa pela independência do território do Acre, que seria incorporado ao Amazonas. Quem primeiro utilizou a expressão foi Rodrigues Alves (1848-1919), presidente do Brasil de 1902 a 1906, admirado da eloqüência de um cidadão ao expor suas idéias: "O senhor tem argumentos à bessa." Com o tempo, o sobrenome famoso perdeu a inicial maiúscula e os dois esses foram substituídos pela letra c com cedilha (ç).]
PODE TIRAR O CAVALO DA CHUVA
Significado: Pode esperar que vai demorar.
Histórico: No interior o meio de transporte mais utilizado é o cavalo. Além de não enguiçar nem parar por falta de combustível, o cavalo tem a vantagem de deixar clara a intenção do visitante na chegada. Se ele amarra o bicho na frente da casa, sinal de permanência breve; se leva para um lugar protegido da chuva e do sol, pode botar água no feijão, o moço vai demorar. Depois o sentido da expressão se ampliou para desistir de um propósito qualquer.

OVELHA NEGRA DA FAMÍLIA
Significado: Filhos que não têm bom comportamento.
Histórico: Histórico: A história dessa frase nasceu do milenar trabalho de pastoreio. Em todo o rebanho há um animal de trato difícil, que não acompanha os outros. Cuidando das ovelhas, protegendo-as dos lobos, providenciando-lhes os melhores pastos, o pastor não evita, porém, que uma delas se desgarre. É a "ovelha negra". Por metáfora, a frase passou a ser aplicada nas famílias e em outras comunidades, a filhos ou a afiliados que não têm bom comportamento. Na "Ilíada", de Homero (século IX a. C.) relata o sacrifício de uma ovelha negra como garantia do pacto celebrado entre Páris e Menelau, que resultou na guerra de Tróia. Mas ela não foi punida por mau comportamento. Como muitas ovelhas negras, era inocente.

BATEU AS BOTAS
Significado: Morreu.
Histórico: Esta frase é uma variante das tradicionais "Esticou as canelas", "Abotoou o paletó", "Partiu desta para melhor". O curioso, porém, é que se aplica apenas ao morto adulto, do sexo masculino, que tenha o costume de andar de botas ou ao menos calçado. O sapato tem sido símbolo de qualificação social ao longo de nossa história, tendo partilhado seu prestígio com certa marcas de tênis, em busca dos quais adolescentes delinqüentes chegam a matar. Provavelmente bate as botas ao morrer alguém de certas posses, ao menos remediado. Outros morto apenas esticam as canelas ou parte desta para melhor. No segundo caso, partem com estilo, fazendo dupla elipse, já que está subentendido que partiram desta para outra vida, que os comentadores antevêem mais favorável a quem partiu. Dependendo da herança, sua partida é mais favorável para quem ficou. As origens da frase residem no bom trato despedindo aos mortos, posto arrumadinhos nos caixões, com o paletó abotoado. Como, porém, as mulheres passaram a usar roupas semelhantes às dos homens, também elas podem abotoar o paletó à triste hora da partida. A pergunta, entretanto, permanece: triste para quem? Sábios, os latinos cunharam outra frase: "Requiescat in pacem" (descanse em paz). E há um emblema para as cerimônias da morte, o Requiem (Descanso). Um dos mais célebres é o de Mozart.


CONVERSA MOLE PARA BOI DORMIR
Significado: Assunto sem importânica.
Histórico: Esta frase nasceu quando o boi era tão importante que dele só não aproveitava o berro. Tratado quase como pessoa, com ele os pecuaristas conversavam, não, porém, para fazê-lo dormir. Nas touradas, quando o boi ainda é touro, até sua fúria compõe o espetáculo. Na copa de 1950, o Brasil venceu Espanha por 6 a 1 e quase 200 mil pessoas cantaram touradas em Madri, de Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, que termina com este verso: "Queria que eu tocasse castanholas e pegasse um touro a unha/ caramba, caracoles/ não me amoles/ pro Brasil eu vou fugir/ isso é conversa mole/ para boi dormir".
DEU DE MÃO BEIJADA
Significado: Entrega espontânea
Histórico: Esta frase nasceu do rito empregado nas doações ao rei ou ao papa. Em cerimônia de beija-mão, os fiéis mais abastados faziam suas ofertas, que podiam ser terra, prédios e outras dádivas generosas. O papa Paulo IV (1476-1559), em documento de 1555, aludiu a esses meios regulares de provento sem ônus, dividindo-os em oblações ao pé do altar e de mão beijada. Desde então a frase tem sido aplicada para simbolizar favorecimentos. Nunca de mão beijada, em 1998 foi a sexta vez que o Brasil disputou a final de uma copa do mundo.
FALAR PELO COTOVELO
Significado: Falar demais.
Histórico: Tem origem nos gostos de faladores contumazes, que procuram tocar os interlocutores com os cotovelos em busca de maior atenção. O primeiro a registrar a expressão foi o escritor latino Horácio (65- 8 a .C.), numa de suas sátiras. O folclorista brasileiro Luís de Câmara Cascudo (1898-1986) referiu-se ao costume das esposas no sertão nordestino de cutucar os maridos à noite, no leito conjugal, buscando reconciliação depois de alguma briga diurna. Entre os estadistas, quem mais fala pelos cotovelos é o presidente de cuba, Fidel Castro.
INÊS É MORTA
Significado: Não adianta mais.
Histórico: Personagem histórica e literária, celebrada em Os lusíadas, de Luís de Camões (1524-1580), Inês de Castro (1320-1355) teve um caso com o príncipe Dom Pedro (1320-1367), com quem teve três filhos. Por reprovar o romance, a casa real condenou a dama castelhana que vivia na corte portuguesa à morte por decapitação. Ela literalmente perdeu a cabeça por um homem. Quando já era o oitavo rei de Portugal, Dom Pedro deu-lhe o título de rainha. Mas àquela altura logicamente isso de nada adiantava: Inês já estava morta. A frase passou a significar a inutilidade de certas ações tardais. É o título de romance do mineiro Roberto Drummond.
MISTURAR ALHOS COM BUGALHOS
Significado: Frase que sintetiza confusão.
Histórico: Frase de uso corrente na linguagem coloquial desde os tempos dos primeiros cultivos do alho, erva de que se aproveita o bulbo, principalmente como tempero. Os namorados, entretanto, procuram evitar pratos com tal condimento, já que o beijo fica mais adequado ao trato com vampiros e não com os amados, dado ao cheiro pouco agradável advindo de sua metabolização no organismo. Com o sentido de coisas desconexas e trapalhadas, foi registrada por João Guimalhões Rosa num de seus contos: "O senhor pode às vezes distinguir alhos de bugalhos, e tassalhos de borralhos, e vergalhos de chanfalhos, e mangalhos... Mas, e o vice-versa?" Com sua escrita plena de complexidades e sutilezas, o maior escritor brasileiro do século XX misturou muito mais do que alhos com bugalhos, criando novas palavras ao manter alho como sufixo de diversas outras, aproveitando a coincidência fonética de 'bugalho', do celta bullaca (conta grande de rosário, noz), rimar com alho, além de designar coisa parecida na forma.

