terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Como Nasrudin criou a verdade

Nasrudin
(Khawajah Nasr Al-Din)

— As leis não fazem com que as pessoas fiquem melhores — disse Nasrudin ao Rei. — Elas precisam, antes, praticar certas coisas de maneira a entrar em sintonia com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente.
 
O Rei, no entanto, decidiu que ele poderia, sim, fazer com que as pessoas observassem a verdade, que poderia fazê-las observar a autenticidade — e assim o faria.
 
O acesso a sua cidade dava-se através de uma ponte. Sobre ela, o Rei ordenou que fosse construída uma forca.
 
Quando os portões foram abertos, na alvorada do dia seguinte, o Chefe da Guarda estava a postos em frente de um pelotão para testar todos os que por ali passassem. Um edital fora imediatamente publicado: "Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso na cidade permitido. Caso mentir, será enforcado."
 
Nasrudin, na ponte entre alguns populares, deu um passo à frente e começou a cruzar a ponte.
 
— Onde o senhor pensa que vai? — perguntou o Chefe da Guarda.
 
— Estou a caminho da forca — respondeu Nasradin, calmamente.
 
— Não acredito no que está dizendo!
 
— Muito bem, se eu estiver mentindo, pode me enforcar.
 
— Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!
 
— Isso mesmo - respondeu Nasrudin, sentindo-se vitorioso. — Agora vocês já sabem o que é a verdade: é apenas a sua verdade.
 

O Mullá Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) escreveu, no século XIV em que viveu, histórias onde ele mesmo era personagem. São histórias que atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, seita religiosa ou de sabedoria de vida, de antiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. Como o budismo e o zen-budismo, o sufismo sempre aliou o (bom) humor com sabedoria.
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O texto acima foi publicado no livro "Histoires de Nasroudin", Éditions Dervish, s.d., e extraído do livro "Os 100 melhores contos de humor da literatura universal", Ediouro – Rio de Janeiro, 2001, pág. 50. Organização de Flávio Moreira da Costa.

Pérolas do vestibular

Frases colhidas no vestibular:
 
* Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigênio.
 
* O nervo ótico transmite idéias luminosas.
 
* O vento é uma imensa quantidade de ar.
 
* O terremoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas.
 
* Os egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor.
 
* Péricles foi o principal ditador da democracia grega.
 
* O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de necessidades.
 
* O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes se afogavam dentro d'água.
 
* A principal função da raiz é se enterrar.
 
* A igreja vem perdendo muita clientela.
 
* O Sol nos dá luz, calor e turistas.
 
* As aves têm na boca um dente chamado bico.
 
* A unidade de força é o Newton, que significa a força que se tem que realizar em um metro da unidade de tempo, no sentido contrário.
 
* Lenda é toda narração em prosa de um tema confuso.
 
* A harpa é uma rosa que toca.
 
* A febre amarela foi trazida da China por Marco Polo.
 
* Os ruminantes se distinguem dos outros animais porque o que comem, comem por duas vezes.
 
* O coração é o único órgão que não deixa de funcionar 24 horas por dia.
 
* Quando um animal irracional não tem água para beber, só sobrevive se for empalhado.
 
* A insônia consiste em dormir ao contrário.
 
* A arquitetura gótica se notabilizou por fazer edifícios verticais.
 
* A diferença entre o Romantismo e o Realismo é que os românticos escrevem romances e os realistas nos mostram como está a situação do país.
 
* O Chile é um país muito alto e magro.
 
* As múmias tinham um profundo conhecimento de Anatomia.
 
* O batismo é uma espécie de detergente do pecado original.
 
* Na Grécia, a democracia funcionava muito bem, porque os que não estavam de acordo, se envenenavam.
 
* A prosopopéia é o começo de uma epopéia.
 
* Os crustáceos fora d'água respiram como podem.
 
* Os hermafroditas nascem unidos pelo corpo.
 
* As glândulas salivares só trabalham quando a gente têm vontade de cuspir.
 
* A fé é uma graça através da qual podemos ver o que não vemos.
 
* Os estuários e os deltas foram os primeiros habitantes da Mesopotâmia.
 
* O objetivo da Sociedade Anônima é ter muitas fábricas desconhecidas.
 
* A Previdência Social assegura o direito à enfermidade coletiva.
 
* O Ateísmo é uma religião anônima.
 
* A respiração anaeróbica é a respiração sem ar, que não deve passar de três minutos.
 
* O calor é a quantidade de calorias armazenadas numa unidade de tempo.
 
* Antes de ser criada a Justiça, todo mundo era injusto.
 
* Caracteres sexuais secundários são as modificações morfológicas sofridas por um indivíduo após manter relações sexuais.
 
(Colaboração da leitora Zoraida Gazal Ale.)
 

Mais pérolas...
 
As redações do vestibular 2000 da UFRJ acabam de ser corrigidas. Eis as pérolas deste ano:
 
Redação
 
* Sobrevivência de um aborto vivo (título).
 
* O Brasil é um país abastardo com um futuro promissório.
 
* O maior matrimônio do país é a Educação.
 
* Precisamos tirar as fendas dos olhos para enxergar com clareza o número de famigerados que almenta (sic).
 
* Os analfabetos nunca tiveram chance de voltar à escola.
 
* O bem star (sic) dos abtantes endependente (sic) de roça, religião, sexo e vegetarianos, está preocudan-do-nos.
 
* É preciso melhorar as indiferenças sociais e promover o saneamento de muitas pessoas.
 
* Também preoculpa (sic) o avanço regesssivo da violência.
 
* Segundo Darcy Gonçalves (Darcy Ribeiro) e o juiz Nicolau de Melo Neto (Nicolau dos Santos Neto).
 
* E o presidente onde está? Certamente em sua cadeira, fumando baseado e conversando com o presidente dos EUA.
 
História
 
* O hino nacional francês se chama La Mayonèse...
 
* Tiradentes, depois de morto, foi decapitulado.
 
* Resposta a uma pergunta: "Não cei".
 
* Entres os índios de América, destacam-se os aztecas, os incas, os pirineus, etc.
 
* A História se divide em 4: Antiga, Média, Moderna e Momentânea (esta, a dos nossos dias).
 
* Em Esparta as crianças que nasciam mortas eram sacrificadas.
 
* Resposta à pergunta: "Que entende por helenização?": "Não entendo nada".
 
* No começo os índios eram muito atrazados mas com o tempo foram se sifilizando.
 
* Entre os povos orientais os casamentos eram feitos "no escuro" e os noivos só se conheciam na hora h.
 
* Então o governo precisou contratar oficiais para fortalecer o exército da marinha.
 
* Em homenagem a Gutenberg, fizeram na Alemanha uma estátua, tirando uma folha do prelo, com os dizeres: "e a luz foi iluminada".
 
* No tempo colonial o Brasil só dependia do café e de outros produtos extremamente vegetarianos.
 
Geografia
 
* A capital de Portugal é Luiz Boa.
 
* A Geografia Humana estuda o homem em que vivemos.
 
* O Brasil é um país muito aguado pela chuva.
 
* Na América do Norte tem mais de 100.000 Km de estradas de ferro cimentadas.
 
* Oceano é onde nasce o Sol; onde ele nasce é o nascente e onde desce decente.
 
* Na América Central há países como a República do Minicana.
 
* A Terra é um dos planetas mais conhecidos no mundo.
 
* As constelações servem para esclarecer a noite.
 
* As principais cidades da América do Norte são Argentina e Estados Unidos.
 
* Expansivas são as pessoas tangarelas.
 
* O clima de São Paulo é assim: quando faz frio é inverno; quando faz calor é verão; quando tem flores é primavera; quando tem frutas é outono e quando chove é inundação.
 
* Os plantetas são 9: Mercúrio, Venus,Terra, Marte. Os outros 5 eu sabia mas como esqueci agora e está na hora de entregar a prova, o sr. não vai esperar eu lembrar, vai? (e espero que não vai abaixar a nota por causa disso).
 
(Colaboração do leitor Márcio Werneck.)
 

E ainda mais pérolas..
 
Algumas pérolas dos alunos de Comunicação da UFF:
 
* "(...) quanto à opinião pública, podemos dizer que ela é mutável. Por exemplo: na hora do parto, a mulher pode optar pelo aborto."
 
* "A comunicação é importante porque comunica algo entre duas ou mais pessoas que querem se comunicar"
 
* "O Press release tem esse nome porque realiza as coisas com pressa".
 
* "O problema da comunicação social no Brasil é que ela é dirigida por brasileiros, deveríamos trazer os  americanos.
 
* "O endomarketing é como se fosse o marketing endovenoso."
 
* "Eu acho que a resposta é não. Como o professor deve ter pensado numa armadilha, respondo que é sim.
 
* "O público mixto é composto por aquelas pessoas que entram e saem da empresa. Ou seja nunca estão totalmente dentro, nem totalmente fora."
 
* "(a questão dizia que a afirmativa era CORRETA, pedia a justificativa somente). "Disconcordo com a questão. Ela não pode ser positiva. Nunca fiz prova que o professor dissesse que era afirmativa uma questão. Deve ser uma pegadinha, tipo do Faustão.
 
* "A comunicassão social e feita de mim para voçês"
 
* "A televisão é influenciativa em nossas vidas. Quantas vezes não compramos um tênis porque vemos na TV? A programação deveria ser mais educante(...)".
 
