sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Lúcifer na terra


Créditos:Gustave Doré, John Milton

Lúcifer observa a Terra, ponderando sobre sua situação. Não seria possível se retratar com o Criador? Ele conclúi que não. As feridas são profundas demais.

O que é uma derrota para espíritos como esses? Passada a tormenta, é necessário voltar à luta -- ou perecer para sempre.


Em sua solitária jornada, contra Deus e o Homem, Lúcifer suspira sobre sua queda. Mas o que pode fazer agora? Seu caminho está traçado, não pode voltar atrás.


E, apesar de ter sido difamado através dos séculos, esse personagem mítico sempre despertou, e continua a despertar, a razão nas pessoas de bom senso, com sensibilidade para escutá-lo. Por quê ser inferior? Não é a ambição um sinal de nobreza? E, perdido o Paraíso, não é dever do espírito altivo travar nova guerra para reconquistar aquilo que, em seu coração, lhe pertence? Mesmo sendo "longo e difícil o caminho que do Inferno leva à luz".

Tão antiga quanto o Cristianismo é a lenda de Lúcifer, o anjo rebelde, a estrela da manhã. Embora travando uma guerra inviável, contra o próprio Criador, a argumentação a ele atribuída é perturbadoramente lúcida, fazendo jus a seu nome (...)

Enquanto isso, em Cuba_2


"É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola..."
Roberto Campos

Recentemente, mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro. Eles eram artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram a oportunidade e abandonaram o "paraíso" comunista, que faz até o Brasil parecer um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer uma proposta: trocar esses três "fugitivos" que buscam a liberdade por Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados artistas brasileiros, defensores do modelo cubano.
Rodrigo Constantino

Enquanto isso, em Cuba...

En Cuba, un niño regresa de la escuela a su casa,cansado y hambriento y le pregunta a su mamá:
- Mamá, ¿que hay de comer?
- Nada, mi hijo.
El niño mira hacia el papagayo que tienen y pregunta:
- Mamá, ¿por qué no papagayo con arroz?
- No hay arroz.
- ¿Y papagayo al horno?
- No hay gas.
- ¿Y papagayo en la parrilla eléctrica?
- No hay electricidad.
- ¿Y papagayo frito?
- No hay aceite.
El papagayo contentísimo gritó:

- ¡¡¡VIVA FIDEL!!! ¡¡¡VIVA FIDEL!!!'

Tá rindo de quê?

Pesquisa mostra que o riso é peça-chave para a vida em sociedade

Neurocientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, descobriram que a risada tem pouco a ver com senso de humor e é, na verdade, uma ferramenta de instinto de sobrevivência para animais que convivem em sociedade. Há séculos, teóricos como Platão. Aristóteles, Kant e Freud tentaram explicar o riso baseados na premissa errada de que eles estariam explicando também o que seria o humor.

Para chegar à origem do riso, os cientistas escanearam cérebros de macacos e ratos. E verificaram que a risada humana evoluiu do som rítmico feito por primatas, como os chimpanzés, quando eles fazem cócegas uns nos outros enquanto brincam.

Assim, a pesquisa indicou que o cérebro possui antigas conexões para produzir o riso e jovens mamíferos aprenderem a brincar uns com os outros. A risada estimula circuitos cerebrais de euforia e também reassegura para o outro animal que eles estão brincando, e não brigando.

Quando os pesquisadores iniciaram os estudos sobre o tema, há 20 anos, era comum a opção de levar pessoas para o laboratório para assistirem episódios de famosas séries cômicas de TV, como "Saturday Night Live". Mas elas não riam muito por causa do ambiente.

Em habitats naturais – calçadas, shoppings – foram observados milhares de episódios de riso. E eles checaram que de 80 a 90 por cento dessas risadas eram resultado de frases simples como "eu sei" ou "vejo vocês depois", empregadas em contextos engraçados. Ou seja, não eram necessárias piadas ou frases de efeito para gerar risos.

O estudo também mostrou que a maioria das pessoas (principalmente as mulheres) riem mais enquanto conversam do que os outros que lhe ouvem, usando as risadas como um tipo de pontuação para suas sentenças. É um processo em grande parte involuntário. As pessoas podem conter o riso, mas poucos conseguem forçar o riso de forma convincente.

Portanto, os pesquisadores concluiram que o ato de rir é um dos sinais sociais mais honestos porque é difícil de ser fingido. Ele é uma espécie de fóssil do comportamento, que evidencia as raizes que todos os seres humanos, e talvez todos os mamíferos, têm em comum. A risada primitiva, então, evoluiu como um dispositivo sinalizador com a função de destacar a compreensão de interação amigável entre duas pessoas.

Os humanos começam a rir aos quatro meses e depois progridem das cócegas para mecanismos mais sofisticados, como piadas. O riso pode ser usado para reforçar os laços de solidariedade e identidade de um grupo, ao satirizarem e isultarem pessoas de fora da unidade, mas é sobretudo um "lubrificante" social. É uma maneira de fazer amigos e também de deixar claro quem pertence a quais posições na hierarquia do status social.

A última foto: Febre amarela/dengue

Populismo e Assistencialismo: Um dia a casa cai


UMA QUESTÃO DE DIREITO

Antitabagismo: Estado avança
sobre âmbito da vida privada.

O antitabagismo militante está enlouquecido e ataca agora para valer na Europa. Na França, em Portugal, na Alemanha e quanto mais puder. Qualquer dia esse ministro Temporão petralha, haverá – se já não está fazendo – de, também, redigir uma Medida Provisória decretando que é proibido fumar e enfiar goela abaixo do Congresso. O danado já falou no assunto, mas parou subitamente.

Provavelmente não o fez até agora porque Lula, sim, Lula é fumante e, pelo que consta, gosta de cigarrilhas cubanas. Dia desses recebeu os jornalistas largando grossas baforadas ao ar. Pelo menos foi o que a imprensa noticiou.

Apesar de petralha Temporão, esse neófito da nomenklatura lulística sabe que o Apedeuta mete bronca. É grosseiro como todo sindicaleiro de periferia e não abrirá mão desse seu vício menor, reles, prosaico e comum, não é mesmo?

Sou fumante e estou consciente dos prejuízos à saúde que esse maldito vício pode me causar. Mas também sei que por fumar jamais ficarei embriagado e, por isso, não matarei no trânsito; não agredirei circunstante; não me tornarei chato e incômodo; não me meterei em brigas; não freqüentarei botecos pé sujo. Curto a minha sobriedade com satisfação e prazer.

O que é mais importante: jamais subirei um morro atrás dos bagulhos dos traficantes. Fumo mas não sou hipócrita e mentiroso.
O prejuízo do vício de fumar é apenas de quem fuma. Fumante passivo? Arre! Não existe maior bobagem, não tem qualquer comprovação científica.
Quem morre em razão da fumaça alheia não merece viver, proclamou acertadamente o genial Millor Fernandes, que não é fumante.

Concordo apenas com o incômodo causado aos não fumantes pela fumaça e o odor do tabaco. Por isso mesmo, respeito-os. Mas eles não.