VÁ PENTEAR MACACOS
Significado: Não incomode, vá para longe.
Histórico: Esta frase, proferida como ofensa, é adaptação brasileira de um provérbio português: "Mau grado haja a quem asno penteia". Na tradição de Portugal, pentear burros e jumentos seria tarefa menor, quase desnecessária. Provavelmente o verbo significava escovar, um luxo para animais de carga. Mas no século XVIII, o animal já havia sido substituído por bugio em Portugal e por macaco no Brasil, tal como aparece em documentos de 1756 assinado pelo rei Dom José (1714-1777), que deve ter penteado muitos macacos, já que quem exercia o poder era o marquês de Pombal (1699-1782), que, inclusive, transferiu a capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro. A expressão está registrada por Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) em Locuções tradicionais do Brasil.
RASGAR SEDA
Significado: Elogiar exageradamente.
Histórico: A sabedoria popular costuma resumir seus ensinamentos em diretos e provérbios, quase sempre ligados a acontecimentos da vida cotidiana, mas sua permanência na memória depende dos registros escritos. Com a frase acima, não se deu diferente. Foi sempre sinônimo de elogios exagerados e está presente numa das comédias do fundador do teatro de costumes no Brasil, o dramaturgo Luís Carlos Martins Pena (1815-1848), em cena na qual um vendedor de fazendas vai à casa de uma moça para cortejá-la e, como pretexto, oferece-lhe alguns panos "apenas pelo prazer de ser humilde escravo de uma pessoa tão bela". Retruca a moça: "Não rasgue a seda, que esfiapa-se".
É DE TIRAR O CHAPÉU
Significado: É muito bom.
Histórico: Foi no reinado de Luís XIV, o Rei Sol, que a França disciplinou as saudações feitas com o chapéu. O costume vinha dos templos da mais parda das eminências, o cardeal Richelieu, à época de Luís XIII. Os cumprimentos podiam ser feitos com um toque na aba; erguendo-o um pouco, sem retirá-lo da cabeça; tirando-o inteiramente ou fazendo-o roçar no chão, quase como uma vassoura, tudo dependendo da importância social de quem era saudado. Como se sabe, os Luíses XIII e XIV foram reis que se preocuparam muito com chapéus. Logo depois, um dos mais famosos da seqüência, Luís XVI, perdeu muito mais do que o chapéu: a própria cabeça, na Revolução Francesa.

É UM ELEFANTE BRANCO
Significado: É algo que não serve para nada.
Histórico: A origem desta frase vem de um costume do antigo reino de Sião, situado na atual Tailândia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesãos que caíam em desgraça. Sendo um animal sagrado, não poderia ser posto para trabalhar. Como presente do próprio rei, não poderia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar. Não podendo também ser recusado, restava ao infeliz agraciado alimentá-lo, acomodá-lo e ajaezá-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas. A frase foi utilizada pelo ex-presidente João Figueiredo para queixar-se dos excessivos gastos, não de uma estatal, mas de seu sítio do Dragão.

ESTAR DE PAQUETE
Significado: Situação das mulheres quando estão menstruadas.
Histórico: Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma ``Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes``, referindo-se, é claro, aos navios mensais.