* "A empresa e o público ixterno caminhão juntos, incluindo aí a emprensa."
 
* "O proficional de comunicação tem um mercado bundante a sua disposição, afinal, todos se comunicam na terra(...)".
 
* "O ruído realmente atrapalha muito a comunicação. Aqui na universidade fico atordoado quando passa o trem, quase não ouço o professor. As salas deveriam ser à prova de som".
 
* "O fidibeque é a mesma coisa que a retroinformação, ou seja a informação que vem por trás."
 
* "A comunicação é uma junção da verdade com a falsidade, afinal fofoca é uma coisa feia e é comunicação".
 
* "Faço comunicação porque acho importante ser comunicadora, mas não acho importante ler jornal (suja a mão), nem ficar em casa vendo TV. Acho melhor me comunicar entre si."
 
* "A comunicação é moderna porque usa modernidades da atualidade."
 
* "Os principais meios utilizados pelas comunicação são: meios orais (que são falados), meios auditivos (que são ouvidos) e mais tácteis (que são sentidos)."
 
* "A comunicação é de massa porque precisamos utilizar a massa cinzenta para compreendê-la".
 
* "Marketing em português é mercado, marketing pessoal, portanto é o mercado que freqüentamos."
 
* "Ao utilizarmos a comunicação nos comunicamos."
 
* "Se a comunicação é pessoal, envolvendo o emissor e o receptor, como podemos pensar em comunicação empresarial? A empresa se expressa por si só?"

Língua portuguesa

 Olavo Bilac
 

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
 
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
 
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
 
em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
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Olavo Bilac, além de poeta parnasiano, cronista, contista, conferencista e autor de livros didáticos, deixou também na imprensa do tempo do Império e dos primeiros anos da República vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., assinando, em outras vezes, o seu próprio nome. Nascido no Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1865, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira nº. 15, que tem Gonçalves Dias por patrono. No seu principal livro, "Poesias", incluiu Bilac alguns sonetos satíricos , sob o título de "Os Monstros". Escreveu livros em colaboração com Coelho Neto, Manuel Bonfim e Guimarães Passos, sendo que, com este último, o volume intitulado "Pimentões", de versos humorísticos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Sakaro aota nakamy anyoba, sushi mashuta!

O sujeito foi visitar, na UTI, o vizinho japonês, vítima de grave acidente automobilístico.
Encontrou o japonês todo entubado, era tubo daqui, tubo acolá, fios pra todo lado.
Ficou ali, parado, de pé na beira da cama, vendo-o de olhinhos fechados, sereno, repousando com todos aqueles tubos!
Em dado momento, repentinamente o japonês acordou, arregalou os olhos e gritou:
 
"Sakaro aota nakamy anyoba, sushi mashuta !!"
 
Dito isso, suspirou e morreu.
As últimas palavras do japonês ficaram gravadas na cabeça do sujeito!!
Na missa de sétimo dia, o sujeito foi dar os pêsames à mãe do japonês:
"Olhe, dona Fumiko, o Sujiro, antes de morrer, me disse esta palavras:
 
"Sakaro aota nakamy anyoba, sushi mashuta !!"
 
O que isso quer dizer?"
Dona Fumiko olhou espantada para o sujeito e traduziu:
"Tire o pé da mangueirinha de oxigênio , filho da puta"

Não me pertence mais!

"entreuvasverdes" Guache s/papel - 20x13cm

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pensamentos de H. L. Mencken


• Nunca deixe que seus inferiores lhe façam um favor. Pode custar-lhe caro.

• Um homem educado é aquele que nunca bate numa mulher sem ter um motivo justo.

• Imoralidade é a moralidade daqueles que se divertem mais do que nós.

• As únicas pessoas realmente felizes são as mulheres casadas e os homens solteiros.

• Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive.

• Mostre-me um puritano e eu lhe mostrarei um filho da puta.

• Digam o que disserem sobre os Dez Mandamentos, devemos nos dar por felizes por eles não passarem de dez.

• O principal conhecimento que se adquire lendo livros é o de que poucos livros merecem ser lidos.

• Pelo menos numa coisa homens e mulheres concordam: nenhum deles confia em mulheres.

• De fato, é melhor dar do que receber. Por exemplo: presentes de casamento.

• A consciência é uma voz interior que nos adverte de que alguém pode estar olhando.

• Os solteiros sabem mais sobre as mulheres que os casados. Se não, também seriam casados.

• O adultério é a democracia aplicada ao amor.

• A fé pode ser definida como uma crença ilógica na ocorrência do improvável.

• Quanto mais envelheço, mais desconfio da velha máxima de que a idade traz a sabedoria.

• Pode ser um pecado pensar mal dos outros, mas raramente será um engano.

• O cristão vive jurando que nunca fará aquilo de novo. O homem civilizado apenas resolve que será mais cuidadoso da próxima vez.

• Os homens se divertem muito mais que as mulheres. Talvez porque se casem mais tarde e morram mais cedo.

• Nunca superestime a decência da espécie humana.

• Incrível como meu ódio pelos protestantes desaparece quase por completo quando sou apresentado a suas mulheres.

• É difícil acreditar que um homem esteja dizendo a verdade quando você sabe muito bem que mentiria se estivesse no lugar dele.

• A guerra contra os privilégios nunca terá fim. Sua próxima grande campanha será a guerra contra os privilégios especiais dos desprivilegiados.

• Padres e pastores são cambistas esperando por fregueses diante
dos portões do Céu.

*****

O LUGAR DO HOMEM NA NATUREZA

Como já disse, a teoria antropomórfica do mundo revelou-se absurda diante da moderna biologia – o que não quer dizer, naturalmente, que um dia a tal teoria será abandonada pela grande maioria dos homens. Ao contrário, estes a abraçarão à medida que ela se tornar cada vez mais duvidosa. De fato, hoje, a teoria antropomórfica ainda é mais adotada do que nas eras de obscurantismo, quando a doutrina de que um homem era um quase-Deus foi no mínimo aperfeiçoada pela doutrina de que as mulheres são inferiores. O que mais está por trás da caridade, da filantropia, do pacifismo, da “inspiração” e do resto dos atuais sentimentalismos?
Uma por uma, todas estas tolices são baseadas na noção de que o homem é um animal
glorioso e indescritível, e que sua contínua existência no mundo deve ser facilitada e assegurada. Mas esta idéia é obviamente uma estupidez. No que se refere aos animais, e mesmo num espaço tão limitado como o nosso mundo, o homem é tosco e ridículo.
Poucos bichos são tão estúpidos ou covardes quanto o homem.
O mais vira-lata dos cães tem sentidos mais agudos e é infinitamente mais corajoso, para não dizer mais honesto e confiável. As formigas e abelhas são, de várias formas, mais inteligentes e engenhosas; tocam para a frente seus sistemas de governo com muito menos arranca-rabos, desperdícios e imbecilidades. O leão é mais bonito, digno e majestoso. O antílope é infinitamente mais rápido e gracioso. Qualquer gato doméstico comum é mais limpo. O cavalo, mesmo suado do trabalho, cheira melhor. O gorila é mais gentil com seus filhotes e mais fiel à companheira. O boi e o asno são mais produtivos e serenos. Mas, acima de tudo, o homem é deficiente em coragem, talvez a mais nobre de todas as qualidades. Seu pavor mortal não se limita a todos os animais do seu próprio peso ou mesmo da metade do seu peso – exceto uns poucos que ele degradou por cruzamentos artificiais-, seu pavor mortal é também daqueles da sua própria espécie – e não apenas de seus punhos e pés, mas até de suas risotas.
Nenhum outro animal é tão incompetente para se adaptar ao seu próprio ambiente. A criança, quando vem ao mundo, é tão frágil que, se for deixada sozinha por aí durante dias, infalivelmente morrerá, e essa enfermidade congênita, embora mais ou menos disfarçada depois, continuará até a morte. O homem adoece mais do que qualquer outro animal, tanto em seu estado selvagem quanto abrigado pela civilização. Sofre de uma variedade maior de doenças e com mais freqüência. Cansa-se ou fere-se com mais facilidade. Finalmente, morre de forma horrível e geralmente mais cedo. Praticamente todos os outros vertebrados superiores, pelo menos em seu ambiente selvagem, vivem e retêm suas faculdades por muito mais tempo. Mesmo os macacos antropóides estão bem à frente de seus primos humanos. Um orangotango casa-se aos sete ou oito anos de idade, constrói uma família de setenta ou oitenta filhos, e continua tão vigoroso e sadio aos oitenta quanto um europeu de 45 anos.
Todos os erros e incompetências do Criador chegaram ao seu clímax no homem. Como peça de um mecanismo, o homem é o pior de todos; comparados com ele, até um salmão ou um estafilococo são máquinas sólidas e eficientes. O homem transporta os piores rins conhecidos da zoologia comparativa, os piores pulmões e o pior coração. Seus olhos, considerando-se o trabalho que são obrigados a desempenhar, são menos eficientes do que o olho de uma minhoca; o Criador de tal aparato ótico, capaz de fabricar um instrumento tão cambeta, deveria ser surrado por seus fregueses. Ao contrário de todos os animais, terrestres, celestes ou marinhos, o homem é incapaz, por natureza, de deixar o mundo em que habita.
Precisa vestir-se, proteger-se e armar-se para sobreviver. Está eternamente na posição
de uma tartaruga que nasceu sem o casco, um cachorro sem pêlos ou um peixe sem barbatanas. Sem sua pesada e desajeitada carapaça, torna-se indefeso até contra as moscas. E Deus não lhe concedeu nem um rabo para espantá-las.
*****
O jornalista, crítico e filólogo H. L. Mencken (Henry Louis Mencken) nasceu em Baltimore, Maryland, no dia 12 de setembro de 1880 e estudou no Baltimore Polythecnic. Tendo começado sua carreira jornalística como repórter, Mencken veio a exercer cargos editoriais em diversos jornais e revistas. Morreu em sua cidade natal na noite de 28 para 29 de janeiro de 1956.
Os textos acima, dão uma dimensão variada do estilo e incisividade do autor. Em pessoa, ele era mais conservador do que por escrito. Sua idéia de uma noite feliz era ouvir e tocar Brahms e Schubert, se bem que ele e seu amigo Nathan (autor da frase "bebo para tornar os outros interessantes") tomaram pileques homéricos, enquanto riam dos outros.
Os ensaios constantes de "O Livro de Insultos de H.L. Mencken", seleção e tradução de Ruy Castro, editado pela Companhia das Letras - São Paulo, 1988.