Chatos como todos os politicamente corretos, me perseguem em todos os cantos e adoram dar uma patrulhada em qualquer rodinha de bate-papo.
Mas ninguém é perfeito. Eu fumo. Lamentavelmente eu fumo. Digo lamentavelmente em relação a eu mesmo. Nunca em favor desse bando de idiotas que são incapazes de qualquer brilho e criatividade a não ser patrulhar. Não têm o que dizer, então patrulham.
Ora, todos sabem e por isso mesmo têm de parar de ser hipócritas. Ninguém está se incomodando com a saúde alheia. Muito menos o Estado, esse ente político que se agiganta em todos os cantos do planeta e se mete em todas as esferas da vida. Sobretudo da vida privada. Invade o território da minha liberdade, faz tabula rasa do meu direito sobre o meu corpo.
Qualquer dia o Estado decidirá impor o cardápio à minha mesa. Poderá implicar por eu comer carne e me condenará a ser um herbívoro. Poderá ir mais além e criar uma tecnologia big brother que irá ficar me espiando noite e dia a título de zelar pela minha integridade.

A intromissão estatal na esfera privada só tem lugar se comprovadamente eu esteja, por algum comprovado motivo, lesando outrem. Do contrário qualquer lei que não se apóie nessa premissa é discricionária.
Enquanto isso as iniqüidades de todo o tipo recheiam o noticiário da mídia. Mas não há um só filho da mãe de um patrulhador se indignando com assassinatos, bêbados ao volante, maconheiros, cheiradores de cocaína, ladrões privados e estatais e demais botocudos que impõem o terror e a insegurança aos homens de bem.

Notem. A maioria dos assassinatos que acontecem diariamente decorre do tráfico de drogas e da embriagues.
Vou aproveitar o fogo com o qual acendo o meu cigarro e atear nos botocudos.

Vade retro patrulheiros idiotas! Que vão patrulhar os mosquitos da dengue e da febre amarela.
Escrito por Aluizio Amorim

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O caminho quem faz é o caminhante

Cada pessoa...


Cada pessoa que passa em nossa vida,
passa sozinha, porque cada pessoa
é única e nenhuma substitui a outra.

Cada pessoa que passa em nossa vida,
passa sozinha, mas não vai sozinha e nem nos deixa só,
porque deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.

Há os que levam muito e deixam pouco,
há os que levam pouco e deixam muito.
Esta é a mais bela responsabilidade da vida
e a prova de que não nos encontramos por acaso.

Charles Chaplin

O crime do silêncio

"O grande cúmplice da tirania é o silêncio; não atacar o
despotismo é a maneira mais covarde de servi-lo; não
denunciá-lo é auxiliá-lo; estar próximo dele sem feri-lo é a
maneira mais vil de protegê-lo; e proteger o crime é mil vezes
pior que cometê-lo; eis aí a hora em que a palavra é um dever
e o silêncio é um crime"
BAZZO, Ezio Flavio

E na América Latina...


Nos países totalitários - e o Brasil ainda não é um - mesmo quem não deve tem a obrigação de temer.
Numa democracia, quem não deve tem a obrigação do destemor.
Reinaldo Azevedo

Medo

Nego-me a me submeter ao medo que me tira a alegria de minha liberdade que não me deixa arriscar nada, que me torna pequeno e mesquinho, que me amarra, que não me deixa ser direto e franco, que me persegue, que ocupa negativamente minha imaginação, que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo. Eu quero viver, e não quero encerrrar-me. Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero Quero pisar firme porque estou seguro e não para encobrir meu medo.

E, quando me calo, quero fazê-lo por amor e não por temer as consequências de minhas palavras.

Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar. Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto.

Não quero dobrar-me, só porque tenho medo de não ser amável. Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim; por medo de errar, não quero tornar-me inativo. Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo. Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de que senão poderia serignorado. Por convicção e amor, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor. E quero crer no reino que existe em mim.

Rudolf Steiner

Muuuy amigo!

Normose

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de *normose*, a doença de ser normal.

Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo.

A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem.

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes .
Martha Medeiros

Três rainhas "magas"

O que aconteceria se fossem não três reis magos, mas três "rainhas magas"?
Elas não teriam se perdido.
Teriam chegado na hora certa.
Teriam ajudado no parto.
Teriam limpado o estábulo.
Teriam levado presentes “úteis”.
E também alguma coisa para comer.

Mas os comentários entre elas também mudariam.
-
-Você reparou que as sandálias da Maria não combinavam nada com a túnica?

-Como eles podem viver com todos esses bichos em casa?

-Espero que eles me devolvam o “tupperware” que eu levei com a torta…

-Dizem que o José está desempregado.

-O pobre do jumento está nas últimas… Virgem? Não me faça rir! Eu conheço a Maria desde a faculdade…

-O menino não se parece nem um pouco com o José…

Redação feita por uma aluna de Letras...

...que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
Nota: ISTO, EM PORTUGAL!

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objeto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjetivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objetos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conetivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Fernanda Braga da Cruz

terça-feira, 25 de dezembro de 2007


Uma mulher chegou em casa e disse para o marido:
- Zé, lembra das enxaquecas que eu costumava ter toda vez que nós íamos fazer amor?
Estou curada.
- Não tem mais dor de cabeça?!?!- O marido perguntou espantado.
A esposa respondeu:
- Minha amiga Margarete me indicou um terapeuta que me hipnotizou. O médico me disse para ir para frente do espelho, me olhar bem no espelho e repetir para mim mesma. Não tenho mais dor de cabeça. Não tenho mais dor de cabeça. Não tenho mais dor de cabeça.
Fiz isso e a dor de cabeça parece que sumiu.
- O marido respondeu: Mas que maravilha!
Então a esposa falou para o marido.
- Nos ultimos anos você não anda muito interessado em sexo. Por que você não vai ao terapeuta e tenta ver se ele te ajuda a ter interesse em sexo novamente?
O marido concordou, marcou uma consulta e alguns dias depois estava todo fogoso para uma noite de amor com a esposa. Então foi correndo para casa e entrou arrancando as roupas e arrastando a esposa para o quarto. Colocou a esposa na cama e disse para ela:
- Não se mova que eu já volto. Ele foi ao banheiro e voltou logo depois, pulou na cama e fez amor de maneira muito apaixonada como nunca tinha feito com a esposa antes.
A esposa falou:- Zé, foi maravilhoso!
O marido disse novamente para a esposa.
- Não saia dai que eu volto logo. Foi ao banheiro e a segunda vez foi muito melhor que a primeira. A mulher sentou-se na cama, a cabeça girando em êxtase com a experiência.
O Marido disse outra vez: - Não saia dai que eu volto logo. Foi ao banheiro.
Desta vez a esposa foi silenciosamente atrás dele e quando chegou lá o marido olhava para o espelho e dizia:
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
O velório do Zé será amanhã na capela 13 do cemitério da Saudade!

A-ham" - "Hum-Hum".

