quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

É a grana, estúpido!


O dinheiro suscita a maior parte das vociferações que ouvimos: é o dinheiro que fatiga os tribunais, é ele que coloca pais e filhos em desavença, é ele que derrama venenos, é ele que põe a espada nas mãos dos assassinos e das legiões; ele está manchado de sangue nosso; é por causa dele que as discussões de marido e mulher ressoam na noite, é por causa dele que a turba aflui aos tribunais; por causa dele, os reis massacram, saqueiam e arrasam cidades que demoraram séculos a construir, para procurarem ouro e prata entre as cinzas. Vês os cofres arrumados a um canto?
É por causa deles que se grita até os olhos saírem das suas órbitas e que os brados ressoam nos tribunais; é por causa deles que juízes vindo de regiões longínquas se reúnem para decidir qual é a avidez mais justa. E quando, não por um cofre, mas por um punhado de ouro ou por um denário que se dispensaria a um escravo, se perfura o estômago de um velho que ia morrer sem herdeiros?

E quando, possuindo vários milhares, um usurário de pés e mãos deformados, incapaz sequer de mexer no dinheiro, reclama, furioso, os juros dos seus asses? Se me apresentasses todas as minas e todo o dinheiro que delas retiramos, se pusesses aos meus pés todos os tesouros escondidos (pois a avareza devolve ao interior da terra aquilo que dela fora retirado com maldade). não creio que todas estas riquezas conseguissem impressionar um homem virtuoso.

Quão risíveis são todas as coisas que nos provocam lágrimas!
Sêneca

Queimando livros


Pouca idéia fazemos do que deixamos de saber com a destruição da Biblioteca de Alexandria, que não foi destruída de uma tacada só, pelo fogo, mas aos poucos. Primeiro por uma desavença entre a feia Cleópatra e Júlio César; e, depois, vítima da miopia religiosa do imperador Teodósio (400 d.C.) e do califa Omar. (Em 640 d.C., o califa ordenou que fossem destruídos pelo fogo todos os livros da Biblioteca sob o argumento de que "ou os livros contêm o que está no Alcorão e são desnecessários ou contêm o oposto e não devemos lê-los"). Bem mais tarde, em outra região do mundo, mais civilizada, aparentemente, os livros também acabaram bem mais que chamuscados. Foi a Bücherverbrennung, a queima de livros em praça pública ordenada pelo regime nazista em junho de 1933, que tomou parte em várias cidades da Alemanha. Será que, em pleno século XXI, não estaríamos nós promovendo o mesmo ato, diariamente, de maneira quase que irrefletida? Quando utilizamos o "google" como ferramenta de busca bibliográfica, os resultados que aparecem nas primeiras páginas só possuem tal colocação porque foram os mais acessados, mas nem por isso são os melhores. Quem de nós clica na página número 113.ooo, por exemplo? Ou, sem muitos exageros, na página 45? Acabamos sempre privilegiando os primeiros resultados. Sei não, mas sinto um cheiro de queimado no ar...

posted by Amigo de Montaigne

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

3 camisinhas

Um rapaz vai a uma farmácia e diz :
- Tem preservativo? Minha namorada me convidou para jantar esta noite na casa dela.

O farmacêutico dá-lhe o preservativo e o jovem sai .

De imediato, volta, dizendo:
Senhor, dê-me outro. A irmã da minha namorada é uma gostosona, vive cruzando as pernas na minha frente.
Acho que também vai rolar....
O homem dá o preservativo ao jovem .

Ele volta, dizendo:
Quero outro. A mãe da minha namorada também é boa pra caramba. A velha vive se insinuando, deve ser mal amada, e como eu hoje vou jantar lá na casa delas...

Chega a hora da comida e o rapaz está sentado à mesa com a namorada ao lado, a mãe e a irmã à frente.

Neste instante entra o pai da namorada .

O rapaz baixa imediatamente a cabeça, une as mãos e começa a rezar:
- Senhor, abençoa estes alimentos, blá,blá.. Damos graças por estes alimentos...
Passa-se um minuto e o rapaz continua de cabeça baixa rezando:
- Obrigado Senhor...blá,bla...
Passam-se cinco minutos :
- Abençoa Senhor este pão...
Todos se entreolham surpreendidos, e a namorada lhe diz ao ouvido:
Meu amor, não sabia que você era tão religioso...
- E eu não sabia que o teu pai era farmacêutico!

A última foto: Nem sempre Deus protege os bebuns

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Por que escrevo

Cartão bolado pela Ateliê Editorial

"Como sabem, a pergunta que mais fazem a nós escritores, a pergunta predileta, é: por que você escreve? Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever! Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo. Escrevo porque sinto raiva de todos vocês, sinto raiva de todo mundo. Escrevo porque adoro passar o dia à mesa escrevendo. Escrevo porque só consigo participar da vida real quando a modifico. Escrevo porque quero que os outros, todos nós, o mundo inteiro, saibam que tipo de vida nós vivemos, e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque adoro o cheiro do papel e da tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido, porque gosto da glória e do interesse que a literatura traz. Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira. Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual - como num sonho - nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz."

Orhan Pamuk, em "A maleta do meu pai" (Companhia das Letras, 2007, 96 págs.), livro que reúne três textos do escritor turco: dois discursos (um deles ao receber o Prêmio Nobel de Literatura em 2006) e uma palestra sobre literatura.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

As 10 vantagens de ser pobre…


1 É Simples - Você não perde o seu
precioso tempo com grandes sonhos e
se contenta com um sonho da padaria no
almoço e um Sonho de Valsa no jantar.

2. É Valorizador – Em um mundo de
mulheres tão interesseiras e
oportunistas, só as sinceras e
verdadeiras dão bola pra você! O
problema é agüentar ficar sozinho!

3. É Saudável - Você tem uma vida de
atleta, correndo pra alcançar o ônibus,
malhando pra conseguir um lugar pra
sentar e se alongando pra passar por
baixo da catraca.

4. É Anti-Estressante - Nenhum
vendedor te liga pra empurrar alguma
bugiganga porque, além da sua conta
estar negativa, você não tem telefone!

5. É Aliviante - Com a sua fama de
pé-rapado, nenhum amigo te pede
dinheiro emprestado e, dependendo do
seu grau de pobreza, eles nem serão
mais seus amigos.

6. É Emocionante - Você nunca sabe se
o dinheiro vai chegar até o final do mês e,
assim, tem uma rotina muito menos
previsível!

7. É Invejável - Enquanto os seus
vizinhos viajam, pegam trânsito no
feriado e sofrem com as praias lotadas,
você descansa na comodidade do seu
barraco.

8. É Útil – Você tem de trabalhar aos
domingos pra fazer hora-extra e, assim,
não precisa assistir aos programas que
são campeões de audiência de encheção
de saco.

9. É Seguro – Você não precisa levar a
carteira para todos lugares que for, pois
ela está sempre vazia. Assim, os
trombadinhas vão passar longe de você!