Iniciação


Cora Rónai

Nasci em Ardnamurchan, você não vai conseguir nem pronunciar, quanto mais entender. Mas não faz mal, Maria Clara, porque isso já foi há tanto tempo. Hoje não importa mais. Basta você saber que fica na Escócia e que é um lugar muito frio e muito úmido a maior parte do ano, onde as pessoas são tristes e fechadas em si mesmas. Talvez assim você compreenda por que sou como sou de vez em quando. Ou não, quem sabe. De qualquer forma, tudo isto está muito além do que precisamos saber um sobre o outro. Um café?

Archibald ergue-se da poltrona devagar, toma cuidado para não derrubar os livros que tem sobre os joelhos. Escolhe um disco na estante.

— Bach, Maria Clara, que tal? Gottes Zeit ist die alerbeste Zeit, tenho certeza de que você vai gostar.

Maria Clara estica-se no tapete, fecha os olhos aos primeiros compassos. Ultimamente, esforça-se para entender Archibald, gostar das cantatas, sonatas e motetos que povoam a casa. Já consegue reconhecer a música de alguns compositores, pequenos testes que ele lhe apresenta. Vamos ver se você adivinha de quem e este cânon?

Sentam-se à mesa, arrumam as xícaras, o café, está bom de açúcar? Archibald remexe uma pilha de cadernos, procura a pagina certa.

— Então, vamos ver o que você fez de bom?

Gosta de dar aulas para Maria Clara: elas são, hoje, fugas da rotina da universidade da qual começa a sentir-se cansado, ensinando, pelo décimo ano consecutivo, as mesmas coisas a pessoas invariavelmente desinteressadas e desinteressantes. Seu relacionamento com os alunos é frio, quase impessoal: um pouco por timidez, um pouco por européias noções de hierarquia que se recusa a abandonar. Isso nunca chegou a incomodá-lo, especialmente há alguns anos atrás, quando a presença de Lillian tornava outras presenças desnecessárias. Depois, as relações entre ambos foram-se deteriorando e, quando mudou-se para o Brasil, ela recusou-se a acompanhá-lo. Embora tivesse sentido algum prazer em mortificar-se com o fracasso de seu casamento, anos depois Archibald se viu forçado a reconhecer que, na época, o que sentira fora principalmente uma sensação de alívio e liberdade. Não havia mais ninguém para controlar-lhe os movimentos ninguém para reclamar dos cachimbos, impedi-lo de dedicar-se a seus poemas ou abaixar o volume da vitrola. Não havia mais ninguém, igualmente, para afagar-lhe os cabelos, nenhum corpo à noite. Esta ausência, entretanto, só veio a notar muito tempo depois na verdade, quando começou a dar aulas para Maria Clara. Agora gostaria de ter, eventualmente, alguém com quem conversar, algum amigo. Mas os anos de solidão e uma timidez que, geralmente, não se encontra nos homens atraentes, o desacostumaram de conversas íntimas, de confidências sussurradas a meia luz por sobre os cinzeiros. Na universidade, não consegue trocar mais do que polidos cumprimentos com os colegas; dos alunos, sente-se cada vez mais distante com o passar dos anos. Aos 40 anos é um homem só — e, se por um lado, a solidão ensinou-lhe muito a respeito de si mesmo, há sentimentos sobre os quais não lhe disse nada, dos quais começa a ter medo porque os julgava esquecidos para sempre.

Maria Clara, marcando o ritmo da cantata com os dedos, conta o número de ripas da veneziana entreaberta, percorre as estantes com os olhos, as lombadas verdes, vermelhas, a imensa pilha de livros de bolso alaranjados. Observa seu professor, a cabeça curvada sobre o caderno, cachimbo numa das mãos enquanto com a outra anota erros, faz correções. Os cabelos muito lisos, desmaiados entre o louro e o cinza, caem-lhe sobre os olhos: quando o cachimbo está preso entre os dentes, a mão, livre, joga-os para trás num gesto inútil.

— Muito bom o trabalho. Você está melhorando, sabe. Ainda tem alguma dificuldade em expor seu raciocínio numa linha uniforme, mas acho que, na sua idade, nem poderia ser de outra maneira. E erros de ortografia, precisa prestar mais atenção ao que escreve, menina.

— Mas é que inglês é muito complicado. Muito mesmo.

— Um pouco de atenção resolve muitas complicações. Há um texto de Saroyan muito bonito que eu quero que você conheça. Vou ditá-lo para você, a metade hoje, a metade amanhã. Onde será que coloquei o livro?

Levanta-se da mesa, vai até uma das estantes onde percorre os livros com a ponta dos dedos, puxa um volume pequeno, encadernado em amarelo. Escolhe também outro disco, que leva para a vitrola.

— Mais Bach Suite em Ré Maior para violoncelo, Rostropovitch. Pegue o caderno, escreva: pronta? Esta prestando atenção? In the time of our life, live — so in that good time there shall be no ugliness or death for youself or any life your life touches. Seek goodness everywhere and when it is found, bring it out of its hiding-place...

— O quê?

— Hiding-place. Esconderijo. Bring it out of its hiding-place and let it be free and unashamed. Place in matter and in flesh the least of values, for these are the things that hold death and must pass away.

Lê muito devagar, separando as frases com cuidado. Maria Clara gosta das palavras, gosta do som que adquirem na pronúncia clara e um pouco cantada de Archibald. Se ao menos não precisasse anotá-las! Sente que poderá passar ali o resto da vida, ouvindo-as uma após a outra, absorvendo-as tão completamente que, depois de algum tempo, perderiam todo o significado para tornarem-se apenas fragmentos de sons encadeados, como a sonata de Bach que a vitrola repete em surdina. Ou seria uma suite?

— Discover in all things that which shines and is beyond corruption. Vamos parar por aqui, hoje. Não e bonito? Deixe o caderno comigo. Não vou poder corrigir nada agora, dentro de meia hora tenho que estar numa reunião na faculdade, você vai ter que ir embora mais cedo. Sabe que os Beatles vão tocar nos Estados Unidos?

— Claro que sei.

— Então este vai ser o seu dever de casa: escrever trinta linhas sobre a tournée.

— Mas como é que eu posso escrever sobre alguma coisa que ainda não aconteceu?

— Usando a sua imaginação, por exemplo.

Poderia passar ali o resto da vida, entre os sons, o cheiro do fumo e os olhos acinzentados.
Depois de quase um ano, ainda não sabe exatamente por que aceitou dar aulas para Maria Clara, filha de um professor de física que acabara de voltar da Inglaterra: para que a menina não perca todo o inglês que aprendeu por lá. Pensou, então, que a experiência talvez valesse a pena. Mas quando a conheceu, jeans surrados, os cabelos escuros e compridos presos num rabo de cavalo, um jeito preguiçoso, disco dos Beatles embaixo do braço, chegou a arrepender-se de não ter afastado a idéia definitivamente. Para sua surpresa, porém, Maria Clara interessava-se muito mais pelo inglês do que julgara a principio. E embora inicialmente a tratasse com o mesmo distanciamento que reservava a todos os alunos — e, de resto, a todo o mundo, sem distinções — começou, com o correr do tempo, a descobri-la e, através dela, toda uma geração que nunca despertara seu interesse antes. Começara a descobrir em si próprio reações que julgava impossíveis, o riso, a conversa fácil e aberta. Divertia-se ouvindo-a contar o dia-a-dia do ginásio, ouvindo-a falar de colegas e professores, dos últimos lançamentos dos Beatles, dos olhos de Paul MacCartney ou das letras de John Lennon. Mais tarde, tornou-se cúmplice de cigarros fumados às escondidas pelos banheiros, corridas em motocicletas clandestinas e aulas mortas no terraço entre brincadeiras e jogos de batalha naval. eu contei para você mas você jura que não vai contar para o meu pai? Maria Clara também começou a descobrir coisas novas como as crises de choro sem motivo algum, as horas passadas ao lado da vitrola, os olhos perdidos no espaço ao som de concertos e motetos.