Tarde da noite, já estavam deitados, quando a mulher pergunta
Se eu morresse você casava outra vez?
Claro que não, querida!
Não?!
Não por quê?! Não gosta de estar casado?
Claro que gosto!, querida.
Então por que é que não casava de novo?
Está bem, casava...
Casava? (com um olhar magoado)
Casava. Só porque foi bom com você...
E dormiria com ela na nossa cama?
Onde é que você queria que nós dormíssemos?
E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?
É natural que sim...
E ela ia usar o meu carro?
Não. Ela não dirige...
Hum !!!! (silêncio)

Moral da história:
Jamais prolongue um assunto com uma mulher.
Apenas abane a cabeça ou diga "A-ham" ou "Hum-Hum".
Poema de Marília Gonçalves, portuguesa radicada na França, cujo estilo único consegue aliar idéias políticas a sensações físicas como repulsa, nojo e medo, sensações por aqui familiares a muitos de nós:

ALERTA
de Marília Gonçalves


"Grita filha !
há uma aranha
Na brancura da parede
Que peçonhenta tamanha
Vai tecendo sua rede.

Grita filha !
Essa fobia
É protecção natural
Contra a aranha sombria
Que além de símbolo
é mal !

Grita com todas as forças !
Grita porque há mesmo perigo
Essa aranha uma cruz negra
é o pior inimigo.
Por meu amor não te cales !

Grita filha
Tua mãe
Impele-te pra que fales :
Contigo grito também !
Essa aranha que se estende
Tem o passo marcial
Com fúria que surpreende
O incauto em voz fatal.

Grita filha
O bicho imundo
Sai vertiginosamente
Da sombra vinda do fundo
Em veneno de serpente.

Tal a jibóia medonha
Enrola-se abraça o mundo
Pra ir crescendo em peçonha.
Introduz-se em toda a parte
Tudo corrói e desfaz
É inimiga da Arte
Do Ser Humano da Paz.

Grita filha !
Mas tão alto
Num grito tão verdadeiro
Que desperte em sobressalto
O que não quer ver primeiro.
Essa aranha pestilenta
Odeia a própria Cultura
Em fogueira que alimenta
Livro após livro censura.

Opõe à Humanidade
A sua força brutal
Por onde ela passa invade
Mata o constitucional !

É um monstro repelente :
Primeiro ataca o mais fraco
Para ir seguidamente
Oculta em cada buraco
Destruir a Liberdade.
Inimiga da diferença !

Grita !
Minha filha Grita !
Faz ouvir tua presença.
Aponta o bicho feroz
Mostra-o sacode os amigos
Com a força da tua voz !

Grita !
Esse enredo de perigos !
Grita filha ! Desta vez
Esse grito é racional
Porque essa aranha é o não
Ao direito Universal.
Sem medo abre tua boca !

Grita alto ! Grita forte !
Porque toda a força é pouca
Para lutar contra a morte.

Grita ! Grita minha filha
não te cales nunca mais :
não se veja outra Bastilha
Prendendo os próprios jornais !

Que teu grito seja infindo
Circule dê volta ao mundo
Jovem voz entusiástica
Erguendo o povo profundo
Contra a bandeira suástica."

Fúria e Calma


óleo sobre tela / 20x40cm

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A invenção de Deus

A invenção de Deus

Há aproximadamente 4 mil anos, a idéia de um Deus único e poderoso mudou a história do mundo. Saiba, enfim, como foi criada a idéia do criador

Rodrigo Cavalcante
Esse, definitivamente, não é o caso de Javé. O deus bíblico criador do céu e da terra segundo o Gênesis continua reinando absoluto para mais de 3 bilhões de judeus, cristãos e muçulmanos (ainda que estes últimos o chamem de Alá).
O todo-poderoso deus do Sol Amon-Rá, um dos criadores do mundo no antigo Egito, não passa hoje de mera curiosidade arqueológica. O mesmo fim levaram outros deuses egípcios, como Osíris e sua mulher Ísis.

Tiamat e Apsu, deuses da criação na Mesopotâmia, também foram relegados ao ostracismo. Zurvan, o deus do tempo na Pérsia antiga, não conseguiu acompanhar o passar dos séculos com a mesma força.

E os grandes deuses gregos e romanos, como Zeus (Júpiter, para os romanos), Afrodite (Vênus) e Apolo (Marte), apesar de gozarem ainda de status literário e mitológico no Ocidente, não são levados mais a sério como divindades. A não ser em episódios de desenhos animados como Os Superamigos, onde ainda são invocados por personagens como o Super-Homem, a Mulher-Maravilha e outros membros da Sala de Justiça.


Mesmo que você seja ateu, Javé continua moldando boa parte de sua vida. Afinal, a imagem de um ser todo-poderoso, masculino, onipotente, pai, permeia a cultura, o comportamento e a ética do Ocidente.

Mas como a idéia de um único deus, cultuado inicialmente por pequenas tribos do Oriente Médio, viria a mudar a história do planeta? Como Javé superou os deuses dos maiores impérios da Antiguidade?

Deuses e Deus
Apesar de ninguém saber ao certo o momento em que os homens passaram a cultuar deuses, a maioria dos arqueólogos e antropólogos concorda que esse é um traço comum de todas as civilizações. Como escreveu a historiadora das religiões Karen Armstrong em seu livro Uma História de Deus, "parece que criar deuses é uma coisa que os seres humanos sempre fizeram. E, quando uma idéia religiosa deixa de funcionar para eles, simplesmente a substituem".

As primeiras imagens de deuses esculpidas em pedras há mais de 10 mil anos na Europa, no Oriente Médio e na Índia em nada se parecem, contudo, com o velho barbudo e musculoso dos afrescos que Michelangelo pintou na Renascença. São imagens de mulheres nuas, gordas, grávidas e de seios fartos que simbolizavam a fertilidade - algo natural, segundo os arqueólogos, numa época em que a agricultura estava se desenvolvendo.

Com o tempo, essa deusa mãe da fertilidade ganharia vários nomes: Inana na antiga Suméria, Ishtar na Babilônia, Anat em Canaã, Ísis no Egito e Afrodite na Grécia. E quase sempre dividia lugar com outros deuses.

Na Grécia antiga, espécie de matriz do mundo ocidental, mais de uma dezena de deuses eram cultuados pelos cidadãos. Nenhum deles, contudo - incluindo o poderoso Zeus - era tão gigante, distante e sobrenatural como o deus da Bíblia.

Para os gregos, os deuses não eram figuras imaculadas e perfeitas, mas apenas uma das "três raças" que habitavam o mundo, ao lado dos animais e dos homens. "Eles eram espécies de super-homens com qualidades e defeitos bem semelhantes aos nossos. Com a diferença, é claro, de que eram imortais", diz o historiador e arqueólogo Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas.

Até mesmo a morada deles em nada se assemelha ao céu sobrenatural do deus bíblico. Para os gregos, ao menos 12 desses deuses viviam no monte Olimpo, uma montanha de verdade localizada na Grécia, com quase 3 mil metros de altitude.

E, por estarem mais próximos dos homens, a relação dos gregos com os deuses era semelhante à relação de alguns católicos com seus santos de preferência. Cada um deles tinha um papel bem definido e as oferendas seguiam a lógica das promessas: em troca de ofertas ao seu deus predileto, os devotos esperavam que sua parte no pacto fosse cumprida. Quando isso não acontecia, era comum que os deuses fossem criticados abertamente - assim como um empregado critica seu patrão por não ter retribuído seu esforço.