10. É Gratificante – Sem dinheiro pra
acessar a Internet, você nunca vai ler
textos cretinos como esse!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O melhor ímã de geladeira em 2007


recebi de Angel Blue

A última foto: do último mergulho

"Me sinto estrangeiro em toda parte"

Não existe vida inteligente ou virtude no nativismo regionalista

Há gente querendo reeditar, sei lá, 1932, propondo, quem sabe?, uma luta armada entre São Paulo e Minas. NÃO sou paulista. Só nasci em São Paulo. Sou brasileiro — para o bem e para o mal. Já disse aqui: quando cruzo a fronteira do “meu” estado, indo ou voltando, não sinto nada. Às vezes, tédio. Só sei que estou em São Paulo por causa das estradas sem buracos. Eu não entendo esse orgulho de “ser mineiro”, de “ser paulista”, de “ser acreano”... Isso é coisa ou de trapaceiro ou de trapaceado, ou de Cavalcantes ou de cavalgados, ou de ladrões ou de roubados. Não há nada de virtuoso nessa conversa: quem alimenta esse tipo de dissensão ou é manipulador ou é manipulado. Não existe nativismo regionalista honesto ou inteligente.

Há paulistas de primeiro time, e há aqueles que não servem para catar cocô. O mesmo se diga dos mineiros. Ocorre, e isto é fato, que não há “pensadores” em São Paulo fazendo teorias sobre “o jeito de ser paulista”. Ou há? Se houver, avisem-me para que eu lhes dê um pé no traseiro.

Assim, não me venham esses babacas dizer que Minas não me pertence. Não me sinto estrangeiro quando estou nesse estado, não. Minas é minha e não é. Como qualquer lugar. Estrangeiro, de fato, eu me sinto em toda parte, como diria o poeta.
(...)
Eu poderia dizer que FHC e Lula são tão "paulistas" quanto mineiros são Newton Cardoso e Francelino Pereira. Mas isso emburreceria o debate — e, no caso, eu ainda estaria sendo injusto com os dois “paulistas” postiços na comparação com os dois falsos “mineiros”. Entendeu ou preciso desenhar? Minas, São Paulo e toda parte nos deram homens públicos exemplares e larápios notórios. O larápio não o era porque paulista ou mineiro. Também não é a origem, analogamente, que dita o bom caráter.

(...) Ah, isso é de uma tolice gigantesca. Sem essa! Não venham me roubar Minas. Não venham me roubar Drummond. Não venham me roubar Murilo Mendes — de Guimarães Rosa, eu abro mão. Minas não pertence a qualquer mineiro mais do que pertence a mim. E fiquem à vontade para saquear amorosamente São Paulo.

O patriotismo é o último refúgio dos canalhas. E nativismo regionalista é refúgio de canalha caipira. Sou mineiro. Nasci no Piauí. E daí?

E, por favor, não percam tempo enviando para cá críticas contra “os” mineiros, contra “os”paulistas, contra “os” qualquer coisa. Não reconheço essas divisões como categorias políticas. Já disse: é coisa de gente trapaceira. Passo boa parte do meu tempo criticando os burocratas e inocentes úteis da luta de classes. Só me faltava agora aderir a essas tolices provincianas.
Reinaldo Azevedo

domingo, 27 de janeiro de 2008

"Propensão natural para a crueldade"




Meu amigo Montaigne diz: "(...) nunca consegui sequer ver sem desprazer perseguirem e matarem um animal inocente, que está sem defesa e do qual não sofremos mal algum. E como costuma acontecer que o cervo, sentindo-se sem fôlego e sem força, não tendo mais outro remédio, atira-se e se rende a nós mesmos que o perseguimos, rogando-nos mercê com suas lágrimas, esse sempre me pareceu um espetáculo muito desagradável. Nunca apanho animal vivo ao qual não devolva a liberdade. Pitágoras comprava-os dos pescadores e dos passarinheiros para fazer o mesmo. As índoles sangüinárias com relação aos animais dão prova de uma propensão natural para a crueldade."

Promessas partidas de J. Joyce

de MAF - Xilogravura 15cmX20cm
Marco Antonio Dourado - Curitiba (PR) diz: "A propósito, 'outrora, quando fui fiel ao meu sonho', cometi a ousadia de tentar traduzir o poema “Broken Vows”, Ei-lo, abaixo, com o devido pedido de perdão pelas agressões ao texto original e pelas derrapadas no nosso idioma:"

Broken Vows
(Promessas partidas)
de James Joyce

Era tarde a noite passada;
O cão falava de ti.
A narceja falava de ti, lá do fundo do pântano.
És tu o pássaro solitário dos bosques.
Pois que fiques sem companhia até me encontrar.

Tu prometeste... a mim! E mentiste para mim...
Disseste que estarias a meu lado
Quando os carneiros fossem arrebanhados.
Eu assoviei e clamei por ti centenas de vezes
E nada achei por lá, a não ser uma ovelha balindo.

Tu prometeste algo difícil:
Um navio de ouro sob um mastro prateado,
Doze cidades e um mercado em todas elas
E uma branca e bela praça à beira do mar,

Tu prometeste algo impossível:
Que me darias luvas da pele de um peixe;
E sapatos da pele de uma ave,
E roupa da melhor seda da Irlanda.

Foi num Domingo que te entreguei o meu amor:
O Domingo que precede o Domingo de Páscoa.
Eu, ali, de joelhos, a ler a Paixão (*);
E meus olhos a te oferecer amor eterno.

Minha mãe me advertiu que não falasse contigo:
"Nem hoje, nem amanhã, nem Domingo!"
Foi um mau momento para dizer-me isso.
Como trancar a porta depois da casa arrombada.

Meu coração se acha negro, negro como o abrunho (**),
Ou como o negro carvão da fornalha do ferreiro;
Ou como a sola de um sapato largado de fora dos alvos salões;
Foste quem que me cobriu a vida com toda essa treva.

Tiraste o Leste de mim, tiraste o Oeste de mim,
Tiraste o que existe à minha frente, tiraste o que me há por trás;
A Lua me tiraste, o Sol me tiraste,
E, imenso é o meu medo, tiraste Deus de mim.
__________
(*) NARRATIVA DOS SOFRIMENTOS DE CRISTO, CONFORME DESCRITOS NOS EVANGELHOS.
(**) ABRUNHO OU ABRUNHEIRO - ESPÉCIE DE AMEIXEIRA-BRAVA DO NORTE DA EUROPA.

Perdido na cozinha

de MAF - Guache/ecoline, s/papel:14X17cm
«O olhar dum bicho comove-me mais profundamente que um olhar humano. Há lá dentro uma alma que quer falar e não pode, princesa encantada por qualquer fada má. Num grande esforço de compreensão, debruço-me, mergulho os meus olhos nos olhos do meu cão: Tu que queres? E os olhos respondem-me e eu não entendo... Ah, ter quatro patas e compreender a súplica humilde, a angustiosa ansiedade daquele olhar!"
Florbela Espanca

Não me pertence mais: Doei


óleo s/madeira. 17cmX45cm

Saíndo e entrando

O que é ser escritor?