Há dias em que não sabe se vai conseguir sobreviver a todas as terças, quintas e fins de semana que a esperam sem aulas de inglês. Especialmente quando o tempo começa a escurecer, quando não há sol, não há passeios nem piscinas. As horas passam devagar e, na escola, há o sentimento do tempo e das aulas perdidas, para que matemática, história, geografia se tudo o que precisa aprender é inglês, se sabendo inglês conquistará o mundo e quem sabe Archibald, conseguirá ir até Ardnamurchan onde quer que fique e conhecer os vales verdes, as altas montanhas, o clima que sabe frio e úmido a maior parte do ano. Quinta-feira escorre inútil, a sexta arrasta-se pelas aulas de desenho e francês, pela geografia escamoteada no terraço, o cigarro escondido atrás das costas. De tarde, as horas são ainda mais lentas e há o tamborilar da chuva nas vidraças, há uma goteira na sala e uma professora irritada com a chuva, com a goteira, com os alunos. Há também um ensaio da classe de teatro às quatro e meia e, às quinze para as seis, há a sineta e a liberdade. Sacola as costas, Maria Clara corre feliz, enfrenta a chuva, atravessa a rua, segue a avenida, dobra a esquerda, novamente atravessa uma rua e, quando toca a campainha de Archibald está molhada da cabeça aos pés, a roupa colada ao corpo, a blusa branca transparente de chuva.

— Mas não é possível! Será que você não tinha um guarda-chuva, não podia esperar uma carona?

— É que não pensei que estivesse chovendo tanto assim. Nossa, estou ensopada.

— Entre. Você não vai poder ficar assim. Vá até o banheiro, tome um banho bem quente e vista o meu roupão que está pendurado ao lado do chuveiro. Depois nós poderemos colocar as suas roupas em frente ao fogão, acabarão secando. Ande depressa.

Na cozinha, Archibald liga a cafeteira elétrica ouvindo o barulho do chuveiro. tenta concentrar-se nas colheradas de pó, na água, mas não consegue esquecer a blusa molhada de Maria Clara, os seios de Maria Clara, Maria Clara nua no chuveiro, a água escorrendo pelo corpo jovem e moreno. Tenta pensar nos vinte e seis anos que os separam, na tampa da cafeteira que não quer fechar. Volta para a sala e, acendendo o cachimbo, procura o Saroyan da aula passada, relê o ditado de Maria Clara, os seios de Maria Clara, sua pele molhada e brilhante...

— Ficou meio grande o teu roupão, estou me sentindo ridícula.

—Não há motivo. Está linda, e pelo menos não vai ficar gripada. Estou preparando um café, achei que você precisaria beber algo quente. Vou buscar.

Maria Clara senta-se no tapete, pernas cruzadas, tenta ajeitar o roupão lilás em volta do corpo. As mangas cobrem suas mãos, diverte-se levantando-as e olhando para as pontas caídas como hastes dobradas. Archibald traz a bandeja, coloca-a em cima da mesa, inclina-se sobre Maria Clara para entregar-lhe a xícara. A proximidade súbita, o roupão entreaberto, os seios de Maria Clara criam uma atmosfera carregada que os cadernos e uma missa de Haendel não conseguem disfarçar. Volta para a poltrona, olha-a de frente, os cabelos molhados, o roupão, as pernas cruzadas, o rosto pálido. Maria Clara estremece, sente que alguma coisa está acontecendo mas não sabe o que é. Imagina que Archibald a quer, repele o pensamento que volta, intenso, segundos depois. Luta com as mangas do roupão para segurar a xícara, ri, nervosa.

— Estou parecendo uma débil mental.

— Espere. Vou dobrar as mangas para você, do jeito que estão você nunca vai conseguir beber este café.

Deixa-se escorregar da poltrona, caminha sobre o tapete com os joelhos no chão, aproxima-se de Maria Clara. Toma-lhe uma das mãos, começa a dobrar a manga com cuidado, como se mexesse com alguma coisa frágil e quebradiça.

— Você está tremendo...!

— Estou congelada.

Segura a mão tremula e fria entre as suas, levanta o rosto devagar. Os olhos de Maria Clara em frente aos seus, o cheiro de Maria Clara, os seios de Maria Clara... puxa-a para si, beija-lhe a testa, os olhos, a boca.

— Eu te queria tanto.

Ela treme, tem medo, está feliz. A mão de Archibald atravessa o roupão, acaricia os seios. Tenta afastá-lo.

— Não faz isso.

A mão foge, sobe para os ombros, abaixa o roupão.

— Archie, não.

— Por que não? Eu quero você, eu amo você. Vem, você é minha. Bem quietinha, não se mexe.

Maria Clara senta-se imóvel, a respiração ofegante. Archibald desamarra o cinto, o roupão escorrega, Maria Clara nua, tremula de medo e de expectativa, o coração aos saltos.

As mãos a percorrem, acariciam os seios, a barriga, procuram as pernas, escondem-se entre as coxas.

— Vem. Eu vou ensinar tudo para você, tudo. Isto é uma coisa muito mais bonita do que o inglês, vem, muito mais, vou te ensinar tudo. Deita.

Maria Clara deita-se no tapete, olha para o lado. Tem vontade e vergonha de olhar Archibald despir-se, mas sente seus movimentos, a camisa atirada em direção a poltrona, os pés que empurram as calças e estremece quando o tem ao lado, quando as mãos a envolvem e guiam suas mãos tímidas, quando os dedos percorrem seu corpo, caminhando de leve pelas pernas, subindo sentindo-a úmida e entregue, quando o tem por cima de si, tão suave e aflito, quando os joelhos forçam suas pernas, as palavras perdem o nexo e o mundo explode, eu te queria tanto.

Dez anos depois, Archibald deu um tiro na boca. Teve morte instantânea. Há nove não via Maria Clara que soube do suicídio vários meses depois, através da carta de um amigo que a cumprimentava pelo vigésimo quarto aniversário.
*********
Cora Rónai é jornalista, sendo hoje editora do caderno semanal Informátic@, do jornal "O Globo". Quando da publicação do texto acima, em outubro de 1981, na revista Status, de onde foi extraído, ela declarou: "Este conto foi escrito há alguns anos, uma primeira (e até agora, única) tentativa de erotismo datilografado. Escrevi outros contos, mas vivo de jornalismo, há dez anos o meu ofício — também a minha grande paixão."

O caboquinho

O caboquim cordô cêdo, ispriguíçô, lavô as mão na gamela, limpô uzói, sinxugô, tomô café, pegô a inxada, sivirô pra muié i falô:
- muiééé, tô in trabaiá.
Quano q'êle saiu da casa, ao invêiz di í prá roça, ele subiu num pé di manga i ficô iscundidim.
De repente pareceu um negão, ele foi inté upé di manga i nem si percebeu q'o caboquim tava lá inriba.
Pegô u'a manga...chupô, pegôta, i mais ôta..., i a muié du caboquim chegô na jinela e gritô:- Póvim, ele já foi!
O negão largô as manga i sinfurnô denda casa du caboquim.
O caboquim, danado de réiva, desceu da árve, pegô um facão e intrô na casa.
Quan q'ele abriu a porta ele viu o negão chupando as teta da muié, intonsi levantô u facão e falô: - Vai morrêêêêê negão!!!
E num é q'o negão puxô dum 38 da cintura, i pontô pro caboquim falano:
- Por que eu vou morrer?
E o cabuquim respondi:
- Uai, cê chupô trêis manga e agora tá mamando leite.
Assim tu vai morrê, manga cum leite faiz mar, uai !!!!!
 
 

Será o Benedito!


Mário de Andrade

A primeira vez que me encontrei com Benedito, foi no dia mesmo da minha chegada na Fazenda Larga, que tirava o nome das suas enormes pastagens. O negrinho era quase só pernas, nos seus treze anos de carreiras livres pelo campo, e enquanto eu conversava com os campeiros, ficara ali, de lado, imóvel, me olhando com admiração. Achando graça nele, de repente o encarei fixamente, voltando-me para o lado em que ele se guardava do excesso de minha presença. Isso, Benedito estremeceu, ainda quis me olhar, mas não pôde agüentar a comoção. Mistura de malícia e de entusiasmo no olhar, ainda levou a mão à boca, na esperança talvez de esconder as palavras que lhe escapavam sem querer:

— O hôme da cidade, chi!...

Deu uma risada quase histérica, estalada insopitavelmente dos seus sonhos insatisfeitos, desatou a correr pelo caminho, macaco-aranha, num mexe-mexe aflito de pernas, seis, oito pernas, nem sei quantas, até desaparecer por detrás das mangueiras grossas do pomar.

***

Nos primeiros dias Benedito fugiu de mim. Só lá pelas horas da tarde, quando eu me deixava ficar na varanda da casa-grande, gozando essa tristeza sem motivo das nossas tardes paulistas, o negrinho trepava na cerca do mangueirão que defrontava o terraço, uns trinta passos além, e ficava, só pernas, me olhando sempre, decorando os meus gestos, às vezes sorrindo para mim. Uma feita, em que eu me esforçava por prender a rédea do meu cavalo numa das argolas do mangueirão com o laço tradicional, o negrinho saiu não sei de onde, me olhou nas minhas ignorâncias de praceano, e não se conteve:

— Mas será o Benedito! Não é assim, moço!