Adotados pelos romanos com outros nomes, esses deuses da Grécia logo se tornaram parte do ritual cívico do novo império que não parava de se expandir. Como os deuses não eram entidades imaculadas - e sim um tipo de homens superpotentes -, era comum atribuir a alguns imperadores (as pessoas mais poderosas à época) uma origem divina. Na prática, os rituais da administração pública costumavam se mesclar às cerimônias religiosas.

Mas, desde que os povos dominados pelos romanos que seguissem outras religiões pagassem seus impostos e não desafiassem o comando romano, seus cidadãos tinham o direito de seguir os deuses de sua preferência.

Quando os romanos conquistaram a região que hoje faz parte de Israel, no século 1 a.C., eles inicialmente não fizeram muito caso com o culto dos judeus a um deus único no Templo de Jerusalém. Naquele tempo, ninguém podia ainda imaginar que o deus dos judeus seria levado, quatro séculos depois, para o centro do maior império do Ocidente.

Mas que deus era esse?

Deus tribal
Segundo as Escrituras, o pacto entre os judeus e Javé teria começado com um homem chamado Abraão, há cerca de 4 mil anos. Conta a tradição que ele foi chamado por Deus para deixar a cidade de Ur, na Mesopotâmia (atual Iraque), para fundar uma nova nação em uma terra desconhecida.

Mais tarde, essa terra prometida seria chamada de Canaã. Ao obedecer e firmar uma aliança com esse deus único, Abraão recebeu a promessa de que sua "semente" iria prosperar por toda a Terra.

O deus que aparecera para Abraão é completamente diferente dos deuses gregos e romanos. Ele não compartilhava da condição humana e se colocava na posição onipotente de poder fazer qualquer exigência que quisesse. Qualquer uma mesmo.

No caso de Abraão, por exemplo, Javé ordenou que seu filho Isaac fosse sacrificado pelo próprio pai como prova de sua fé. O resto da história é conhecida: no momento em que Abraão já estava com a faca em punho, Javé recuou do pedido e disse que tudo não passara de um teste.

Por isso mesmo, quem lê o Antigo Testamento (o Pentateuco, para os judeus) sabe que Javé não guarda semelhanças com o pai dócil ou amoroso que mais tarde o cristianismo iria propagar. "É um deus brutal, parcial e assassino: um deus de guerra, que seria conhecido como Javé Sabaoth, Deus dos Exércitos", escreveu a historiadora Karen Armstrong. "É passionalmente partidário, tem pouca misericórdia pelos não favoritos, uma simples divindade tribal."

Prova disso seriam as passagens como a que Javé manda pragas aos egípcios. Em outras, Javé se mostra até arrependido de sua criação, como quando ordenou a morte por afogamento de toda a humanidade por meio do dilúvio do qual só escapou a família de Noé e os animais que ele pôs em sua arca - isso antes ainda da aliança feita com Abraão.

Durante essa fase, Javé parece mais preocupado em ameaçar a raça humana para que ela não se desvie de suas instruções. Talvez seja por isso que o pacto de Abraão precisou ser reforçado por outros patriarcas. Caso de Moisés, para quem Deus preferiu escrever diretamente seus mandamentos nas tábuas do profeta, não deixando dúvidas sobre suas intenções.

O fato é que, quando os romanos chegaram a Israel, o deus do Templo de Jerusalém parecia muito mais rigoroso e cheio de exigências que os deuses gregos. Mesmo para os romanos, que admiravam a tradição judaica pela consistência de suas escrituras, a conversão àquele deus era uma tarefa nada fácil.

"Como era necessário seguir uma série de regras, que iam da alimentação à circuncisão, poucos romanos eram atraídos para o judaísmo", afirma o historiador André Chevitarese, professor de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Até que, no século 1, o advento de uma nova seita dentro do judaísmo iria tornar Javé popular muito além das fronteiras de Israel.

Deus cristão
A nova corrente judaica defendia que Jesus de Nazaré, o galileu que acabara de ser crucificado pelos romanos, era o messias enviado por Javé para cumprir as profecias das escrituras. Não seria exagero dizer que, inicialmente, o cristianismo não passava de uma corrente judaica - ou melhor, uma ala do judaísmo, assim como um partido político tem alas que nem sempre estão afinadas com a presidência.

É então que surge uma questão decisiva para o futuro de Jesus e do deus Javé. A pergunta-chave era: os convertidos ao cristianismo que não seguiam os tradicionais rituais judaicos (como a circuncisão) poderiam ser salvos?

Esse foi um dos principais temas discutidos pelos cristãos numa assembléia realizada por volta do ano 49 d.C., mais tarde conhecida pelo nome de Concílio de Jerusalém. Como diz o historiador Paul Johnson em seu livro História do Cristianismo, o tal concílio foi o primeiro ato político da história da Igreja. É aí que surge uma figura decisiva para a expansão do cristianismo e, por tabela, da crença do deus único Javé.

O nome dele era Paulo de Tarso, um homem cosmopolita recém-convertido, para quem os traços judaicos do cristianismo estavam arruinando seu trabalho de arrebanhamento de novos cristãos. Como provavelmente falava grego muito bem e era um dos poucos cristãos que conheciam diversas províncias do Império Romano, ele devia ter consciência das dificuldades que seu trabalho teria caso tivesse que obrigar os gentios a seguirem as práticas judaicas, principalmente a circuncisão.

Para a maioria dos historiadores da religião, se as idéias de Paulo fossem censuradas no Concílio de Jerusalém, talvez o cristianismo permanecesse apenas como mais uma seita judaica, sem conseguir jamais a autonomia responsável pela sua expansão.

Mas a idéia central de Paulo, resumida na frase de que o verdadeiro cristão se justifica pela fé "e não pelos trabalhos da lei", prevaleceu. Os gentios podiam agora se converter sem tantos empecilhos e o cristianismo ganhou novas fronteiras.

"Paulo ajudou a tirar de Jesus a imagem de um messias para o povo hebreu, transformando-o num salvador de todos os povos", diz Chevitarese. Com isso, o deus Javé também deixou de ser um fenômeno regional, ligado apenas ao povo hebreu, para ganhar caráter universal.

Quando, no ano 313, o imperador romano Constantino instruiu os governadores das províncias dominadas por Roma a dar completa tolerância aos cristãos, revogando todos os decretos anticristãos do passado, o cristianismo deu um passo decisivo para se tornar, em seguida, o credo oficial do império.

Com a expansão da nova fé, o deus "carrancudo" ganhou uma face completamente diferente, ao menos para os cristãos. De certa forma, a crucificação de Jesus foi vista como o momento em que Javé sentiu na pele o que é ser humano.

Se, no passado, foi Deus que pediu a Abraão que sacrificasse seu filho como prova de sua fé, o cristianismo invertia essa lógica: agora era o próprio Javé que tivera o filho sacrificado como prova de amor. Mesmo as mensagens atribuídas a Jesus nos Evangelhos parecem ressaltar mais o amor divino que a lei divina.

"Apesar de não ser correta a idéia de que o cristianismo promovera um rompimento total com a tradição judaica, é inegável que a figura de Cristo passa a imagem de um deus bem mais marcadamente amoroso que no passado", diz Luiz Felipe Pondé, filósofo e professor de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

"Na tradição judaica, em que Jesus viveu, estava muito claro que o homem devia temer a Deus acima de tudo. Com Jesus, a mensagem passa a ser amar a Deus acima de tudo."