QUINTOS DOS INFERNOS
Significado: Amaldiçoar alguém ou local muito longínquo.
Histórico: Uma corrente (com variantes, é claro) associa o termo quintos ao imposto de 20% cobrados pela coroa portuguesa sobre todo o ouro fundido no Brasil. Falava-se em quintos mais ou menos como hoje ainda se fala em décimas, no sentido tributário. Em Parati, por exemplo, até hoje existe a velha Casa dos Quintos. O navio que levava a Lisboa o produto dessa arrecadação era a nau dos quintos; por causa da antipatia que os brasileiros sentiam por esse tributo, teria sido agregada a locução "dos infernos", ficando então completa a expressão. Outra corrente volta-se para Quintos, uma das freguesias de Beja, em Portugal. Como estava situada, na Idade Média, no limite do território português, a localidade era alvo constante das investidas dos chefes árabes que dominavam grande parte da Península Ibérica, o que tornava infernal a vida nessas paragens. Daí teria vindo o hábito de arrenegar os desafetos e inimigos, mandando-os para "os Quintos dos infernos".

DORMIR COM AS GALINHAS
Significado: Dormir muito cedo.
Histórico: A expressão significa deitar-se cedo, logo ao anoitecer, como fazem as galinhas.
AMA-SECA
Significado: Babá.
Histórico: O termo surgiu na época da escravidão e correspondia à escrava que não amamentava. A escrava que dava de mamar era chamada de ama-de-leite.

ENTRAR COM O PÉ DIREITO
Significado: Começar bem.
Histórico: A expressão surgiu no Império Romano e conseguiu se espalhar pelo mundo inteiro. Nas festas realizadas na antiga Roma, os convidados eram avisados de que deveriam entrar nos salões com o pé direito - dextropede. A medida, segundo os romanos, evitaria o agouro. Entre as personalidades brasileiras que disseram em público algo parecido está o nosso ilustre Rui Barbosa. Em discurso feito às vésperas da posse do marechal Hermes da Fonseca (1855-1923), disse a seguinte frase: "Que o novo presidente entre com o pé direito".

CATAR MILHO
Significado: Datilografar ou digitar lentamente.
Histórico: A expressão catar milho mostra a influência do mundo rural no urbano. Milho aqui está no lugar de grão: grão de milho, que é parte da espiga. Se alguns grãos caem no chão, se esparramam, cata-se um por um, como as galinhas fazem com o bico no terreiro quando se joga milho para elas. Catar milho tem um sentido metafórico, porque , ao utilizar somente um dedo só de cada mão, próprio de quem não fez curso para adquirir agilidade nessa tarefa, é semelhante ao ato de catar cada grão de milho no chão.

a EMENDA SAIU PIOR DO QUE O SONETO
Significado: O conserto ficou pior que o original.
Histórico: Querendo uma avaliação, certo candidato a escritor apresentou soneto de sua lavra ao poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) pedindo-lhe que marcasse com cruzes os erros encontrados. O escritor leu tudo, mas não marcou cruz nenhuma, alegando que elas seriam tantas que a emenda ficaria ainda pior do que o soneto. A autoridade do mestre era incontestável. Bocage levou essa forma poética a tal perfeição que fazia o que bem queria com um soneto, tornando-se muito popular, principalmente em improvisos satíricos e espirituosos, pelos quais é conhecido.

AO DEUS DARÁ
Significado: Deixado de lado.
Histórico: Esta famosa frase serviu originalmente de resposta de quem não queria dar esmolas. Homens duros de coração respondiam aos mendigos que lhe estendiam a mão: Deus dará. Eles não. Quem dependia da caridade pública ficava em má situação, ao Deus dará. A expressão cristalizou-se de tal forma que, no século XVII, um negociante português que vivia no Recife, de tanto proferir a frase, passou a tê-la acrescentada ao próprio nome. Ficou conhecido como Manuel Álvares Deus Dará. Seu filho, Simão Álvares Deus Dará, foi provedor-mor da fazenda do Brasil.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Seção: copy+Paste!: direitos

1 - Todos os animais têm o mesmo direito à vida.
2 - Todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem.
3 - Nenhum animal deve ser maltratado.
4 - Todos os animais selvagens têm o direito de viver livres no seu habitat.
5 - O animal que o homem escolher para companheiro não deve nunca ser abandonado.
6 - Nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor.
7 - Todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida.
8 - A poluição e a destruição do meio ambiente são considerados crimes contra os animais.
9 - Os diretos dos animais devem ser defendidos por lei.
10 - O homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais.
Preâmbulo:
Considerando que todo o animal possui direitos;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo desses direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza;
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo;
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros;
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante;
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,
Proclama-se o seguinte:
Artigo 1º
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Artigo 2º
1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais
3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.
Artigo 3º
1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis. 2.Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.
Artigo 4º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2.toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.
Artigo 5º
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.
Artigo 6º
1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Artigo 7º
Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.
Artigo 8º
1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.
Artigo 9º
Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.
Artigo 10º
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
2.As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Artigo 11º
Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.
Artigo 12º
1.Todo o ato que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.
Artigo 13º
1.O animal morto deve de ser tratado com respeito.
2.As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.
Artigo 14º
1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

seção: copy+paste! Frases: livros


"O sucesso de muitos livros deve-se à afinidade entre a mediocridade das idéias do escritor e as do público" (Nicolas Chamfort)

"Um país se faz com homens e livros" (Monteiro Lobato)

"Como os santuários e os outros locais de encontros sagrados, as livrarias são artefatos essenciais à natureza humana" (Jason Epstein)

"Organizar bibliotecas é exercer, de modo silencioso, a arte da crítica" (Jorge Luis Borges)

"Um livro pode ser o machado que quebra o mar gelado em nós" (Franz Kafka)

"Agora livro meu, vai, vai para onde o acaso te leve." (Paul Verlaine)