Pegou na rédea e deu o laço com uma presteza serelepe. Depois me olhou irônico e superior. Pedi para ele me ensinar o laço, fabriquei um desajeitamento muito grande, e assim principiou uma camaradagem que durou meu mês de férias.

***

Pouco aprendi com o Benedito, embora ele fosse muito sabido das coisas rurais. O que guardei mais dele foi essa curiosa exclamação, "Será o Benedito!", com que ele arrematava todas as suas surpresas diante do que eu lhe contava da cidade. Porque o negrinho não me deixava aprender com ele, ele é que aprendia comigo todas as coisas da cidade, a cidade que era a única obsessão da sua vida. Tamanho entusiasmo, tamanho ardor ele punha em devorar meus contos, que às vezes eu me surpreendia exagerando um bocado, para não dizer que mentindo. Então eu me envergonhava de mim, voltava às mais perfeitas realidades, e metia a boca na cidade, mostrava o quanto ela era ruim e devorava os homens. "Qual, Benedito, a cidade não presta, não. E depois tem a tuberculose que..."

— O que é isso?...

- É uma doença, Benedito, uma doença horrível, que vai comendo o peito da gente por dentro, a gente não pode mais respirar e morre em três tempos.

— Será o Benedito...

E ele recuava um pouco, talvez imaginando que eu fosse a própria tuberculose que o ia matar. Mas logo se esquecia da tuberculose, só alguns minutos de mutismo e melancolia, e voltava a perguntar coisas sobre os arranha-céus, os "chauffeurs" (queria ser "chauffeur"...), os cantores de rádio (queria ser cantor de rádio...), e o presidente da República (não sei se queria ser presidente da República). Em troca disso, Benedito me mostrava os dentes do seu riso extasiado, uns dentes escandalosos, grandes e perfeitos, onde as violentas nuvens de setembro se refletiam, numa brancura sem par.

Nas vésperas de minha partida, Benedito veio numa corrida e me pôs nas mãos um chumaço de papéis velhos. Eram cartões postais usados, recortes de jornais, tudo fotografias de São Paulo e do Rio, que ele colecionava. Pela sujeira e amassado em que estavam, era fácil perceber que aquelas imagens eram a única Bíblia, a exclusiva cartilha do negrinho. Então ele me pediu que o levasse comigo para a enorme cidade. Lembrei-lhe os pais, não se amolou; lembrei-lhe as brincadeiras livres da roça, não se amolou; lembrei-lhe a tuberculose, ficou muito sério. Ele que reparasse, era forte mas magrinho e a tuberculose se metia principalmente com os meninos magrinhos. Ele precisava ficar no campo, que assim a tuberculose não o mataria. Benedito pensou, pensou. Murmurou muito baixinho:

— Morrer não quero, não sinhô... Eu fico.

E seus olhos enevoados numa profunda melancolia se estenderam pelo plano aberto dos pastos, foram dizer um adeus à cidade invisível, lá longe, com seus "chauffeurs", seus cantores de rádio, e o presidente da República. Desistiu da cidade e eu parti. Uns quinze dias depois, na obrigatória carta de resposta à minha obrigatória carta de agradecimentos, o dono da fazenda me contava que Benedito tinha morrido de um coice de burro bravo que o pegara pela nuca. Não pude me conter: "Mas será o Benedito!...”. E é o remorso comovido que me faz celebrá-lo aqui.

São Paulo, 2ª. quinzena de outubro de 1939. (n°145)
******
Texto extraído do livro "Será o Benedito!", Editora da PUC-SP, Editora Giordano Ltda. e Agência Estado Ltda.- São Paulo, 1992.

Corno mansinho

Um sujeito, voltando de uma viagem de negócios, entra em um táxi no aeroporto.
Enquanto se dirigiam para casa, ele perguntou ao taxista se ele topava ser testemunha.
Ele suspeitava que a esposa estava tendo um caso e pretendia flagrá-la no ato. Chegaram silenciosamente à casa e subiram pé ante pé até o quarto..
O marido acendeu as luzes, arrancou o cobertor e lá estava a esposa dele na cama com outro homem.
O marido colocou a arma na cabeça do homem nu.
A esposa gritou: - Não faça isto! Este homem tem sido muito generoso! Eu menti para você quando disse que herdei dinheiro. Foi ele quem pagou o Audi que eu comprei para você. Ele pagou também o nosso iate novo. Foi ele quem comprou e mantém a nossa casa em Angra e comprou o título da Sociedade do Clube Rural!
Movendo perplexo a cabeça para os lados, o marido abaixou a arma. Olhou para o motorista e perguntou:
- O que você faria?
- Eu o cobriria logo com o cobertor, antes que ele pegue um resfriado.

Frases


Manuel Bandeira


Dos vendedores ambulantes que freqüentavam a Rua da União, dois me interessavam particularmente: a preta das bananas, com o seu vistoso xale de pano da Costa, e o homem dos sapatos. Este chegava com o seu grande baú de folha-de-flandres, abria-o na saleta de entrada e ficava esperando pela freguesia, que eram as senhoras de casa e da vizinhança. Eu gostava de olhar aquela confusão de borzeguins, chinelas e sapatos rasos. Mas, um dia, o sujeito, que era robusto e falava grosso, me interpelou: —Já vai ao colégio? Estuda Geografia? Qual é a Capital do Espírito Santo?

Embatuquei, e o sapateiro tripudiou: — Ignora?

O que eu esperava, o que eu ouvia dizer em tais ocasiões era: — “Não sabe?” Aquele “ignora”, que eu jamais ouvira, soou-me duro. Senti-me insultado, afastei-me do baú, nunca mais me aproximei do homem. E até hoje implico com esse inocente verbo “ignorar”, sobretudo no singular do presente do indicativo.

Outro dia foi meu tio Antonico que me surpreendeu, dizendo ao amigo Fiúza: — Quando você ia colher os cajus, eu já voltava com as castanhas!

Surpresa maior, porém, foi o que disse à minha avó unia sua amiga, ouvindo-lhe queixas de achaques que não cediam aos remédios: — Minha Dona França, deixe a natureza obrar!

Essas foram frases ouvidas na infância e então me soaram insólitas e inexplicáveis. Adulto, ouvi outras, sem nenhum mistério, mas igualmente surpreendentes. Assim, a de uma dessas pretinhas de Copacabana, cabelizadas e maquiladas, que tratava emprego com a senhora:

— A que horas a senhora janta?

— Às oito horas.

— Não pode ser às sete?

— Quem marca o horário das refeições em minha casa sou eu, não a cozinheira.

A pretinha então, muito gentil:

— Claro, não leve a mal que eu pergunte: não vê que eu sou mulher da vida e tenho de noite o meu trabalho lá fora?


Texto extraído do livro "Colóquio unilateralmente sentimental", Distribuidora Record — Rio de Janeiro, 1968, pág. 15.

Senhor, tem pena de mim


Ivan Lessa

As vastas amendoeiras do Passeio Público fornecem aprazível refúgio àqueles que, por alguns minutos, desejam escapar ao alvoroço do Centro, deixando-se ficar sentados, simplesmente a matutar ou ler o jornal. Quando eu discretamente deixei a serrinha e o facão, embrulhados no Jornal dos Sports, ao meu lado no banco, uma boa meia-dúzia de gatos pingados, dentre as dezenas daquele logradouro, veio logo xeretar.

Perfume de mulher bonita é sabonete. Sabonete e sangue. Na manga do paletó de brim branco uma gota rubra brotara entre a noite de ontem e a manhã de hoje. Para que nunca te esqueças de mim, ó malvado! Um gato com um olho só me fitava. Distingui no horizonte, cruzando a baía cor de conhaque, a Barca da Cantareira.

Retirei o lenço do bolso, assoei o nariz. Atitudes de cais, ares úmidos de adeus. Tentei acertar com um pontapé o olho que sobrara ao bichano errante. Eu também fui um cego. A língua malvada dessa gente. Os falsos amigos. O ciúme corroeu meu peito, Uma serpente envolveu meu coração. Sou pássaro sem ninho, perdido nas ilusões da grande metrópole. Tua traição. Ingrata e pérfida. Pra mostrar que braço é braço, nada mais fiz que dar murro em ponta de faca. Espingarda e baioneta, couro mais duro. Teu corpo magistral, escultural. Minha loucura. Perdição. Mendigo de tua esmola. Trapo inútil. Eu te digo adeus. Brááp. Opa. Pelo grito e pelo berro. O som desta buzina.

Até o gato zarolho se assustou. Sou homem de enredada digestão. Dia de rabada, na pensão da Vanda, não cheguem perto de mim. Nessas tardes olorosas. Peguei o rumo da Lapa deixando atrás o legado maldito envolto na infausta notícia em cor-de-rosa de que Perácio, para domingo, estava fora de cogitações.


Vai graxa sim. Do alto de minha cadeira retiro do prendedor o exemplar de Estrelas em Desfile. Ninon de Vallois figura com destaque no mais recente show do Folies Bergère e, a se julgar pela foto, informa o redator, com tal chassi seguramente essa garota vai... longe! A barca deve ter chegado a Niterói. Pffft. Esse foi de mansinho.