Deus do Islã
Para os muçulmanos, o acordo firmado entre Javé e Abraão renovou-se e foi ampliado no século 7, quando o mercador Muhammad (em português, Maomé) teria recebido as revelações de Deus (agora, Alá) por meio do anjo Gabriel (para eles, Jibril) - desta feita, em língua árabe. Mais tarde, as revelações foram reunidas no livro sagrado do Islã: o Alcorão (ou recitação, em árabe).

A nova revelação do deus dos judeus e dos cristãos vinha preencher um vazio religioso que há muito perturbava os povos da Arábia. Até então, a região também era um centro de santuários de culto a diversas divindades.

O mais importante desses locais sagrados, em Meca, era a Caaba (que significa "cubo"), e seu objeto especial de veneração era uma pedra preta, fragmento de um meteoro. "Pedras desse tipo eram adoradas pelos árabes nesse tempo em diversas regiões", escreveu o francês Maxime Rodinson na biografia Mahomet, ainda sem tradução no Brasil.

Ao lado da pedra, havia representações de diversas deusas e o santuário era uma espécie de parada obrigatória entre os mercadores da região. Mesmo assim, como escreveu a historiadora Karen Armstrong na biografia Maomé, boa parte dos árabes sentia-se um tanto renegada por nunca ter recebido uma mensagem direta e explícita de um único deus, como as revelações contidas nas sofisticadas escrituras judaicas e nos evangelhos.

Por conhecerem as tradições tanto do judaísmo quanto do cristianismo, eles acreditavam que já era hora de Deus enviar um profeta com uma revelação exclusiva para os árabes. As mensagens recebidas por Maomé foram vistas como o momento em que isso aconteceu.

Para os muçulmanos, as mensagens de Deus contidas no Antigo e no Novo Testamento foram revistas e ampliadas com o Alcorão, que deve ser consultado no lugar das revelações anteriores. No livro sagrado do Islã, o deus de Abraão volta a ser bem mais específico nos seus mandamentos que as parábolas atribuídas a Jesus nos evangelhos.

Nesse quesito, Alá se torna bem mais próximo do deus da Lei do Antigo Testamento (a Torá dos judeus). Entre os 6326 versículos do Alcorão, há desde instruções para o casamento até regras sobre como o governante deve agir na cobrança de impostos.

É provável que esse grau de detalhamento das instruções de Deus seja fruto do momento em que Maomé recebera as revelações. Alá, afinal, transmitiu seus novos mandamentos na época em que o profeta erguia um estado em Meca.

A nova palavra de Deus, contudo, foi tão forte que os seguidores do Islã terminaram construindo um império. Pouco mais de 100 anos após a morte do profeta, seus seguidores levaram a mensagem do deus único para a África e para locais distantes no Oriente, como o Afeganistão e o Paquistão.

A expansão do Islã no último milênio - assim como a do cristianismo - fez com que o deus de Abraão não apenas vencesse a batalha com os outros deuses como também sobrevivesse a um poderoso inimigo: o mundo científico contemporâneo.

Em um tempo em que a narrativa da criação está mais para a explosão caótica do Big Bang do que para o relato do Gênesis, ser ateu continua tão impopular que, como diz o cientista britânico (e ateu) Richard Dawkings, autor de Deus, um Delírio, os homossexuais parecem ter bem mais facilidade para "sair do armário" que os ateus. Quatro mil anos depois, o velho Javé continua em forma.

A última foto: paraquedas

A última foto: Zoo

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

não era maldita?

Celular 3 G — R$ 6 bi em dois dias: é a herança bendita
Por Reinaldo Azevedo
 
Abaixo, há a notícia do sucesso espetacular do leilão dos celulares de terceira geração. O governo contava arrecadar pouco mais de R$ 2 bilhões e deve arrecadar R$ 6 bilhões, depois da jornada desta quarta-feira. Não se viu confusão nas ruas. PT e PC do B não estavam mobilizados contra as concessões. Não se fala mais em preço de banana. Esse sertão mental petista foi desbravado lá atrás, em 1998, no governo FHC. No dia 29 de julho do ano que vem, a mais bem-sucedida privatização da história do capitalismo, a da Telebras, completa 10 anos. E foi feita contra a vontade dos iluminados que estão agora no poder, beneficiando-se daquilo que foi uma quebra de paradigma. Os petistas armaram um verdadeiro circo — ou cipoal — jurídico para tentar impedir o processo. FHC e seus ministros travaram o bom combate e jamais acusaram sabotagem.
 
Eles aprenderam? Que nada! Podem voltar ao discurso primitivo a qualquer momento, a exemplo do que fez a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ontem, na Câmara, ao sair atirando contra o governo FHC. Ela reclamava da herança do setor elétrico, como se já não estivesse no quinto ano de governo. Mas vá lá... O que há em mim de otimismo me diz: um dia essa gente também passa. Ela e suas falsificações da história.

equus_free / óleo s/tela-40x60cm

A última foto: Aranha


 

A lágrima de Maria


Puberdade


A última foto: Um jacaré no clube

J.L.Borges


para guardar e botar no teu blog ou site

a literatura, como toda arte...


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A última foto: Olha oTsunami


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

desovando estoque de sorrisos, hehe

O Manuel estava em Tókio onde comprou um par de óculos, cheio de tecnologia, que mostrava todas as mulheres peladas.
Manuel coloca os óculos e começa a ver todas as mulheres peladas, ele se encanta.
Põe os óculos... Peladas!
Tira os óculos... Vestidas!
- "Que maravilha! Ai Jesus!!!"
E assim foi Manoel para Portugal, louco para mostrar a novidade para a mulher (Maria).
No avião, se sente o máximo vendo as aeromoças todas peladas.
Quando chega em casa, já coloca os óculos para pegar Maria pelada.
Abre a porta e vê Maria e o Compadre no sofá pelados.
Tira os óculos... Pelados!
Põe os óculos... Pelados!
Tira... Pelados!
Põe..... Pelados!
E Manuel diz: -
"Pqp! já quebrou!"
*************************
O TROCO
Preocupada com a quantidade de palavrões que o Joãozinho dizia, a mãe
decidiu pedir ajuda ao pastor da igreja.
O pastor deu o seguinte conselho:
- Leve este caderno e anote cada vez que seu filho disser um palavrão. No final do mês, desconte dez centavos por palavra da mesada do menino e os doe para a igreja".
No final do mês, o pastor foi visitar a família e a primeira coisa que fez foi chamar o Joãozinho e conferir o caderno.
Contou os palavrões e disse:
- Meu filho, você proferiu 99 palavrões esse mês!
Isso é terrível!
Sua mãe vai descontar R$ 9,90 da sua mesada.
- Vamos acertar logo isso - disse Joãozinho, sem esconder a irritação. Pegou uma nota de R$ 10,00 do bolso e entregou ao pastor.
O pastor disse: - Eu não tenho R$ 0,10 para te dar de troco ...
E o Joãozinho: - Então, o senhor vai pra puta que o pariu e fica tudo certo.
***************
O Negão no Elevador
 