"Um livro é uma janela pela qual nos evadimos." (Julien Green)

"Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma." (Fernando Pessoa)

"Se um livro é mau, nada o pode desculpar; sendo bom, nem todos os reis o conseguem esmagar." (Voltaire)

"Uns livros lêem-se na cozinha, outros no salão. Um livro verdadeiramente bom, lê-se em toda parte." (Thomas C. Haliburton)

"A literatura é sempre uma expedição à verdade" (Franz Kafka)

"A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil e o escrever dá-lhe precisão" (Francis Bacon)

"Para escrever só existem duas regras: ter algo a dizer e dizê-lo" (Oscar Wilde)

"Um verdadeiro escritor escreve pela fatalidade que leva o pinto a quebrar a bicadas a casca de um ovo..." (Érico Veríssimo)

"Escrevo porque não sou feliz. É uma maneira de lutar contra a infelicidade..." (Mario Vargas Llosa)

"Se ao lado da biblioteca houver um jardim, nada faltará." Marcus Tullius (Cicero)

"Ler é pensar com a cabeça dos outros." (Arthur Schopenhauer)

"O livro é lido para eternizar a memória." (Jorge Luis Borges)

"Um bom livro é aquele que se abre com expectativa e se fecha com proveito." (Louisa May Alcott)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Câmera Digital de Mineiro

Um mineiro comprou uma câmera digital e levou para seu sítio.
Chegando lá, mostrou aquela novidade para todos.
Nunca ninguém tinha visto algo igual e ele diz:
- 'Pessoar, todo mundo pra-per-da-cerca-di-arami farpado ali, pra-modi-quê vô tirá umas foto docêis'.
Ele então programou o temporizador e correu pra junto de todos.
Nessa, quando os outros o viram correr na direção deles, saíram correndo, atravessando acerca de arame farpado, rasgando-se todos.
Então ele pergunta: - 'O qué qui aconteceu, uai?'
E sua tia, com as duas orelhas penduradas, respondeu:
- 'Se ocê qui cunhece esse trem ficou cum medo, imagina nóis qui num cunhece'.

Não me pertence mais!

'3HORS' Óleo sobre tela: 20X40

domingo, 15 de junho de 2008

Pegadinhas de nosso idioma...

De: Presidente/ Para: Diretor
Na próxima segunda-feira, aproximadamente às 20:00 horas, o cometa Halley passará por aqui. Trata-se de um evento que ocorre somente a cada 76 anos.Peço que os funcionários sejam reunidos no pátio da fábrica, todos usando Capacetes de segurança, e eu explicarei o fenômeno a eles. Se estiver chovendo, não poderemos ver o raro espetáculo a olho nu, e todos deverão se dirigir ao refeitório onde será exibido um filme documentário Sobre o cometa Halley.
========================
De: Diretor/Para: Gerentes
Por ordem do Presidente, na sexta-feira às 20:00 horas, o cometa Halley vai aparecer sobre a fábrica.Se chover, os funcionários deverão ser reunidos, todos com capacete De segurança, e encaminhados ao refeitório, onde o raro fenômeno aparecerá, o que acontece a cada 76 anos a olho nu.
========================
De: Gerentes/ Para: Chefe de Produção
A convite do nosso querido Diretor o cientista Halley de 76 anos, vai aparecer nu no refeitório da fábrica, usando capacete, pois vai ser Apresentado um filme sobre o problema da chuva na segurança. O Diretor levará a demonstração para o pátio da fábrica.
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De: Chefe de Produção/Para: Supervisor de Turnos
Na sexta-feira às 20:00 horas, o Diretor, pela primeira vez em 76 Anos, vai aparecer nu no refeitório da fábrica para filmar o Halley, o cientista famoso e sua equipe. Todo mundo deverá estar de capacete, Pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. O Diretor levará a banda para o pátio da fábrica.
=======================
De: Supervisor de Turnos/Para: Escriba do Aviso
Todo mundo nu, sem exceção, deve estar no pátio da fábrica, na próxima sexta-feira, às 20:00 horas, pois o presidente e o Sr. Halley, guitarrista famoso, estarão lá para mostrar o raro filme 'Dançando na Chuva'. Todo mundo no refeitório de capacete.
========================
Do escriba de Aviso em Aviso para todos:
Na sexta-feira, o chefe vai fazer 76 anos e liberou geral para a Festa às 20:00 no refeitório. Vão estar lá, pagos pelo manda-chuva, 'Bill Halley e seus Cometas'.O chefe quer todo mundo nu e de capacete, pois a banda é muito louca e o rock vai rolar solto, mesmo com chuva.

Recém lançado: literatura


Fantasma Sai de Cena, de Philip Roth, fala de velhice e da proximidade da morte

Daniel Galera

Mais ou menos na metade de Fantasma Sai de Cena há uma passagem antológica, um parágrafo que pode ser visto como eixo para todo o romance. Nele, Philip Roth refere-se à ficção literária como uma amplificação efêmera do quociente de dor que nos cabe na vida, porém observa: 'Para umas poucas , muito poucas, essa amplificação, que brota do nada, insegura, constitui a única confirmação, e a vida não vivida, especulada, traçada no papel impresso, é a vida cujo significado acaba sendo mais importante.'

Vinda de um autor grandioso com a obra alicerçada em alter egos, a declaração de que a ficção importa mais que a vida é difícil de ser ignorada, sobretudo quando quem a enuncia é Nathan Zuckerman, o maior 'outro eu' de Roth, que, supostamente, se despede para sempre nesse volume.