"A maleta do meu pai" (Cia. da Letras, 91 páginas), pequeno livro que contém três discursos proferidos por Pamuk em ocasiões diferentes. O discurso proferido na cerimônia de entrega do prêmio Nobel empresta o título ao livro. O autor de "O meu nome é Vermelho" define o que é ser escritor: "Para mim, ser escritor é reconhecer as feridas secretas que carregamos, tão secretas que mal temos consciência delas, e explorá-las com paciência, conhecê-las melhor, iluminá-las, apoderar-nos dessas dores e feridas e transformá-las em parte consciente do nosso espírito e da nossa literatura". Algumas páginas antes: "O escritor que se recolhe e antes de mais nada empreende um viagem para dentro de si mesmo haverá de descobrir ao longo dos anos a regra eterna da literatura: é preciso ter o talento de contar as próprias histórias como se fossem histórias dos outros, e contar as histórias dos outros como se fossem suas, porque é isso a literatura. Mas antes é preciso viajar pelas histórias e pelos livros de outros".
****************
O leitor segundo o autor, desde o ponto de vista de Guy de Maupassant*

"O leitor, que unicamente busca num livro satisfazer a tendência natural de seu espírito, pede ao escritor que responda a seu gosto predominante e qualifica invariavelmente como bem escrita a obra ou o parágrafo que agrada a sua imaginação idealista, alegre, picaresca, triste, sonhadora ou positiva.
Em resumo, o público está composto por numerosos grupos que nos gritam:

«Consolem-me.»
«Detraiam-me.»
«Entristeçam-me.»
«Enterneçam-me.»
«Façam-me sonhar.»
«Façam-me rir.»
«Façam que me estremeça.»
«Façam-me chorar.»
«Façam-me pensar.»

Só alguns espíritos seletos pedem ao artista:
«Escrevam algo belo, na forma que melhor lhes indique seu temperamento.»

O artista tenta e triunfa ou fracassa."

*Guy de Maupassant (escritor francês, 1850-1893) estudou Leis em Ruán e Paris, porém a guerra franco-prusiana o fez abandonar seus estudos e começar uma carreira como funcionário público. Os conselhos de Gustave Flaubert o convenceram a dedicar-se à literatura. Seu estilo é elegante e preciso, e reflete preocupação pelo detalhe, e, ao mesmo tempo, uma visão pessimista e angustiosa da vida.

Superman

Sete horas da manhã, o marido entra em
casa.
A mulher espera de pé, perto da porta.
- Chegando a esta hora, Superman ?
- Desculpe, eu estava com clientes.
- E vocês discutiram a noite toda até às
sete da manhã, Superman ?
- Tá certo. Nós fomos a um bar, até às
três horas, para bebericar.
- Até às três, Superman ? E o que
aconteceu que você só chegou agora, às
sete, Superman ?
- Eu... Bem..., é que depois nós fomos a
um bar de strip-tease; mas eu só fiquei
olhando! Eu não percebi o tempo passar.
- Tá bem, Superman . Você só olhou. No
que mais você quer que eu acredite,
Superman ?
- Nada, eu... Espera aí... Por que é que
você está me chamando o tempo todo de
Superman ?
- Porque só o Superman usa a cueca por
cima da calça, seu safado!!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O espelho


Foto e crédito, postado por João Paulo, de Portugal
A arte de Pino Daeni

Pino Daeni (nascido Giuseppe Dangelico) é conhecido por sua excepcional capacidade de captar movimentos e expressões - um talento que lhe proporcionou referências elogiosas à escala mundial.
A calorosa e emocionante técnica de Pino, a riqueza das cores e a sutileza e suavidade da sua abordagem são as razões pelas quais seu trabalho é procurado por colecionadores de todo o mundo.
Pino, atualmente, mora em Nova Jersey com a mulher e filhos.
***************
O Espelho de Oxum
*Um Objeto Singular*
Por Marcelo Bolshaw Gomes

Conta a lenda que, em um tempo imemorial, o rei Xangô, orixá escolhido por Oxalá para governar a terra e os outros deuses, tinha diversas esposas.
As duas mais importantes eram Yansã, a Senhora das Tempestades, e Oxum, cujo domínio se estendia pelos rios, lagos e cachoeiras.
Certo dia, enciumada da preferência de Xangô pela sua adversária; Yansã decidiu vingar-se de Oxum e, em um raio intempestivo de cólera, investiu contra a mãe das águas doces, quando esta se banhava nua às margens de um grande lago, tendo apenas um espelho entre as mãos. Devido ao fato de não ser uma guerreira, mas uma mulher dócil e vaidosa, afeita apenas aos expedientes da Sedução e da Dissimulação para se defender; Oxum viu-se completamente indefesa frente à ira arrebatadora da Rainha dos Raios. Oxum, então, rezou a Oxalá e, em um instante mágico, percebeu que o Sol brilhava forte nas costas de sua agressora. Rapidamente, ela utilizou seu espelho para refletir os raios solares de forma a cegar Yansã.
Ao saber da vitória de Oxum, o rei Xangô reafirmou sua preferência pela Senhora das Águas, que além de mais bela e delicada, provou ser também mais poderosa que a Senhora das tempestades.

Das inúmeras narrativas onde este fascínio se manifesta escolhemos o mito nagô do Espelho de Oxum, originariamente recolhida por Pierre Verger na África, pois ele apresenta vários elementos simbólicos importantes para caracterizar o *funcionamento arquetípico *dos mitos que constituem o dispositivo especular e sua estratégia epistemológica. Antes, porém, de analisar os diversos aspectos simbólicos desta lenda mítica, vamos estudar como o tema do espelho se manifesta em outras narrativas de diferentes culturas, procurando identificar suas relações com um arquétipo único, que possa esclarecer o papel universal que o Espelho desempenha na lenda nagô. *

*No Universo dos deuses nagôs *

A narrativa começa dizendo que Oxalá, 'em um tempo imemoriável', delegara o governo da terra e dos deuses a Xangô, se comportando como um 'deus oticius' ou uraniano, que cria o mundo e o entrega à administração de um de seus filhos, deuses menores. Por uma feliz coincidência, este conceito de 'Deus-pai' existente 'para além dos céus' foi estabelecido por Mircea Eliade justamente estudando a cultura Iorubá, onde Olorum se retira entregando todo poder a Obatalá.

Em nossa estória, temos uma luta, não entre duas mulheres, mas entre dois destes aspectos femininos da natureza: Yansã, Rainha dos Raios, dos Ventos e das Tempestades, senhora dos eguns e do mundo dos mortos; e Oxum, Mãe das Águas Doces e senhora do jogo de adivinhação do Ifá. Oxum também é uma deusa do amor e da beleza, uma 'Afrodite nagô'.

Os temperamentos das deusas são bastante opostos. Oxum exemplifica a mulher aparentemente submissa e dócil, mas, na verdade, sedutora e dissimulada. Yansã, ao contrário, encarna o ideal de uma mulher independente e sincera, mas de gênio irascível. É também a orixá feminina que tem mais relacionamentos amorosos com outros deuses, característica que, no entanto, não a fez menos ciumenta e possessiva. A Senhora das Águas nada podia contra a força dos ventos. Oxum não poderia se valer de suas armas habituais, a sedução e a mentira, mas para invocar o poder solar de Oxalá (o self), ela teve que transcender sua condição narcista e reflexiva. A superação desta vaidade inicial do espelho é que permite a Oxum usá-lo como uma arma real e não como um 'instrumento psicanalítico' feito o herói Kadmo diante da medusa. E este é um ponto chave desta lenda: apenas com a ajuda do elemento Fogo, a Mãe das Águas se torna também a Senhora do Espelho e vence Yansã. E assim conquista definitivamente a preferência de Xangô.