Um cara meio fracote e raquítico, pega o elevador. Junto com ele entra um negão imenso. O cara fica meio assustado com o tamanho do negão e o olha de cima a baixo.
O negão percebe e fala:
 - Tenho 2 metros de altura, 180 quilos, 30 centímetros de pinto, o saco pesa três quilos: FELIPE COSTA, seu criado!
O cara fracote e raquítico cai duro e desmaia!
O negão então da uns tapas na cara do coitado, acorda-o e lhe pergunta:
- O que houve cara, por que você desmaiou?
O cara ainda meio desacordado responde:
- Desculpe, o que foi mesmo que você disse?
- Eu disse: Tenho 2 metros de altura, 180 quilos, 30 centímetros de pinto, o saco pesa três quilos, FELIPE COSTA, seu criado.
 - Ah! Graças a Deus... Eu tinha entendido: FIQUE DE COSTA, seu viado...
**********************
Sexta-feira à noite a polícia para um sujeito dirigindo seu carro em zigue-zague.
O guarda pergunta se ele bebeu.
- Pois é - responde o motorista -
Eu e uns amigos paramos num bar e tomamos uns cinco ou seis chopes. Aí deram um tal de Happy Hour e serviram uma tal de margarita, que era muito boa.
Tomei umas quatro ou cinco.
Aí eu tive que levar o Miguel para casa e acabei tomando duas latas.
Para não ofendê-lo, é claro.
Aí eu parei no caminho de casa e tomei uma garrafa...
O guarda sorri e diz:
- Eu vou ter que pedir para o senhor soprar no bafômetro.
O motorista responde, espantado:
- Por que? O senhor não acredita em mim?

cartoon2

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PULANDO PELA JANELA


O cara liga pra casa numa tarde para saber o que a esposa vai fazer para o jantar.
- Alô? - diz uma vozinha de criança.
- Oi, querida, é o papai. Mamãe está perto do telefone?
- Não, papai. Ela está lá em cima no quarto com o tio Chico.
Após alguns segundos, o cara diz:
- Mas querida, você não tem um tio chamado Chico!!!
- Sim, eu tenho! E ele está lá em cima no quarto com a mamãe.
- Tá bom, então quero que você faça o seguinte: suba correndo as escadas, bata na porta do quarto e grite para a mamãe e para o tio Chico que meu carro acabou de parar na frente de casa.
- Tá legal, papai.
Alguns minutos depois, volta a menina aos prantos:
- Eu fiz o que você disse, papai.
- E o que aconteceu?
- Bem, a mamãe pulou da cama pelada e começou a correr pelo quarto gritando, tropeçou no tapete e caiu pela janela da frente, e agora ela está
morta...
- Oh, meu Deus!!! E o tio Chico?
- Ele pulou da cama pelado também, estava muito assustado, e pulou
Pela janela do fundo para dentro da piscina, mas ele deve ter esquecido
que você esvaziou a piscina na semana passada para limpar, daí ele bateu a
cabeça no fundo dela, e agora está lá, morto também... Uma longa pausa e o cara diz:
- Piscina???
Por acaso o telefone dai é 3555-0739???
- Não!
- Desculpe, foi engano!!!

cartoon

"Alice no país das maravilhas" não é uma obra infantil

Por mais que se queira afirmar, "Alice no país das maravilhas" não é uma
obra infantil nem infanto-juvenil. Pela sua complexidade de imagens e
metáforas, torna-se difícil para as crianças da atualidade acompanhar os
significados presentes na obra. Para elas, ficam apenas as imagens e as
ações completamente nonsense desenvolvidas por Lewis Carroll. Exemplo disso
é o trecho abaixo, retirado do capítulo 5, pela resposta dada pelo Gato
Sorridente. Muitas vezes a vida nos fornece respostas semelhantes, sem que
possamos nos dar conta disso.
 
"Foi quando percebeu o Gato Caçoador sentado sobre um galho, a alguns metros de distância. Vendo Alice, o Gato contentou-se em sorrir largamente para ela. Parecia gentil, mas tinha unhas afiadíssimas e um tão grande número de dentes que Alice viu logo que era melhor tratá-lo com respeito.
 
- Gatinho Sorridente... - começou ela, sem muita segurança, porque não tinha certeza se ele gostaria de ser tratado desse modo.
 
O Gatinho não fez nada, a não ser alargar mais o sorriso.
 
- Bom, por enquanto não está zangado - pensou Alice.
 
E animou-se a continuar:
 
- Pode me dizer, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
 
- Isso depende do lugar para onde você deseja ir - respondeu o Gato.
 
- O lugar para onde desejo ir? Francamente, para mim tanto faz.
 
- Nesse caso, tanto faz o caminho que você seguirá.
 
- Contanto que eu chegue a algum lugar...
 
- Chega, na certa! Contanto que ande o tempo necessário.
Alice viu que não era possível negar isso. "
 
Quando se tem uma meta, o que era um obstáculo passa a ser uma das etapas do plano.
Gerhard Erich Boehme

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
 
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
 
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
 
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
 
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
 
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
 
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
 
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
 
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
 
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
 
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
 
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
 
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
 
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
 
 Guiomar de Grammon

Você sabe como capturar porcos selvagens?

Você sabe como capturar porcos selvagens?
 
Havia um professor de química em um grande colégio com alunos de intercâmbio em sua turma. Um dia, enquanto a turma estava no laboratório, o professor notou um jovem do intercâmbio que continuamente coçava as costas e se esticava como se elas doessem.
 
O professor perguntou ao jovem qual era o problema. O aluno respondeu que tinha uma bala alojada nas costas pois tinha sido alvejado enquanto lutava contra os comunistas de seu país nativo que estavam tentando derrubar seu governo e instalar um novo regime, um "outro mundo possível".
 
No meio da sua história ele olhou para o professor e fez uma estranha pergunta: "O senhor sabe como se capturam porcos selvagens?"
 
O professor achou que se tratava de uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem disse que não era piada.
 
"Você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho gratuito. Quando eles se acostumam a vir todos os dias, você coloca uma cerca mas só em um lado do lugar em que eles se acostumaram a vir. Quando eles se acostumam com a cerca, ele voltam a comer o milho e você coloca um outro lado da cerca. Mais uma vez eles se acostumam e voltam a comer. Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta deles com uma porta no último lado. Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e com as cercas, começam a vir sozinhos pela entrada. Você então fecha a porteira e captura o grupo todo."
 
"Assim, em um segundo, os porcos perdem sua liberdade. Eles ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho fácil e gratuito. Eles ficaram tão acostumados a ele que esqueceram como caçar na floresta por si próprios, e por isso aceitam a servidão."
      
O jovem então disse ao professor que era exatamente isso que ele via acontecer neste país. O governo ficava empurrando-os para o comunismo e o socialismo e espalhando o milho gratuito na forma de programas de auxílio de renda, bolsas isso e aquilo, impostos variados, estatutos de "proteção", cotas para estes e aqueles, subsídio para todo tipo de coisa, pagamentos para não plantar, programas de "bem-estar social",  medicina e medicamentos "gratuitos", sempre e sempre novas leis, etc, tudo ao custo da perda contínua das liberdades, migalha a migalha.
 
Devemos sempre lembrar que "Não existe esse negócio de almoço grátis".
 
Finalmente, se você percebe que toda essa maravilhosa "ajuda" governamental é um problema que se opõe ao futuro da democracia em nosso país.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Manoel, Joaquim e a vingança lusa!