O livro não se resume, é claro, a essa defesa do valor intrínseco da ficção. Numa narrativa sucinta e vigorosa, ressurgem aqui diversos temas caros ao autor, como a proximidade da morte, os reflexos da situação política e histórica na vida privada dos americanos e, sobretudo, o combate das paixões - acima de todas o desejo sexual - com as forças superiores que tentam abafá-las. A partir do esplêndido O Teatro de Sabbath (1995), seus protagonistas cerceados pela religião, pelos vínculos familiares, pela moral e pelos bons costumes ganharam um novo oponente, certamente o mais implacável de todos: a velhice.

A satisfação dos desejos, por mais transitória e ambígua que fosse, ainda era a desforra de personagens idosos como Mickey Sabbath, o Coleman Silk de A Marca Humana (2000) e o David Kepesh de O Animal Agonizante (2001). Para o Zuckerman de Fantasma Sai de Cena, porém, o cerco se fecha: a extração de uma próstata cancerosa o deixou não apenas incontinente, mas também impotente.

Não é indispensável conhecer as peripécias anteriores de Zuckerman para entender o que se passa no novo livro, mas há vínculos importantes, em especial com The Ghost Writer (no Brasil, Diário de Uma Ilusão), de 1979, no qual o personagem, então com 23 anos, se encontra com E. I. Lonoff, um escritor capaz de renunciar a tudo em nome da literatura. Zuckerman cobiça não apenas a disciplina de seu ídolo, mas também sua jovem amante, Amy Bellette.

Em Zuckerman Unbound (1981), nosso herói conhece as amargas conseqüências do sucesso repentino de seu romance Carnovsky (como ocorreu com Roth e seu O Complexo de Portnoy, de 1969). É um homem acuado, ignorando os leitores que 'confundiam faz-de-conta com confissão e gritavam na rua para um personagem que vivia dentro de um livro'.

Fantasma Sai de Cena se passa em 2004 e nos apresenta Zuckerman aos 71 anos. Após um auto-exílio de 11 anos num lugarejo nas montanhas, o consagrado escritor retorna a Nova York para um tratamento contra incontinência urinária. Tendo passado mais de uma década isolado sem celular, computador, televisão e jornais, livre da 'tirania de sua intensidade emocional', ele rapidamente se vê 'de volta ao drama, ao momento, ao turbilhão dos acontecimentos'. Primeiro, avista Amy Bellette numa lanchonete, ostentando na cabeça raspada a cicatriz de uma cirurgia. Depois, vê nos classificados de uma revista um anúncio assinado por dois jovens escritores propondo trocar seu apartamento em Manhattan por um refúgio rural. Por impulso, telefona para o casal e aceita a troca. E assim Zuckerman conhece Jamie Logan.

Assim que vê Jamie, Zuckerman fica enfeitiçado. A simples presença da linda moça de 30 e poucos anos no mesmo recinto exerce um efeito devastador. Mas ele já não é um 'homem inteiro'. É um velho impotente que usa fraldas e não sabe quem é Tom Cruise. Para piorar, vê-se perseguido por um ex-namorado de Jamie, o impetuoso Richard Kliman, que pretende escrever a biografia de Lonoff e revelar um segredo escabroso sobre a vida pessoal do autor falecido. Zuckerman decide impedi-lo a qualquer custo, não apenas para honrar a memória de seu ídolo e proteger Amy, mas também porque Richard representa a virilidade e a juventude perdidas. Agora Zuckerman sabe que é tarde demais para retornar ao seu refúgio. O tumulto das paixões o engoliu de novo.

É impressionante a velocidade com que Roth arma esse tabuleiro e aproxima suas peças. Por um lado, esse romance é um testemunho sobre a tragédia da velhice, da oposição entre a decadência física e os impulsos primitivos que se recusam a ceder - tema que o autor tem enfrentado com sinceridade e obstinação exemplares. Por outro, o desespero de seu protagonista é o gancho para tratar de outro assunto, as relações entre a vida e a ficção.

Zuckerman não ousa tocar em Jamie, mas, depois de passar a noite no apartamento do jovem casal democrata acompanhando a vitória de Bush nas urnas, ele retorna ao hotel e escreve um diálogo intitulado 'Ele e ela', a dupla que, de acordo com Chekhov, era o centro de gravidade de qualquer conto. Nathan e Jamie. Transformados num hábito, esses diálogos de alta voltagem erótica são a saída que Zuckerman encontra para sublimar suas aspirações. 'As conversas que não tive com ela me emocionam mais do que as conversas que tivemos de fato.' É apenas na ficção que ele confessa já tê-la visto 10 anos antes num almoço, que fala do 'prazer devastador' que sente em sua presença. 'Quero morrer de ciúme', ele pede. 'Me fale sobre todos os homens que você já teve.' É o mesmo artifício que usara com Amy Bellette décadas antes, na casa de Lonoff, quando, para aplacar o desejo e a culpa, imaginara que a moça era, na verdade, Anne Frank.

Em paralelo, Zuckerman discute com Richard a validade de uma biografia de Lonoff. Para Richard, é a chance de dar a um gênio esquecido a visibilidade que merece. Para o alter ego de Roth, uma biografia é uma 'segunda morte'. Ele argumenta que julgar a ficção de um autor com base em suposições sobre sua biografia é uma 'mentira que é só mentira', ao passo que a ficção é a 'mentira que revela a verdade'. Como os diálogos imaginários que trava com Jamie na solidão de seu quarto de hotel.