O engraxate salpica água em meu sapato direito com a garrafa de Caxambu tapada com rolha, um furinho. Abano disfarçando. Betty Grable vem ao Brasil, Seu marido, o trumpetista Harry James, que mantenha o olho vivo, pois Betty, é sabido em Hollywood, não faz segredo de sua admiração pelos galãs latino-americanos. Cesar Romero que o diga. Poucos sabem que, no início de sua carreira, a explosiva loura foi crooner de orquestra. Ela não só canta mas encanta. Eu entrava no apartamento da Evaristo da Veiga, o dono do negócio, com chave própria, e a ouvia no quarto cantarolando junto com o rádio os sucessos da atualidade. Não importava a hora do dia, frio ou calor, havia sempre uma suave penumbra, propícia aos amantes, perpassando cada aposento — um rumor de asas, nosso ninho, o ventilador Ideal, bule azul de café, gaiola doirada. Mesmo assim, eu checava o bidê e as toalhinhas.

O gato negro de meu ciúme. Sob o astro-rei, solar tirano, um barco a vela navega manso. Vestido no manto da ilusão, sombra perdida na tarde, vago em rumo da Conde Laje tendo o firmamento por testemunha. Venho do porto das tristezas, parto para o cais do pecado. Na carne, amarras que são garras. Tempo feliz que jamais há de voltar, passado sepulto, em dor.

Um copo de Hidrolitol sempre ajuda a digestão além de refrescar. Brindemos à vida. Vejo a bolha criada por meus sonhos surgir e desaparecer no largo recipiente de vidro. Sorvo lento, peido baixo. Desafio o destino e adquiro, do maneta frente ao Silogeu, o gasparino da fortuna. Faraco me fará rico. Olho a girafa. Na ausência de gato.


A uruguaia faz barba, cabelo e bigode e não tem sentido ficar na Conde Lage. Olha, muchacha, façamos um acordo: assim. Seis meses de Santo Amaro, Bento Lisboa e Correia Dutra e, por volta do Grande Prêmio Brasil, te lo juro, apartamento com criada e tudo em Copacabana. Nunca lhe menti, nunca lhe enganei, você sabe que pode confiar em mim. Eu falo com a madama, está tudo arrumado, você não se iluda com as mentiras multicores da cidade.

Precisas de um homem com experiência da vida: A cera brilha como espelho; o aroma forte traz evocações deliciosas. Tu tens o mundo a teus pés e não o sabes: A cigana não nos enganou. Buena dicha. Um país encantado nos espera. Ela ri quando eu digo que leio o futuro nas pregas. Aqui eu vejo um estranho em seu destino que lhe fará muito feliz. Cuidado com uma amiga falsa: Notícias de casa. Pfff. Estás viendo? Ué, será o Benedito? Cu cor-de-rosa é sinal de bom coração.


Crepúsculo singular. As luzes da cidade se acendem piscando de volta para a lua e as estrelas. Uma baratinha amarela quase me pega na Senador Dantas. Na agitação dos cabarés, os primeiros anjos da noite abrem as asas em exótico bailado.

No Amarelinho, começam as primeiras histórias tristes. Máscaras caem, outras se ajustam. Coletivos apinhados transportam vidas sem razão. Ergue-se a cortina revelando o cenário do drama cotidiano vivido à noite entre o néon; o álcool, o riso falso. Anjo, Homem-Pássaro e Ângelus. Brilham os olhos dos gatos do Passeio Público. Um brilha de olho só. Cem mil verdes olhos mágicos dos aparelhos receptores se dilatam e se contraem em busca da sintonia perfeita. Confirmada a ausência de Perácio no clássico das multidões.

Funcionário das Barcas revela que teve sua atenção chamada para a mala macabra devido ao mau aroma que de lá se desprendia. As diligencias prosseguem e um perito afirma que os despojos pertencem indubitavelmente a pessoa do sexo feminino. No mictório da Brahma, vertendo, vejo-me ao lado de festejado compositor que conheço ligeiramente de bar. Pergunto se me permite cantarolar um sambinha que eu tenho para o reinado de Momo.

Veja você, me diz ele, há dez anos atrás eu rachava ao meio pedra de gelo com o jato do mijo, hoje não empurro nem bola de naftalina. Rio da boa mas não desisto. Ai, ai, Senhor, tem pena de mim, não suporto a dor de viver triste assim, Breque: Ai, ai, Senhor. Ele diz que depois a gente vê isso.

***************
Ivan Lessa fez parte do grupo que colaborou e que, durante muito tempo, fez sucesso no jornal "O Pasquim". Carioca, filho de Orígines Lessa e Elsie Lessa, escreve valendo-se de um humor cheio de ironias. Auto-asilado na Inglaterra, segundo ele por ter-se desencantado com o Brasil, trabalha na BBC de Londres.


O texto acima foi extraído do livro “Garotos da fuzarca”, Companhia da Letras – São Paulo, 1987, pág. 51, seleção de Diogo Mainardi.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Se o Buda cruzar seu caminho, mate-o!


Demita seus gurus
 
É hora de acabar com a dependência e nos tornarmos tão grandes quanto os mestres que seguimos – tão autênticos, peculiares e obstinados quanto eles.
por Tijn Touber
 
"Todo homem deve chegar aos céus à sua própria maneira"
Frederico II (1712-1786), rei da Prússia
 
Gurus, professores espirituais, terapeutas, conselheiros: eu costumava segui-los com devoção. Devorava seus livros, não perdia um seminário e me sentava a seus pés. Durante anos viajei para a Índia, sem dúvida o país com maior índice de gurus por habitante. Todo professor que eu encontrava prometia algum tipo de iluminação ou libertação: um dizia que seria pelo compartilhamento do conhecimento, outro por meditação, ioga ou recitação de mantras. Alguns pregavam sermões longos, outros ficavam de boca fechada. Havia os que eram a própria encarnação do amor; outros eram rudes e investiam sem piedade contra seus seguidores até lhes despedaçar o ego. Muitos desses gurus eram extraordinariamente sábios e enriqueceram muito minha vida.
 
Contudo, comecei a duvidar se a relação entre um guru e seus seguidores seria mesmo a melhor maneira de atingir a libertação. Afinal, pouquíssimas vezes encontrei um seguidor que houvesse alcançado a iluminação - alguém que parecesse tão sábio e radiante quanto seu mestre. A maioria dos seguidores era gente devota, mas que duvidava muito de si mesma. Percebi também, em mim mesmo, que algumas vezes eu parecia encolher na presença de um guru que inspirava admiração em todos. Seria um sentimento de honra e respeito ou seria medo de me erguer sobre meus próprios pés?
 
Há mais de mil anos, o mestre zen chinês Lin Chi chamava a atenção para o perigo dos gurus. Ele via como muitos de seus contemporâneos transferiam a responsabilidade por seu bem-estar espiritual para outros. Com isso, dizia ele, as pessoas abriam mão de seu poder e de sua autenticidade. Esta observação levou-o a fazer uma declaração que se tornaria célebre: "Se o Buda cruzar seu caminho, mate-o". Em outras palavras, se você acha que vai encontrar a iluminação fora de si mesmo, está no caminho errado. Afinal, a essência dos ensinamentos do Buda é que todos carregam um Buda dentro de si - ou, em outros termos, todos somos Buda.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Fora do lugar!


    No cérebro de um homem havia um neurônio sozinho. Um dia, um outro neurônio  passa por lá meio apressado. O neurônio solitário diz:
     - Olá! Tudo bem? Como vai? Prazer em vê-lo! Peraí, vamos conversar!
     O neurônio que passeava pelo cérebro estranha a hospitalidade e responde:
     - Olá, companheiro! Posso saber o motivo de tanta felicidade ao me ver?
    - Quer  saber? Você é o primeiro neurônio que vejo passar por aqui depois de  décadas... Estou sozinho há tanto tempo nesse maldito cérebro...
     - Mas espera aí... há quanto tempo você está aqui solitário?
    -  Bem... Desde sempre... Sempre estive aqui...
    - Cara,  mas você é burro mesmo! Desce pro pinto... Tá todo mundo lá!

ELEGIA (erótica)


(Ilust:Fragmento de "Sonhos de arrebalde";
óleo sobre tela - 100x70cm
)

Indo para o leito
John Donne

Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.

Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado.
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
o que ele guarda, quieto, tão de perto.
o corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
o que o meu anjo branco põe não é
o cabelo mas sim a carne em pé.
Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima embaixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
o olho de tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

Tradução: Augusto de Campos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Nestor e a vizinha

Um homem está entrando no chuveiro enquanto sua mulher acaba de sair e está se enxugando. A campainha da porta toca.
Depois de alguns segundos de discussão para ver quem iria atender a porta a mulher desiste, se enrola na toalha e desce as escadas.
Quando ela abre a porta, vê o vizinho Nestor em pé na soleira.
Antes que ela possa dizer qualquer coisa, Nestor diz:
- Eu lhe dou 3.000 reais se você deixar cair esta toalha!
Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a toalha cair e fica nua. Nestor então entrega a ela os 3.000 reais prometidos e vai embora.
Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo na toalha e volta para o quarto. Quando ela entra no quarto, o marido grita do chuveiro:
- Quem era?
- Era o Nestor, o vizinho da casa ao lado, diz ela.
- Ótimo! Ele lhe deu os 3.000 reais que ele estava me devendo?
Conclusão:
Se você compartilha informações a tempo, pode prevenir exposições desnecessárias.