A mitologia nagô é amoral e não está preocupada em ditar modelos morais
de comportamento. Na verdade, a vitória de Oxum tem dois significados para
os Iorubás: representa, primeiro, do ponto de vista da agricultura, a preferência pelas chuvas moderadas atribuídas a Oxum como Orixá da Fertilidade do que pelas tempestades simbolizadas pelo casamento de Xangô com Yansã. E, no plano religioso, a vitória de Oxum representa a
superioridade da atividade divinatória simbolizada pelo espelho (inconsciente coletivo) sobre a necromancia e o culto aos antepassados, representado pelo aspecto ctônico e intempestivo da Rainha dos Raios.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A melhor Tatuagem de 2007

Recebi de Angel Blue

Crenças Místicas

por Rodrigo Constantino

"Uma teoria está sujeita ao tribunal da razão somente." (Mises)

O povo brasileiro é um povo bastante inclinado a aceitar passivamente crenças totalmente místicas, das mais absurdas possíveis. Concebo que esta é uma característica universal, mas o caso brasileiro chama a atenção pelo seu grau de crendice. Possivelmente, entre os principais fatores que explicam isso estão a miséria e a ignorância, ainda que não os únicos. Quanto menos instruído for o povo, e quanto maiores forem suas demandas básicas não atendidas, mais fértil é o terreno para a propagação do vírus do misticismo. O obscurantismo em que a Idade Média estava em boa parte mergulhada é evidência disso. As crenças irracionais se alastram na escuridão, alimentando-se do desespero de suas vítimas. As duas paixões humanas que mais contribuem para este caminho são o medo e a esperança. A manipulação desses sentimentos por oportunistas de plantão sempre foi um prato cheio para regimes autoritários e de exploração. O medo da morte e da punição eterna sempre fez muitas vítimas e prisioneiros. A esperança de ser salvo e viver para sempre no paraíso idem. Em certo sentido, podemos afirmar que o Iluminismo ainda não nos deu o ar de sua graça.
Continua aqui:

ELEIÇÃO É ESCOLHA, NÃO É OBEDIÊNCIA

Em 23/01
por José Nêumanne – O Estado de S. Paulo

Há quem acredite em duendes e quem espere o desembarque de Papai Noel de um trenó puxado por renas chaminé abaixo de casa em pleno verão tropical. O cineasta americano Oliver Stone, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner e o sociólogo brasileiro Marco Aurélio Garcia crêem no alívio que as Forças Armadas Colombianas (Farc) trazem ao cotidiano sofrido do pobre camponês de lá. As evidências de que as atividades políticas desses facínoras, que tiram seu sustento da produção e comercialização da cocaína e da manutenção em cativeiro nas piores e mais desumanas condições das pessoas que seqüestram, são similares às de seu parceiro brasileiro Fernandinho Beira-Mar não os demovem de sua fé. Aos 40 anos da morte de Che Guevara e do início das atividades guerrilheiras das Farc, resta-lhes pouco a crer.
Continua aqui:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A última foto: Deeesce!

De Portugal, postado por João Paulo


Portugal não falha (caso verídico).

Num concerto dos U2 em Lisboa, Portugal, Bono pediu silêncio ao público e começou a bater palmas compassadamente.
Olhando para as pessoas, que estavam em silêncio, disse ao microfone:
- Eu quero que vocês pensem em algo muito sério. A cada batida de minhas mãos, uma criança morre na África.
Nesse momento uma voz das arquibancadas grita:
- Então para de bater, ó filho da puta!...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Quieto gatuno! Que cê tá aprontando?!

Melancia complicada!

Não sei o nome do autor da façanha. Se alguém souber, manda pra cá.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Da série “Dona Marta”: Aqui Na Janela!


Aqui! Tó aqui na janela. Vendo se promete chuva mais tarde, na minha hora de ir embora. Desencosta daí velhinho safado! Já percebi o que tá querendo. Mas não cansa nunca? Não teve anteontem na sala? E não! Não vou levantar saia nenhuma. Pode botar esse negocio indecente para dentro da roupa e tirar essa mão sem vergonha daí, mesmo neste escurinho to percebendo suas intenções, velhinho tarado. Mas será o Benedito que a gente nem pode olhar sossegada pela janela? Já, sim! Mas só para meu marido. Não vou entregar meu rabicô para um taradinho como o senhor, mesmo sendo meu patrão. E daí? Nem com azeite de Portugal! Abro não! Sua mulher foi no médico, e daí? Ela vai voltar, não? E já deve ta aparecendo por aí, a coitada. Tem vergonha não, velho desbocado! Ai! Devagar com isso. Aí. Não vou sacudir coisa nenhuma! As coisas que faço para este velhinho degenerado. Fala baixo, velhote, estamos na janela do prédio. Alguém pode perceber. Mesmo com a luz apagada. Sim, sim, estou sentindo, não precisa ficar nervoso. Ai! Velho assanhado. Sei que meu traseiro é grande. Sei, sim. E gostoso também? Assim que você prefere, né, velhote? Eu sei. Tá bom, eu também gosto, sim. Cala essa boca. Mexo sim. Ah!, se meu marido souber! Que foi isso? Quem ascendeu a luz? Dona Marta! Já voltou? Nem escutei a senhora chegar...

Rebelião verde

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Não me pertence mais

AONDE CHÁVEZ VAI, LULA VAI ATRÁS


de MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

18/01/2008

Sempre foi evidente a admiração de Lula da Silva por Hugo Chávez, chamado por nosso presidente de “centro avante matador” e apontado como exemplo de democrata. E se por um lado Lula recebe amavelmente o presidente Bush para churrasco na Granja do Torto, por outro nunca deixou de fazer coro com Chávez contra os Estados Unidos, sobretudo quando de suas idas à Venezuela, como da vez em que esteve naquele país para ajudar o companheiro da boina vermelha em uma de suas intermináveis reeleições.

Chávez dominou o Congresso onde tem maioria. Lula da Silva fez o mesmo sob inspiração do seu então “capitão do time”, José Dirceu, que introduziu o método mensalão como maneira infalível de obter a maioria na Câmara. E se já havia corrupção desde os primórdios de nossa história, nunca antes nesse país comportamentos corruptos foram tão evidentes.

Hugo Chávez dominou o Judiciário. Lula, menos eficiente que o companheiro, também tem submetido à sua vontade o cumprimento da Lei. É estranho, por exemplo, que os assassinatos dos prefeitos Toninho do PT e de Celso Daniel não tenham sido desvendados, e que Bruno Daniel e sua família tenham pedido exílio político na França. Estaremos mesmo numa democracia?