São vários os gritos de desespero de Zuckerman ao longo do romance, mas um deles o percorre por completo e o extrapola: é o grito em defesa da supremacia da imaginação sobre a realidade. Acreditar na fábula literária, deixar-se afetar por seu encadeamento de mentiras que revelam verdades, depende de um acordo tácito entre autor e leitor, um acordo sobre o qual não se fala sob pena de desmanchar o encanto. Roth é um especialista no assunto, e com Fantasma Sai de Cena ele investe contra leitores, críticos e qualquer um interessado em desmanchar a mágica da ficção. Se não por outro motivo, simplesmente porque para alguns poucos, não importa a causa de seu atrito com o mundo, a literatura segue sendo 'a vida cujo significado acaba sendo mais importante'.

Daniel Galera, escritor, é autor de Mãos de Cavalo, entre outros

(SERVIÇO)Fantasma Sai de Cena, Philip Roth, Tradução de Paulo Henriques Britto
Cia das Letras, 282 págs., R$ 42

sexta-feira, 30 de maio de 2008

puteiro em brasilia

Um jornalista do Correio Brasiliense descobre que existe um puteiro em
Brasília à qual vão todos os políticos e decide investigar. Fala com a
cafetina e pergunta:
- FHC vinha aqui?
- Sim, claro! Dava gosto, um cavalheiro. As melhores meninas, o melhor
champanhe, as melhores gorjetas. Cada vez que vinha, era uma festa.
- Guido Mantega vem?
- Sim! Mas não é a mesma coisa. Sempre pede desconto, nunca pede
champanhe, nunca está de acordo com a conta, sempre se queixa e nos ameaça
com mais impostos.
- Gabeira, também vem?
- Sim, mas não procura meninas e, sim, meninos.
- E a Dilma?
- Bem, essa é o contrário; procura meninas e não meninos.>
- E o Lula?
- Também vem, mas esse fica só um pouquinho. Entra, dá um beijo na mãe e sai

domingo, 25 de maio de 2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A ARTE DA NEGOCIAÇÃO

Pai - Filho, quero que você se case com uma moça que eu escolhi.
Filho - Mas pai, eu quero escolher a minha mulher.

Pai - Meu filho, ela é filha do Bill Gates.
Filho - Bem neste caso eu aceito.

Então o pai negociador vai encontrar o Bill Gates.
Pai - Bill, eu tenho o marido para sua filha.
Bill Gates - Mas a minha filha é muito jovem para casar.

Pai - Mas esse jovem é vice-presidente do Banco Mundial.
Bill Gates - Neste caso tudo bem.

Finalmente o pai negociador vai ao Presidente do Banco Mundial.
Pai - Sr. presidente, eu tenho um jovem que é recomendado para ser
vice-presidente do Banco Mundial.
Pres Banco Mundial - Mas eu já tenho muitos vice-presidentes, inclusive mais
do que o necessário.

Pai - Mas Sr, este jovem é genro do Bill Gates.
Pres Banco Mundial - Neste caso ele está contratado.

Não existe negociação difícil, perdida nem impossível !
Tudo depende da ESTRATÉGIA...

Para Ler Como Um Escritor


de Francine Prose
(Trecho)

