
• Nunca deixe que seus inferiores lhe façam um favor. Pode custar-lhe caro.
• Um homem educado é aquele que nunca bate numa mulher sem ter um motivo justo.
• Imoralidade é a moralidade daqueles que se divertem mais do que nós.
• As únicas pessoas realmente felizes são as mulheres casadas e os homens solteiros.
• Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive.
• Mostre-me um puritano e eu lhe mostrarei um filho da puta.
• Digam o que disserem sobre os Dez Mandamentos, devemos nos dar por felizes por eles não passarem de dez.
• O principal conhecimento que se adquire lendo livros é o de que poucos livros merecem ser lidos.
• Pelo menos numa coisa homens e mulheres concordam: nenhum deles confia em mulheres.
• De fato, é melhor dar do que receber. Por exemplo: presentes de casamento.
• A consciência é uma voz interior que nos adverte de que alguém pode estar olhando.
• Os solteiros sabem mais sobre as mulheres que os casados. Se não, também seriam casados.
• O adultério é a democracia aplicada ao amor.
• A fé pode ser definida como uma crença ilógica na ocorrência do improvável.
• Quanto mais envelheço, mais desconfio da velha máxima de que a idade traz a sabedoria.
• Pode ser um pecado pensar mal dos outros, mas raramente será um engano.
• O cristão vive jurando que nunca fará aquilo de novo. O homem civilizado apenas resolve que será mais cuidadoso da próxima vez.
• Os homens se divertem muito mais que as mulheres. Talvez porque se casem mais tarde e morram mais cedo.
• Nunca superestime a decência da espécie humana.
• Incrível como meu ódio pelos protestantes desaparece quase por completo quando sou apresentado a suas mulheres.
• É difícil acreditar que um homem esteja dizendo a verdade quando você sabe muito bem que mentiria se estivesse no lugar dele.
• A guerra contra os privilégios nunca terá fim. Sua próxima grande campanha será a guerra contra os privilégios especiais dos desprivilegiados.
• Padres e pastores são cambistas esperando por fregueses diante
dos portões do Céu.
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O LUGAR DO HOMEM NA NATUREZA
Como já disse, a teoria antropomórfica do mundo revelou-se absurda diante da moderna biologia – o que não quer dizer, naturalmente, que um dia a tal teoria será abandonada pela grande maioria dos homens. Ao contrário, estes a abraçarão à medida que ela se tornar cada vez mais duvidosa. De fato, hoje, a teoria antropomórfica ainda é mais adotada do que nas eras de obscurantismo, quando a doutrina de que um homem era um quase-Deus foi no mínimo aperfeiçoada pela doutrina de que as mulheres são inferiores. O que mais está por trás da caridade, da filantropia, do pacifismo, da “inspiração” e do resto dos atuais sentimentalismos?
Uma por uma, todas estas tolices são baseadas na noção de que o homem é um animal
glorioso e indescritível, e que sua contínua existência no mundo deve ser facilitada e assegurada. Mas esta idéia é obviamente uma estupidez. No que se refere aos animais, e mesmo num espaço tão limitado como o nosso mundo, o homem é tosco e ridículo.
Poucos bichos são tão estúpidos ou covardes quanto o homem.
O mais vira-lata dos cães tem sentidos mais agudos e é infinitamente mais corajoso, para não dizer mais honesto e confiável. As formigas e abelhas são, de várias formas, mais inteligentes e engenhosas; tocam para a frente seus sistemas de governo com muito menos arranca-rabos, desperdícios e imbecilidades. O leão é mais bonito, digno e majestoso. O antílope é infinitamente mais rápido e gracioso. Qualquer gato doméstico comum é mais limpo. O cavalo, mesmo suado do trabalho, cheira melhor. O gorila é mais gentil com seus filhotes e mais fiel à companheira. O boi e o asno são mais produtivos e serenos. Mas, acima de tudo, o homem é deficiente em coragem, talvez a mais nobre de todas as qualidades. Seu pavor mortal não se limita a todos os animais do seu próprio peso ou mesmo da metade do seu peso – exceto uns poucos que ele degradou por cruzamentos artificiais-, seu pavor mortal é também daqueles da sua própria espécie – e não apenas de seus punhos e pés, mas até de suas risotas.
Nenhum outro animal é tão incompetente para se adaptar ao seu próprio ambiente. A criança, quando vem ao mundo, é tão frágil que, se for deixada sozinha por aí durante dias, infalivelmente morrerá, e essa enfermidade congênita, embora mais ou menos disfarçada depois, continuará até a morte. O homem adoece mais do que qualquer outro animal, tanto em seu estado selvagem quanto abrigado pela civilização. Sofre de uma variedade maior de doenças e com mais freqüência. Cansa-se ou fere-se com mais facilidade. Finalmente, morre de forma horrível e geralmente mais cedo. Praticamente todos os outros vertebrados superiores, pelo menos em seu ambiente selvagem, vivem e retêm suas faculdades por muito mais tempo. Mesmo os macacos antropóides estão bem à frente de seus primos humanos. Um orangotango casa-se aos sete ou oito anos de idade, constrói uma família de setenta ou oitenta filhos, e continua tão vigoroso e sadio aos oitenta quanto um europeu de 45 anos.
Todos os erros e incompetências do Criador chegaram ao seu clímax no homem. Como peça de um mecanismo, o homem é o pior de todos; comparados com ele, até um salmão ou um estafilococo são máquinas sólidas e eficientes. O homem transporta os piores rins conhecidos da zoologia comparativa, os piores pulmões e o pior coração. Seus olhos, considerando-se o trabalho que são obrigados a desempenhar, são menos eficientes do que o olho de uma minhoca; o Criador de tal aparato ótico, capaz de fabricar um instrumento tão cambeta, deveria ser surrado por seus fregueses. Ao contrário de todos os animais, terrestres, celestes ou marinhos, o homem é incapaz, por natureza, de deixar o mundo em que habita.
Precisa vestir-se, proteger-se e armar-se para sobreviver. Está eternamente na posição
de uma tartaruga que nasceu sem o casco, um cachorro sem pêlos ou um peixe sem barbatanas. Sem sua pesada e desajeitada carapaça, torna-se indefeso até contra as moscas. E Deus não lhe concedeu nem um rabo para espantá-las.
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O jornalista, crítico e filólogo H. L. Mencken (Henry Louis Mencken) nasceu em Baltimore, Maryland, no dia 12 de setembro de 1880 e estudou no Baltimore Polythecnic. Tendo começado sua carreira jornalística como repórter, Mencken veio a exercer cargos editoriais em diversos jornais e revistas. Morreu em sua cidade natal na noite de 28 para 29 de janeiro de 1956.
Os textos acima, dão uma dimensão variada do estilo e incisividade do autor. Em pessoa, ele era mais conservador do que por escrito. Sua idéia de uma noite feliz era ouvir e tocar Brahms e Schubert, se bem que ele e seu amigo Nathan (autor da frase "bebo para tornar os outros interessantes") tomaram pileques homéricos, enquanto riam dos outros.
Os ensaios constantes de "O Livro de Insultos de H.L. Mencken", seleção e tradução de Ruy Castro, editado pela Companhia das Letras - São Paulo, 1988.


