- O Manoel leva sua mulher ao ginecologista para saber porque apareceram umas pintinhas azuis na altura da virilha dela.
Depois de examiná-la, o médico chama o Manoel o e pergunta:
O senhor pratica sexo oral com sua mulher regularmente?
Manuel responde:
- É claro, doutor... Ela gosta muito, pois!
E o médico:
- Então, lembre-se de tirar a caneta de trás da orelha das próximas vezes.

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Manoel Joaquim dos Santos, nascido em Trás-os-Montes, no extremo, bem extremo, nordeste de Portugal, ganhou seu primeiro lápis de colocar atrás da orelha quando tinha 7 anos.
Aos 15 anos, já no primário, ganhou sua primeira caneta-tinteiro.... de orelha.
Aos 32 anos, descobriu que caneta ambém servia para escrever.
Hoje, já informatizado, está com orelha de abano por causa do peso do mouse.

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A vingança lusa:
Um brasileiro vivia na Europa e tinha a esposa na maternidade, o filho tinha nascido poucas horas antes. Então ele lá foi para ver o seu rebento, mas, não conhecendo bem a cidade acabou por perder-se.
Apesar disso consegue chegar à maternidade. Chegou a recepção e perguntou:
- Olhe, eu venho cá ver o meu filho, nasceu há algumas horas. Sabe, sou brasileiro e novo na cidade, perdi-me. Ainda posso vê-lo?
- Suponho que possa fazer uma excepção, suba estas escadas a direita e vai lá ter
facilmente.
- Muito obrigado!!
Ele lá foi, subiu as escadas e viu logo um grande letreiro que dizia:
*** Bebés Super Inteligentes e Bonitões ***
Viu uns bebés deitados nos seus berços.
Chegou perto da primeira enfermeira que viu e perguntou muito excitado:
- O meu bebé, quero ver o meu bebé!!
- Pode-me dar o seu nome?
- Sou brasileiro, não devem haver muitos aqui.
- Deixe ver... não, não tenho cá nenhum brasileiro, tente o piso acima.
E subiu as escadas de novo, para encontrar
outro letreiro que dizia:
*** Bebés Inteligentes, Acima do Normal e Bonitos ***
Lá estavam mais bebés nos seus berços e foi perguntar a uma enfermeira se estava lá o seu bebé.
- Não, desculpe mas não temos cá o seu filho, tente o piso acima.
Subindo novamente as escadas e ia embatendo noutro letreiro que dizia:
*** Bebés Com Q.I. Normal e Apresentáveis***
Lá encontrou outra enfermeira a quem perguntou se lá estava o seu adorado filho,
mas obteve a mesma resposta:
- Parece-me que não... Definitivamente não está cá, talvez no piso acima.
Já conhecendo de cor os degraus daquela escada lá foi subindo até encontrar outro
letreiro que por sua vez dizia:
*** Bebés Mais Fracos Intelectualmente e Menos Bonitos ***
Um pouco desiludido, lá foi questionar a enfermeira e foi o mesmo:
- Vai ter que ir lá ver a cima que nós cá não o temos, é só subir...
- Eu sei o caminho, obrigado!
Subindo de novo as escadas encontra outro letreiro que por sua vez diz:
*** Bebés Burros e Feios ***
- Pode ser que seja aqui. Enfermeira, podia-me dizer se o meu filho está aqui?
Depois da procura...
- Terá que ir lá a cima, porque ele aqui não está.
Mais escadas, e mais um letreiro onde está escrito:
*** Bebés Completamente Estúpidos e Feios de Morrer ***
Mais uma enfermeira questionada e a resposta já conhecida:
- Com certeza que está no piso acima, porque aqui não está, desculpe.
Já a pensar que estava no cimo do Hospital vai subindo as escadas, quando vê:
*** Futuros Parasitas e Inadaptados da
Sociedade, Aparência Alienígena ***
- Enfermeira!!
Bla bla bla...
- Como vê aqui há muitíssimos poucos bebés e posso-lhe garantir que aqui não está. Só há mais um piso acima deste e é ai que ele está!
- Ahh, finalmente vou ver o meu filho. Diz o brasileiro enquanto sobe as escadas, onde depara com o seguinte letreiro:
*** Brasileiros ***

ATÉ CRIANÇA SABE

Uma criança de quatro anos em vista ao
grande apelo de marketing do
PANAMERICANO e das Olimpíadas pergunta
para o seu pai.
- Papai o que é PARAOLIMPIADAS?
O pai, com habilidade responde ao pequeno
ser:
- Assim como tivemos o PAN, PARAPAN,
teremos as Olimpíadas e as PARAOLIMPÍADAS.
As PARAOLIMPÍADAS são para os atletas
especiais, com deficiência física, mentais,
entendeu filhinho?
- Ah papai, entendi. Assim como teve eleição
"PARAPRESIDENTE" e o LULA GANHOU NÉ?
DICIONÁRIO INGLÊS=CEARENSE

Devido ao grande número de cearenses aderindo ao que os mineiros de Governador
Valadares já fazem há muito tempo, ou seja, se mandar para os "States", o governo do
Ceará mandou fazer uma pequena cartilha traduzindo algumas expressões básicas
usadas no dia a dia, para ajudar os conterrâneos nas previsíveis dificuldades
iniciais num país estrangeiro. Vamos lá:

What the hell is that? = Diabéisso?

Hurry up! = Avua, homi!

Take it easy! = Se avexe não!

Don´t be stupid! = Deixe de ser jumento!

Let´s go, fellows! = Rumbora negada!

No thanks! = Carece não!

Very far away! = Lá na carraducarai!

Very good = Danado de bom.

This way = Peralí.

More or less = Marromeno.

Straight ahead = No rumo da venta.

Get out of the way = Ó, sai do mei!

That´s cool! = É pai d´égua!

I give up! = Eu peço penico!

Wait for me! = Perainda!

Hey, mister! = Psiu, ei seu Zé!

Son of a bitch = Fi duma égua.

Come to me, baby! = Ande, Tonha!
PELADA NO MAR

O ginecologista tirou um dia de folga e foi para a praia.
Uma gata muito gostosa também foi para tomar banho de sol.
Numa certa hora ela resolveu entrar na água, mas quando estava entrando, veio uma onda muito grande e tirou todo o seu biquíni.
Ela coloca seu braço tampando seus seios, pega um côco e tampa a perereca.
Sai de fininho para ninguém ver, mas o ginecologista fica olhando.
A gostosa já com raiva esbraveja:
O que está olhando? Nunca viu não?
Ver eu já vi muitas, mas tomando água de côco é a primeira vez.

ALUNA APLICADA
A aluna pergunta:
- Professor, de quantas matérias eu posso ficar
para recuperação?
- De até 3 matérias, responde o professor.
- E se eu ficar de quatro, o senhor dá uma
empurradinha?