A escrita criativa pode ser ensinada?
É uma pergunta sensata, mas por mais vezes que me tenha sido feita, nunca sei realmente o que responder. Porque se o que as pessoas querem dizer é "pode o amor à linguagem ser ensinado?", "pode o talento para a narração de histórias ser ensinado?", então a resposta é não. Talvez seja esta a razão por que a pergunta é formulada tantas vezes num tom cético que sugere que, diferentemente da tabuada de multiplicar ou dos princípios da mecânica automobilística, a criatividade não pode ser transmitida de professor para aluno. Imagine Milton inscrevendo-se num programa de pós-graduação para obter ajuda com Paraíso perdido, ou Kafka suportando um seminário em que seus colegas o informam que, francamente, a passagem em que o sujeito acorda uma manhã pensando que é um inseto gigante não os convence.
O que me confunde não é a sensatez da pergunta, mas o fato de que ela está sendo feita a uma escritora que ensinou escrita, intermitentemente, por quase 20 anos. Que impressão eu daria sobre mim, meus alunos e as horas que passamos na sala de aula se dissesse que qualquer tentativa de ensinar a escrita de ficção é uma completa perda de tempo? Provavelmente teria de ir em frente e admitir que andei cometendo uma fraude criminosa.
Em vez disso, respondo relembrando minha própria e valiosíssima experiência, não como professora, mas como aluna numa das poucas oficinas de ficção que freqüentei. Foi na década de 1970, durante minha breve carreira como estudante de pós-graduação em literatura inglesa medieval, quando me foi permitido o prazer de fazer um curso sobre ficção. O generoso professor ensinou-me, entre outras coisas, a editar meu trabalho. Para qualquer escritor, a capacidade de olhar uma frase e identificar o que é supérfluo, o que pode ser alterado, revisto, expandido ou – especialmente – cortado é essencial. É uma satisfação ver que a frase encolhe, encaixa-se no lugar, e por fim emerge numa forma aperfeiçoada:clara, econômica, bem definida.
Ao mesmo tempo, meus colegas proporcionavam-me meu primeiro público real. Nessa pré-história, antes que a massificação da fotocópia permitisse aos alunos distribuir manuscritos previamente, líamos nosso trabalho em voz alta. Naquele ano, eu estava começando o que viria a ser meu primeiro romance. E o que fez uma importante diferença para mim foi a atenção que sentia na sala enquanto os outros ouviam. Fui estimulada pela ânsia que tinham de ouvir mais.
Essa é a experiência que descrevo, a resposta que dou para as pessoas que me perguntam sobre o ensino de escrita criativa: uma oficina pode ser útil. Um bom professor pode lhe mostrar como editar o seu trabalho.A turma adequada pode formar a base de uma comunidade que o ajudará e sustentará.
Mas não foi nessas aulas, por mais úteis que tenham sido, que aprendia escrever.
Como a maioria dos escritores, talvez todos, aprendi a escrever escrevendo e lendo, tomando os livros como exemplo.
Muito antes de a idéia de palestras de escritores passar pela mente de alguém, escritores aprendiam pela leitura da obra de seus predecessores. Eles estudavam métrica com Ovídio, construção de trama com Homero, comédia com Aristófanes; afiavam seu estilo absorvendo as frases claras de Montaigne e Samuel Johnson. E quem teria podido pedir melhores professores: generosos, não-críticos, abençoados com sabedoria e gênio ,tão infinitamente magnânimos como só os mortos podem ser?
Embora muitos escritores tenham aprendido com os mestres de uma maneira formal, metódica — Harry Crews descreveu como analisou um romance de Graham Greene para ver quantos capítulos continha,quanto tempo abrangia, como Greene lidava com ritmo, tom e ponto de vista —, a verdade é que esse tipo de educação envolve mais freqüentemente uma espécie de osmose. Depois que escrevo um ensaio em quecito extensamente grandes escritores, tendo de copiar longas passagens de suas obras, noto que meu próprio trabalho se torna um pouco mais fluente, ainda que por um breve momento.
No processo de me tornar uma escritora, li e reli os autores de que mais gostava. Lia por prazer, primeiramente, mas também de maneira mais analítica, consciente do estilo, da dicção, do modo como as frases eram formadas e como a informação estava sendo transmitida, como o escritor estava estruturando uma trama, criando personagens, empregando detalhes e diálogos. E à medida que escrevia, descobri que escrever,como ler, fazia-se uma palavra por vez, um sinal de pontuação por vez. Requer o que um amigo meu chama de "pôr cada palavra em xeque":mudar um adjetivo, cortar uma frase, remover uma vírgula e pôr a vírgula de volta.
Leio minuciosamente, palavra por palavra, frase por frase, ponderando cada aparentemente mínima decisão tomada pelo escritor. E embora seja impossível recordar todas as fontes de inspiração e instrução, posso lembrar os romances e contos que me pareceram revelações: poços de beleza e prazer que eram também livros didáticos, aulas particulares da arte da ficção.
Este livro pretende ser em parte uma resposta a essa pergunta inevitável sobre como os escritores aprendem a fazer algo que não pode ser ensinado. O que os escritores sabem é que, em última análise, aprendemos a escrever com a prática, o trabalho árduo, a repetição de tentativas e erros, o sucesso e o fracasso e com os livros que admiramos. Assim, o livro que se segue representa um esforço para recordar minha própria educação como romancista e ajudar o leitor apaixonado e aquele que deseja ser escritor a compreender como um escritor lê.

Duas loiras?


Duas mulheres bem gostosas, verdadeiros aviões, resolvem sacanear com um velhinho de 88 anos.
Aproximam-se dele e perguntam:
- Mas que velhinho simpatico! tudo bem? O que você faria com duas mulheres tão gostosas quanto nós ?
E o velhinho:
- Com vocês duas, não faria nada, mas com mais quatro ou cinco, abriria um puteiro.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

PISICOPOLÍTICA E "CURA MENTAL"


por MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA - 9/05/2008

Ultimamente muito se tem falado em Antonio Gramsci (1891-1937-foto), um dos principais dirigentes do Partido Comunista italiano que preso pelo regime fascista morreu no cárcere em 1926.

Como vários teóricos marxistas do século XX, Gramsci não negou a importância da infra-estrutura, que segundo a teoria de Karl Marx é o modo de produção da vida material, mas ressaltou a importância e o papel da superestrutura que compreende as instituições políticas, o direito, a moral, a religião, as artes, a filosofia, a economia, etc.

Para Gramsci a superestrutura possui dois elementos fundamentais: "a sociedade política", onde se encontra o aparelho de coação e comando, isto é, o Estado ou governo, e a sociedade civil que assenta na persuasão. E se para os revolucionários russos, o essencial era derrubar o aparelho do Estado, para os revolucionários ocidentais o terreno essencial de luta se situa na sociedade civil que sempre aceitou os valores e a ideologia da classe dominante, portanto sua hegemonia.

Entendeu Gramsci que a hegemonia é assegurada por aqueles a quem chamou de intelectuais orgânicos (clero, intelectuais, universitários, tecnocratas), e os trabalhadores somente se afirmariam se conseguissem fazer prevalecer o seu próprio sistema de valores, sua própria visão de mundo, sua própria ideologia. Seria, então, imperativo que aqueles tomassem a direção cultural e moral da sociedade e passassem a ser uma classe dirigente antes de ser uma classe dominante.

