domingo, 13 de abril de 2008

Consultando aquele famoso ginecologista


Durante uma de suas consultas, aquele famoso ginecologista não resistiu à exuberância de uma de suas pacientes e avançou o sinal. Ao sentir que o exame de toque havia virado uma orquestra, a mulher deu um pulo da maca, vestiu-se atabalhoadamente e desembestou porta afora:
- Socorro! Tarado! Esse cara é um tarado!
Estupefatas, na sala de espera, as outras pacientes levantaram os olhos das revistas Veja e Marie Claire do ano retrasado e assistiram à mulher sair correndo.
Logo o médico surge na porta e esclarece:
- Desculpem-me do transtorno! Essa mulher sofre de uma terrível síndrome e eu a aconselhei a procurar ajuda psiquiatra. Ela teve um surto e acabou fazendo esse escândalo. Pobre coitada!
Balançou a cabeça e entrou em sua sala novamente. Logo em seguida, entra a secretária.
- E aí? - pergunta ele. - Acha que fui convincente?
- O discurso foi bom, mas faltou um pequeno detalhe:
o senhor se esqueceu de vestir as calças!

Da América Latina: Tristes trópicos


Tristes Trópicos

Análise escrita por João Mellão Neto,

A América Latina já era.
A revista Veja, publicou faz tempo uma oportuna matéria sobre a crescente desimportância, de nosso subcontinente, no contexto mundial. Não soubemos, como a maioria dos países asiáticos, aproveitar a onda globalizante e, assim, nos valer da abundância de capital internacional, para alavancar as nossas economias.

Mais uma vez, fica provada a tese de que não sãos as riquezas naturais, que garantem a prosperidade e o desenvolvimento das nações. O alemão Max Weber foi o primeiro pensador a ter a coragem de afirmar que fatores culturais (e religiosos) são muito mais importantes, para determinar o sucesso ou o fracasso de uma sociedade. E fez isso, em 1904, após visitar os Estados Unidos e publicar um livro, "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", eleito pela crítica internacional, na virada do milênio, a obra mais importante, de todo o século 20. Trata-se de um trabalho de fácil leitura e assimilação, para os leigos, e, ainda, permanece atual. Em vez de amaldiçoar nossos irmãos do Norte, deveríamos tornar a leitura de Weber, obrigatória, em todas as nossas escolas. Quem sabe, assim, pouparíamos muito tempo e esforço, na vã tentativa de entender por que os gringos são tão ricos, enquanto nós somos tão pobres.

A culpa não é dos "malvados ianques que nos exploram". Quando muito, é de nós mesmos e do péssimo hábito, que cultuamos, de terceirizar a responsabilidade por nossas mazelas. O nosso próprio cancioneiro - seja o tango, a guarânia, o bolero, o sertanejo ou o samba-canção - é o mais eloqüente indício de que, para nós, a culpa de nossa infelicidade é, sempre, dos outros. Sejam, eles, as mulheres ingratas, os patrões prepotentes ou os garotos ricos, que nos tomaram nossas namoradas. Tema recorrente é o do "hombre macho", que costuma encher a mulher de pancada, e, depois, não entende por que ela o deixou. Não importam as situações e as circunstâncias: o fato é que, para nós, a culpa é, e será, sempre, dos outros.

Eu bem me recordo de que, no início da década de 70, ainda jovem, visitei a Ásia e saí, de lá, horrorizado com a miséria que encontrei. Havia pessoas,, em Hong Kong, por exemplo, que, esqueléticas, desnutridas, passavam a vida, sentadas nas calçadas. Durante a noite, se deitavam, ali mesmo, e, no dia seguinte, voltavam a sentar-se. Seu único bem era a tanga esfarrapada que usavam e, se permaneciam vivas, era por que o governo, no meio do dia, distribuía um punhado de macarrão, que era devorado com as mãos. Lembro-me de ter ficado horrorizado, com uma gigantesca favela flutuante, que era composta por milhares de pequenos barcos, atracados, uns aos outros, que formavam uma cidade de porte médio, com mais de 100 mil habitantes. As pessoas, que lá moravam, nasciam, cresciam e morriam, sem nunca ter pisado em terra firme. Os poucos, que se aventuravam a fazê-lo, andavam como macacos. Simplesmente, não sabiam andar eretos. Em Macau, então colônia portuguesa, não havia ninguém, que falasse o nosso idioma e a miséria era, ainda, mais gritante. A situação na Coréia do Sul, na Malásia e na Indonésia, pelo que diziam, era muitas vezes pior. Isso, para não falar na Indochina, na qual os Vietnãs e o Camboja estavam em plena guerra civil. O Sudeste da Ásia, sem dúvida, era a região mais pobre do mundo, naquela época.

Eis que, hoje, aquela é a zona do planeta que mais cresce e se desenvolve. Enquanto isso, aqui, na América Latina, a impressão é de que o tempo não passou. A renda per capita, pelo menos, está, praticamente, estagnada, há mais de duas décadas. Em termos de política - que, no final das contas, está por de trás de tudo -, quase nada evoluímos. Os argentinos continuam reverenciando Perón, os venezuelanos e bolivianos estão nas mãos de caudilhos populistas e ultranacionalistas, o Peru voltou para as mãos de Alan García, o sandinismo retornou, ao poder, na Nicarágua, Fidel continua mandando em Cuba e os jovens universitários, de todo o continente, inclusive os brasileiros, ainda se deixam mesmerizar, ante a esfinge "libertadora" de Ernesto Guevara. Ironia histórica, esta. Ao menos, nos tempos do Che, no auge da guerra fria, o resto do mundo, em especial, os países ricos, ainda se preocupava com o que acontecia por estas plagas. A caçada ao líder revolucionário, nas selvas da Bolívia, foi acompanhada pela imprensa do mundo inteiro. Hoje em dia, nem sequer as enormidades de Chávez e Morales rendem uma manchete secundária de jornal. O mundo desenvolvido está com os olhos voltados para os países islâmicos. Economicamente, quem chama a atenção é a Ásia. Quando o tema é miséria e solidariedade humana, quem monopoliza as conversas é a África.

E quanto a nós, os briosos latino-americanos? Bem, o fato é que nós não existimos mais. Quando nossos embaixadores sobem à tribuna, no plenário da ONU, o bocejo, dos demais, é geral. Somos inflamados, belicosos, verborrágicos e é só. Como entreouviu, certa vez, Roberto Campos, quando trabalhava na Organização, de diplomatas europeus: "Os latino-americanos são únicos. Eles despendem uma tonelada de palavras, para alinhavar cem gramas de argumentos."

Talvez seja esse, mesmo, o nosso maior defeito. A cultura bacharelesca, o floreio retórico, o cultivo da forma, em detrimento do conteúdo, o discurso das intenções, prevalecendo sobre a prática das ações: tudo isso é próprio do populismo, na sua vertente latino-americana.

Ainda pranteamos a morte precoce de Evita, o suicídio dramático de Vargas e o coronel Chávez, ainda, arenga às massas, cultuando Bolívar, em pleno século 21!

Enquanto isso, o tempo passa. Enquanto prevalecer a nossa cultura fatalista, este será o nosso destino. "Não perguntes por quem os sinos dobram", escreveu John Donne. "Eles sempre dobram por ti..."

Sobre o analista:
Jornalista, articulista de O Estado de São Paulo e do Florida Review (Flórida-EUA) ex- ministro e ex-deputado federal
(esta matéria foi copiada do "site" do Instituto Federalista : www.if.org.br )