Chávez desenvolveu de modo avantajado o culto de sua personalidade. Duda Mendonça criou personagem, imagem e mito para o petista de forma a fazer inveja a Hitler. E se os meios de comunicação ajudam admiravelmente ou atrapalham a propaganda, Hugo Chávez extinguiu os que não lhe interessavam e criou sua própria TV. Lula tentou no primeiro mandato cercear a liberdade de imprensa e agora terá sua TV, eufemisticamente chamada de TV Pública.

Com o correr do tempo, inevitavelmente, a amizade entre os dois egos descomunais foi se transformando em rivalidade, em que pese a fachada de encantamento recíproco. Afinal, os dois querem ser os reis ou sheiks da América Latina, mas, conforme se sabe, só pode haver um.

A questão é que se tanto um como o outro possui o mesmo apelo populista e a retórica fácil dos falastrões, o ditador de fato da Venezuela tem sido mais ágil, mais esperto, mais arrojado e mais criativo em seus intentos expansionistas.

Chávez tem adeptos fiéis em países latino-americanos, com destaque para Evo Morales, e sabe dominar com seus petrodólares por dentro de cada nação. No próprio Brasil compra escola de samba, implanta círculos bolivarianos, leva brasileiros pobres para fazer operação de catarata na Venezuela.

Acrescente-se que, enquanto o Brasil está com suas Forças Armadas sucateadas, o coronel venezuelano organizou o maior exército da América Latina e se aproximou do Irã por conta dos seus delírios de destruição atômica dos Estados Unidos. Ele conta também com o apoio de grupos paramilitares como as Farc, o MST e, provavelmente, o Sendero Luminoso.

Cresce, pois, a figura sinistra do ditador venezuelano à sombra do nebuloso socialismo do século XXI, rótulo que camufla sua ânsia de perpetuar-se no poder, sempre cultivando os três males que corroem a América Latina e a impedem de se desenvolver: o estatismo, o nacionalismo xenófobo e o populismo.

Porém, nada dura para sempre e Chávez começa a ter revezes. Levou um “no” da maioria dos venezuelanos quando do último plebiscito em que lançaria de vez os meios de não mais deixar o poder. Lula levou seu “não” em pesquisa do Ibope: 65% dos brasileiros não querem o 3º mandato. Mas Lula, que tem sorte, nunca levou um “porque não te calas”, real. Todavia, não faz mais o mesmo sucesso em países europeus.

Chávez, espertamente, armou um palco internacional e negociou com seus comparsas das Farc a libertação de duas reféns. Convidou o Brasil e lá se foi Marco Aurélio Garcia com seu chapéu de panamá, como se fosse o personagem do filme O Canibal. Fracassam as negociações com os sanguinários narcotraficantes. Chávez as retomou, mas sem Marco Aurélio. O intento era claro, desmoralizar Uribe, presidente colombiano. Nesse sentido o ditador pediu que se mudasse a denominação dos celerados guerrilheiros de terroristas para insurgentes, Afinal, coitadinhos, eles só seqüestram, torturam e matam seus prisioneiros, tudo, é claro, em nome do povo. Lula nunca aceitou a denominação de terroristas para os companheiros do Fórum de São Paulo. E não se fez de rogado para visitar na cadeia os seqüestadores de Abílio Diniz, apesar de dizer agora que abomina seqüestros.

Chávez é o sucessor de Castro na América Latina e apareceu em fotos com Fidel Castro quando o ditador cubano estava hospitalizado. No momento, quando a inflação avança, a economia mundial balança, a febre amarela mata mais do que em todo 2007, paira a ameaça de aumento de impostos e do apagão elétrico, pano rápido. Lá se vai Lula da Silva para mais uma viagem: Gautemala, destino Cuba, onde ganhou, como Chávez, seu momento de glória junto ao ditador. Pelo resplendor do rosto do presidente, não se sabe se ele se ajoelhou diante de Castro ou do “paredón” manchado de sangue dos dissidentes cubanos, para entregar ao ídolo 1 bi de dólares, fruto dos suados impostos pagos pelos brasileiros. Será que tal quantia ajudará, pelo menos, a fornecer papel higiênico para o cubanos que não conseguem fugir para os Estados Unidos?

Se aonde Chávez vai, Lula vai atrás, é bom que reflitamos onde queremos que o Brasil chegue.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

mlucia@sercomtel.com.br

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Da série “Dona Marta”: Que Tem o Decote?


Que tem meu decote? Só faltava essa, agora! Metade pra fora, onde? Só um velho tarado como o senhor pode ver essas coisas e ficar assim, com esse vulto no pijama. Tenha santa paciência. Estes seios já amamentaram três filhos, patrão. Grandes, e daí? Meu marido gosta. Também gosta? E eu com isso? Amamentar um velhinho tadinho? Não me faça rir. Eu, heim? Pode se afastar que não tem disso, não. Vai tirando essas mãozinhas daí. Pelo amor de Deus, tá rasgando o sutiã! Peraí, deixa ajudar. Nossa! Que boca mais faminta! Nem meus filhos. Assim, desse jeito. Cuidado velho, vá com calma que tem teta demais pra pouca boca. Vai acabar sufocando. Morder, não. Só um pouquinho, pode. Sim, nas duas. Sim. Assim, pode. Velho tarado sabe. Onde aprendeu essas coisas? Tá bom assim. Doi não. Aperta mais um pouquinho. Mais. Ai! Sim, gostando sim, safadinho. Diferente de uma criança, claro, velhinho sem vergonha. Melhor que meu marido? Sei lá, é diferente. Ficaram durinhos é verdade. Morde só mais um pouquinho. Isso. Assim. Fica fazendo isso com a língua. Que coisa mais... Mais, boa. Ah, se meu marido souber! E... Dona Marta! Já levo o café pra senhora!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Da série “Dona Marta”: No elevador

O que é isso, seu Mário? Botando essa coisa pra fora, dentro do elevador? Tem vergonha não, homem velho desse jeito? Tô nem olhando! Por mim, pode guardar que nem tô nem aí. Não encosta em mim, seu Mário. Pode entrar gente a qualquer hora, qualquer andar. Pode parar, velhinho, que não vou nem mexer. Magina, nada que ver!... Daquela vez foi no terraço. É diferente, noite e escuro, mas dava para ver se alguém assomasse... Tá, só um pouquinho, uma apertadinha só e depois bota essa vergonha pra dentro da calça, por favor... Aqui, no elevador? Deve estar mesmo, só louco para pedir coisa dessas. E já tamos chegando no andar... Não diga essas coisas, seu Mário, velho safadinho... Só um pouquinho. Ah! Se meu marido souber e se dona Marta... Pronto, Olh’aí, não falei? Chegamos... Dona Justina! Vai descé? Nós tamos subindo. Tá bem, obrigada. Até mais ver! Viu, safado?Justo a mulher do síndico! Meu Deus, será que ela percebeu?... Como, e daí? Fico queimada no prédio, depois quem vai me dar serviço se um dia eu tiver que sair de sua casa? Pronto, chegamos, graças a Deus!