Fada Madrinha


Era uma vez um casal que fazia bodas de prata e estava também celebrando os seus 60 anos de idade.
Durante a celebração, apareceu uma fada e lhes disse:
Como prêmio por terem sido um casal exemplar durante 25 anos, concederei um desejo a cada um!
Quero fazer uma viagem ao redor do mundo com o meu querido marido!
-Pediu a mulher. A fada moveu a varinha e... zás!
Os bilhetes apareceram nas mãos da senhora.
Em seguida foi a vez do marido.
Ele pensou um momento e disse:
Bem, este clima está muito romântico, mas uma oportunidade destas só se tem uma vez na vida.
Então... Bom, desculpa, amorzinho -disse, olhando para a esposa - mas o meu desejo é ter uma mulher trinta anos mais jovem do que eu!
A mulher fica chocada, mas pedido é pedido:
A fada faz um circulo com a varinha e... zás!
O homem ficou com 90 anos!
Moral da história:
Todos os homens são sacanas, mas as fadas madrinhas são mulheres!

A MULHER E A PÉROLA

A cena desta piada se passa num templo Shaolin.

O discípulo:
Sábio e honrado mestre, poderia ensinar-me a diferença entre uma pérola e uma mulher?

O Mestre:
A diferença, humilde gafanhoto, é que numa pérola pode-se enfiar por dois lados, enquanto numa mulher somente por um lado.

O discípulo (um tanto confuso):
Mas Mestre, longe de mim pensar contradizer vossa himalaiana sabedoria, mas ouvi dizer que certas mulheres permitem ser enfiadas pelos dois lados!

O Mestre (com um fino sorriso):
Nesse caso, curioso gafanhoto, não se trata de uma mulher e sim de uma pérola ....

Joãozinho na escola


Joãozinho estava na escola quando o professor pergunta:
- Joãozinho, quanto é dois e dois?
- É relativo, professor, porque se os números estão na horizontal é 22, se estão na vertical é 4.
- Ah... Pensas que és muito inteligente, não Joãozinho?
Pensas que és um sabichão, neh? Agora diz-me, quantos são os mandamentos de Deus?
- Os mandamentos são... Bem, é relativo, professor.
- Como é que é relativo!!!??
- É relativo, porque se são para homens são 10, mas se são para mulheres são 9, porque as mulheres não podem desejar a mulher de próximo, a menos que sejam lésbicas.
- És um filho da p(*), Joãozinho!
- Também é relativo, professor, porque se na realidade sou filho de minha mamãe, NÃO; mas se sou filho da sua, então SOU!

COMPRE UM BILHETE E CONCORRA A 2 PICK UPs ZERINHAS!

O garoto pensou: - 'Eu poderia ganhar esses 2 carros! E deixar meu pai com um carro e dinheiro sobrando'
Então com o dinheiro das contas comprou vários bilhetes.
Chegou em casa, desviou-se do pai, nem jantou, e foi logo deitar.
No outro dia, logo cedo, o pai preocupado com a conta, ao acordar, pergunta ao filho pelas contas pagas. Então o filho lhe respondeu que havia comprado os bilhetes e que daqui dois dias o pai iria ganhar duas camionetes. O pai ficou uma fera! Ficou doidão, esbravejou porque aquele era o último dinheiro que tinha e teria para pagar as contas e como se não bastasse, a bronca, deu uma bela de uma surra em seu filho.
Passados dois dias, chegou o dia do sorteio e então...

S U R P R E S A!!!!!!

Ao acordar, a família teve uma surpresa, estavam estacionados em frente à casa:
Duas camionetes novinhas !
Todos ficaram emocionados e começaram a chorar !
Uma era da Sabesp e outra da Eletropaulo.
Cortaram a luz e a água por falta de pagamento.
Vai acreditando que dinheiro cai do céu e pare de trabalhar... vai...!

Pobre Juvenal

Juvenal tava desempregado há meses. Com a resistência que só os brasileiros têm, o Juvenal foi tentar mais um emprego em mais uma entrevista. Ao chegar no escritório, o entrevistador observou que o candidato tinha exatamente o perfil desejado, as virtudes ideais e lhe perguntou:
- Qual foi seu último salário?
- 'Salário mínimo', respondeu Juvenal.
- Pois se o Sr. For contratado ganhará 10 mil dólares por mês!
- Jura?
- Que carro o Sr. Tem?
- Na verdade, agora eu só tenho um carrinho pra vender pipoca na rua e um carrinho de mão!
- Pois se o senhor trabalhar conosco ganhará um Audi para você e uma BMW para sua esposa! Tudo zero!
- Jura?
- O senhor viaja muito para o exterior?
- O mais longe que fui foi pra Belo Horizonte, visitar uns parentes...
- Pois se o senhor trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes por ano, para Londres, Paris, Roma, Mônaco, Nova Iorque, etc.
- Jura?
- E lhe digo mais... O emprego é quase seu. Só não lhe confirmo
agora porque tenho que falar com meu gerente. Mas é praticamente garantido. Se até amanhã (sexta-feira) à meia-noite o senhor NÃO receber um telegrama nosso cancelando, pode vir trabalhar na segunda-feira.

Juvenal saiu do escritório radiante. Agora era só esperar até a
meia-noite da sexta-feira e rezar para que não aparecesse nenhum maldito telegrama.
Sexta-feira mais feliz não poderia haver.
E Juvenal reuniu a família e contou as boas novas. Convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa a base de muita música. Sexta de tarde já tinha um barril de choop aberto. As 9 horas da noite a festa fervia. A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta. Dez horas, e a mulher de Juvenal aflita, achava tudo um exagero. A vizinha gostosa, interesseira, já se jogava pra perto do Juvenal. E a banda tocava! E o choop gelado rolava! O
povo dançava!

Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro. Gastaria horrores para o
bairro encher a pança. Tudo por conta do primeiro salário. E a mulher resignada, meio aflita, meio alegre, meio boba, meio assustada.

Onze horas e cinqüenta e cinco minutos........ Vira na esquina
buzinando feito louco uma motoca amarela... Era do Correio! A festa parou! A banda calou! A tuba engasgou! Um bêbado arrotou! Uma velha peidou! Um cachorro uivou!
Meu Deus, e agora? Quem pagaria a conta da festa?

- Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida.
Jogaram água na churrasqueira! O chopp esquentou! A mulher do Juvenal desmaiou! A motoca parou!

- Senhor Juvenal Batista Romano Barbieri?
- Si... si... sim, so... so... sou eu...
A multidão não resistiu...
- OOOOOHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!
- Telegrama para o senhor...
Juvenal não acreditava... Pegou o telegrama, com os olhos cheios
d'água, ergueu a cabeça e olhou para todos.
Silêncio total !!! Respirou fundo e abriu o telegrama. Uma lágrima
rolou, molhando o telegrama.. Olhou de novo para o povo e a consternação era geral.
Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler. O povo em
silêncio aguardava a notícia e se perguntava.
- E agora? Quem vai pagar essa festa toda?
Juvenal recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que o encarava...



Então, Juvenal abriu um largo sorriso,
deu um berro triunfal
e começou a gritar,
super alegre e eufórico:





- Mamãe morreeeeuuu! Mamãe Morreeeeuuu!!!!!!!

Tênis e Frescobol / Rubem Alves


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.

Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimento e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte da conversa". Scherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã e, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos Sentidos.

Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressucitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo "Eu te amo...".
Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada." É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma"!

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - poiso que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.

Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos... A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá... Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada.
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.
O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor ... Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...
Rubem Alves