Seção: "Esqueçam o que eu falei"

 
"Democracia é bom, mas tem hora" (Lula, referindo-se à expulsão de Paulo de Tarso Venceslau, do PT, por ter denunciado corrupção no partido, revista Isto É, 25 de março de 1998).
 
"É só pegar os panfletos e as entrevistas dos líderes dos partidos para perceber que eles estão de esquerda para enterrados. São como cadáveres insepultos vagando por aí. A maioria dos grupos que se dizem de esquerda são igrejinhas, seitas, um bando de loucos e dogmáticos" (Herbert José de Souza, Betinho, setembro de 1995).
 
"Não sou do PT e quero distância desses loucos que se limitam a usar a retórica de esquerda sem ter propostas concretas. Defendo a economia de mercado e creio que a estabilidade da economia é um valor popular definitivo. Acho que o socialismo não é mais possível" (Ciro Gomes, Rádio CBN, 25 de agosto de 1997).
 
"Não sou e nem nunca fui socialista. Como posso ser a favor de um regime no qual quem produzir oito garrafas de cerveja ganhará o mesmo que quem produz dez?" (Lula, revista VEJA, 13 de agosto de 1997).

Quando a mulher lê

Um casal sai de férias para um hotel-fazenda.
O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler.
Uma manhã, o marido volta de horas pescando e resolve tirar uma soneca.
Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar o barco do marido e ler no lago.
Ela navega um pouco, ancora, e continua lendo seu livro.
Chega um guardião do parque em seu barco, para ao lado da mulher e fala:
- Bom dia, madame. O que está fazendo?
- Lendo um livro - responde, pensando: será que não é óbvio?
- A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida, informa.
- Sinto muito, tenente, mas não estou pescando, estou lendo.
- Sim, mas com todo o equipamento de pesca. Pelo que sei, a senhora pode
começar a qualquer momento.
Se não sair daí imediatamente, terei de multá-la e processá-la.
- Se o senhor fizer isso, terei que acusá-lo de assédio sexual.
- Mas eu nem sequer a toquei! - diz o guardião.
- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode começar a qualquer momento.
- Tenha um bom dia,madame - diz ele, e vai embora.
 
Obs.: "Nunca discuta com uma mulher que lê. Certamente ela pensa."

Para trocar uma lâmpada, quantas pessoas são necessárias?

Depende do tipo de pessoa:
 
Gays
Seis: um para trocar e cinco para ficar gritando: Linda! Poderosa!
Maravilhosa! Divina! tuuudo!
 
Peruas
Duas: uma chama o eletricista e a outra prepara os drinques.
 
Psicólogos
Apenas um, mas a lâmpada PRECISA QUERER ser trocada.
 
Loiras
Cinco: uma para segurar a lâmpada e outras quatro para girarem a
cadeira.
 
Consultores
Dois... Um sempre abandona o trabalho no meio do projeto.
 
Bêbados
Um, só pra segurar a lâmpada, enquanto o teto vai rodando.
 
Ativistas Gays
Nenhum. A lâmpada não precisa mudar, para ser aceita pela
sociedade..
 
Cantores sertanejos
Dois: um troca a lâmpada e o outro escreve uma canção sobre os bons
tempos da lâmpada antiga...
 
Machões
Nenhum: macho não tem medo de escuro.
 
Patricinhas
Duas: uma pra segurar a Coca light e outra pra chamar o papai.
 
Argentinos
Um só: ele segura a lâmpada e o mundo gira ao seu redor.
 
Mulher com TPM (essa é a melhor de todas)
Só ela! Sozinha!! Porque ninguém, dentro desta casa sabe como trocar
uma lâmpada! É um bando de IMPRESTÁVEIS!!! Eles nem percebem que a lâmpada queimou! Eles podem ficar em casa no escuro por três dias antes de notar que a porcaria da lâmpada queimou! E quando eles notarem, vão passar mais cinco dias esperando que EU troque a lâmpada, porque eles acham que eu sou a ESCRAVA deles!!! E quando eles se derem conta de que eu não vou trocar a lâmpada, eles ainda vão ficar mais dois dias no escuro porque não sabem que as lâmpadas novas ficam dentro da dispensa! E se, por algum milagre eles encontrarem as lâmpadas novas, vão arrastar a poltrona da sala até o lugar onde está a lâmpada queimada e vão arranhar o piso todo, porque são INCAPAZES de saber onde a escada fica guardada! É inútil
esperar que eles troquem a lâmpada, então sou eu mesmo quem vai trocá-la! E como eu sou uma mulher independente, vou lá e troco! E SOME DA MINHA FRENTE!

Morte digna

por Gilberto Dupas
 
Vamos aprofundar uma reflexão iniciada neste espaço há quase dois anos. Em que medida é desejável o prolongamento da vida usando recursos extremos? Quem se beneficia desses procedimentos? A importância das tecnologias é óbvia. Mas onde estão o interesse do paciente que sofre e a proteção da sua dignidade humana? Imagine-se o drama dos pais de fetos com defeitos congênitos, para os quais a medicina de ponta recomenda intervenções radicais até antes do nascimento. Trinta anos atrás, médicos experientes costumavam dizer: a natureza é sábia; deixemos que ela selecione quem deve nascer. Hoje, a tecnologia, onipotente e plena de esperança, obriga esses pais a uma decisão terrível: submeterem seus filhos aos procedimentos mais invasores ou se sentirem eternamente culpados de não terem tentado o máximo. É o mesmo dilema trágico ao se tratar da sobrevida de mãe idosa, com doença grave. Embora o olhar da mãe implore o descanso final, médicos jovens armados com os novos recursos da medicina dizem: vai deixá-la morrer? E se um novo medicamento for inventado? Imensos recursos são investidos em novos equipamentos, que se tornam "indispensáveis" e, em seguida, precisam ser amortizados. O custo dos tratamentos aumenta pesadamente. E o sofrimento também. Para quem pode usá-los, proliferam hospitais privados moderníssimos; mas sobram pressões insuportáveis sobre a rede pública de saúde.
 
O nascimento de uma criança foi transformado, de uma função fisiológica para a qual o organismo da mulher esteve desde sempre preparado, em questão cirúrgico-hospitalar. O número de cesarianas no Brasil é quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O parto, tal qual evento cirúrgico, vê a mulher como recipiente a esvaziar...

TAPIOCA NA CARA


por Glauco Fonseca

Sujeito apresenta cartão para pagar a conta no restaurante e o garçom diz:

- O senhor por acaso não teria um outro? Não se trata de problema nem na tarja, nem no chip nem na maquininha. O problema é de ordem ética mesmo. É que lamentavelmente não poderemos aceitar este cartão. Sua despesa não configura urgência e relevância para o Estado brasileiro.

No supermercado, a moça do caixa olha com desdém para o cartão corporativo e diz ironicamente ao cliente:

- O moço encontrou tudo que precisa? Não quer aproveitar para comprar produto para proteção de madeira contra cupim? Não quer aproveitar para comprar lixa de madeira, pregos e verniz? Sim, porque nunca vi tamanha cara-de-pau comprar uísque, picanha argentina e vinho importado com um cartão pago por mim que ganho salário mínimo. Eu, hein?

No posto de gasolina, diz o frentista com as mãos na cintura para o descolado dono do carro particular em pleno sábado à tarde:

- Num sábado, amigão? Indo pra praia, meu chapa? Não aceito. Ou paga com outro cartão ou vou tirar a gasolina. Leva a mal não, cidadão, mas essa gasolina aí ta sendo paga por mim também, né? E eu não tô a fim de rachar contigo, não.

No hotel de luxo, a autoridade apresenta o cartão para pagar a hospedagem. O atendente diz à cliente VIP:

- A senhora não gostaria de pagar com outro cartão? É que, como se trata de dinheiro público, o povo ta numa dureza braba, eu sou povo e estou liso como sabão também, estamos tentando economizar um pouquinho, sabe com é. Se a senhora ajudar, pagando com um cartão próprio pelo menos os extras, já ajudaria nas MINHAS finanças.

Na casa de massagem:

- Olha, amigo, cartão de crédito a gente aceita. Se o cliente for um cara bacana, a gente pendura e até vale-transporte e ticket alimentação a gente recebe. Agora, esse cartão como essa estrela aí eu não vou aceitar não. Aqui a gente passa a mão no cliente, sim. Mas a mão no bolso a gente não mete não e isso aí é dinheiro público. Mão boba aqui só da iniciativa privada.

No freeshop, o rapaz do caixa repassa as compras do cidadão bacana chegando de Miami:

- Cigarros, chocolates suíços, gravatas Hermès, iPods para as crianças. Era só isso, Excelência ou vai cravar mais alguma facada no combalido erário através deste cartão corporativo pago com dinheiro público?

E digo eu:
- Ah, se um dia o povo descobre...

Assim caminha a revolução


Autor: Lézio Júnior

Como Lênin, Mao e Guevara, em breve Fidel Castro será apenas um pôster na parede. Ou a ilustração de camiseta.
Claudio Humberto

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Políticamente "incorreto"? Fogueira nele!