Em campanha

Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre.
A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.
-'Bem-vindo ao Paraíso!'; diz São Pedro
-'Antes que você entre, há um probleminha.
Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.
-'Não vejo problema, é só me deixar entrar', diz o antigo senador.
-'Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte:
Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
-'Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador.
-'Desculpe, mas temos as nossas regras. '
Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.
Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso.
Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando.
Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.
-' E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.
Agora escolha a sua casa eterna.' Ele pensa um minuto e responde:
-'Olha, eu nunca pensei .. O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.'
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo.
Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos.
O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.
-' Não estou entendendo', - gagueja o senador -
'Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo.
Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!'
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
-'Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto...'

A última foto: Como era minha tia

Dos brinquedos: Meu 1° avião

Teste de surdez na 3ª idade

Um velho telefona ao médico para marcar uma consulta para a sua mulher.
A atendente lhe pergunta:- Qual o problema de sua esposa?
- Surdez. Não ouve quase nada.
- Então o senhor vai fazer o seguinte: antes de trazê-la, fará um teste, para facilitar o diagnostico do médico. Sem que ela esteja olhando, o senhor, a uma certa distância, falará em tom normal, até que perceba a que distância ela consegue ouvi-lo. Então quando vier, dirá ao médico a que distância o senhor estava quando ela o ouviu.
Certo?
- Está certo.
À noite, quando a mulher estava preparando o jantar, o velhote decidiu fazer o teste. Mediu a distância que estava em relação à mulher. e pensou:
'Estou a 15 metros de distância. Vai ser agora!'
- Maria... o que temos para jantar?
Nada. silêncio.
Aproxima-se 5 metros.
- Maria... o que temos para jantar?
Nada. silêncio.
Fica à distância de 3 metros:
- Maria... o que temos para jantar?
Silêncio.
Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:
- Maria! O que temos para jantar?
- Frango, seu surdo! É a quarta vez que te respondo!

Divonilda / de Dennis D.

Divonilda tentou ler Madame Bovary cento e quarenta e duas vezes. Sempre empacava no mesmo ponto – aquele, logo nas primeiras páginas, em que Flaubert nos descreve um incidente ocorrido com o menino Charles Bovary. O garoto, novato na classe, se atrapalha com seu estranho boné e é alvo da zombaria dos colegas. Depois, o professor castiga a todos e determina que Charles conjugue vinte vezes o verbo ridiculus sum. Justamente nesse ponto da leitura, o do verbo, Divonilda colocava o livro de lado e ia tratar de fazer qualquer outra coisa.
Certo dia, ao tomar assento num banco de praça, ela notou que ao seu lado estava sentado um senhor de cabelos brancos. Ele trazia ao colo – coisa mais interessante! - um exemplar de Madame Bovary. E sendo tal homem possuidor de um semblante pacífico, quase clerical, ela resolveu comentar: "Eu já quis ler esse livro, sabe? Umas tantas vezes eu tentei, mas nunca passei das primeiras páginas."
O homem olhou-a com bondade.
"Pois desista de uma vez por todas, minha filha. Deixe o livro pra lá. Nunca mais o toque, é o conselho que lhe dou. Há leitores que fazem muito mal aos livros. Livros se deprimem, livros se desesperam, rompem as próprias costuras, envenenam-se a si próprios com fungos fatais, chamam a si as esfaimadas traças papa-papel, suicidam-se enfim. E o fazem por quê? Justamente porque são manuseados por leitores do seu tipo, minha filha. Deixe os livros em paz, tenha piedade deles e divirta-se com os programas de televisão, ou com os filmes de amor. Você é perigosa para os livros, filha. Se você entrar numa livraria, as estantes hão de tremer. Basta prestar bem atenção. Se tiver bons ouvidos, filha, você há de escutar gemidos, gritos, pedidos de socorro vindos de todos os cantos. Seja boazinha, desista dos livros em geral. Nada de leituras, você não é disso, eu sei, eu sinto."
Divonilda teve um sobressalto: "Perdão, eu me distraí. O que o senhor disse mesmo?"
O homem perguntou: "Em que ponto parou de ouvir, filha?"

Não me pertence mais

sábado, 12 de janeiro de 2008

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sucessos e Fracasos

"Eu preferiria ser um fracasso em algo que amo do que um sucesso em algo que odeio."
George Burns

Lúcifer na terra


Créditos:Gustave Doré, John Milton

Lúcifer observa a Terra, ponderando sobre sua situação. Não seria possível se retratar com o Criador? Ele conclúi que não. As feridas são profundas demais.

O que é uma derrota para espíritos como esses? Passada a tormenta, é necessário voltar à luta -- ou perecer para sempre.


Em sua solitária jornada, contra Deus e o Homem, Lúcifer suspira sobre sua queda. Mas o que pode fazer agora? Seu caminho está traçado, não pode voltar atrás.


E, apesar de ter sido difamado através dos séculos, esse personagem mítico sempre despertou, e continua a despertar, a razão nas pessoas de bom senso, com sensibilidade para escutá-lo. Por quê ser inferior? Não é a ambição um sinal de nobreza? E, perdido o Paraíso, não é dever do espírito altivo travar nova guerra para reconquistar aquilo que, em seu coração, lhe pertence? Mesmo sendo "longo e difícil o caminho que do Inferno leva à luz".

Tão antiga quanto o Cristianismo é a lenda de Lúcifer, o anjo rebelde, a estrela da manhã. Embora travando uma guerra inviável, contra o próprio Criador, a argumentação a ele atribuída é perturbadoramente lúcida, fazendo jus a seu nome (...)

Enquanto isso, em Cuba_2


"É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola..."
Roberto Campos

Recentemente, mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro. Eles eram artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram a oportunidade e abandonaram o "paraíso" comunista, que faz até o Brasil parecer um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer uma proposta: trocar esses três "fugitivos" que buscam a liberdade por Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados artistas brasileiros, defensores do modelo cubano.
Rodrigo Constantino

Enquanto isso, em Cuba...

En Cuba, un niño regresa de la escuela a su casa,cansado y hambriento y le pregunta a su mamá:
- Mamá, ¿que hay de comer?
- Nada, mi hijo.
El niño mira hacia el papagayo que tienen y pregunta:
- Mamá, ¿por qué no papagayo con arroz?
- No hay arroz.
- ¿Y papagayo al horno?
- No hay gas.
- ¿Y papagayo en la parrilla eléctrica?
- No hay electricidad.
- ¿Y papagayo frito?
- No hay aceite.
El papagayo contentísimo gritó:

- ¡¡¡VIVA FIDEL!!! ¡¡¡VIVA FIDEL!!!'

Tá rindo de quê?

Pesquisa mostra que o riso é peça-chave para a vida em sociedade

Neurocientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, descobriram que a risada tem pouco a ver com senso de humor e é, na verdade, uma ferramenta de instinto de sobrevivência para animais que convivem em sociedade. Há séculos, teóricos como Platão. Aristóteles, Kant e Freud tentaram explicar o riso baseados na premissa errada de que eles estariam explicando também o que seria o humor.

Para chegar à origem do riso, os cientistas escanearam cérebros de macacos e ratos. E verificaram que a risada humana evoluiu do som rítmico feito por primatas, como os chimpanzés, quando eles fazem cócegas uns nos outros enquanto brincam.