Em suma, Antonio Gramsci elaborou uma "estratégia do consentimento" através dos intelectuais orgânicos que são o elemento organizador da sociedade civil. E isto é algo mais eficaz do que a tomada do poder pela força. Seria uma revolução sem armas rumo ao comunismo. Funcionaria como processo corrosivo trabalhado através da persuasão envolvendo mentes e sentimentos.

Sentimentos podem ser induzidos por intelectuais orgânicos e se conquistam com líderes eloqüentes e muita propaganda, coisas que não são difíceis de fabricar porque os homens não oram apenas pelo pão de cada dia, mas também por sua ilusão diária. Isso porque, a maioria vive em circunstâncias de frustração calada.

Ora, pessoas frustradas são mais crédulas na medida em que necessitam de algo em que acreditar. Gente frustrada precisa também de odiar e o ódio compartilhado com outros é a mais poderosa de todas as emoções unificadoras. Naturalmente é fácil odiar uns aos outros através da luta de classes. Estimular o ódio entre classes, raças ou etnias é, portanto, o caminho mais fácil para a conquista e a manutenção do poder.

Todavia Gramsci não foi tão inovador como se pensa. Lavrenty Pavlovich Beria (1899-1953-Foto), ministro do Interior e marechal da União Soviética, executado depois da morte de Stalin, também sabia que nem só de infra-estrutura vive o homem. Sua arma para dominar os incautos, os frustrados, os necessitados de ilusão, na verdade era uma espécie de ciência que ele denominou de Psicopolítica, através da qual se podia obter a "cura mental", ou algo que podemos chamar de lavagem cerebral.

Para entendermos melhor de Psicopolítica, observemos alguns trechos de um discurso que Beria proferiu para estudantes americanos, na Universidade Lênin:

"Vocês devem trabalhar para que todos os profissionais e professores somente professem a doutrina de "cura" originária no comunismo e nos nossos propósitos". "Vocês devem trabalhar para que tenhamos o domínio das mentes e dos corpos de todas as pessoas importantes de vossa Nação". "Vocês devem conseguir tal descrédito pelo estado de insanidade e tal convicção sobre seu pronunciamento que nenhuma autoridade governamental assim estigmatizada possa novamente ter o crédito de seu povo". "Vocês podem mudar a lealdade das pessoas pela Psicopolítica; podem alterar para sempre a devoção de um soldado, de um governante ou de um líder em seu próprio país; ou vocês podem destruir suas mentes". "Usem as Cortes, usem os juízes, usem a Constituição do país, usem as sociedades médicas e suas leis para ampliar nosso fim". Tudo vale na nossa campanha para implementar e controlar a 'cura mental"; para disseminar nossa doutrina e para nos vermos livres dos nossos inimigos". "Pela Psicopolítica criem o caos". "Tomem a nação sem líderes, matando assim os oposicionistas". "E tragam para a Terra, através do comunismo, a maior paz que o homem jamais conheceu".

Um paciente trabalho de intelectuais orgânicos foi efetuado no Brasil. Padres, professores, intelectuais, artistas, profissionais liberais se empenharam para elevar ao poder não a classe trabalhadora, mas o Partido dos Trabalhadores. Não temos mais instituições, oposições, lideranças que resistam à "cura mental" que nos é ministrada dia a dia. Confiantes, aguardemos através do petismo a maior paz que o brasileiro jamais conheceu. O problema é que a História sempre se vinga dos que a ignoram.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, professora, escritora.

mlucia@sercomtel.com.br

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Cartazes de 79 filmes ganhadores do Oscar


Para quem curte cinema!

O 'Movie Poster Addict' publica os posters dos 79 filmes ganhadores do Oscar na história do prêmio, a partir de 1927.

O cartaz do lado é do filme “Sindicato de ladrões”, o outro, sem comentários, mas podem-se encontrar todos, muito curiosos como “A ponte Sobre o Río Kwai”etc. etc.
Pra pegar, eis o Link do: Movie Poster Addict.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS DE LISBOA

"Gêmeo tenta se suicidar e mata o irmão por engano"

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DISK FINADOS - Lançaram em Portugal, o novo serviço por telefone, é o "Disk-Finados", você telefona e ouve um minuto de silêncio !

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CURVA PERIGOSA - O português estava dirigindo em uma estrada, quando viu uma placa que dizia: "Curva Perigosa à Esquerda" Ele não teve dúvidas: virou à direita!

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AGENDA DE TELEFONE - *Por que os portugueses usam somente a letra "T" em suas agendas de telefone? telefone do Antonio, telefone do Joaquim, telefone do Manoel, telefone do Pereira...

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LOJA DE SAPATOS - O Manuel foi, na segunda-feira, a uma loja de sapatos. Escolheu, escolheu e acabou se decidindo por um par de sapatos de cromo alemão. O vendedor entregou o sapato, mas foi logo advertindo-o: apertaria os pés nos primeiros cinco dias.
- Não tem problema. Eu só vou usá-los no domingo que vem.

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FESTA - O Manuel vai a uma festa grã-fina. Ressabiado, com medo de dar algum fora, fica observando como os demais convidados se comportam. O jeito correto de beber, de comer.
Observa alguém já satisfeito, palitando os dentes, com discrição. Mais tarde, o anfitrião, vem cumprimenta-lo:
- E ai, Manuel? Esta sendo bem servido?
- Olhe, pois? Eu nunca comi tão bem! Só daqueles palitinhos, que as pessoas comem escondido, tapando a boca com as mãos, eu já comi uns quinze!