"Que acontece quando uma estupidez
luta contra outra?
Uma pode ganhar de todas as outras,
mas nem por isso deixa de ser estupidez;
e não poderá no fim, ser descoberta
e vencida pela verdade?".

*********************

"Se eu, ilustríssimo Cavaleiro, manejasse um arado, apascentasse um
rebanho, cultivasse uma horta, remendasse uma veste, ninguém me daria
atenção, poucos me observariam, raras pessoas me censurariam e eu
poderia facilmente agradar a todos. Mas, por ser eu delineador do
campo da natureza, por estar preocupado com o alimento da alma,
interessado pela cultura do espírito e dedicado às atividades do
intelecto, eis que os visados me ameaçam, os observados me assaltam,
os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram. E não é só um,
não são poucos, são quase todos. Se quiserdes saber por que isto
acontece, digo-vos que o motivo é que tudo me desagrada, detesto o
vulgo, a multidão não me contenta..."
Giordano Bruno

florbela...

Adeus mamãe... Muito lindooo

Aos corações sensíveis

Um jovem estava fazendo compras no supermercado, quando notou que uma velhinha o seguia por todos os lados.
Se ele parava, ela parava e ficava olhando para ele. No fim, já no caixa, ela se atreveu a falar com ele, dizendo:
- "Espero que não o tenha feito se sentir incomodado; mas é que você se parece muito com meu filho que faleceu".
O jovem, com um nó na garganta, respondeu que estava bem, que não havía problema.
A velhinha lhe disse, quero lhe pedir algo incomum.
O jovem lhe respondeu, diga-me em que posso ajudá-la.
A velhinha falou que queria que ele lhe dissesse "Adeus Mamãe", quando eu me for do supermercado, isso me fará muito feliz!
O jovem bom sabendo que seria um gesto que encheria o coração e espírito da velhinha, aceitou.
Então, enquanto a velhinha passava pela caixa registradora se voltou sorrindo e agitando sua mão disse: "Adeus filho"!
Ele cheio de amor e ternura lhe respondeu efusivamente 'Adeus mamãe"
O homem contente e satisfeito pois com certeza havia dado um pouco de alegria a velhinha, continuou pagando suas compras.
"Sao R$ 554,00 lhe disse a moça do caixa".
"Cruz credo ... Por que tanto se só levo somente uma pizza congelada??"
E a moça do caixa lhe disse:
- "Sim, mas sua mamãe disse que você pagaria pelas compras dela também".

Moral da história:
- "Não confie em nenhuma velha que se aproxime de você em supermercado com sentimentalismo barato!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Não me pertence mais

 
Óleo sobre madeira - 17cmX15cm - MAF
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A loira no avião


Em um avião indo para Nova York, a comissária se dirige a uma loira sentada na divisão reservada para a primeira classe e pede para que ela se mude para a classe econômica , pois ela não tinha a passagem para a primeira classe. A loira replicou dizendo:

- Eu sou loira, eu sou bonita, estou indo para Nova York e eu não vou sair.

Não querendo argumentar com a passageira, a comissária pede para o co-piloto para falar com ela. Ele foi falar com a mulher pedindo que ela fizesse a gentileza de sair da primeira classe.

Novamente, a loira respondeu:

- Eu sou loira, eu sou bonita, estou indo para Nova York e eu não vou sair.

O co-piloto voltou para a cabine de comando e perguntou para o piloto o que ele deveria fazer.

O piloto disse:

- Eu sou casado com uma loira e sei como lidar com isso.

Ele foi para a primeira classe e sussurrou no ouvido da loira... Ela imediatamente pulou da cadeira e correu para o setor econômico resmungando para si:

- Por que ninguém me disse antes?

Surpresos, a comissária e o co-piloto perguntaram o que ele havia dito para a loira que a convenceu a sair. Ele disse:

- Eu disse a ela que a primeira classe não estava indo para Nova York!


*********Outra**********

Conselho de Loira para Loira

Uma mulher ia se casar, mas seu noivo não sabia que ela não era mais virgem. Então, para não decepcioná-lo na lua de mel, resolve perguntar para uma amiga o que deveria fazer. E a amiga lhe dá uma sugestão:

-Antes de transar, você vai ao banheiro, com a desculpa de que vai se arrumar para ele, e nessa hora você coloca uma pequena bexiga (balão) no local do hímen.

Aceitando a sugestão, na lua de mel, na hora H, ela foi ao banheiro e fez o planejado. Voltou ao quarto e, lépida, se entregou ao marido. Rolou aquele aquecimento básico e o cara, já bem animado, partiu para cima. No momento do bem-bom ouve-se um pequeno estouro. Ele se assusta, interrompe o ato, olha para o pênis e fica parado de boca aberta. Ela mais do que depressa pergunta:

-O que houve meu amor? Nunca viu um hímen??

O marido responde:

-Sim, mas em nenhum estava escrito FELIZ ANIVERSARIO!!!!

Quem foi que fez isso?!

A rainha das loiras

A vingança da Loira


Meses atrás, uma loira estava viajando aos Estados Unidos. No avião, um homem senta ao seu lado e, começa a puxar assunto. Vendo que era loira ele resolve tirar vantagem da situação:

-Vamos fazer um jogo de perguntas? Eu te pergunto e se você errar, você me dá 5 reais, se você acertar eu te dou 500 reais e, depois você me pergunta... se eu acertar você me dá 5 reais e se eu errar, eu te dou 500 reais.

-Ok! - disse a loira.

-Minha pergunta - disse o homem - O que é a gravitação?

Sem dizer uma palavra, a loira tira da carteira e entrega 5 reais ao sujeito.

-Minha vez -disse a loira- O que que sobe uma montanha com três pernas e desce com cinco?

O rapaz pensou, pensou, pensou e deu os 500 reais para a loira.

- Mas espere aí - disse o rapaz à loira - O que que sobe uma montanha com três pernas e desce com cinco?

E, novamente se dizer uma palavra, a loira tirou 5 reais da carteira e deu ao rapaz.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Adolescentes... antigos

 
Ao enviar, minha amiga Tânia Polo Gelmi, disse: "Espero que seja fato, pois não pesquisei para saber... bjs"



Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases:

1) "Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus."

2) "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível."

3) "Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."

4) "Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.

Então, revelou a origem delas:

- A primeira é de Sócrates (470-399 a.C .)
- A segunda é de Hesíodo (720 a.C.)
- A terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.
- E a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia (Atual Bagdá) e tem mais de 4000 anos de existência.
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Consegue controlar seu comentário?(rs)
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Bebe Vinho, que te fá bene

 
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Vinho faz perdoar a pena de viver.
Bebe vinho! Vinho cor de rubi, vinho cor-de-rosa, vinho cor de sangue!
Bebe vinho!
Tens muitos séculos para dormir.
Vinho é amargo? Não importa! Tem o gosto da vida!
*****
Todos os reinos por uma taça de vinho precioso.
Todos os livros e toda ciência dos homens por um perfume suave de vinho.
Todos os hinos de amor pela canção do vinho que corre.
Toda a glória de Feridoum pelos reflexos do vinho na ânfora.
Bebo o vinho que me oferece uma linda rapariga e não cuido de minha salvação.
Sempre ouço dissertar sobre os gozos reservados aos eleitos, limitando-me a dizer:
Só tenho confiança no vinho.
Bebe vinho!
Só ele te dará a mocidade, ele é a vida eterna.
******
Bebe um pouco de vinho porque dormirás muito tempo,
debaixo da terra, sem amigo, sem camarada, sem mulher.
Nosso amigo mais velho é o vinho mais novo.
*****
O vinho destrói os cuidados que nos atormentam e nos dá a quietude perfeita.
Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno.
Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno o paraíso deve estar vazio.
*****
Vinho! Eis o remédio que carece o meu coração doente.
Vinho com perfume almiscarado! Vinho cor-de-rosa!
Dá-me vinho para apagar o incêndio da minha tristeza.
Bebe e esquece que o punho da tristeza breve te derrubará.
Vinho! Vinho em torrentes! Que ele palpite em minha veias.
Que ele borbulhe em minha cabeça!
*****
Quando bebo, ouço mesmo o que não me pode dizer a minha bem amada!
Mais vale uma ânfora de vinho do que o poder, a glória e as riquezas.
O vinho libertar-te-á das névoas do passado e das brumas do futuro.
O vinho inundar-te-á de luz, livrando-te dos grilhões de prisioneiro.
*****
Quando Deus me criou sabia que eu beberia vinho.
Se me tornasse abstêmio, sua ciência estaria errada.
Trazei-me todo o vinho do Universo!
Meu coração tem tantas feridas!
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O vinho proporciona aos sábios uma embriaguez semelhante à dos eleitos.
Dá-nos a mocidade, restitui-nos o que perdêramos, põe ao nosso alcance tudo o que desejamos.
O vinho queima como torrente de fogo,
mas, às vezes, tem sobre as nossas mágoas o efeito da água pura e fresca.
Omar Khayyan
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Khayyam significa, em persa, fabricante de tendas; ele adotou esse nome em memória do pai que era fabricante de tendas.
Além de poeta Omar Khayyam foi matemático e astrônomo.

Não me pertence mais

 
Óleo sobre cartão
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A supremacia máscula


 

Supremacia Racial