Assim, a pesquisa indicou que o cérebro possui antigas conexões para produzir o riso e jovens mamíferos aprenderem a brincar uns com os outros. A risada estimula circuitos cerebrais de euforia e também reassegura para o outro animal que eles estão brincando, e não brigando.

Quando os pesquisadores iniciaram os estudos sobre o tema, há 20 anos, era comum a opção de levar pessoas para o laboratório para assistirem episódios de famosas séries cômicas de TV, como "Saturday Night Live". Mas elas não riam muito por causa do ambiente.

Em habitats naturais – calçadas, shoppings – foram observados milhares de episódios de riso. E eles checaram que de 80 a 90 por cento dessas risadas eram resultado de frases simples como "eu sei" ou "vejo vocês depois", empregadas em contextos engraçados. Ou seja, não eram necessárias piadas ou frases de efeito para gerar risos.

O estudo também mostrou que a maioria das pessoas (principalmente as mulheres) riem mais enquanto conversam do que os outros que lhe ouvem, usando as risadas como um tipo de pontuação para suas sentenças. É um processo em grande parte involuntário. As pessoas podem conter o riso, mas poucos conseguem forçar o riso de forma convincente.

Portanto, os pesquisadores concluiram que o ato de rir é um dos sinais sociais mais honestos porque é difícil de ser fingido. Ele é uma espécie de fóssil do comportamento, que evidencia as raizes que todos os seres humanos, e talvez todos os mamíferos, têm em comum. A risada primitiva, então, evoluiu como um dispositivo sinalizador com a função de destacar a compreensão de interação amigável entre duas pessoas.

Os humanos começam a rir aos quatro meses e depois progridem das cócegas para mecanismos mais sofisticados, como piadas. O riso pode ser usado para reforçar os laços de solidariedade e identidade de um grupo, ao satirizarem e isultarem pessoas de fora da unidade, mas é sobretudo um "lubrificante" social. É uma maneira de fazer amigos e também de deixar claro quem pertence a quais posições na hierarquia do status social.

A última foto: Febre amarela/dengue

Populismo e Assistencialismo: Um dia a casa cai


UMA QUESTÃO DE DIREITO

Antitabagismo: Estado avança
sobre âmbito da vida privada.

O antitabagismo militante está enlouquecido e ataca agora para valer na Europa. Na França, em Portugal, na Alemanha e quanto mais puder. Qualquer dia esse ministro Temporão petralha, haverá – se já não está fazendo – de, também, redigir uma Medida Provisória decretando que é proibido fumar e enfiar goela abaixo do Congresso. O danado já falou no assunto, mas parou subitamente.

Provavelmente não o fez até agora porque Lula, sim, Lula é fumante e, pelo que consta, gosta de cigarrilhas cubanas. Dia desses recebeu os jornalistas largando grossas baforadas ao ar. Pelo menos foi o que a imprensa noticiou.

Apesar de petralha Temporão, esse neófito da nomenklatura lulística sabe que o Apedeuta mete bronca. É grosseiro como todo sindicaleiro de periferia e não abrirá mão desse seu vício menor, reles, prosaico e comum, não é mesmo?

Sou fumante e estou consciente dos prejuízos à saúde que esse maldito vício pode me causar. Mas também sei que por fumar jamais ficarei embriagado e, por isso, não matarei no trânsito; não agredirei circunstante; não me tornarei chato e incômodo; não me meterei em brigas; não freqüentarei botecos pé sujo. Curto a minha sobriedade com satisfação e prazer.

O que é mais importante: jamais subirei um morro atrás dos bagulhos dos traficantes. Fumo mas não sou hipócrita e mentiroso.
O prejuízo do vício de fumar é apenas de quem fuma. Fumante passivo? Arre! Não existe maior bobagem, não tem qualquer comprovação científica.
Quem morre em razão da fumaça alheia não merece viver, proclamou acertadamente o genial Millor Fernandes, que não é fumante.

Concordo apenas com o incômodo causado aos não fumantes pela fumaça e o odor do tabaco. Por isso mesmo, respeito-os. Mas eles não.

Chatos como todos os politicamente corretos, me perseguem em todos os cantos e adoram dar uma patrulhada em qualquer rodinha de bate-papo.
Mas ninguém é perfeito. Eu fumo. Lamentavelmente eu fumo. Digo lamentavelmente em relação a eu mesmo. Nunca em favor desse bando de idiotas que são incapazes de qualquer brilho e criatividade a não ser patrulhar. Não têm o que dizer, então patrulham.
Ora, todos sabem e por isso mesmo têm de parar de ser hipócritas. Ninguém está se incomodando com a saúde alheia. Muito menos o Estado, esse ente político que se agiganta em todos os cantos do planeta e se mete em todas as esferas da vida. Sobretudo da vida privada. Invade o território da minha liberdade, faz tabula rasa do meu direito sobre o meu corpo.
Qualquer dia o Estado decidirá impor o cardápio à minha mesa. Poderá implicar por eu comer carne e me condenará a ser um herbívoro. Poderá ir mais além e criar uma tecnologia big brother que irá ficar me espiando noite e dia a título de zelar pela minha integridade.

A intromissão estatal na esfera privada só tem lugar se comprovadamente eu esteja, por algum comprovado motivo, lesando outrem. Do contrário qualquer lei que não se apóie nessa premissa é discricionária.
Enquanto isso as iniqüidades de todo o tipo recheiam o noticiário da mídia. Mas não há um só filho da mãe de um patrulhador se indignando com assassinatos, bêbados ao volante, maconheiros, cheiradores de cocaína, ladrões privados e estatais e demais botocudos que impõem o terror e a insegurança aos homens de bem.

Notem. A maioria dos assassinatos que acontecem diariamente decorre do tráfico de drogas e da embriagues.
Vou aproveitar o fogo com o qual acendo o meu cigarro e atear nos botocudos.

Vade retro patrulheiros idiotas! Que vão patrulhar os mosquitos da dengue e da febre amarela.
Escrito por Aluizio Amorim

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O caminho quem faz é o caminhante

Cada pessoa...


Cada pessoa que passa em nossa vida,
passa sozinha, porque cada pessoa
é única e nenhuma substitui a outra.

Cada pessoa que passa em nossa vida,
passa sozinha, mas não vai sozinha e nem nos deixa só,
porque deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.

Há os que levam muito e deixam pouco,
há os que levam pouco e deixam muito.
Esta é a mais bela responsabilidade da vida
e a prova de que não nos encontramos por acaso.

Charles Chaplin

O crime do silêncio

"O grande cúmplice da tirania é o silêncio; não atacar o
despotismo é a maneira mais covarde de servi-lo; não
denunciá-lo é auxiliá-lo; estar próximo dele sem feri-lo é a
maneira mais vil de protegê-lo; e proteger o crime é mil vezes
pior que cometê-lo; eis aí a hora em que a palavra é um dever
e o silêncio é um crime"
BAZZO, Ezio Flavio

E na América Latina...


Nos países totalitários - e o Brasil ainda não é um - mesmo quem não deve tem a obrigação de temer.
Numa democracia, quem não deve tem a obrigação do destemor.
Reinaldo Azevedo

Medo

Nego-me a me submeter ao medo que me tira a alegria de minha liberdade que não me deixa arriscar nada, que me torna pequeno e mesquinho, que me amarra, que não me deixa ser direto e franco, que me persegue, que ocupa negativamente minha imaginação, que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo. Eu quero viver, e não quero encerrrar-me. Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero Quero pisar firme porque estou seguro e não para encobrir meu medo.

E, quando me calo, quero fazê-lo por amor e não por temer as consequências de minhas palavras.

Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar. Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto.

Não quero dobrar-me, só porque tenho medo de não ser amável. Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim; por medo de errar, não quero tornar-me inativo. Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo. Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de que senão poderia serignorado. Por convicção e amor, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor. E quero crer no reino que existe em mim.

Rudolf Steiner

Muuuy amigo!

Normose

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de *normose*, a doença de ser normal.

Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo.

A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem.

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes .
Martha Medeiros

Três rainhas "magas"

O que aconteceria se fossem não três reis magos, mas três "rainhas magas"?
Elas não teriam se perdido.
Teriam chegado na hora certa.
Teriam ajudado no parto.
Teriam limpado o estábulo.
Teriam levado presentes “úteis”.
E também alguma coisa para comer.

Mas os comentários entre elas também mudariam.
-
-Você reparou que as sandálias da Maria não combinavam nada com a túnica?

-Como eles podem viver com todos esses bichos em casa?

-Espero que eles me devolvam o “tupperware” que eu levei com a torta…

-Dizem que o José está desempregado.

-O pobre do jumento está nas últimas… Virgem? Não me faça rir! Eu conheço a Maria desde a faculdade…

-O menino não se parece nem um pouco com o José…

Redação feita por uma aluna de Letras...

...que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
Nota: ISTO, EM PORTUGAL!

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objeto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjetivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objetos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conetivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Fernanda Braga da Cruz

terça-feira, 25 de dezembro de 2007


Uma mulher chegou em casa e disse para o marido:
- Zé, lembra das enxaquecas que eu costumava ter toda vez que nós íamos fazer amor?
Estou curada.
- Não tem mais dor de cabeça?!?!- O marido perguntou espantado.
A esposa respondeu:
- Minha amiga Margarete me indicou um terapeuta que me hipnotizou. O médico me disse para ir para frente do espelho, me olhar bem no espelho e repetir para mim mesma. Não tenho mais dor de cabeça. Não tenho mais dor de cabeça. Não tenho mais dor de cabeça.
Fiz isso e a dor de cabeça parece que sumiu.
- O marido respondeu: Mas que maravilha!
Então a esposa falou para o marido.
- Nos ultimos anos você não anda muito interessado em sexo. Por que você não vai ao terapeuta e tenta ver se ele te ajuda a ter interesse em sexo novamente?
O marido concordou, marcou uma consulta e alguns dias depois estava todo fogoso para uma noite de amor com a esposa. Então foi correndo para casa e entrou arrancando as roupas e arrastando a esposa para o quarto. Colocou a esposa na cama e disse para ela:
- Não se mova que eu já volto. Ele foi ao banheiro e voltou logo depois, pulou na cama e fez amor de maneira muito apaixonada como nunca tinha feito com a esposa antes.
A esposa falou:- Zé, foi maravilhoso!
O marido disse novamente para a esposa.
- Não saia dai que eu volto logo. Foi ao banheiro e a segunda vez foi muito melhor que a primeira. A mulher sentou-se na cama, a cabeça girando em êxtase com a experiência.
O Marido disse outra vez: - Não saia dai que eu volto logo. Foi ao banheiro.
Desta vez a esposa foi silenciosamente atrás dele e quando chegou lá o marido olhava para o espelho e dizia:
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
- Não é minha esposa.
O velório do Zé será amanhã na capela 13 do cemitério da Saudade!

A-ham" - "Hum-Hum".

Tarde da noite, já estavam deitados, quando a mulher pergunta
Se eu morresse você casava outra vez?
Claro que não, querida!
Não?!
Não por quê?! Não gosta de estar casado?
Claro que gosto!, querida.
Então por que é que não casava de novo?
Está bem, casava...
Casava? (com um olhar magoado)
Casava. Só porque foi bom com você...
E dormiria com ela na nossa cama?
Onde é que você queria que nós dormíssemos?
E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?
É natural que sim...
E ela ia usar o meu carro?
Não. Ela não dirige...
Hum !!!! (silêncio)

Moral da história:
Jamais prolongue um assunto com uma mulher.
Apenas abane a cabeça ou diga "A-ham" ou "Hum-Hum".
Poema de Marília Gonçalves, portuguesa radicada na França, cujo estilo único consegue aliar idéias políticas a sensações físicas como repulsa, nojo e medo, sensações por aqui familiares a muitos de nós:

ALERTA
de Marília Gonçalves


"Grita filha !
há uma aranha
Na brancura da parede
Que peçonhenta tamanha
Vai tecendo sua rede.

Grita filha !
Essa fobia
É protecção natural
Contra a aranha sombria
Que além de símbolo
é mal !

Grita com todas as forças !
Grita porque há mesmo perigo
Essa aranha uma cruz negra
é o pior inimigo.
Por meu amor não te cales !

Grita filha
Tua mãe
Impele-te pra que fales :
Contigo grito também !
Essa aranha que se estende
Tem o passo marcial
Com fúria que surpreende
O incauto em voz fatal.

Grita filha
O bicho imundo
Sai vertiginosamente
Da sombra vinda do fundo
Em veneno de serpente.

Tal a jibóia medonha
Enrola-se abraça o mundo
Pra ir crescendo em peçonha.
Introduz-se em toda a parte
Tudo corrói e desfaz
É inimiga da Arte
Do Ser Humano da Paz.

Grita filha !
Mas tão alto
Num grito tão verdadeiro
Que desperte em sobressalto
O que não quer ver primeiro.
Essa aranha pestilenta
Odeia a própria Cultura
Em fogueira que alimenta
Livro após livro censura.

Opõe à Humanidade
A sua força brutal
Por onde ela passa invade
Mata o constitucional !

É um monstro repelente :
Primeiro ataca o mais fraco
Para ir seguidamente
Oculta em cada buraco
Destruir a Liberdade.
Inimiga da diferença !

Grita !
Minha filha Grita !
Faz ouvir tua presença.
Aponta o bicho feroz
Mostra-o sacode os amigos
Com a força da tua voz !

Grita !
Esse enredo de perigos !
Grita filha ! Desta vez
Esse grito é racional
Porque essa aranha é o não
Ao direito Universal.
Sem medo abre tua boca !

Grita alto ! Grita forte !
Porque toda a força é pouca
Para lutar contra a morte.

Grita ! Grita minha filha
não te cales nunca mais :
não se veja outra Bastilha
Prendendo os próprios jornais !

Que teu grito seja infindo
Circule dê volta ao mundo
Jovem voz entusiástica
Erguendo o povo profundo
Contra a bandeira suástica."

Fúria e Calma


óleo sobre tela / 20x40cm